
Fiestas de Cruces y Mayos
en el siglo XXI
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Arqueología, Etnohistoria e Etnología


Cveček, S. & Horejs, B. (2024): The Seasonal and the Material. Anthropology of Seasonal Practices. Nomos Verlagsgesellschaft. Baden-Baden. ISBN: 978-3-98572-188-7 DOI: 10.5771/9783985721894
INDEX
dois casos de Pas Bayard "pegadas de Bayard"
Bayard deixou também pegadas mesmo na toponímia, num conjunto de lendas etiológicas extendidas pelo territoio de Fraça, Beligica e Luxembugo que explicam determinadas feições da paisagem, gravuras, ou pseudo-gravuras pétreas que foram criadas segundo a tradição pelo galope dos cascos do cavalo sobranatual. De ai os abundantes Pas Bayard repartidos pela geografia de estes paises, como o Pas Bayard do município de Durbuy pedra um sulco na sua parte superior, que se diz foi deixado quando o Ros Beiaard se impulso para saltar levando aos quatro filhos (Heemskinderen) acima até Durbuy. Um salto de nada menos que de 10 quilómetros.
As Origens de Bayard
Bayard era o nome dele, então ouvi seu
chamado;
Porque foi levado para a ilha de Bocan,
entre dois mares.
De Faeria o cavalo foi trazido.
Morgane, a fada, alimentou-o com muito cuidado”
Será o Cantar de Maugis d´Agriemond, o, que além da a procedência de insular, concretizará as suas origen ao inclui umas estranha filiação não equidea senão serpentina do cavalo, filho de um dragão e uma serpe.
Maugis O Encantador rouba aos demos o cavalo Bayard
Este cavalo fabuloso de estas origens que visan com o maligno, mas destinado a se converter no assistente do herói, fica na Ilha não cuidado afeituosamente por uma fada, senão cativo e guardado por um fero diabo.
“Que o cavalo é fádado, segundo algumas pessoas.
Ele nasceu de um dragão e de uma serpente.
Um grande precipício o impede de escapar
E um demônio terrível se esconde, em verdade
vos digo,
que é forte e feio, de nome Raanas
É um cavalo fada com corpo nobre
Quem consegue carregar alegremente o dia inteiro,
Três cavaleiros armados para um torneio,
e nenhum vestígio de suor escorreria pelos seus
lados
Está nesta rocha num lugar escondido
Entre quatro pilares trabalho de ouro
E quatro grandes carvalhos, todos prateados,
O corcel está aprisionado por essas colunas”
(Cantar de Maugis d´Agriemond)
A não-morte e posteridade de Bayard
Este estranho do método usado pelo imperador para matar ao cavalo encaixa curiosamente com o carácter aquático que se frequentemente se lhe atribui no folclore europeu aos cavalos sobrenaturais e feéricos.
Bayard no Mosela, ilustração de Eugene Grasset 1883
Cavalos feéricos habitantes das águas e que tentam levar lá aos incautos humanos que aceitam montar em eles, ou que saim dos rios e lagos para emprenhar as egoas locais, das quais nascera algum cavalo com extraordinarias carateristicas. Não resulta extranho ver tras do proprio Bayard um exemplo mais de esa tipologia cavalo sobrenatural, no qual a natureça aquática ficaria encoberta pelo seu aquático suplicio no Reno ou Mosela.
"O Nix como cavalo branco" Theodor Kittelsen, 1909
Suplicio aquático que ainda não supondo a morte real do cavalo no entanto marca a separação dele do mundo humano, a sua definitiva retirada ao ambito da Feeria, escondido no fundo floresta das Ardenas onde permanece retirado: "... se diz no Reino, como lemos nas histórias, que ele ainda mora na floresta e que, se avistar alguém, em vez de se aproximar, foge o mais rápido possível, como um demônio temente a Deus" (Quatre files de Aymon).
A tradição oral ardenate acrescenta que estas aparições do fugidio Bayard se produzem durante o
solstício de verão, no qual se pode ouvir o potente rinchar do cavalo, ou se-lhe observa
galopando furioso pelo lugar. Uma destas cavalgadas de Bayard foi descrita ainda no
século XIX por Prosper Tarde, que recolheu em
1861 a noticia de boca de um velhinho que a relatava os feitos como acontecidos no ano 1815,
durante a guerra entre franceses e prussianos:
“[…] À noite do solstício de verão, chegamos a
Montcy-Notre-Dame , perto de Waridon. Cheios de cansaço, paramos para pernoitar
lá. A décima segunda hora estava prestes a soar. Nossos homens estavam
dormindo. Eu estava de plantão. Eu assisti, eu escutei. De repente, ao longe, no
cume do Waridon, ouço um estrondo surdo. A terra estava tremendo. O barulho
fica mais nítido: é o passo regular de um cavalo correndo a galope. Sob seus
pés, as pedras quebram ou rolam com estrondo. - Minha fé! Confesso que o medo
tomou conta de mim. Eu não teria temido os prussianos . Mas não era um hulan:
era o cavalo de Maugis, o cavalo dos quatro filhos de Aymon, o cavalo
encantado; era Bayard, o cavalo de fogo. Logo o rápido animal passou na minha
frente como um raio, iluminando o vale, o riacho, a montanha e suas ruínas. Ele
corria pelas pedras que formavam a beira da torrente. As pedras voaram atrás
dele, caíram na água ou foram esmagadas. Bayard, pelas narinas, pelos cascos,
lançava fogos e chamas; ele relinchou e zombou furiosamente, e eu ouvi claramente
o nome de Carlo Magno . Os ecos do Waridon repetiram: Carlo Magno! Carlo Magno!
em tom insolente e zombeteiro”
Este relato destaca o forte carácter ígnico de Bayard, que outras tradições populares associam igualmente com outro fogo, o fogo aéreo que se manifesta na tormenta, o raio e o trebão. Um cavalo de origens diabólicas ou monstruosas, com a pelagem da cor do fogo e que se identifica ele mesmo com o elemento, e bota chamas e iluminando a noite ou ceu.
Iupiter, deus do trono, como cavaleiro vence ao gigante anguipedo,
Musée Bargoin, Auvernia, França
Cavalo ígneo ou tonante que "morre" nas águas, ele mesmo procedente de uma ilha no mar, e retorna anualmente ao mundo dos vivos no momento preciso dos solstícios estivais. Náo é muito dificil ver em estas asociaçôes conexas um fundo mítico muito claro em este equido a vez malefíco e divino, tenebrosso e luminoso que resplandecente emerge ciclicamente da feerica e humbria fraga das Ardenas.
Bibliografia
Østigård, T. (2022): The Magic of Death: Corpsepower and Indo-Europeanisation in Late Bronze Age Sweden. Occasional Papers in Archaeology Vol. 76. Uppsala University. Uppsala. ISBN: 978-91-506-2918-7
Quando há uns mês estivem em Trás-os-Montes em Pitões das Júnias pelas Jornadas Galego-Portuguesas de este ano pude conhecer algo sobre esta ermida que se ergue aqui em este picoto no alto entre as rochas da Serra do Gerês.
Gosto muito de Pitões e do que lã vejo refletido de nós no espelho português, da própria minha Galiza minha. Todas aquelas coisas que a este lado da raia se viram marginada ou agredidas e lá estão vitais: a permanência ainda do sistema comunal, dos baldios, as instituições de micro-goberno por baixo do concelho: da freguesia a assembleia de lugar, tão próprias da Galiza como de Portugal, mas que aqui de este lado da raia sem o referendo institucional terminaram esmorecendo. Sem idealizar, o certo é que há muito de nós lá, de uma Galiza que foi, assim como de de uma que pudendo ser nunca foi.
Mas não vou perder-me em divagações agora, esta imagem caro leitor que tens acima é do São João da Fraga. A esta ermida no alto da serra sobem ainda os moços não casados de Pitões justo hoje na véspera do São João para depois cortar na fraga mais abaixo o "Carvalho de São João" , que logo levam coletivamente entre todos eles ao povo para o plantar ainda com as verdes folhas coroando seu toro num lugar determinado para a festa que se sucedera logo à noite.
Algo de bibliografia:
Caro Baroja, J. (1992): La estación del Amor. Fiestas populares de mayo a San Juan. Circulo de Lectores. Barcelona
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Nestas segundas sessões conta-se com outros oradores para valoriçar àqueles entrudos menos conhecidas como os estrudos de Cobres, Maçeda e Sande.
Contara-se também antropólogos e pesquisadores os quais aprofundaram no significado dos ritos do Entrudo, as suas origens, ou o papel e significado das diferentes máscaras e as semelhanças com outras culturas europeias e/ou mesmo outros continentes.
O Entroido de Cobres (Vilaboa)
Os ritos e oficiantes do Entroido: Conversa co antropólogo Rafa Quintía
O Entroido de Sande (Cartelle): Conversa con Mónica V. Lopo
Simbolismo do Entroido: Orixes e aspectos xerais. Conversa co investigador Antonio Reigosa
Cal é o significado do rito do Entroido? Conversa coa antropóloga Lidia Mariño
O Entroido de Maceda
O dia 24 de março as 17 horas PM terá lugar na Aula de Arqueologia da Facoltà di Lettere e Filosofia da Universidade da Sapienza em Roma um debate com motivo da o lançamento do livro de K. Vuković Wolves of Rome. The Lupercalia from Roman and Comparative Perspectives (vid. aqui). Discutiram no debate com o autor os seguintes pesquisadores Zoa Alonso Fernández (Universidade Autônoma de Madri), Paolo Carafa (Sapienza Università di Roma), Giorgio Ferri (Sapienza Università di Roma), Stephen Heyworth (Universidade de Oxford) e Mario Lentano (Università di Siena).
A apressentaçao pode-se seguir fisicamente em direto ou bem via Zoom. Para mais informações e inscrições escreva ao organizador: giorgio.ferri@uniroma1.it.

Hoje dia 3 de fevereiro, a parte de ser o dia depois a Candelária (da qual hoje não falaremos) é a festividade de São Brás, ou Brais como gostamos chamar-lhe na Galiza. São Brás/Brais de Sebaste, medico e santo do século IV ao que se tem atribuído na religião popular entre outras coisas ser avogoso para os males físicos da gorja, funções taumatúrgicas com costumes vinculados como o de portar pendurado do pescoço o "cordão de São Brás" vento em esta data que se praticava -e ainda se segue a praticar e no atual Pais Basco (algo sobre isto aqui e aqui)
Mas agora não trataremos de isto, nem crenças de caráter ornitológico e estacional de estas datas como o "casamento" do pássaros na Candelária ou ditos como "pelo São Brás a cegonha verás"/ "pelo Sao Bras a cegonha cria", senão que abemos prestar atenção a uma peculiar festa que em honor de este santo se celebra no povo de Almoacid del Marquesado, província de Cuenca (Espanha).
Esta festa enlaça com muitas outras que se celebram durante os meses que vão entre outubro a fevereiro com especial ênfase por regula em vários casos tanto peninsulares (uns exemplos aqui e aqui) como europeus nos meses de dezembro-janeiro, coincidindo frequente o fim-principio de ano ou datas próximas a eles. Tipologia festiva da que formam parte as ruidosas processões festivas com disfarces e mascaradas no que o etnografo Julio Caro Baroja denominou como "Ciclo Invernal".
os "cucurrumachos" do Entrudo de Navalosa, Avila (Espanha), fotografia de Carlos González XiménezA maioria das festas de este ciclo como é bem sabido terminariam convergindo com o calendário litúrgico cristão e vinculando suas datas ao cômputo da Semana Santa ou bem ao Natal, constituindo o substrato do Entrudo atual.
De estas convergência surdiram rituais ou elementos que faziam dentro de este tempo de licencia social uma critica a própria religião católica como a eleição de falsos "bispos" temporarios, frequentemente pelos meninos ou moços, um eco do qual o podemos ver na mitra bispal que portam os estranhos "homens-demo" de Almoacid.

De esquerda a direita: repressentaçao de um menino bispinho e a sua comitiva em um manuscrito mosteiro Santo Estêvão em Bamberg por volta do 1581/83; pintura mural de final do século XV ou início do século XVI representação de um menino bispo com uma mitra de sino e um joelho de porco na mão na Igreja de São Martinho de Groningen; a Fiesta del Obispillo na cidade de Burgos na actualidade
Não nos vamos estender agora sobre o origem sincrético e complexo, nos substrato ou melhor substratos pré-cristão (e também em parte pré-romanos) de estes costumes, isso tem já uma extensa bibliografia, partindo da modelo monografia El Carnaval de Julio Caro Baroja, e outros mais antigos como o de Michel Meslin ou M. P. Nilsson (referências aqui e aqui) passando por estudos mais recentes varios artigo do nosso colega Pedro-Reyes Moya Maleno (aqui) o qual também dedica parte da sua tese recentemente publicada a esta questão (vid. aqui). Os aspetos sociológicos e de critica ao ordem do Entrudo tem sido estudados igualmente de forma soberbia no capitulo consagrado a isto, na "Cultura Popular na Idade Moderna" do historiador Peter Burke.
Sobre a própria festa da Endiabrada de Almonacid del Marquesado e sobre os "diablos" (diabos) nome que referiam os dançantes se inclui na próprio site web da festa (aqui) um ressume bastante sintético e ilustrativo do ritual e da de alguns detalhes como o uso de mascaras formando parte de ele, do qual quedam apenas testemunhos orais e gráficos, mas que desapareceu progressivamente ao longo do século XX, e hoje já não forma parte da indumentaria canônica dos "diabos"
Em troca de estende-nos em isto deixamos aqui embaixo uma pequena alfaia entográfica: o documentários "Los Diablos Danzantes de Almonacid del Marquesado" que foi realizado durante a época da Ditadura franquista em 1964 dentro da comemoração propagandística do denominado "Año del Pueblo" formando parte de uma serie de documentários folclóricos intitulada Don Aire de España. O documentário tem o interesse suplementar de que tanto este como a seria ao completo tivera como assessor etnográfico ao próprio Caro Baroja (sobre o documentario aqui)