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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Morreu Claude Lecouteux

Acabo de saber do falecimento, o passado dia 13 de novembro, de Claude Lecouteux, professor emérito de estudos germânicos na Universidade da Sorbona e reconhecido especialista em folclore e mitologia medieval. Formado como filólogo especializado em línguas germânicas Lecouteux dedicou a sua obra a analisar diversos temas do folclore e a literatura europeia a partir dos textos medievais, desde as sagas islandesas a literatura alemã e francesa amostrando uma profunda erudição e conhecimento dificilmente superáveis. 


O seus estudos recolheram uma ampla variedade de temas que abarcaram boa parte do Imaginario europeu durante o periodo medieval, como as crenças sobre os mortos, seres míticos como as fadas (entre elas Melusina), os génios territoriais, os espíritos domésticos, a caça selvagem, etc, etc... era em resume um de esses autores de referência para os que nos temos dedicado a estas temáticas folkoricas e etno-históricas, e sobre tudo desde uma perspetiva diacrónica e de longa duração

Pessoalmente descobri a obra de Lecouteux por puro acaso, quando  sendo ainda estudante topei um dos seus livros "Anões e Elfos na Idade Media" em um livraria (Índice) agora já fechada. No entanto folheava o livro topar surpressivamente a referência à obra de Dumézil (outro autor fundamental naqueles anos formativos), no meio do estudo de estes seres míticos, e que definisse a própria obra como uma contribuição a mitologia menor da 3 Função, já me indicou que este autor não era um especialista mais em literatura medieval, senão que a sua visão ia muito além do convencional. Aquele foi um livro que devorei e a primeira de muitas leituras que me abriram um muito extenso campo de estudo e novas possibilidades. 

Parte da extensa obra de Lecouteux, foto P. Lajoye

Alguns aportes seus como o seu artigo sob a estrutura das lendas melusínicas e sobre tudo o seu "Demos y Génios comarcais na Idade Media" (livro que tenho muito desgastado pelo uso e consulta repetidos) tem sido influências importante, mesmo diria que fundamentais, na minha própria pesquisa, como por exemplo nos meus estudos sob os ritos jurídicos de toma de pose do território. Foi tenho que dizer o autor que. junto a minha estância de estudos na Alemanha, me abriu de facto os olhos ao mundo do Folklore Jurídico e a Rechtsrchäologie. Mesmo chegara faz alguns a anos a enviar-lhe um dos meus artigos sobre este tema, que ele recebera com grande amabilidade e interesse.

Em resume, vai-se um grande pesquisador que deixa após si um importante legado, formado por mais de 100 artigos e 31 livros (seu curriculum aqui), que oferecem contribuitos fundamentais e são uma autêntica mina de informação. 

Uma grande perda para o mundo académico e especialmente para esta pequena sub-tribo que somos os mitólogos, sic tibi terrae levis


Homenagem a Claude Lecouteux - Livro

Formes et difformités médiévales

Florence Bayard, F. & Astrid Guillaume, A. (eds.) (2010): Formes et difformités médiévales. Hommage à Claude Lecouteux. Traditions et croyances. Universite de la Sorbonne. Paris. ISBN: 978-2-84050-701-7

Sinopse  
Formas regulares e simétricas, equilíbrio e proporção eram conotados positivamente na Idade Média e geralmente valorizados como intervenção divina ou o resultado lógico de boas ações realizadas pela linhagem de alguém. 


Era perigoso e prejudicial destacar-se ou desviar-se da norma. Além disso, acreditava-se que qualquer perda de integridade física ou marca incomum era compensada por um poder especial, e aqueles que portavam tais (in)sinais pertenciam a uma ordem diferente e perigosa. A assimetria, e portanto a deformidade, era assim percebida como punição divina, marca do diabo, um dom suspeito, uma maldição transmitida através das gerações, prova de traição familiar passada, de atos ou pensamentos não reconhecidos e indizíveis, uma marca distintiva ou uma anormalidade. 


Crenças populares e religiosas, lendas, mitos, literatura, expressões artísticas, bem como alguns estudiosos formados pela Bíblia, supriram as deficiências médicas e científicas da época e ofereceram explicações pseudocientíficas, ilustrações e representações geralmente assustadoras ou lendas que deram origem a outras crenças e outras criaturas, ainda mais deformadas e aterrorizantes.


A ambição desta obra é também resgatar certas verdades sobre as crenças medievais e apresentar, da forma mais simples possível, o que se entende por formas e deformidades na Idade Média, mas também na Antiguidade e em outros períodos.
  

INDEX

Avant-propos
Astrid Guillaume & Florence Bayard

Préfaces

Hommage
Régis Boyer

Le merveilleux géographique
Jacques Le Goff

Claude Lecouteux. Itinéraire d'un chercheur.
Anne-Elène Delavigne

Claude Lecouteux: Érudition et 
Humanisme (Publications)

Formes et difformités médiévales, Introduction
Astrid Guillaume & Florence Bayard

Partie I

Claude Lecouteux, 
le passeur de mémoire

Schattenseiten, ou le côté nocturne du clerc
Karin Ueltschi

Petite mythologie: qu'est-ce à dire?
Régis Boyer

Lire la «méthode Lecouteux» 
à l'épreuve de Mélusine
Catherine Velay-Vallantin

Partie II

Monstres, Merveilles et 
autres «Phénomènes»

Le blanc genou de la fée. 
Une allégorie de la Justice?
Florence Bayard

La cloche muette: de Thomas d'Aquin 
à Albert Dürer
Claude Thomasset

Enquête sur un mystérieux oiseau-vampire
Sandra Hanse

Une anguille nommée Gargantua: 
contribution au légendaire de la Bretagne
Jacques Merceron

Le dragon sous-marin et la boule magique
Chiwaki Shinoda

Les rapaces nocturnes: un malentendu
Olivier Duplâtre

La passion et la mort du prophète 
Merlin dans la Suite-Huth du Roman de Merlin
Anne Martineau

L'église, le cimetière et la tombe: 
passages de l'ici-bas à l'au-delà 
dans quelques contes de Grimm 
et d'Afanassiev
Natacha Rimasson

Mytho-géographie: franchissement 
de rivière et au-delà symbolique
Raymond Delavigne

Un aller-retour pour l'autre monde, S-V-P. 
Le passage dans l'Autre Monde, dans 
l'oeuvre de Jérôme Bosch et 
Peter Bruegel l'Ancien
Dominique Pauvert

Dieu, le diable et… les loups/garous. 
Sémiotique des représentations médiévales
Astrid Guillaume

Galant le forgeron dans la 
Suite du Roman de Merlin
Philippe Walter

Trébuchet, Wieland et Reginn. 
Notes sur le mythe du forgeron 
dans la tradition indo-européenne
Koji Watanabe

Laurin, roi des nains. Croyances 
et arrière-plan mythique dans le 
poème épique Laurin ou le 
Petit Jardin des Roses
Béatrice Le Méec

Partie III

Dits, écrits et pratiques

La main apotropaïque et la 
nébuleuse des signes
Jean-Loïc Le Quellec

Les incantations roumaines contre 
la matrice. Formules répétitives 
et associations symboliques
Emanuela Timotin

Maître Melchita, magicien de 
Tolède. Un exemplum inédit du 
dominicain Étienne de Bourbon
Jacques Berlioz

Un spectacle diabolique: conjuration 
et nécromancie dans l'Historia du Docteur Faust
Emilie Lantuéjoul-Lasson

«La maison des sorcières» de Bergheim 
ou les répercussions de la croyance 
au diable sur la population locale
Martine Clauss

Temporalité et mythe dans les 
charmes du Moyen Âge
Nicolas Nelson

Les tombes de chevaux des peuples 
germaniques: pratique sociale 
ou rite religieux?
Marc-André Wagner

« Réchauffer et baigner les ancêtres... » :
 une coutume du village russe
Francis Conte

Celle qui aimait un mort. L'amour 
et la mort dans une romance espagnole
Ion Talos

Loki et les Hurons
Bernard Sergent

The fallen north divinities. 
Christian legends at a time of transition
Ronald Grambo

La Normandie et la mythologie germanique
Patrice Lajoye

Dieux, rois géants, héros: 
invincibles, exemplaires et abjects?
Olivier Gouchet

Cousine sous le chêne - Sigune sur le tilleul. 
Réflexions sur la réécriture médiévale
Michaël Stolz

Les échos de Tacite dans la poésie 
vieil-anglaise du xe siècle: tradition 
héroïque et style panégyrique
Leo Carruthers

Les Yidishe Folksmayses: 
relation entre juifs et non-juifs
Frédéric Garnier

Le roman de Mélusine dans 
les anciens Pays-Bas
Baukje Finet

Une singulière Danse Macabre
Marie-Dominique Leclerc

Darab, darumb und darüber als Träger 
kausaler Relationen bei O. Nachtgall
Maxi Krause

Bibliographie


+INFO sobre o livro em: Hommage à Cl. Lecouteux

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Homenagem a Gustav Henningsen

Homenaje a Gustav Henningsen y Marisa Rey-Henningsen

Principe de Viana Nº 278 - 2020
  

INDEX

Preámbulo  pp. 725-728
Rebeca Esnaola Bermejo

Presentación pp. 729-739
Ignacio Panizo Santos

Trayectoria vital e intelectual de Gustav Henningsen y Marisa Rey-Henningsen

Autobiografía de Gustav Henningsen pp. 743-760
Gustav Henningsen

Autobibliografía
de Gustav Henningsen pp. 761-779
Gustav Henningsen

Bibliografía de Marisa Rey-Henningsen pp. 781-787
Marisa Rey Henningsen

Transcribiendo a Gustav y Marisa pp. 789-810
Candela Camiño López
 
Gustav Henningsen, un encendido asombro ante la realidad pp. 811-836
Mikel Azurmendi Inchausti

El danés peligroso. Semblante humano de Gustav Henningsen. Evocación a cuatro manos pp. 837-848
Jean-Pierre Dedieu, Gunnar Knutsen

“Un danés peligroso” en los fondos del Archivo Histórico Nacional pp. 849-868
Jaime Contreras Contreras

Gustav Henningsen: del antropólogo al historiador (pasando por archivero) pp. )869-887
Juan Ignacio Pulido Serrano

Gustav Henningsen y Marisa Rey-Henningsen, folcloristas daneses en Galicia, 1965-1977 (entre magnetófonos y cuentos matriarcales)  pp. 889-929
José Manuel Pedrosa Bartolomé
 
Marisa Rey-Henningsen y el arte de la traducción de la literatura danesa pp. 931-943
José Luis Garrosa Gude

Obra dispersa de Gustav Henningsen

Los documentos de Alonso de Salazar Frías. Una polémica sobre la brujería en España, 1610-1614 pp. 947-968
Gustav Henningsen

De la caza de brujas al culto de brujas pp. 969-974
Gustav Henningsen

Archivos e historiografía de la Inquisición española pp. 975-998
Gustav Henningsen

El síndrome de brujería infantil: el abuso infantil satánico contemporáneo y los procesos por brujería infantil de antaño pp. 999-1012
Gustav Henningsen

La brujería y la Inquisición pp. 1013-1031
Gustav Henningsen

Enciclopedia de la brujería pp. 1033-1054
Gustav Henningsen
 
El vuelo de las brujas y los inquisidores españoles o cómo explicar lo imposible pp. 1055-1076
Gustav Henningsen
 


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