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quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Saunas Proto-históricas em Iberia - Livro

Saunas Protohistóricas en Iberia

Villa Valdés, A. & García Quintela, M. V: Saunas protohistóricas en Iberia Real Instituto de Estudios Asturianos. Oviedo  ISBN: 978-84-129570-0-6

Sinopse  
O Real Instituto de Estudos Asturianos  publica o volume “Saunas Protohistórica en la Península Ibérica”, que reúne as conferências proferidas no ciclo que, com o mesmo título, se realizou em Oviedo entre o início de 2020 e 2021, em plena pandemia.



O volume que conta com a contribuição dos palestrantes convidados, Martín Almagro Gorbea , Armando Coelho Ferreira da Silva , Emilio Ramil González , Ángel Villa Valdés e Marco V. García Quintela, esteS último responsáveis da edição científica. Acrescentam o volume outras contribuições de interesse que, juntamente com um detalhado inventário de monumentos portugueses e espanhóis, resumem os últimos estudos realizados sobre este tipo único de edifícios, uma criação particularmente representativa das gentes do noroeste da Península Ibérica durante a Idade do Ferro.



Desta forma, os resultados das escavações das saunas do forte Castelón de Castañoso, do oppidum do Monte Ornedo estão incluídos e o Forno da Santa da Santa de Augas Santas  bem como um estudo sob a composição e os motivos decorativos comuns nas famosas Pedras Formosas portuguesas   

INDEX


segunda-feira, 11 de março de 2024

Uma Sauna ritual da Idade do Bronze


Recentemente publicou-se o achado de uma pequena construção do Bronze Meio (1800-1100 A.C). que aparecera em Nijmegen (Paises Baixos) nas escavações que decorreram entre os anos 2001-2003. Inicialmente descrito como um espaço ritual pela presença de vários depósitos votivos próximos, os autores do artigo apresentam uma reinterpretação como uma sauna da Idade do Bronze que pudera estar associada a algumas atividades rituais.  


As estruturas localizam-se numa chaira fluvial perto do rio Waal, e apresentavam forma de cabana, mostrando diversas camadas de pedras nos alicerces e pavimentos de argila, sem postes, sugerindo-se que a cobertura do espaço ter-se-ia conseguido mediante uma estrutura flexível de vimes. Igualmente conexo coa estrutura topou-se 2 grandes poços, um de eles de uma profundidade de um metro, para conter água potável.




Nas excavações foram topada uma grande quantidade de bolotas no fundo do último poço de água o que implia a proximidade de carvalho o qual junto com as análises paleobotânicas revelam uma paisagem rica em árvores e arbustos com uma significativa escassez de cereais e vegetais cultivados, o qual sugere que o local se situava numa clareira da floresta, possivelmente criada artificialmente pelos utentes das estruturas e que não estaria concebida como lugar de assentamento senão com alguma finalidade específica. 


Burnt Mounds: Irlanda, Blacklion, Co. Cavan; o plano de Liddle 1, e escavação de Westray, ambos em Orkney (Escócia)

A abundância de madeira cardoniçada fiz aos escavadores pensar que a estrutura poderia corresponder-se com o tipo de local que na Irlanda e Grã Bretanha é conhecido como "Burnt Mound". Os autores comparam a ausência de evidências de atividades habitacionais nos Burnt Mounds com o padrão que também se observa no caso de Nijmegen. 


Uma das evidências mais significativas para suster o paralelo com Burn Mounds insulares foi a presença de bolas de argila recozidas pelo uso continuado foram identificada com peças cerâmicas para o aquecer água produzindo vapor. O uso de pedras e conhecida etnograficamente como uma forma de ferver água com rapidez, técnica pré-histórica que, sem duvida, predata a invenção de recipientes para cozinhar. A possibilidade de usar igualmente a argila para igual finalidade foi testada experimentalmente: 

"Algumas experiências básicas foram realizadas para testar a hipótese de que esses pedaços de argila siltosa pode ter servido como fonte de calor nas câmaras de suor, principalmente para responder à questão de saber se as bolas de argila aquecidas podem resistir à exposição à água fria, tanto por aspersão quanto por imersão 17. As bolas de argila fabricadas foram deixadas para secar por quatro a cinco semanas e depois colocadas ao redor de uma fogueira a lenha em um poço raso. Após pelo menos três horas, corpos de prova com temperatura em torno de 200 °C foram borrifados com água fria. Isto não causou fraturas, apenas vapor (fig. 13). Num segundo teste, uma série de cinco bolas aquecidas a aproximadamente 350 °C foram imersas em um balde contendo 10 ℓ de água morna (13–18 °C). Isso foi repetido duas vezes, cada vez após secar as bolas no fogo e reaquecê-las a 350 °C. O dano foi limitado a algumas rachaduras em uma das cinco bolas. A primeira impressão destes experimentos é que a porosidade das bolas de argila as torna, na verdade, mais resistentes aos choques de temperatura do que muitos tipos de pedra"

Sobre o sentido destas peculiares estruturas insulares se tem oferecido várias propostas como locales para cozinhar carne no meio selvagem (Hawkes), produção de cerveja (vid aqui), ou uma a funcionalidade como sauna pré-históricas, teoria que é sustida num interessante artigo dos anos 80 por Barfield e Hodder, quem as comparam com os banhos de suor do continente americano (como os dos Sioux) e outros casos de banhos de suor Europeus, tanto históricos (medievais e antigos) como conhecidos pela etnografia. 



casa de suor dos indios sioux e temazcales mexicanos: Codice Magliabechian s. XVI e temazcal atual

As duas primeiras hipóteses podem ser descartadas para o caso holandês ante a falta de qualquer resto alimentar. Ausência de alimentos leva aos autores a considerar que esta cabana situada em um lugar marginal no meio do bosque fora uma espécie de "lugar de abstinência" vinculado a algum ritual.

É concebível que as bolas de barro quentes tenham sido aspergidas com água para criar uma cortina de vapor através da qual os participantes de uma sessão tinham que passar –um rito de passagem no sentido mais literal! E é apenas um pequeno salto de pensamento associar a estrutura oriental ao tipo de cerimónias, restrições e espiritualidade conhecidas nas tendas de suor em tempos mais recentes. Aspetos mais físicos, como limpeza, alívio de doenças e bem-estar físico também terão sido importantes. A gama de possibilidades pode, de facto, ser ainda maior, como sugerido por uma fonte escrita antiga. No século V a.C., o historiador grego Heródoto escreveu que os citas gostavam de colocar sementes de cânhamo nas pedras quentes das suas saunas. De facto de Heródoto também se referir aos banhos de vapor gregos, pode-se inferir que as saunas já eram comuns naquela época, pelo menos em partes do continente europeu

A escassas dimensões das estruturas levam igualmente aos autores a especular que o local fora usado por um grupo limitado, uma determinada linhagem ou grupo sacerdotal. Interpretaçôes ritualistas dos o usso das saunas pre- e proto-históricas que concordam com a linha iniciada ha umas décadas por Martin Almagro-Gorbea para interpretar as saunas da Idade do Ferro Peninsular (sobre estas vid aqui).


saunas da Idade do Ferro de Pendia (Astúrias) e Monte Ornedo (Cantábria)

Outra questão que os autores consideram no artigo, ante a ausência de outras evidências de estruturas similares na Centro Europa, e o paralelo com as Burn Mound insulares, é se esta técnicas dos banhos de vapor poderia ter chegado por via de contactos ultramarinos com o âmbito britânico, e mesmo trazida por grupos de emigrantes. 


Embora que sobre esta mostrando a sua cautela pelo facto de que o uso de bolas de argila em vez de pedras aquecidas presenta uma diferença com respeito o caso insular que poderia mostrar uma tradição local independente, ainda não testemunhada noutros jazigos, mas da que num futuro poderiam aparecer testemunhos. 

Artigo:

Van den Broeke, P., van Beurden, L, Hänninen, K. & Vermeeren, C. (2023): A Bronze Age Sauna in Nijmegen (prov. Gelderland / NL): An Exceptional Site in Mainland Europe. Archäologisches Korrespondenzblatt Nº 53/ 3 pp. 315-332  DOI: 10.11588/ak.2023.3.101724

  
Bibliografia complementar

Almagro-Gorbea, M. & Alvárez Sanchis, J. (1993): "La 'Sauna' de Ulaca, saunas y baños iniciáticos en el mundo céltico" Cuadernos de arqueología de la Universidad de Navarra Nº 1 pp. 177-254 PDF

Barfield, L. & Hooder, M. (1987): "Burnt mounds as saunas, and the prehistory of bathing" Antiquity Nº 61 pp. 370-379  DOI:  10.1017/S0003598X00072926

Brown AG, Davis SR, Hatton J, et al. (2016): "The Environmental Context and Function of Burnt-Mounds: New Studies of Irish Fulachtaí Fiadh" Proceedings of the Prehistoric Society Nº 82 pp. 259-290

Hawkes, A. (2018): The Archaeology of Prehistoric Burnt Mounds in Ireland. Archaeopress. Oxford


Arqueologia dos Burnt Mound na Irlanda

The Archaeology of Prehistoric Burnt Mounds in Ireland

Hawkes, A. (2018): The Archaeology of Prehistoric Burnt Mounds in Ireland. Archaeopress. Oxford  ISBN: 978 1 78491 986 3
   
Sinopse 
Este livro detalha a arqueologia dos "montículos queimados" (fulachtaí fia) na Irlanda, um dos tipos de sítios pré-históricos mais frequentes e menos pesquisados ​​no país. Apresenta uma reavaliação do fenômeno pirolítico à luz de cerca de 1000 burnt mounds escavados. 


O solo enriquecido com carvão, juntamente com montinhos de pedra afetada pelo calor, são um dos tipos de locais mais comuns encontrados na Irlanda, em grande parte como consequência de inúmeras descobertas feitas durante a construção de estradas. 


Representam uma acumulação de material de cozedura associada a uma tecnologia pirolítica pré-histórica, que envolvia um processo de transferência de calor centrado na utilização de pedras quentes imersas em gamelas cheias de água ou colocadas em pequenas fossas/fornos forrados/sem forro. Durante a Idade do Bronze, o uso desta tecnologia tornou-se amplamente adotado no Norte da Europa, particularmente na Irlanda, onde o fenómeno é representado no campo como um monte baixo em forma de meia-lua.


Embora os montes queimados sejam o tipo de sítio pré-histórico mais comum na Irlanda, eles não receberam o mesmo nível de pesquisa que outros sítios pré-históricos. Isto deve-se principalmente à escassez de descobertas de artefactos e à natureza pouco espetacular dos vestígios arqueológicos, agravada pela ausência de um quadro de investigação adequado. 

Este é o estudo mais abrangente realizado sobre o uso da tecnologia pirolítica na Irlanda pré-histórica, lidando com diferentes aspetos da função do local, cronologia, papel social e contexto cultural.
  

INDEX


+INFO sobre o livro em: Prehistoric Burnt Mounds

domingo, 12 de março de 2023

O Castro da Rueta - Palestra


O passado sábado dia 11 de março decorreu em Cervo (Lugo) uma palestra proferidas pelos arqueólogos David González-Álvarez, do INCIPIT-CSIC (CSIC Santiago) e Jesús García Sánchez do IAM (CSIC, Mérida). O objetivo da palestra era dar a conhecer os resultados da intervenção arqueológica não invasiva realizado no mesmo castro durante o outono do ano passado. 




Entre os dados obtidos pelo analise geomagnetismo extraiu-se a delimitação de uma serie de estruturas que apresentam um grande potencial para uma futura escavação, entre elas um possível estrutura que pudera ser identificável com uma sauna castreja como as topadas em outros jazigos galaicos da Idade do Ferro


quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Duas Cenas das idade do Ferro - Palestra

 
O  Real Instituto de Estudos Asturianos acaba de disponibilizar através do seu canal do YouTube o discurso proferido pelo arqueólogo Ángel Villa Valdés por ocasião da cerimónia de abertura do ano letivo 2022-2023, realizada a 5 de outubro no Palácio de Toreno, em Oviedo. A palestra tem por título "Comentários (sobre duas cenas prováveis) sobre os padrões de comportamento -duração e mudança entre os povos da Idade do Ferro das Astúrias" 


O palestrante especialista em arqueologia castreja confronta 2 situações definidas em duas fases distante da ocupação de um castro Chão Samarttin; a Idade do Bronze Final e o Alto Império. Tomando como argumento o registo arqueológico conhecido, a continuidade e rutura de certos comportamentos individuais e comunitários: troca, valor e preço, monetização, o papel de género, as expressões gráficas e hábito epigráfico, os ritos funerários, etc. 


Uma magistral leitura da proto-história e Idade Antiga de um jazigo excecional e de um decurso cronológico, no que destacam detalhes como a releitura de algumas imagens do cinto- diadema de Monhes como representações de mulheres, o igualmente a possível presença de estas nos rituais celebrados saunas da Idade do Ferro.




segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Saunas Castrejas - videos

Saunas Castrejas

Estructura e Significado dos Monumentos com Forno


Reproducimos aqui os videos das intervenções nas III Jornadas de Divulgação do Patrimonio Lucense, celebradas durante a sexta-feira da semana passada que foram dedicadas monograficamente ao tema das Sauna galaicas da Idade do Ferro. 


1ª Parte: 


2ª Parte:



+INFO em: Museu de Lugo

domingo, 11 de outubro de 2020

Saunas Castrejas - Estructura e Significado

Saunas Castrejas

Estructura e Significado dos Monumentos com Forno

16 Outubro
Lugo


O Museu Provincial de Lugo convoca as III Jornadas de Divulgação do Patrimonio Lucense, desta vez dedicadas às Saunas castrejas.

As chamadas saunas castreja ou monumentos com forno, cuja cronologia se estende à segunda Idade do Ferro e ao início da dominação romana, são construções conhecidas do NW peninsular. Destacam-se, em primeiro lugar, pela sua caracterização arquitectónica monumental assente em espaços rectangulares de alvenaria de pedra organizados em várias salas (átrio, sala de vapor e forno) e divididos pelas por vezes muito decoradas as chamadas “pedras formosas”. Em segundo lugar, pela sua funcionalidade, ainda discutida, mas provavelmente ligada a ritos ou cultos aquáticos, como santuários ou espaços rituais / culturais.

Este tipo de construções está espalhado por todo o NW peninsular, estando presente nas Astúrias nos castros de Coaña, Taramundi, Chao Samartín e Pelou; na Galiza nos sítios de Borneiro (Cabana de Bergantiños), Espasante (Ortigueira) e Sarridal (Cedeira), na província de A Coruña, bem como no castro de Armeá (Águas Santas, Allariz) em Ourense e, finalmente, no norte de Portugal, com exemplos nas Citanias de Briteiros (Guimarães) e Sanfins (Paços de Ferreira), no castro de As Eiras (Vila Nova de Famalicão) ou em Tongobriga (Marco de Canaveses)

Na província de Lugo, passou-se nos últimos anos a ter exemplos visíveis destes monumentos e aumentámos o seu registo. Existe um em Castelón ou castro de Castañoso (A Fonsagrada), escavado em 2015 e 2017 por Luís Francisco López. O segundo surgiu em 1974, na rua Faro em San Cibrao (Cervo), que foi escavado em 2019 devido a uma intervenção de emergência no centro da cidade, por Emilio Ramil González, mas, infelizmente, não está acessível e agora aguarda confirmação a existência de outro em Barreiros, na costa de Lugo


Programa: 

9:45 h - Apresentação oficial

10:15 h - Saunas Castrexas da costa norte de Galicia: Cervo, Ortigueira e Cedeira

Emilio Ramil, arqueólogo

11:00 h - A intervención arqueolóxica no Castro de Castañoso: o sistema construtivo da Sauna

Luis Francisco López, arqueólogo. Miguel Ángel López Marcos, arqueólogo, restaurador.

11:45 h - Pausa

12:15 h - As saunas rituais da Idade do Ferro nos castros cantábricos: estrutura e simbolismo.

  Ángel Villa Valdés, arqueólogo, Museo Arqueolóxico de Asturias

13:00 h - O papel do patrimonio arqueolóxico no desenvolvemento local e na sustentabilidade territorial: estratexias de difusión e comunicación II.

Mesa redonda moderada por Aurelia Balseiro e composta pelos anteriores relatores junto con outros convidados relacionados coa gestión patrimonial: Felipe Arias Vilas.

14:00 h Debate coloquio

15:00 h Clausura xornada

  

Descarregar - Programa


+INFO em: Museu de Lugo

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Oxford Journal of Archaeology Vol. 34/1


Oxford Journal of Archaeology
Vol. 34/1, 2015


Articles

Revisiting Old Friends: The Production, Distribution and Use of Peterborough Ware in Britain  pp. 1–31
Vincent Ard &Timothy Darvill

An Absolute Chronological Framework for the Central-Eastern European Eneolithic  pp. 33–43
Maciej Mateusz Wencel

Telling Stories: The Mycenaean Origins of the Philistines  pp. 45–65
Guy D. Middleton

Iron Age Saunas of Northern Portugal: State of the Art and Research Perspectives  pp.67–95
Marco V. García Quintela & Manuel Santos-Estévez

Exponential Decline in the Dispersal of Stone Artefacts in Roman Britain: Further Expressions of Trade  pp. 97–108
J.R.L. Allen



Ir ao número da revista:  OJOA 34/1

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Uma Sauna entre os Cantrabros

As diferentes campanhas realizadas desde 1906 no povoado de Monte Ornedo (Cantábria) e especialmente as desenroladas desde o ano 2003, puseram ao descoberto o que é o primeiro oppidum da Cantabria atual.



À margem do seu sistema defensivo composto por duas linhas de muralha de duplo paramento e, ao menos, uma porta em esviagem. a sua singular importância reside na conservação de um edifício público de grande tamanho.



A escavação, compartimentação e estudo das estadias permiram identificar com um edifício do tipo sauna que pode relacionar com o conjunto de saunas achadas no Noroeste hispânico desde Portugal a Astúrias ou, morfológica e funcionalmente, com os fulachta fiadh irlandeses e com as burnt mounds atlânticas.



A nova sauna da Idade do Ferro, mostra-se assim incluída em uma construção pública de inusitado tamanho e complexidade construtiva e põe em evidência os fortes vínculos, tradições e costumes comuns que, com as suas particularidades, podem se rastrear por todo a Europa atlântica.

Fonte

Fernández Vega, P.A.; Mantecón Callejo, L.; Callejo Gómez,J. & Rafael Bolado del Castillo, R: "La sauna de la Segunda Edad del Hierro del oppidum de Monte Ornedo (Cantabria, España)" Munibe Antropologia-Arkeologia 65, 2014



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Um Fulacht Fiadh à beira do Mar




Os restos de um Fulacht Fiadh, uma estrutura em forma de caixa da Idade do Bronze, a cerca de 4.000 anos de antiguidade, foi descoberta e encontra-se em estudo na Ilha de Coney, no Condado de Sligo (Irlanda).


Eamonn Kelly, diretor de antiguidades do Museu Nacional da Irlanda pensa que puído ter sido utilizada para o banho ou para cozinhar durante a Idade do Bronze, quando o poço forrado de pedra teria estado enchido de água que se aqueceria com pedras aquentadas previamente ao lume.


A estrutura que mede ao redor de um metro de longo e 80 cm de largo, foi identificada recentemente por Ciaran Davis, um estudante de arqueologia em IT Sligo, originário de cerca Rosses Point, que alertou ao museu. "Isto diz-nos que a gente que caminhava por esta praia faz 3.000 ou 4.000 anos, procurou esas grandes lousas de pedra, para construír cuidadosamente esta estrutura".



Há milhares Idade fiadh fulacht do bronze em toda a Irlanda, mas encontrar um em uma praia é um evento raro, disse o Dr. Marion Dowd, um professor do IT Sligo: "Não conheço outro exemplo em Cork, e az nos perguntar-nos por que quereria aquecer água salgada".


Sobre os usos da água aquecida nesta estrutura propuseram-se várias hipóteses: para cozinhar alimentos em locais fora dos assentamentos (vid vídeo embaixo e a postagem aqui), para banhar-se a modo de banhos de vapor (tipo sauna), ou para



tingir tecidos ou mas recentemente para produzir através da fermentação pelo calor cerveja, numa interessante achega testada experimentalmente pelos arqueólogos Billy Quinn e Declan Moore (mais info aqui e no video embaixo). No entanto neste caso o uso de água salgada semelha eliminar este ultimo uso alcoólico para o Fulach fiabh de Coney.


Segundo relata o Dr Dowd a estrutura era conhecida localmente como o "O poço dos desejos dos amantes", a lenda disse que qualquer pessoa que jazia no seu interior iria-se casar. Também era conhecido como "a tumba do marinheiro". 



A tradição local sobre as propriedades do fulacht de Coney encaixa assim mesmo com um conjunto de tradições muito estendidas sobre determinadas pedras às que se atribuian propriedades fecundantes ou curativas várias, sobre as que se devia dormir ou passar uma noite para procurar os efeitos desejados (Alonso Romero, 2012)


O Dr. Kelly descreveu o achado como "muito importante" e disse que é "realmente extraordinário" que a estrutura tinha permanecido inalterada apesar de ser conhecida pela população local durante décadas. 


Referências

"Bronze Age Fulacht Fiadh Excavated in County Sligo", Archaeology 18-09-2014

Mc Donall, M: "Prehistoric pit discovered on Coney Island beach", Irish Times 11-09-2014

Alonso Romero, F: Cultos y creencias en torno a los megalitos del área atlántica europea. Santiago de Compostela, 2012 pp. 123-136

Billy Quinn, B & Moore, D: "Ale, brewing and fulacht fiadh" Archaeology Ireland (disponivel em MooreGroup.ie)