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quarta-feira, 16 de abril de 2025

Ártabras e Galaicas - Mulheres na Proto-história

Artabras y Galaicas. Historia de las mujeres en la protohistoria del Noroeste Ibérico

Quando: 28 de abril -  12 de maio
Onde: Corunha e On-line

As mulheres, que sempre passaram despercebidas na história devido ao viés androcêntrico do nosso pensamento e historiografia, também foram sistematicamente invisibilizadas no passado, pelo menos desde os tempos antigos, exatamente pelas mesmas razões que no presente.


Podemos superar parcialmente esse preconceito adotando uma abordagem feminista da história, que não lhes atribui um papel que nunca tiveram, mas sem assumir que tudo o que não é demonstrantemente feminino é um reflexo ou produto da atividade masculina, cuja verificação científica e confiável nunca foi exigida pelos historiadores. As nossas fontes de informação para o conhecimento das mulheres que nos interessam, aquelas habitantes do Noroeste Ibérico na época em que entraram em contato com Roma , são muito escassas, indiretas e muitas vezes devedoras dos discursos preconceituosos e depreciativos que os clássicos costumavam oferecer sobre os bárbaros , e especialmente sobre aqueles "montanheses" que viviam nessas latitudes.


Neste curso, pretendemos obter uma visão mais aprofundada da história dessas mulheres considerando todas as fontes de informação disponíveis. Então, veremos o que os textos clássicos, a arqueologia, a iconografia e até mesmo fontes posteriores, como a epigrafia, têm a oferecer.
Dos clássicos obtemos discursos cuja veracidade deve ser calibrada segundo os princípios da crítica textual. Elas refletem mulheres anti-romanas, ou seja, personagens estereotipadas e contrárias aos valores da feminilidade clássica. O espelho greco-romano reflete uma imagem de mulheres rudes, guerreiras, camponesas, extradomésticas, cuja plausibilidade histórica deve ser verificada considerando dados externos de outras disciplinas, como a arqueologia, a iconografia, os estudos histórico-antropológicos comparativos, etc.


Após analisar os dados de todas essas fontes, é possível recuperar a imagem de mulheres que certamente eram bem diferentes das romanas, que, diferentemente delas, poderiam ter se permitido ter um nome próprio; que operariam num sistema de produção camponesa doméstica, no qual o seu povo teria grande peso socioeconómico como produtores de boa parte dos recursos económicos da comunidade; e no qual também é muito possível que eles desfrutassem de um status social e cultural preeminente, em linha com esse poder e controle dos recursos da comunidade. ~


A essas considerações gerais, podemos acrescentar outras relacionadas ao seu papel no campo da religião, não tanto por sua contribuição não comprovada à sua gestão, mas como referências primordiais na ordem do sobrenatural (com poderosas figuras divinas encarregadas da reprodução, da saúde, da transição para o além e até mesmo de tarefas supostamente masculinas, como o patrocínio de guerras). Embora, em última análise, nossas informações sobre as mulheres ártabras e galaicas sejam muito deficientes, vale a pena mergulhar em sua história, pois ela não é menos plausível que a de seus homens, sobre os quais correm rios de tinta.

As sessões do curso decorreram em presencialmente ou on-line entre as 6h30 - 20h30 (hora espanhola), informação e matricula no seguinte enlace aqui

Programa


segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Economia, Poder e Guerra , Arqueologia e Gênero

Von wirtschaftlicher Macht 
und militärischer Stärke

Fries, J.E. & Ulrike Rambuscheck, U. (eds.) (2009): Von wirtschaftlicher Macht und militärischer Stärke. Beiträge zur archäologischen Geschlechterforschung. Bericht der 4. Sitzung der AG Geschlechterforschung auf der 79. Jahrestagung des Nordwestdeutschen Verbandes für Altertumsforschung e.V. in Detmold 2009. Frauen – Forschung – Archäologie Vol. 9. Waxmann. Münster ISBN: 978-3-8309-7491-8

Sinopse  
Os papéis económicos e militares das mulheres na antiguidade e na pré-história são diversos: o espectro abrange desde agricultores neolíticos até rainhas helenísticas, desde estalajadeiros de Pompeia até caçadoras da Austrália, desde antigos generais até mulheres locais que se casaram com soldados romanos. 


Este volume da série Mulheres - Pesquisa - Arqueologia trata de dois temas que à primeira vista não têm muito a ver um com o outro. Mas sem poder económico não há força militar.


Do poder econômico e da força militar. As contribuições de este volume surgiram das palestras da 4ª reunião do Grupo de Trabalho de Pesquisa de Gênero, que ocorreu na conferência da Associação do Noroeste da Alemanha para Pesquisa de Antiguidade em Detmold em 2009
   

INDEX

Vorwort

I. Wirtschaft

"... und Eva spann ..." - Zur Urgeschichte der geschlechtlichen Arbeitsteilung in arbeitswirtschaftlicher Perspektive
Tim Kerig

Alters- und geschlechtsspezifische Zuweisung von Hand- 
und Hauswerk im frühen Mittelalter nach Aussage von 
Werkzeug und Gerät aus Gräbern der Münchner Schotterebene
Doris Gutsmiedl-Schümann

Wirtinnen und Barmädchen - Geschlechterrollen 
in der römischen Gastronomie
Anna Kieburg

Oikos, Prestige und wirtschaftliche Handlungsräume 
von Argeadinnen und hellenistischen Königinnen
Sabine Müller

Polygynie als Faktor sozioökonomischer Differenzierung 
in vorindustriellen Gesellschaften - Zwei ethnographische 
Fallbeispiele und die Problematik der archäologischen 
Quellen der vorrömischen Eisenzeit
Jochen Brandt

"Hunting is hard work" - Tierische Beutebeschaffung 
australischer Aborigines-Frauen im Visier der Forschung
Sibylle Kästner


II. Militär

Soldatenehen und ihre Bedeutung für 
den Romanisierungsprozess
Yvonne Schmuhl

Virtus feminarum - Antike Herrscherinnen im Krieg
Peter Emberger

Das römische Frauenideal und die Vorstellung 
von weiblichen Kämpfern
Dorit Engster
  
   

+INFO em: Von wirtschaftlicher Macht & militärischer Stärke

sábado, 18 de maio de 2024

Uma Guerreira da Idade do Ferro

Mulher Guerreira de há 2.000 anos enterrada na Jutlândia central 


Novas análises de ossos de um túmulo da Idade do Ferro em Hedegård, na Jutlândia Central, produzem resultados surpreendentes: um dos falecidos é aparentemente uma mulher enterrada com armas completas. O centro militar de 2.000 anos em Hedegård será agora examinado pelo Museu Moesgaard, Museu Midtjylland e Museu Horsens como parte do projeto de pesquisa


  
Pouco antes do nascimento de Cristo, um rapaz e uma moça foram cremados e colocados na mesma urna, cada um com suas armas. É o único túmulo com uma mulher guerreira que conhecemos do início da Idade do Ferro e, portanto, um achado que chama a atenção.  


Na dupla sepultura foram encontrados os ossos dos dois jovens, ambos com aproximadamente 20 anos, enterrados na mesma urna. Eles foram enterrados com dois conjuntos de armamento composto por uma lança e os restos de um escudo, bem como uma única espada de dois gumes do tipo celta/centro-europeu e talvez uma pequena faca. 

“Toda determinação óssea está sujeita a um certo grau de incerteza, pois é como montar um quebra-cabeça onde falta a maioria das peças. Mas com uma pequena ressalva, atrevo-me a dizer que aponta na direção de uma mulher que recebeu armas na sepultura. É extraordinário", afirma Xenia Pauli Jensen, investigadora sénior do Museu Moesgaard e chefe de investigação do projeto



O túmulo está localizado em uma área que parece um cemitério militar, onde foram encontrados um total de 42 túmulos de armas. A mulher guerreira viveu numa época em que havia um grau de militarização e rearmamento sem precedentes no que hoje é a Dinamarca, provavelmente como resposta à expansão do Império Romano para o norte da Alemanha.



Ela está enterrada no local onde a militarização é mais evidente; nomeadamente numa das maiores fortificações do Norte da Europa, Hedegård, localizada perto de Nørre Snede, na Jutlândia Central. Na Idade do Ferro, Hedegård era um centro de artesanato e riqueza com conexões com famílias principescas e poderosos parceiros de aliança em toda a Europa. 
  

A mulher pertencia ao meio guerreiro

Não sabemos se a mulher guerreira morreu em batalha ou se lutou, mas sabemos que esteve rodeada de armas e poder militar ao longo da sua curta vida. É muito provável que a sua família tenha participado ativamente no rearmamento, do qual podemos ver evidências em toda a Escandinávia, mas que é mais evidente em Hedegård. A mulher guerreira provavelmente pertencia a um “meio guerreiro” que tinha o poder militar e as armas como razão de ser”, acrescenta Xenia Pauli Jensen. 






Hedegård foi escavado pela primeira vez em 1986, mas novas investigações geofísicas indicam que no centro da aldeia existe uma grande quinta fortemente fortificada com oficinas de produção de armas, cuja extensão só foi superada no final da Idade do Ferro e no Era Viking. As escavações do assentamento fortificado serão realizadas a partir de maio de 2024. Esperamos que isto dê uma imagem ainda melhor do que aconteceu em Hedegård. 



sábado, 27 de abril de 2024

Identidades Multiplas na Pré-história - Livro

Multiple identities in Prehistory 

Bistáková, A.,  Březinová, G. P. & Ramsl C. (Eds.) (2020): Multiple identities in Prehistory, early History and Presence. Archaeologica Slovaca Monographiae Communicationes Vol. XXIV. Academiae Scientiarum Slovacae. Nitra. ISBN: 978-80-8196-035-2
   
Sinopse  
O termo “identidade” tornou-se fundamental na arqueologia após décadas de discussão sobre etnicidade. A identidade pode ser localizada na interface entre os indivíduos humanos e a sociedade, descrevendo um processo permanente de devir na construção da pertença social. A identidade de um indivíduo descreve o seu estado atual de auto-identificação; como tal, nunca é estável, mas está permanentemente num estado de fluxo



Olhando para as evidências arqueológicas, podemos detetar padrões de comportamento e ação baseados num conjunto de padrões específicos do grupo, o habitus que atua na criação da cultura material dum grupo. Os enterros representam os restos de rituais mortuários e são, portanto, bons indicadores de identidade. A replicação do comportamento mortuário, tal como uma posição corporal específica ou a disposição dos bens funerários, sugere que as pessoas partilhavam atividades, crenças e, portanto, identidades, uma vez que o conhecimento sobre ritos funerários específicos e o simbolismo da morte não é facilmente acessível a membros que não pertencem ao grupo. Em este sentido os enterros combinam evidências sobre os indivíduos e a presença a seus grupos sociais





No presente projeto, procurou evidências de diferentes subgrupos dentro do grande grupo das sepulturas com esqueletos antropologicamente masculinos. É importante ressaltar que a sua atribuição como "homem" não significa automaticamente que os indivíduos enterrados foram vistos como "homens" nos tempos antigos. Até à data, a discussão da identidade masculina na Idade do Ferro tem sido dominada pelo conceito de identidade guerreira. No entanto, apenas uma fração dos corpos masculinos são apresentados como guerreiros nas suas sepulturas. Esta obra explora as identidades masculinas alternativas. Por exemplo, que papéis foram desempenhados nestas “sociedades guerreiras” por homens enterrados sem armas?



Os homens desarmados com anéis feitos de metais preciosos tinham papéis iguais ou diferentes? Em primeiro lugar, serão analisadas diferentes identidades em fases da vida, tais como “identidade de menino”, “identidade de adulto” e “identidade do velho”. Também analisarm casos muito especificos como a “identidade do pobre” e outras “identidades especiais” podem ser observadas nos cemitérios do período La Tène. 



Um caso especial é a “identidade druida”, como a que se aprecia nalgumas sepulturas como a de Pottenbrunn e Dürrnberg, onde foram encontrados restos de instrumentos médicos ou cirúrgicos especiais. Devemos também mencionar “identidades de artesãos”, onde ferramentas podem nos permitir identificar profissões dos sujeitos enterrados. O objetivo é avaliar sepulturas masculinas nos cemitérios da Idade do Ferro na Europa Central para observar as diferentes identidades em jogo. 



No entanto, uma visão geral da literatura revela que a investigação sobre a masculinidade ficou frequentemente anclada no contexto do feminismo ficando oculta nesta área, também por causa de uma (para chamar de forma diplomática) “investigação tendencialmente conservadora” sobre este tema. No entanto nas últimas décadas, a masculinidade deixou de ser uma categoria não marcada e invisível, e empeçou a receber um lugar de destaque na investigação sobre o género.
   

INDEX

The story of the SASPRO project: An introduction 
to the identities workshops  p. 7
Peter C. Ramsl

Weibliche Beigaben in männlichen Gräbern und männliche Ausstattungen für die Frau?. Zur personalen Identität und Geschlechterrolle im Bestattungskontext p. 15
Ines Beilke-Voigt

Changing femininities and masculinities between the Neolithic 
and Early Roman Period in Hungary: A review p. 31
Vajk Szeverényi, Judit Pásztókai-Szeőke,  
Zsuzsanna Siklósi &Viktória Kiss

A gender archaeology approach to selected features 
of neolithic burials p. 49
Michaela Mandák Niklová & Peter Mandák

Costume and identity. A costume analysis of Early 
Bronze Age Nitra culture p. 65
Zuzana Zetochová

Marginal identities in Iron Age Veneto. A case study 
based on micro-scale contextual analysis and 
burial taphonomy p. 81
Elisa Perego, Veronica Tamorri & 
Rafael Scopacasa

Alles Krieger oder was?. Waffengräber der frühen 
Eisenzeit aus Mittelitalien p. 97
Christoph Baur

The “archaeological” and “biological” sex of an individual 
why do they sometimes differ? p. 117
Renáta Přichystalová & Kateřina Boberová

An Englishman in ČSSR p. 131
John Collis


Descarregar o livro em:  Multiple identities in Prehistory

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Genero e Mudança na Arqueologia

Gender and Change in Archaeology

Palincaş, N. & Martins, A.C (2024): Gender and Change in Archaeology. European Studies on the Impact of Gender Research on Archaeology and Wider Society. Interdisciplinary Contributions to Archaeology. Springer. Cham.  ISBN: 978-3-031-52154-6  DOI: 10.1007/978-3-031-52155-3


Sinopse  
Este volume apresenta as várias formas pelas quais o estudo do género faz a diferença na investigação arqueológica, no meio académico arqueológico e no pensamento do público sobre o género e considera caminhos para o desenvolvimento futuro. 


Ele aborda questões como por que o género é importante para a arqueologia, ao mesmo tempo em que examina o género de vários ângulos (incluindo aspetos como subjetividade, incorporação, dieta, perspetivas multifacetadas e intersecionalidade) e em vários períodos (pré-história, Antigo Egito, antiguidade romana, Idade Média e períodos moderno e contemporâneo). Discute também a relação entre a arqueologia e outras áreas académicas que envolvem o estudo de género, assim como as representações e debates sobre género na mídia.




O tema 'género e mudança na arqueologia' surgiu das preocupações expressas na comunidade de trabalho 'Arqueologia e Género na Europa' (AGE) da Associação Europeia de Arqueólogos (EAA) no que diz respeito ao futuro da arqueologia de género. Este livro une investigadores da arqueologia de género a partir de duas perspetivas: a dos arqueólogos de género de meios académicos onde o estudo do género está estabelecido há muito tempo e que, entretanto passaram a sentir que esta via de investigação se tinha tornado previsível e perdeu o seu poder provocador, e a dos arqueólogos de género de países onde este campo foi introduzido apenas recentemente e que, embora mais entusiasmados com a utilidade da arqueologia de género, estão preocupados em como divulgá-la entre pares céticos. 




Ambos os grupos de arqueólogos argumentam principalmente que, quatro décadas depois, o estudo do género na arqueologia ainda é capaz de gerar mudanças consideráveis ​​na nossa compreensão das sociedades passadas e atuais. O volume é de interesse principalmente para arqueólogos e pesquisadores de estudos de género.

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+INFO sobre o livro em: Gender & Change in Archaeology

sexta-feira, 8 de março de 2024

Todos os guerreiros são homens?

Are all warriors male?

Linduff, K.H. & Rubinson, K.S. (2008): Are all warriors male?: gender roles on the ancient Eurasian Steppe. Altamira Press. Lanham  ISBN: 0759110743

Sinopse  
Todos os guerreiros são homens? é uma investigação animada sobre questões de género nas antigas estepes da Eurásia. Os colaboradores do livro são arqueólogos que trabalham na Europa Oriental, na Ásia Central e na Ásia Oriental, e este volume é o resultado da sua pesquisa de campo nesta vasta área. 




Como pouco foi escrito sobre a evidência dos papéis de género nas sociedades pastoris antigas – ou modernas –, este livro ajuda a preencher um nicho vazio na nossa compreensão de como os papéis e identidades sexuais moldaram e foram moldados por tais circunstâncias sociais e culturais. 




Todos os guerreiros são homens? é um trabalho inovador que desafia as conceções atuais sobre o desenvolvimento das sociedades humanas neste grande caldeirão da humanidade.
   

INDEX


Disponivel em: Are all warriors male?