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segunda-feira, 4 de setembro de 2023

As Lanças na Terra? ... uma hipótese


Faz alguns anos que este Archeoten que escreve pranteara que o conhecido fenómeno dos depósitos de armas durante a proto-história europeia podia ser explicado, ao menos em parte (isto é nos casos que estão formados por armas que se atiram ou possam ser atiradas) como parte de um ritual profusamente testemunhado na documentação antiga e medieval europeia, o lançamento de um arma para delimitar ou tomar posse de um território ou extensão de terra. 

ponta de lança de Dozom em base a foto e debuxos de J. Suarez Otero

Daquela eu sugeri isso como mera possibilidade, em base a esses exemplos etno-históricos, tomando como base o facto de que as outras duas hipóteses tradicionais destes depositos armamentisticos (a votiva e a funerária) também foram formuladas em base, a sua presença em fontes de época histórica (tanto clássicas como medievais), Em realidade, não tinha daquela muita convicção de poder afinar mais a aplicabilidade arqueológica como modelo interpretativo desta sugerência, mas para a minha grata surpresa no 2014 o nosso colega José Suarez Otero num magnífico artigo sobre a ponta de lança Dozon mostrou como, a partir de uma detalhada análise tipológica e do contexto geográfico, podia sustentar a hipótese delimitadora para esta peça concreto.

a colina de Velem-Szent Vid e o lugar onde apareceram as pontas de lança

Comento isto para explicar porque inevitalmente ao ler ontem no último número da revista Archeologické Rozhledy o artigo do arqueólogo János Gábor Tarbay sobre duas lanças topadas topadas no sito fortificado de Velem-Szent Vid (Hungria), a minha mente levou-me inevitavelmente de novo a pensar nas minhas pesquisas anteriores sobre os rituais bélico-jurídicos. Estas duas pontas de lança apareceram durante as escavações do jazigo cravadas verticalmente no pavimento do chão de uma casa do período hallstáttico.

as duas pontas de lança de Velem-Szent Vid (sem escala)

A interpretação que oferece o autor do artigo para este peculiar achado é a seguinte: "Provavelmente eram montadas em poços e podiam ser expostas dentro de uma casa ou numa área habitada. As duas armas podem constituir um tesouro duplo reversível que acabou por ser abandonado num único ponto. Alternativamente, eles poderiam ser vistos como um conjunto de troféus saqueados de inimigos derrotados, servindo como um lembrete de uma batalha triunfante". Sem deixar de considerar esta como uma hipótese factível, gostar-me-ia amostrar que sejam possíveis outras interpretações como parte de alguma atividade ritual já seja fundacional do edificio ou de outro tipo em base a hipótese intuitiva que eu mesmo asinalara faz anos.

fotografia do achado in situ das duas pontas de lança de Velem-Szent Vid

Desde logo, o facto que as lanças foram depositadas verticalmente penetrando no pavimento, em vez de ser pousadas horizontalmente, não pode ser mero resultado do acaso, senão que parece uma ação deliberada dentro dos próprios tramites da deposição. Um caso talvez acaido, como analogia, é o do que refere Servio sobre o ritual prévio a fundação de um acampamento romano. Cita o gramático latino um texto perdido de Varrão no que se diz que o general (dux) encarregado do comando do exército devia, previamente a construção, atirar ele mesmo uma lança sobre o prédio do solo inimigo onde se houvesse de situar a fortificação, convertendo assim ficticiamente aquele terreno em "território romano". Texto que já puséramos em relação no nosso contributo do 2018 com os rituais de toma de posse-apropiação territorial. 

Marco Terencio Varrão, gravado de  André Thevet, 1584

Parece lógico que nos trâmites anteriores a construção de um "assentamento" se incluísse um ato de apropriação do térreo, máxime se como neste caso, estava situado em território alheio e inimigo. Embora pode que este caráter "alheio" poda ser levado mais ala da pura hostilidade bélica. No nosso último artigo sobre o tema vimos, de facto, como no "Livro da Colonização" de Islandia (Landnámabók) estes ritos de atirar armas se vinculavam a uma necessidade mais profunda ainda que a da mera apropriação fáctica dum prédio, como era a de converter esse território novo, e até daquela inabitado; a priori inóspito e hostil em habitável e placido para o colono,"domesticando-o", em certa forma a terra, ao fazê-la passar, em termos levi-straussianos, da "Natureza" a "Cultura", através dum ato mimético de conquista.

um dos manuscritos do Landnámabók, 1ª metade do século XIV

Poderia ser isto valido para o caso da possível fundação ou refeição de um edifício, igual que dum assentamento em geral?. Pelo momento, não é que o elenco de possíveis paralelos para sustentar esta hipótese para o caso de Velem-Szent Vid, seja abundante precisamente. De facto o único caso que até onde sei pudera, de forma intuitiva, relacionar-se com algo similar é o de uma ponta de lança do Bronze Final topada justo debaixo das fiadas dos muros do Castro de Penalba (Campolameiro, Pontevedra), pelo que até agora não diremos que isto seja mais que uma especulação, sugerente e possível, e mesmo digna de ter em conta ao melhor, mas especulação ao cabo.

muralhas do castro de Penalba e ponta de lança tipo Hio topada durante as excavações

Por suposto há outros paralelos e interpretações mais exóticas, como o ritual matrimonial dos Nbembu da África que incluía entre outras coisas o cravar o futuro marido duas pontas de seta no lar do pai da noiva; forma de toma de posse agora não territorial senão parental (comparável ao doriktetos aner/giné -"homem/mulher ganhados pela lança"- dos textos homéricos??).  

Desde logo não podemos assegurar tampouco que esta peculiar forma de "caçar" ritualmente a noiva a jeito de Paleo-Cupido, fora tampouco a que este detrás da parelha de pontas de lança de Velem-Szent Vid, por muito que uma lança também aparecera, por exemplo, mas de jeito totalmente diverso durante o ritual matrimonial romano (a celebre hasta caelibaris). 

Uma parelha de lanças metaforicamente vinculadas a uma parelha fundacional de uma familiar e a morada onde esta residirá é desde logo uma associação bem possível, mas que não deixa de estar nesse plano hipotético da imaginação histórica. Seja como for, o que é curioso é, de certo, comprovar como se repete, mas também se diversifica, a combinatória destes rituais jurídicos ao longo do tempo e do espaço. 

Por certo, sobre tudo isto tenho pendente uma atualização. in progress desde faz mais tempo do que gostaria, do meu artigo de 2018 na que incluo novo material. Talvez, seja tempo de deixar de procrastinar, colher o teclado e voltar de novo a atirar ainda um pouco mais longe a lança. 


Bibliografia: 

Alvárez Nuñez, A. (1986): Castro de Penalba, Campo Lameiro (Pontevedra): Campaña 1983-1986. Arqueoloxia Memorias. Junta de Galiza. Santiago de Compostela PDF

Suarez Otero J. (2014): "Unha punta de lanza do Bronce Final en Dozón (Pontevedra), Armas e ritos no Bronce Atlántico do Norocste Ibérico" Boletin Auriense N" 44 pp. 183-216

Tarbay, J. G. (2023): "Late Bronze Age spears in the ‘floor’ from Velem-Szent Vid, Hungary" Archeologické Rozhledy, 74/4 pp. 479–504  DOI: 10.35686/AR.2022.23

Tenreiro Bermúdez, M. (2005): Arrojar la lanza: Un ritual jurídico en una crónica castellana del s. XV y sus paralelos" Anuario Brigantino Nº 28  pp. 65-76  PDF

Tenreiro Bermúdez, M. (2007): "La lanza en la tierra: Rituales jurídicos de toma de posesión de la Antiguedad a la Edad Media" in: Pasado y Presente de los Estudios Celtas. Actas del I Congreso del Instituto de Estudios Celtas de la RAH, Etnoarqueologia de los Celtas de la Peninsula Iberica. Instituto de Estudios Celtas (RAH) y Fundacion Ortegalia, Ortigueira, 2007 pp. 365-387  PDF

Tenreiro Bermúdez, M. (2018): "A langa na água: subsídios célticos: germanos e indo-europeus para o estudo dum gesto ritual" in: Actas das IV, V e VI Jornadas de Letras Galego-Portuguesas. Dts, Academia Galega da Lingua Portuguesa e Universita di Bologna. Montealegre. pp. 117-157
  
Turner, V. (1967): The Forest of Symbols. Aspects of Ndembu Ritual. Cornell University Press. Ithaca


sábado, 4 de fevereiro de 2023

Palavras e Coisas: Mãos, Aneis e Simbolo Juridico

Faz tempo já faláramos do simbolismo das mãos e do simbolismo jurídico dextrarum iunctio (vid. postagem aqui) entre eles o seu uso como símbolo matrimonial que se faz pressente em anéis como os que aqui temos. 

Dois anéis bizantinos de ouro com um camafeu um com um pedra ágata e o outro do que pudera ser pasta vítrea o outra pedra semipreciosa (não posso mais precisar), datados circa do século V  A.C. no anel de acima no gesto das mãos apertadas (dextrarum iunctio), a mão de esquerda que deveria corresponder a feminina usa uma pulseira, no de abaixo é mais difícil precisar se ambas mãos destras levam pulseira ou é o borde da manga da vestimenta dos contraentes. 

Embaixo nos dois casos figura uma inscrição grega abaixo com a palavra OMONÓIA isto é "Concórdia", referindo a concórdia matrimonial que se espera dos dois esposos ao longo da sua vida em comum. Isto qual faz que o ato de unir as mãos apareça frequentemente na iconografia dos sepulcros fúnebres explicando o ideal de uma convivência matrimonial plácida dentro dos parâmetros da moralidade greco-romana a través do gesto matrimonial do casal, que em ocasiões é representados junto aos filhos havidos durante o matrimonio. 





quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Mãos no Passado - Objeto, Rito e Simbolo

Outra mão bronzinea, esta topada na Suíça (a Mão de Prêles), e parece que iria não pendurada de nenhum sitio ou mesmo poderíamos dizer que mais que fora colgando de alguém, a jeito de refulgente prótese. Seria necessário imaginar o tom dourado pálido que teria o bronze da peça antes de colher sua patina verdinha, o que faria jogo, ainda que abaratando o custo, com a custosa fita de ouro que decora o remate da "empunhadura", se nos permitis o termo, ainda que, ao melhor, no punho não iria já.

Objetos recuperados do enxoval recuperado do tumulo de Prêles (Berna, Suiça)

    
A Mão de Prêles foi topada por um detetorista por acaso,  bom se é que assim se lhe pode chamar a um senhor que sai ao monte com um detetor de metais e “casualmente” topa metal. Deixando isto a um lado, o caso é que uma escavação posterior confirmou a mão que formava parte do enxoval de um tumulo que continha o corpo de um homem adulto e do qual o Carbono catorze deu uma datação entre o 1500-1400 a.C (e dizer o século XV mas a.C) ou em termos arqueológicos no Bronze Meio centro-europeu.

Excavações da tumba de Prêles (Berna, Suiça) 

Qual seria sua função?: Objeto ritual?, amuleto?, elemento ortopédico?. Um colega mesmo me sugeriu hoje em comparação com o punhal um possível uso como arma: já pudemos imaginar a muito dantesca cena de olhos tirados da testa ou pinchados nos metálicos dedos, ou ainda saltando pelo campo de batalha, ou de gorjas degoladas por golpes de mão, imagens desacougantes que algo de arrepio dão de certo.

Mãos e mascara da tumba de Großklein (Austria), s. VI a.C.


Independentemente das dúvidas que podamos ter sobre cada hipótese ou mesmo sobre a eficácia de técnica marcial em combate do tipo ataque dedos-olhos, o certo é que obviamente algo fica claro, e é um objeto assim não o levaria qualquer, já fora este tenente um nobre, chefe ou sacerdote (quem saberá?). Suponho que a parte do ar de família com o de Irulegi algum estará já especulando com o paralelo com deuses gaélicos mutilados e com mãos sucedâneas de prata

Inscripção a Marte Nodons, e diadema votiva, com o deus pressentado como um Helios-Apolo marinho ambas dois do templo britano-romano de Lydney Park (Gloucestershire), o Idolo de Tandragee (Armagh, Irlanda) interpretado geralmente como uma representação do deus Nuada Airgetlám

   
É quase inevitável que não sai evocado na nossa mente a imagem de esse Nuada “Mão/braço de Prata” (Airgetlám), aquele rei dos deuses irlandeses que tem que abandonar o trono ao ser mutilado a sua mão num combate, a soberania sacra não aceita deforme, eivado nem tolheito no seu exercício. Até que finalmente lhe fora implantada prosteticamente (foi Nuada o primeiro cyborg?) uma mão argêntea forjada pelo metalúrgico dos deuses (Goidnu). Ou os casos cruzados, como no seu dia estudara Dumezil, de um escandinavo Tyr, deus guerreiro e juiz, ou um Mucio Scevolla herói da Roma Arcaica, que perdem ambos dois a sua mão simetricamente como consequência de um falso juramento.

Mãos destras unidas, tésera de hospitalidade de Paredes de Nava (Palência)

Também se pode lembrar ao respeito a longa tradição jurídica que o gesto da união de mãos  (dextrarum iunctio, gr. dexiosis) tem para selar um pato, acordo; ou negocio, simbolismo refletido tanto no direito latino mais antigo como no mundo celto-hispânico, onde arqueologia no-lo amostra claramente através alguns suportes de pactos de “hospitalidade” (tesserae), que adquirem forma de duas mãos acopláveis uma na outra em uma sólida aperta tão sólida como o próprio acordo que garantem: Uma metade para cada signatário. 

Gesto de dextrarum iunctio entre esposos de um sarcófago romano (Museu das Termas de Diocleciano), anel de fede com mãos apertadas; acordo de cessão de Carcassona entre Ramon Berenguer I e Guilherme de Cerdanha no Liber Feudorum Maior

Uma firme materialização que transcende a própria vida das partes, alongando o pato a sua descendência, pois essa “amizade” se herda, e cada parte da tessera esta chamada assim a atuar como signo de reconhecimento mutuo entre  dois a priori desconhecidos reconhecendo-os no ancestral vínculo. O simbolismo jurídico da mão esta longamente exprimido no mundo Indo-europeu, apenas temos que voltar as analises já citadas de Dumezil, mas também podemo-lo topar em exemplos mais próximo ao nosso contexto temporal e etnográfico. ainda frescos até há alguns anos, na imagem tradicional de dois paisanos selando na feira o acordo de venda com um aperta de mãos, única rubrica precisa para ultimar e legalizar de jeito informal -mas contundente- o acordo oral.

Tratantes de gado fechando o acordo com uma aperta de mão, feira de Laviana (Astúrias) no 1950. Museu do Povo de Astúrias 

  
Também poderíamos igualmente pensar outras aceções do signo, outra funções além do direito; a mão protetora da divindade, que ampara e cobre a seu devoto, como a dum Sabacios de época já romana, da mão cristológica bendizendo ao crente, ou nos raios benéficos do sol-deus que descendiam rematando em de mãos sobre o farão herege (Akhenatão) e sua família, a quem, em alguns relevos pétreos, ofereciam as típicas cruzes ansadas egípcias . 

Mão de Sabazios, Akhenatão e um dos seus filhos bencididos pelas mãos-raios de Aton, a Mão de Deus bendicindo, igreja bulgara do s. VI d.C, uma das mãos da tumba Großklein decorada com diversos signos (apotropaicos?) e perforação para fixa-la a alguma superficie ou pendura-la  

Ou num âmbito menos transcendente e escatológico, pensar na mão ainda servindo de proteção magica em um sentido mais quotidiano, em tanto amuletos populares como a figa que representam uma mão, apertada fazendo um nó com os dedos sobre o polegar, ou bem aberta ao jeito da Mão de Fátima, normalmente decorada com signos mágicos

Figas varias de azibeche nos seus diversos modelos e formas tradicionais, figa com imagem da Virgem da Cabeça (Jaem), figa de cristal de rocha alemã do século XVII ou XVIII

Especular pudemos, sempre e fácil e singelo quando o mutismo taxativo que tantas vezes amostra o registo arqueológico se nos impõe com um longo e incomodo silêncio sobre qual fora contexto “imaterial” de um objeto, ou se prefere “simbólico”, as vezes, este próprio termo “simbólico” (ou no seu defeito ritual) não é mais um eufemismo para escusar um “função desconhecida”. Com um símbolo de tão longa tradição como a "mão direita", que ademais sempre se oporá a outra “mão sinistra”. E digo destra, explicitamente, porque a Mão de Prêles é. casualmente, outra mão direita também, como a de Irulegi. 

Cena de combate da estela de Palao (Alcanhiz) com repressentação sobredimensionada de mão amputada século II-I a.C

Como digo de tudo um pouco pode sair; desde a "fides" e a "hospitalidade" ao heroísmo do que priva da mão da espada a um inimigo (como era usual entre celtiberos e citas), ou mesmo haverá quem apontasse simbologias mais radiantes, e até solares mesmo, algo o pensou no caso de Indra creio que recordar um Max Müller que cegado pela “enfermidade da linguagem” não via mas que Sol por todas partes; ainda que divindade védica seja mais bem um ente tormentoso; seriam seus dedos um lôstrego tal vez?, penso é pouco provável. Seguramente algo acertou embora errou de deus no acerto.

Mão de Irulegi, texto e transcripção da inscripção

Os avatares da "mão destra" são muito e mui variados. Eu não nego uma coisa nem outra, tudo isso pode ser possível e seguramente em tudo ou a menos em parte o será. Que nos dirá Irulegi de todo este puzzle quando algum dia as outra palavras além de esse transparente zorioneku (“felicidade” “boa fortuna”) sejam esclarecidas: 

Mão sobre lintel de um edifico (Valência), mão de Fátima sobre a chamada porta da Justiça da cidade de Granada (s. XIV), chamador de porta tradicional com mão e esfera, Mão de Fátima-chamador de uma casa marroquina

Será uma “bem-vinda”, um texto de saúdo ou bênção, que indicara a hospitalidade para quem chega desde longe a essa morada, um carme protetor? poético texto ou apenas uma mais prosaica formula não cantável?; uma proteção contra a desgraça ou uma chamada (e evocação) a “boa ventura”, que foi, para mais efeito (verba volant scripta manet) materializado fisicamente sobre um objeto, objeto que, ao melhor, pudera ter já por sim próprio uma função como amuleto (a jeito de Mão de Fátima ou figa) ... ou seria tudo um pouco de tudo isto?. 

"cem mil (vezes) bem-vindo" expressão gaélica de bem-vinda na porta de uma morada (Guitiriz, Galiza), foto do autor

Fica-nos a nós especuladores gratuitos, e impaciente, a esperar fazendo profissão de precaução, até que chegue o ditame dos que sim sabem de línguas, toca-nos agora calar: Que falem os filólogos!


Bibliografia:

Almirall Arnal, E. (2020): "La dextrarum iunctio y su evolución a los anillos de fede. Algunos ejemplos en gemas del Museo Arqueológico Nacional (Madrid)" " Boletín del MAN Nº  39  pp. 139-154  PDF

Beltran Lloris, F., Jordán Cólera, C. & Simón Cornago, I. (2009): "Revisión y balance del corpus de Téseras Celtibéricas" Palaeohispanica Nº 9   pp. 625-668  PDF

Dumézil, G. (1985): Heur et Malheur du guerrier, aspects de la fonction guerrière chez les Indo-Européens. Flammarion, Paris. aqui

Nováková, L. & Pagáčová, M. (2016): "Dexiosis: a meaningful gesture of the Classical antiquity" ILIRIA International Review Nº 6/1  pp. 207-222   PDF

Oehrl, S (2008) “Uber die vermeintliche indische Parallele zur Einhändigkeit des germanischen Gottes Tyr und des keltischen Gottes Nuadu: Ein Klärungsversuch” Münchener Indologische Zeitschrift Nº 1 pp. 208–223  PDF

Pita Beceiro, I (1994): "El escrito, la palabra y el gesto en las tomas de posesión señoriales" Studia Historica. Historia Medieval Nº 12  pp. 53-82   PDF

Ricks, D.S (2006): "Dexiosis and Dextrarum Iunctio: The Sacred Handclasp in the Classical and Early Christian World" FARMS Review Nº 18/1  pp. 431–36  PDF

Rhys, J (1888): Lectures on the Origin and Growth of Religion as illustrated by Celtic Heathendom. William and Norgate, Edinburgo  archive.org

Sopeña Genzor, G. (2009): "Acerca de la amputación de la mano diestra como práctica simbólica: el caso de Hispania en época de las guerras celtibérico-lusitanas" Saldvie Nº 8  pp. 271-283 DOI: 10.26754/ojs_salduie/sald.200886583

Schaer, A.; Kissling, Ch.; Alterauge, A. & Brechbühl, S. (2019): "Die Bronzehand von Preles (Kt. Bern/Ch). Die Älteste Anthropomorfe Bronzeplastik Europas?" Archäologisches Korrespondenzblatt Nº 49  pp. 57-69   PDF

Schaer, A., Brechbühl, S, Senn, M. et alii (2021): Das bronzezeitliche Grab und die Bronzehand von Prêles. Hefte zur Archäologie im Kanton Bern Vol. 8   PDF

Wheeler, M. (1932): Report on the Excavations of the Prehistoric, Roman and Post-Roman Site in Lydney Park, Gloucestershire. Oxford University Press, Oxford  DOI: 10.26530/20.500.12657/50813


AGRADECIMENTOS: Temos que agradecer a Nina Willburger, Eloi Saavedra e Álvaro Gómez Peña a informação prestada, comentários e algumas que outras imagens,, obrigado.


Postagem relacionada: A Mão Escrita de Irulegi

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Ritos, Crenças e Territorio - Palestras

Seres do bosque ritos e crenças

Quando: 1 Dezembro
Onde: Gijon


Em breve este Archeoten que aqui escreve terá oportunidade de voltar a Gijon (Astúrias) de novo para falar de etnografia, arqueologia, rituais e todas essas coisas que soem ser parte importante dos nossos interesses e pesquisa neste últimos anos.


De novo voltaremos achegarmos aos ritos de fundação, delimitação, a territorialidade o direito e os seus rituais, acompanhados nesta ocasião dos nosso colegas os etnógrafos Alberto Alvárez Peña (Astúrias) e Pablo Rosalia (Argentina), membros respetivamente da Fundação Belenos e da Asociação de recolha etnográfica Relatos del Viento.



Interessante projeto de recolha etnográfica na província de Córdova do que vos convido a visitar a sua wede  relatosdelviento.org. Por certo vos deixo aqui um pequeno bocadinho de algum dos temas dos que falara Pablo e dos que teremos oportunidade de debater e  partilhar impressões neste pequeno encontro galaico-astur-argentino



As palestras celebraram-se no Auditório de Biblioteca Pública Jovellanos a partir das 17:30, aqui abaixo podeis consultar mais informação




quarta-feira, 25 de março de 2015

Royal Scone Conference - Videos


Royal Scone Conference

Perth, Escocia
Novembro 2014


Gordon Noble - Cult and Kingship,Understanding the Early Pictish Royal Centre at Rhynie



Alan Miller - Digital reconstruction of Scone Abbey



Alastair Mann - The Last Coronation of a King of Scots: Charles II in 1651 at Scone



Alexandra Sanmark - At the Assembly: Elite Rituals and the Creation of Ritual Space



David Caldwell - Finlaggan, Islay – a place for inaugurating kings



David Rollason - Stones and stone thrones in ‘celtic’ and non-‘celtic’ kingship across the middle ages



Jan-henrik Fallgren - Scandinavian Hill Forts – Symbolic sites for royal and common rituals



Jana Maríková-Kubková - Prague Castle. Seat of the Dukes and Kings of Bohemia, Place of Their Investiture



John Ljungkvist - Gamla Uppsala through a millennia, a continuous centre in constant transformation



Judith Ley - From Charlemagne’s Royal Residence to the German Coronation Place: A New Theory to the Function and Symbolism of the Aachen Palace



Karsten Ley - ‘Charlemagne’s own palatine chapel: Perception and Development of Aachen’s Carolingian Heritage 1949 ‐ 1978 ‐ 2014



Lucinda Dean - Where to make the king (or queen): the importance of place in Scottish inaugurations and coronations from 1214 to 1651



Matthew Hammond - Perth/Scone and assembly government in the mid-twelfth century



Øystein Erkoll - ‘The Kings’ Chair’ – The Royal Acclamation Tribune on Nidaros Cathedral Cemetery



Patrick Gleeson - Gathering the nations of early medieval Ireland: debating provincial kingship, royal government and ceremony in the post-Roman West



Richard Millar - Scone Abbey: An Overview of its Portfolio of Lands, Rights, and Churches



Andrew Johnson - Tynwald: Assembly, Royal Inauguration and Parliamentary Tradition on the Isle of Man



Extraido de: Boug´s Archaeology


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Debatindo a Assembleia no Norte da Europa

Debating the Thing in the North I
Journal of the North Atlantic, special vol. 5


INDEX

Debating the Thing in the North I: Introduction and Acknowledgments  p. 1
Alexandra Sanmark, Sarah Semple, Natascha Mehler & Frode Iversen


Research Articles

Concilium and Pagus—Revisiting the Early Germanic Thing System of Northern Europe  p. 5
Frode Iversen

Þing goða—The Mythological Assembly Site  p. 18
Nanna Løkka

Sacred Legal Places in Eddic Poetry: Reflected in Real Life?  p. 28
Anne Irene Riisøy

State Formation, Administrative Areas, and Thing Sites in the Borgarthing Law Province, Southeast Norway  p. 42
Marie Ødegaard

Tracing Medieval Administrative Systems: Hardanger, Western Norway  p. 64
Halldis Hobæk

Governance at the Anglo-Scandinavian Interface: Hundredal Organization in the Southern Danelaw  p. 76
John Baker and Stuart Brookes

Patterns of Assembly: Norse Thing Sites in Shetland   p. 96
Alexandra Sanmark

What is in a Booth? Material Symbolism at Icelandic Assembly Sites  p. 111
Orri Vésteinsson


+INFO no site de:  JONA

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Celtismo Peninsular e Centroeuropeu


A próxima quarta-feira dia 29 de maio, celebrara-se na Casa de Galiza em Madrid uma Mesa Redonda que terá por titulo O Celtismo Ibérico e a sua relação com o Centroeuropeu.



Na mesa redonda intervirão Thomas G. Schattner, diretor científico do Instituto Arqueológico Alemão; Armando Coelho Ferreira da Silva, professor da Faculdade de Arte da Universidade de Porto, o Jesus Javier de Hoz Bravo, professor da Departamento de Filologia da Universidade Complutense, o que isto escreve Marcial Tenreiro, Professor de História Antiga da UNED, junto com Martín Almagro Gorbea, Antiquário da Real Academia da História, quem moderará a Mesa.



Deixamos-vos aqui debaixo o resumo da nossa intervenção na Mesa Redonda que levara por titulo: La Lanza en el agua, la espada en la piedra. Un ritual entre celtas y germanos


Resumo
Esta intervenção terá como foco o estudo diacrónico de uma série de rituais relacionados com as armas e a guerra que encontramos atestado entre os celtas e germanos de época histórica e que, porém, consideramos podem votar alguma luz sobre o estudo de depósitos rituais de armas durante o Bronze Final e Idade do Ferro. Se sinalará de passo a utilidade uma aproximação interdisciplinar, que incluía distintos tipos de fontes, desde a etnografia à história do direito, ademais das propriamente arqueológicas para obter uma compreensão mais profunda destes fenómenos durante a proto-história europeia e peninsular


+INFO no site da:   Casa de Galicia

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Ethnoarqueologia Juridica do Touro - Resumo

Deixamos-vos aqui o resumo da nossa futura intervenção o próximo sábado no Congresso o Cavalo e o Touro, Mito e Ritual: Para uma etnoarqueologia jurídica do Touro


Resumo
A presente comunicação centra-se em duas práticas relacionadas com o touro que se podem encontrar em diferentes partes da Península Ibérica. De um lado, trataremos os rituais de delimitação nos quais os bovídeos intervêm como parte dos atos de definição do perímetro de um território, e nos que se observa um componente mágico que os conecta com os rituais de fundação.



Do outro lado, a serie de tradições e lendas sobre o confronto entre dois bois que representam a comunidade e que se associam com a delimitação de fronteiras entre vizinhanças, zonas de pastagem, etc.
Em ambos os casos, pode-mos ver semelhanças com mitos e rituais presentes em outros lugares da Europa Continental e Ilhas Britânicas.



Os quais juntamente com a presença ocasional de tais costumes em documentos medievais e modernos de caráter jurídico, permitem observar fenómenos de longue durée em torno desses usos consuetudinários, que nos referem em último término, quando menos, ao mundo céltico.



Esta abordagem comparativa, porém põe de manifesto a necessidade de uma estratégia de pesquisa que permita cruzar diferentes fontes, desde a etnografia à história do direito, além das propriamente arqueológicas, para a compreensão deste tipo de fenómenos



Podeis consultar uma versão inglesa junto coa portuguesa aqui


quarta-feira, 7 de março de 2012

Paisagens, Realeça, Ritual


Landscapes of Cult and Kinship
   
Schot, R., Newman, C. & Bhreathnach, E (eds.), Landscapes of Cult and Kinship. Four Courts Press, Dublin, 2011
ISBN:  978-1-84682-219-3


Sinopse

Este volume oferece novas perspetivas sobre a realeza e as suas paisagens na Irlanda e alem dela em  treze ensaios escritos por varios especialistas, que consideram como a topografia, os monumentos, a toponímia, ou os mitos e histórias foram simbolizados, entrelaçados e forjados em uma das instituições mais duradouras da cultura humana: a realeza.


Muito tempo depois da conversão ao cristianismo, o motivos da realeza sacral forem cedo incorporados em paisagens reais e senhoriais continuam a ressoar na arqueologia, na história, literatura e onomástica da Irlanda. Juntas, essas linhas de evidência traçam a evolução da realeza e as paisagens associadas com cerimônias reais da pré-história à Idade Média.

Trazendo a pesquisa mais recente da Irlanda para o estudo internacional da realeza, estes ensaios explorar a forma como o fenômeno mundial da realeza sacra, com sua ênfase sobre a harmonização das esferas humana e divina, encontrou expressão na Irlanda. Desde as lendas de nascimento e morte de reis,  às paisagens sacralizados de Tara, Gabhra Sgiath e os centros de umbilicais de Uisneach que emergem deste estudo num amplo conjunto rico e diversificado de temas comuns que abrem novos horizontes para a análise comparativa.


 INDEX




terça-feira, 6 de março de 2012

PROJETO ÓENACH 2012 - Congresso


Landscapes of Assambley

Quando: 24-25 março
Onde:  Depart. Archaeology UCC


Embora na maioria das vezes traduzido como "Feira / Mercado", o Óenach termo é um derivado de 'um', articulando conceitos de “unificação”. Originalmente óenach significava o conjunto principal do corpo político de um ou vários reinos, presidido e convocado por um rei, para diversos fins coma servir de tribunal, promulgar leis, negociar alianças, mas também, como uma ocasião de festa em geral, onde se faziam eventos desportivos como carreiras de cavalos. Como tal, o óeanch é o equivalente irlandês da instituição pan-europeia de Assembleia.

tumulo no sítio de assembleia de Tailtiu, foto: Óenach Project

O Projeto Óenach é um projeto de pesquisa de curta duração no Departamento de Arqueologia do Colégio Universitário de Cork, que abordar a questão do Óenach. O projeto óenach empregar diversos métodos de pesquisa para analisar as paisagens do óenach, a fim de examinar as suas origens, desenvolvimento e a sua iconografia arqueológica. Os principais estudos de caso do projeto estão localizados nos principais locais de Assembleia da Irlanda.

A Ó Néill Stone nos Chãos de Tulach.  foto: National Library of Ireland  

Um dos objetivos principais do projeto é estabelecer um discurso preliminar sobre as origens, função e evolução desta instituição. Elo permitira o estabelecimento de uma base a partir da qual as origens, natureza e evolução das primeiras práticas de assembleia irlandesas podam ser comparadas com os estudos de outros projetos de investigação em curso no Reino Unido e Escandinávia, nos que está analisando locais e práticas de Assembleia em toda a Europa, sinaladamente o projeto The Landscapes of Governance do Instituto de Arqueologia do UCL, e o The Assembly Project

local de assembleia de Bällsta, Suecia. foto: A. Sanmark

Como parte do Projeto Óenach uma conferência  com o titulo Landscapes of Assembly: the Óenach in early medieval Ireland será realizada pelo Departamento de Arqueologia do Colégio Universitário de Cork nos dias 24 e 25 de março. Esta conferência irá examinar a natureza e manifestação arqueológica das práticas de Assembleia na Irlanda, a par do papel do Óenach na têmpera sociedade irlandesa


  Programa


+INFO no site do:   Óenach Project

sábado, 23 de abril de 2011

A Lança na Água a Espada na Pedra ... a Palestra



Aqui tedes o video da minha comunicação A Lança na Água a Espada na Pedra, apresentada no III Congresso Internacional de Estudos Celtas. Os Celtas da Europa Atlantica, Narom, o dia 16 de Abril de 2011

Presentação:

 
Esta é uma versão acurtada da presentação powert point original, ... o resto e muto mais na publicação


Descarrega a presentação no meu:  Academia.edu

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Tac. Germ. XIII. I. Armas, jóvenes y ritos de paso: Valores simbólicos de las armas y de la guerra a través de un rito germano


Las armas han jugado frecuente un importante y destacable papel entre distintos pueblos antiguos, o bien, conocidos por la etnografía contemporánea. En este sentido los estudios sobre el simbolismo, especialmente el jurídico, del armamento tienen una importante tradición en buena parte de la investigación europea –germanófona frecuentemente-. No es extraño por tanto que el papel de la guerra y de las armas entre celtas y germanos halla ocupado un buen numero de páginas sobre el mundo bárbaro occidental, ya que nos permite, más allá de la pura taxonomía funcional o ergológica, entrar en una esfera profundamente social y ligada a usos, costumbres, y mentalidades, o al propio ethos en el que dichas sociedades se desenvolvían.

Nuestra modesta, y breve, aportación a la problemática parte de un conocido texto clásico al que aportaremos algunos paralelos que, a nuestro entender, permitan ver la lógica en la que el rito se desenvolvía y que, asimismo, permitió sus posteriores adaptaciones, el texto es el siguiente:
 
   «Llevan a cabo todos sus asuntos públicos y privados sin despojarse de las armas. Pero tienen la costumbre de que nadie las tome antes de que la ciudad lo haya considerado apto para llevarlas. Entonces, en la misma asamblea, alguno de los jefes, o el padre o los parientes arman al joven con el escudo y la «frámea»: ésta es para ellos su toga, éste el principal ornato de su juventud. Hasta ese momento se les considera parte de la familia; a partir de ahora, parte de la Ciudad » (Tac. Germ. XIII.1) 

El importante papel del armamento es señalado asimismo por el autor en otros párrafos, como cuando cuenta que no solo la entrega de las armas daba al joven la capacitación para formar parte de pleno derecho de la Asamblea tribal sino que, incluso, el propio método de votación que se seguía en esta consistía en la aclamación agitando las armas por parte de los presentes (Germ XI. 6). Asimismo nos relata la especial vergüenza que suponía para un germano la perdida del escudo en la guerra, la cual desembocaba comúnmente en el suicidio (Germ VI.6). El último termino el ritual de investidura de las armas parece reducirse a un mínimo común denominador previo, y bien conocido, la necesidad de portar armas por parte del joven para ser considerado entre los adultos, algo fácilmente explicable en una sociedad guerrera, como lo era la germana.
 
2. la iuventus: guerra e iniciación y mercenariazgo
No obstante la idea de que los jóvenes no disponían de la capacidad de portar algún durante su periodo de paso a la edad adulta contrasta con los que sabemos acerca de los periodos liminares y entra en contradicción, asimismo, con ciertas referencias literarias sobre los germanos. Cesar cuenta en su Guerra de las Galia que los jóvenes germanos antes de la edad adulta tenían como ocupación fundamental la caza y los ejercicios militares (Cesar, BG IV. 23). La frontera y la dedicación a la caza actividad marginal y al saqueo, frecuente en contextos iniciáticos confería a estos guerreros un status especial separado del mundo ordinario y frecuentemente sometido a formas de conducta y prescripciones especificas alejadas de lo cotidiano.
Dicho carácter marginal e iniciático también se observa en otro fragmento de la Germania, al describirse el voto que asumían los jóvenes catos mientras no hubiesen matado un enemigo: consistente en la prohibición de cortarse el cabello [1], así como de portar un anillo de hierro al cuello (propio de esclavo) como signos de su consagración al díos de la guerra bajo cuya protección se encontraban (Tac. Germ, XXXI. 5) [2].

El papel de la muerte de un enemigo, o de los hechos de armas, como parte de la admisión de los jóvenes a la sociedad adulta aparece también referido por Paulo Diacono, que describe como el principe longobardo Alboino tras dirigir una serie de campañas contra los gépidos, en las que muerte al hijo del rey de ese pueblo, solicita a su padre el que le deje formar parte de su mesa, a lo que este objeta que antes debe recibir las armas de un rey extranjero (Hist. Lang. I. 32). La admisión como compañero de mesa (Tischgemeinschaft) del señor [3], se equipara así dentro del comitatus al papel de integración que tiene a nivel tribal el derecho de asistir a la Asamblea (Wenskus 1961: 363 ).

El episodio de Alboino recuerda asimismo la descripción que Posidonio hace del banquete galo al destacar junto a la presencia del señor y de sus guerreros sentados a la mesa, de un segundo grupo que actúan de portaescudos (oplophorountes) colocados a su espalda (Athen. Deipn. IV. 36), lo que posiblemente refleja un status diferencial dentro de la clientela guerrera que podría indicar distintos grados -o clases de edad- dentro de ella (Karl 2005: 261), similares a lo que cita Tácito (Germ XIII.1-4) al hablar del comitatus germano (Kristiansen 1983: 51).


Otro paralelo a tener en cuenta es la costumbre en el derecho irlandés de que un señor ofreciese la panoplia básica, el gaisced (literalmente “lanza y escudo”) a sus seguidores al llegar a la edad adulta (Jackson, 1964: 18). Procopio, asimismo, nos describe con respecto a los hérulos la costumbre de que los miembros del sequito militar combatiesen sin escudo hasta que hubiesen demostrado su valor, momento en que les era entregado por su señor (Proc. Bell Pers. II. 16. 28). Dentro también del ámbito de la clientela conviene recordar también la cesión del caballo y frámea a los miembros del comitatus por parte de su patrón (Germ. XIV. 2).
El patrocinio sobre las bandas guerreras daba lugar a la otra en la que posibilidad era que estos jóvenes emigrasen temporalmente para integrarse temporalmente en el sequito guerrero de un noble o rey extranjero, antes de volver a su patria, que Tácito atribuye a los jóvenes de la nobleza germana (Germ. XIV. 2), y que en el algunos caso como el de los longobardos pudo adquirir valor preferencial. Al respecto es bastante ejemplificador el itinerario que se nos muestra en el Beowulf anglosajón, el héroe acompañado de una tropa de compañeros aproximadamente de su misma edad deja su tierra natal y se dirige a otras tierras donde procede a saquear el territorio extraño o a buscar una corte para ponerse al servicio de un rey (Beow. 195ss). En el caso irlandés, el periodo de correrías que comenzaba , a los catorce años, es decir al termino de la niñez con el periodo de fosterage (altram)[4] y finalizaba cuando el joven, retorna a su tierra y recibe en herencia tierras con lo cual pasa a convertirse en un hombre asentado, periodo que no obstante no concluía nunca antes de la edad de 20 años como mínimo (Mc Cone 1986: 10).

El periplo heroico de Beowulf termina cuando tras la muerte de su tío, el rey, se convierte él mismo en sucesor al trono (Beow 2200-2008). Existe un paralelismo, incluso temporal -en el caso irlandés-, y lo que Cesar describe descrive para los germanos en su De Bello Gallico cuando afirma que sus muchachos no solían casarse, por prescripción de sus costumbres, antes de los veinte años: «Intra annum vero vicesimum feminae notitiam habuisse ». Junto a ese guerrero temporal figura, asimismo, un tipo de guerrero que prolonga el periodo liminar con todas sus características más allá de la edad convenida convirtiéndose en un profesional de la guerra a tiempo completo al servicio de los nobles. Tácito describe a estos guerreros como una especie de elite militar que goza de gran prestigio (Tac. Germ XXXI. 5) a costa, no obstante, de mantener en sus signos (Tac. Germ. XXXI.4) y en sus actos la marginalidad iniciática y social propia del joven. Un status peculiar que se muestra también en el mantenimiento de una forma determinada de combatir.

2.1 Tipología del armamento y grupos de edad 
 Así pues la contradicción aparente entre el estado de cosas bélico del joven preadulto y la entrega de armas como capacitadota para la mayoría de edad puede entenderse mejor, en realidad como una dualidad de armas y formas de combatir entre dos grupos de edad. Tácito al respecto describe junto a la caballería germana la presencia de jóvenes como infantería de vanguardia lanzando armas arrojadizas (Tac, Germ. VI.1-3). El dúo framea y escudo aparece vinculada a un tipo de guerreros preciso, el ejercito regular, mientras que los jóvenes son caracterizados por el uso armas arrojadizas, el hecho de que los primeros usen del combate cuerpo a cuerpo y los segundos a distancia indica quizás en que estamos ante una dualidad tecnológica en cuanto al tipo de armas.

El combate más informal, si se nos permite la expresión, de lo iuvenes germanos recuerda también al los gaseati galos cuerpo de elite formado por jóvenes guerreros que combatían en las primeras filas frecuentemente desnudos y armados con armas ligeras como la lanza arrojadiza (gaesum) que les daba nombre (Pol. II. 28. 3; 29.7-8). La desnudez dejaba expuesto el cuerpo[5], y constituía en cierta forma de temeraria exhibición del valor, que el joven debía demostrar para integrarse en el mundo adulto, y en ese sentido puede compararse con la ya citada costumbre herula de combatir sin escudo.

Los datos arqueológicos muestran en el área germana un panorama que concuerda claramente con el descrito por Tácito y permite precisar la naturaleza del armamento diferencial descrito en el ejército germano. Las necrópolis muestran un claro predominio de las puntas de lanza en las tumbas en las tumbas, y una ratio muy limitada de espadas, de la que se infiere el carácter de arma reservada a un grupo muy limitado de la población. Ello llevo a Schindler a plantear ya hace algunos años la presencia de una distinción social dentro del grupo de los guerreros entre "portadores de lanza" (Lanzeträger) y "portadores de espada" (Schwertträger) (Schindler 1971: 43-82).

Los análisis osteológicos permiten comprobar que indistintamente dentro del grupo de los portadores de espada, esta arma aparece únicamente asociada a adultos de cierta edad, que por otro lado suelen además mostrar una panoplia completa, mientras que las puntas de lanza en esclusividad o junto con escudo se asocian a individuos más jóvenes (Steuer 1982: 205) ello supone que los sujetos que portan espada fueron lanceros durante su juventud, y que asimismo la espada como arma de prestigio se encuentra limitada a un grupo de elite y dentro de estos a individuos de una determinada clase de edad (Steuer, 1982: 206ss). Lo cual prefigura lo que encontramos entre algunos pueblos germánicos históricos, como la división por grupos de edad entre iuvenes (geogud) y seniores (dugud) dentro del ejercito anglo-sajón (Davidson 1989: 16) o entre los daneses según la descripción de Saxo Gramático (Hist. Dan.VII).

Porcentagens de armas em necrópoles germanas centroeuropeas (Steuer,1982)

Un fenómeno peculiar es la presencia de ajuares guerreros incompletos, es decir formados por un solo ítem (puntas de lanza, espuelas, escudo, o vaina sin espada) (Hachman 1956: 15) lo cual nos permite observar de manera metonímica el protagonismo de de las distintas formas de combate (infantería, caballería, etc.) en la definición de la personalidad social de sujeto[6]. La presencia del escudos aislados o de ajuares con solo lanzas podría interpretarse como definidora de dos tipos de status y clase de edad, y vendría a explicar, también, en cierta forma el valor aparentemente exagerado que se daba a la perdida del escudo (Germ. VI. 6), ya que esta supondría una especie de negación in terminis de un estado adquirido a través del valor en la guerra y escenificado en la ceremonia de paso a la edad adulta. Y, por tanto, una contradicción con los valores que definían al sujeto en la sociedad germana.

 La entrega de las armas no constituye, por tanto, en realidad, o exclusivamente, una capacitación del joven como soldado sino un signo a través del que se define la condición y el status que ha adquirido dentro de la comunidad, como guerrero y como hombre: su paso a la condición de adulto a través del tipo de armamento que le distingue del de los jóvenes en periodo de transición, y que presupone una organización militar basada en clases de edad.
 
3. Entre Hallstatt y La Téne, Vieja y Nueva Clientela: El emerger de la Gefolschaft 
 Esta dicotomía entre la espada y la lanza se puede rastrear ya hacia atrás a las fases iniciales de la Edad de Hierro Centroeuropea. Durante la época de Hallstatt se aprecia una presencia muy limitada del uso de la espada, la diferencia con respecto al mundo germano contemporáneo de Tácito, o al horizonte Lateniano, en la mayor escasez relativa de este ítem. La espada ha sido definida junto con el túmulo como el gran elemento de prestigio ideológico de las Jefaturas de Hallstatt, ya que asimismo al igual que la espada el túmulo monumental se encuentra limitado a un grupo muy limitado de la población que concentra el poder, una elite constituida por jefes con incipientes clientelas militares.

El túmulo típico de Hallstatt será el que al rededor de si tenga dispuesta una serie de tumbas de individuos pertenecientes al grupo familiar del noble-jefe enterrado, y de sus seguidores caracterizados por la posesión de puntas de lanza en su ajuar, que en algunos casos pudieron seguir como totenfolge a su señor al más allá, como evidencia el gran túmulo de Magdalenesberg (Kristiansen 1998: 365) o la presencia ocasional de fenómenos paralelos en algunos túmulos como Homichhele con un individuo de sexo femenino junto al muerto (posiblemente la viuda) (Kristiansen 1998: 365).

Este panorama cambio a partir de la transición entre Hallstatt D3 y La Téne A, cuando el comercio entre el Mediterráneo y el Centro y Norte de Europa perdió pujanza, lo cual afecto a la “economía de bienes de prestigio” desarrollada por las jefaturas hallstáticas. Se ve a partir de entonces una decadencia del núcleo de Hallstatt y un papel más activo de las zonas periféricas de su interland al mismo tiempo que el registro funerario cambia dando lugar a sepulturas más modestas pero con una presencia mayor de elementos de prestigio, armas y otros elementos relacionados con la guerra, como el carro de combate, lo cual denota el papel de aristocracias más amplias emergentes que vinieron ocupar el lugar de los jefes hallstáticos. En este contexto las instituciones de dependencia personal que observamos en torno a las jefaturas de Hallstatt C antes bien que desaparecer cobran un nuevo protagonismo, se flexibilizan, convirtiéndose en el elemento fundamental en la lucha por la competencia social entre las elites.

La capacidad de atraer una clientela numerosa entorno a si se convierte en un factor decisivo en el juego político, lo cual redunda en una mayor movilidad física, más allá de la frontera tribal, o social de los jóvenes que forman las clientelas guerreras. Algunos autores como Nash han planteado un precedente atenuado de esta movilidad durante el periodo hallstático en base a una posible relación de mutualidad entre el centro alpino y su interland centroeuropeo -la zona nuclear posteriormente de La Téne A- en la que cada uno jugaría el papel de atractor y suministrador de mercenarios (Nash 1985: 50-52).

Relação entre estructura social e clientela militar na Idade do Ferro centroeuropea (Tenreiro, 2006)

El sistema de mercenariado extensivo supone una separación del concepto tribal tradicional de guerra hacia una nueva concepción diferente en la línea que señala Schlesinger al oponer un tipo de guerra basado en la Gefolschaft a otra basado en el principio tribal (Stammenkrieg) lo cual influye en el propio concepto de poder político (Schlesinger, 1963: 67-68). Lo cual explicaría la rápida transición y aceleración de la dinámica en torno al sistema de clientela militar que nos describe Polibio (Pol. XVII.12) y que luego encontramos más tarde en el mundo de los oppida galos donde nobles como Dumnorix basan buena parte de su ascendiente entre las elites tribales en la presencia de amplios ejércitos de seguidores (B G. I. 18).

El punto culminante de todo este proceso posiblemente deba ser fijado en un hecho novedoso y sin precedentes que eclosiona en una franja temporal muy concreta en torno al s. IV y III, esto es la exportación de grupos de mercenario centroeuropeos al Mediterráneo. El primer testimonio tenemos que situarlo en el reclutamiento bárbaros realizado por Dionisio de Siracusa (Diod. XIV.75.9), y tendrá continuidad durante época helenística. La presencia y el retorno de estos mercenarios a sus lugares de origen no dejo de tener su efectos en la propia organización militar con el trasplante de un modelo de formación que imitan los mediterráneos, por parte de los galos y que Tácito nos describe en su versión germana (Belbrück 2000: 36). El nuevo sistema parece que tuvo una difusión relativamente rápida entre la periferia germana.

Así se ha interpretado efectivamente las armas del deposito votivo de Horjtspring en la Isla de Als (Dinamarca) fechado de entorno al año 350 a. C [7]. La comparación en base al utillaje militar de Hortjtpring con el deposito Smørumove, datado en el Bronce Final, permite observar la profunda transformación en las formas de combatir (Ransborg, 1993: 50-51) que se da durante ese periodo, viéndose la sustitución de una forma de guerra más simple donde predomina el combate singular de una elite y una infantería indiferenciada de lanceros por otro donde se hace un uso consciente de las distintas posiciones y una especialización del combate (Ransborg 1993: 58). No obstante la reducida escala de las unidades militares supone una diferencia con respecto al modelo ortodoxo mediterráneo, donde prima el grupo compacto y el uso de la lanza larga [8]. El limitado numero de guerreros sugieren que la única forma mayor de agrupación militar sería la mera suma de pequeños ejércitos, solo ejercible a nivel tribal, una imagen que es muy coherente con la descripción del comitatus germano y con contextos marginales derivados de la Edad del Hierro, como el de los fianna irlandeses. La influencia del mundo galo lateniano [9] tiene su correlato lingüístico en el peso de ciertas coincidencia en buena parte del vocabulario institucional germano con voces célticas, significativamente centradas en el campo del poder o de lo militar (D´Arbois de Jubaiville 1891; Schmidt 1986: 231-247)[10].

Kuhn defendió asimismo la adscripción céltica del complejo comitatus-Gefolschaft a si como a algunos elementos asociados a él como el juramento y la devotio (Kuhn 1956: 78). Al respecto es interesante constatar la presencia en tumbas de latenienses de un segundo enterrado posiblemente vinculado a estos fenómenos de devotio[11]La situación periférica de lo germano hizo que el papel de las instituciones de clientela que cristaliza entrono a la inicios de la 2ª Edad de Hierro, conservaran mejor su facies primordial, mientras que en el propio mundo galo esta se había visto profundamente alterada (Daudigney, 1979: 166-167) por la propia evolución de aquel hacía una sociedad protourbana, la de los oppida[12] (Crumley 1974). Se ha incidido en el papel de la Edad del Hierro como periodo de transición entre una sociedad tribal basada en vínculos de parentesco y sociedades de “estado arcaico” donde cobran mayor protagonismo otro tipo de elementos -como los vínculos de dependencia- en la configuración del poder de las elites locales (Hess, 1977: 770-1).
En ese contexto el rito descrito por Tácito cobra especial énfasis pues permite observar uno de esos campos en que lo nuevo se superpone a lo anterior y aun se expresa a través de su simbolismo para evitar la disonancia. Ello nos lleva al papel que Tácito otorga al parentesco en el rito y sus relaciones con las formas de clientela.  
 
4. Las armas y el rito: Adopción, fosterage, parentela y clientela
 Tácito refiere la presencia de tres posibles categorías de sujetos como actores del ritual: el padre, un pariente o un noble sin parentesco necesario con el joven.. El hecho de que Tácito oponga la admisión en la familia a la admisión en la comunidad (civitas) tribal, parece afianzar la idea de que el joven quedaba investido en ese momento de un estatus de igualdad jurídica con su progenitor, y por tanto emancipado de aquel (Wenskus, 1961: 362). En este sentido las armas actúan como “initiation gifts” es decir objetos que durante el rito de paso actúan como símbolos que definen el nuevo status del sujeto (Lincoln 1977: 150-151) y cuya cesión por el padre al hijo supone en cierta forma la transmisión de una serie de derechos que aquel ya poseía como miembro del grupo.

Una curiosa evolución de dicho principio es la que Gregorio de Tours refiere al describir la transmisión del trono franco a Childeberto por parte de Guntramo mediante el gesto de entregarle una lanza: «Posthaec rex Gunthramus data in manu Childeberti hasta, ait, hoc est iudicuum quod tibi omne regnum deum tradidi» (Greg. Tur. Hist. Franc. VII. 33). En otras legislaciones medievales tenemos constancia de la costumbre de “regnum cum dominica hasta tradere” (Grimm, 1995:225) de igual manera que igualmente, en otras ocasiones, se da el acceso a la realeza a través de la cesión al nuevo gobernante de la espada como símbolo del gobierno sobre el territorio: «est enim consuetudo curiae, ut regna per gladium, provinciae per vexillum a principe tradantur vel recipiantur» (Grimm 1995: 230). Más allá del valor o prestigio como denotador de status y condición del sujeto se da aquí con relación al rol del arma, un segundo aspecto que prolonga su papel en el ritual hacia un nuevo campo de acción, como es el de aquellas ceremonias destinadas a expresar palpablemente abstracciones jurídicas (Chassan, 1841), relacionadas en este caso con el concepto de "sucesión" o “legitimidad”. En los que el arma no actua ya meramente como símbolo de la “acción” (símbolo activo) sino que adquiere un papel propio como expresión del poder (símbolo objetivo) (Chassan 1841: 105).

El arma y el propio ritual de cesión de la armas es utilizado, así para expresar efectivamente la transmisión –literal- del poder o de la propiedad dentro del grupo familiar o incluso la legitimidad sucesoria del sujeto en aquellos caso en que no era real (adopción), como en otras expreso la mera transmisión de la condición de adulto. No deja de ser significativo al respecto que traditio del reino franco al merovingio Childeberto se simultanease asimismo con una adopción por parte de su tío el rey. En cuanto a la presencia de otro pariente que no sea el padre puede parecer en cierta forma extraña o irregular, con respecto a este campo, pero no lo es tanto si pensamos en otra institución que nos describe Tácito: la existencia del avunculado entre los germanos, y su estrecha relación con el fosterage, que el autor romano no comprendiendo bien los tramites, expresa a través de la terminología de la “toma de rehenes” (Tac. Germ. XX. 5). La asociación de la práctica del fosterage a la presencia de un sistema familiar en el que se reconoce cierto papel a los vínculos cognaticios, aparece como una forma de refuerzo de las alianzas creadas con la unión matrimonial (Lallemand, 1988). Ello explica el papel peculiar que presentan algunos personajes en la épica germánica o céltica (Cu´Chulain, Beowulf); jóvenes héroes caracterizados como sobrinos[13] con una especial relación, con su tío, frecuentemente un rey (O´Cathasaigh 1986; Bremmer 1981). Y recuerda –también- algunos episodios trasmitidos por los historiadores clásicos, como la historia de Veloveso y Segoveso (Liv. V. 34. 1-4) sobrinos del rey de los bituriges enviados por aquel como colonizadores (Marco Simón 2000).

La sustitución del padre por un avunculo materno durante el rito constituiría, así pues, una buena forma de afianzar los vínculos afectivos y sociales creados durante el periodo de crianza, reforzando aun más si cabe el lazo de la paternidad ficticia o simbólica establecido a través de ella. Ello no se podría separar del propio rango por nacimiento de los participantes –tanto el receptor como del que era recibido-, lo cual entre sujetos de distinto origen daba lugar normalmente a relaciones de clientela como sucedía en algunos tipos de fosterage (Parkes, 2003: 763-767). En otras ocasiones –entre iguales- el parentesco por las armas se mostraría más “honorífico”, como sucede en el caso de Alboino, remitiendo a la misma lógica de la alianza que observamos en torno al parentesco. Los vínculos de “parentesco ficticio” (Waffensonschaft, Blutbruderschaft) en el caso de los aristócratas se convertía en una forma de establecer o afianzar vínculos de amistad, o alianza entre sujetos (Genzmer, 1938: 133), que en ocasiones irían de la mano de alianzas más o menos directas de linajes, sin que por ello se llegase a crear una relación de dependencia.

La polisemia del sentido familiar del rito es puesta a prueba aquí para expresar a través del imaginario del parentesco otro tipo de relaciones sociales entre sujetos. En otras ocasiones no obstante, el rito se presentaría como una verdadera integración de facto y directa del joven en el grupo familiar –la deriva clientelar-, en sentido amplio, del noble que lo recibe en clientela como “hijo ficticio” (Le Goff 1977: 381). El papel de la “adopción ficticia” del joven guerrero por el líder como forma de entrada en el comitatus, destaca el simbolismo implícito en la utilización del parentesco ritual para reforzar la fidelidad (Enright 1996: 77) convirtiéndose así, finalmente, en la contraparte de la admisión a nivel tribal del joven.
Un caso intermedio entre la clientela y el fosterage tradicional lo tenemos en algunos ejemplos irlandeses en los que el parentesco materno actúa como forma de dar un status jurídico a un joven que se encuentra privado por alguna razón de el, lo que lleva a una equiparación con la “protección”·ofrecida al cliente (Janski 1999: 3-13) El carácter clientelar de la paternidad por las armas derivara asimismo en ciertas formas de establecer vínculos de sumisión más allá ya del comitatus, entre nobles o reyes (Wenskus, 1961: 362). Como tempranamente Casiodoro nos muestra a través del ejemplo de la adopción de armas por parte de Teodorico de Rodvulfo, rey de los gépidos, a cambio –claro está- de este le prestase a su vez “obsequio et devotio” (Cass. Var. IV. 2). Una nueva evolución del rito tacitéo, para adaptarse a las circunstancias, que nos sitúan ya en el alba de las instituciones medievales. Un mismo rito para la época de Tácito; un mero hecho de derecho privado, ya sin consecuencias publicas (sin la “ciudadania” tribal de turno ), en el posterior mundo feudal. Dos etapas, en resumen, de la historia de una misma institución. 

BIBLIOGRAFIA

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-Marco Simón, F. 2000, “Velut Ver Sacrum. La Iuventus céltica y la mística del centro” en Alvar, J., Placido, D et alii. (eds.), Las edades de la dependencia en la Antigüedad, Arys nº 9, Ediciones Clásicas. Madrid, 349-362. 
-Munch, R.1928, “Waren die Germanen des Caesar und Tacitus Kelten” ZDA, nº 65, 1-50. 
-Nash, D. 1985, “Celtic territorial expansion and the Mediterranean world”, en Champion, T. C y Megaw, J.V. S. (eds.), Settlement and society: Aspects of West European prehistory in the first millenium B. C., Leicester University Press, 45-67 
-Parkes, P. 2003, “Fostering Fealty: A Comparative Analysis of Tributary Allegiances Adoptive Kinship”, Comparative Studies in Society & History, nº 3, 741-782
-Randsborg, K.,1992, Hjortspring. Warfare and Sacrifice in Early Europe, Aarhus University Press, Aarhus, -Schindler, R. 1971, “Ein Kriegergrab mit Bronzehelm der Spätlatènezeit aus Trier-Olewig”, TZ, nº 39, 43-82 
-Schlesinger, W. 1963, “Über germanische Heerkönigtum”, en, Mitteldeutsche Beitrage zur deutschen Verfassungsgeschichte des Mittelalters, Vandenhoeck & Rupreck, Gotinga, , vol. 1, 53-87, 
-Schmidt, K. H. 1986, “Keltisch-germanisch Isoglossen und ihre sprachgeschichtlichen Implikationen” en Beck, H (ed.), Germanenprobleme in heutiger Sicht, Walter De Gruyter, Berlin, 231-247 
-Steuer, H. 1982, Frühgeschichtliche Sozialstrukturen in Mitteleuropa. Eine Analyse der Auswertungmethoden des archäologischen Quellenmaterials. Vandenhoeck & Ruprecht, Gotinga. 
-Tierney, J. J. 1960, “The celtic ethnography of Posidonius” PRIA, nº 60, 189-275 
-Wenskus, R. 1961, Stammesbildung und Verfassung. Das Werden derfrühmittelalterlichen gentes. Böhlau Verlag, Colonia.

Notas:

Esta comunicación desarrolla parte de uno de los trabajos presentados para nuestro DEA en el área de arqueología realizado bajo la dirección del Prof. Víctor Alonso Troncoso. 
[1] Snorri Sturluson (Heinskrill. II. 4) describe un voto con sentido guerrero similar hecho por rey sueco Harald Lindo Pelo (Genzmer, 1938: 134) 
[2] Igualmente la prescripción de no entrar en el santuario del dios supremo de los semnones sin ir atados (Tac. Germ XXXVIII. 2-4 ) 
[3] El papel del banquete entre las elites germanas se apreciaría en las tumbas de guerrero más ricas en la aparición de cuernos de beber y vajillas de lujo. La participación de los miembros del comitatus en el banquete podría estar indicada por tumbas más modestas (¿de miembros de la gefolschaft)donde , junto a las armas, figuran únicamente cuernos de beber (Hachman, 1956: 15). Sobre el papel del banquete entre los germanos y celtas (Enright, 1996) 
[4] Igual sentido del final del periodo de fosterage para el mundo galo (Cesar BG. VI, 18.3) 
[5] Un correlato arqueológico tardío de esta costumbre en una estatuilla del cementerio sajona Finglesham (Kent) que representa a un guerrero desnudo (Davidson 1989: 12) 
[6] Dicha ausencia podría vincularse, en algunos casos, especialmente en el de las vainas, a fenómenos de transmisión hereditaria de las armas (Hachman 1956: 9). Lo que recuerda la escena del islandés Cantar de Hérvor (s. XIII) en la que la protagonista va a la tumba de su padre para exigirle al espectro de aquel la espada como herencia (Herv. 10-11), petición a la que debe acceder por la fuerza de la costumbre ( Herv. 21-23) 
[7] El depósito el botín -los espolia- de un ejército vencido que habría sido ofrecido en un ritual similar al descrito por Orosio para los Cimbrios . (Hist. IV. 16.5-6) 
[8] El carácter ligero de la falange germana o celta deriva de que el papel de los mercenarios bárbaros fue el de tropas ligeras (peltastai) (Gracia Alonso 2003: 74) 
[9] Hachman considera arqueológicamente la influencia lateniense un factor de aceleración de la complejidad social en la zona S. de Germania (Hachman 1956: 16-17). Igualmente Wenskus define el proceso de aparición de sociedades aristocráticas en esta área durante la 2ª EH como una “gallisch-westgermanische Revolution” (Wenskus 1961: 355-360) 
[10] Es significativa también la antroponimia de origen celta entre la elite germana, como sucede en el caso el rey suevo Ariovisto (Enright 1996: 207) o del marcomano Maroboduo (Much 1928: 32), o la serie de antropónimos en –rik, formados por analogía con los nombre galos en -rix 
[11] Inicialmente el auriga, pero un simple guerrero después Es sugerente la comparación con el soldado de infantería que actuaba como asistente del jinete entre los suevos de Ariovisto (Cesar B G I. 42) o con algunas formas de combatir celtas como la trimarcisia (Thierny 1960: 196). El sacrificio de sirvientes es citado por Cesar (B G VI. 19). 
[12] Cesar observa la dicotomía entre los galos del pasado, miembros de una sociedad guerrera y expansiva, y los de su época: dedicados al comercio, e incide en el relevo de los germanos en el papel de periferia guerrera (B G. VI. 24). Crumley observa en la distribución de los oppida galos una función de control estratégico de nudos de comunicación y rutas comerciales (1974: 32ss, 77).
[13] El fosterage avuncular aparece citado explícitamente en el Beowulf (Beowulf 2428-2429)

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