segunda-feira, 4 de maio de 2026

Investigaçâo Arqueológica em Espanha V - Livro

Actualidad de la investigación arqueológica en España V

AA.VV. (2026): Actualidad de la investigación arqueológica en España V (2022-2023): conferencias impartidas en el Museo Arqueológico Nacional. Museo Arqueologico Nacional. Madrid 

Sinopse 
A quinta edição do ciclo de palestras dedicada à pesquisa arqueológica atual na Espanha, em 2022 e 2023, teve início em 2018 com o objetivo de maximizar a divulgação e a visibilidade da atividade arqueológica, bem como conscientizar sobre a importância do patrimônio arqueológico e a necessidade de sua promoção e conservação. 


Este ciclo apresenta uma seleção de projetos recentes ou em andamento que contribuíram significativamente para o conhecimento histórico ou para a metodologia arqueológica. O público tem a oportunidade de conhecer os desenvolvimentos atuais nesta área com especialistas renomados.




Além das propostas da equipe técnica do Museu, diversas instituições, professores e pesquisadores foram consultados para obter uma perspectiva mais ampla e diversificada sobre os projetos, e esse processo continuará, visto que a lista não é exaustiva.

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sábado, 2 de maio de 2026

Horizontes Mediterrâneos - Livro

Mediterranean Horizons

Bangsgaard, P., Lund, J., Pentz, P. & Sørensen, L.V.  (2026): Mediterranean Horizons. Archaeological Studies in Honour of Søren Dietz. Danish Institute at Athens Miscellanea series. Sidestone Press. Leiden.  ISBN: 978-94-6426-448-7  DOI: 10.59641/j4m0g1h2i3 

Sinopse  
O Mediterrâneo sempre foi uma encruzilhada de culturas, ideias e histórias. Da Idade da Pedra ao primeiro milênio a.C., esta região vibrante moldou  -e foi moldada por- os movimentos de pessoas, a troca de mercadorias e o surgimento de sociedades complexas. 


Horizontes do Mediterrâneo celebra a carreira de Søren Dietz, um arqueólogo pioneiro e fundador do Instituto Dinamarquês em Atenas, cujo trabalho iluminou essas conexões através do tempo e do espaço. Este volume comemorativo reúne pesquisadores e amigos para explorar temas caros ao coração de Søren: o passado antigo do Egeu, as redes da Idade do Bronze que ligavam a Escandinávia ao Mediterrâneo e a rica tapeçaria da vida na Grécia e na Tunísia. 


O livro começa na Idade da Pedra, onde as mudanças climáticas e a busca por materiais raros impulsionaram as comunidades primitivas a inovar e se adaptar. Em seguida, aborda a Idade do Bronze, uma época de rotas comerciais ousadas, artesanato compartilhado e intercâmbios culturais, do âmbar do Báltico à Grécia Micênica aos tesouros minoicos encontrados em túmulos de guerreiros.


As seções posteriores se concentram na Grécia continental, onde as escavações de Søren revelaram o cotidiano dos aldeões da Idade do Ferro, a grandiosidade dos antigos teatros e os segredos das cidades fortificadas. A jornada termina na Tunísia, onde seu trabalho em Cartago e no projeto África Proconsularis desenterrou camadas de história sob o solo do Norte da África.


Mais do que uma simples coletânea de pesquisas, este livro é uma homenagem à curiosidade e à colaboração. Ele reflete a crença de Søren de que a arqueologia não se resume a descobrir objetos, mas sim a compreender as pessoas e as sociedades que os criaram e utilizaram. Com histórias vívidas e perspectivas inovadoras, Horizontes Mediterrâneos convida os leitores a explorar o passado — e a perceber como seus ecos ainda ressoam nos dias de hoje.

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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Piastas e "Reis Extranhos" de Hoje e Ontem


Não é nada extranho, nem desconhecido, que as linhagens reais sõem ser frequêntemente as menos "autotoctonas" naqueles paises nas que reinam. Em este sentido vai um artigo recente publicado na revista Nature Communicationque vem a aportar , através do analise paleo-genètico, alguma luz sob a origem da dinastia piasta, que protagoniza a época fundacional do reino da Polonia.

Boleslvo Piast, Bolesłavo I de Polònia

O estudo feito sob os restos esqueleticos disponiveis dos membros das distintas ramas de esta linhagem aporta dados que questionam a origem local, e mesmo a eslavicidade da familia piasta:

"Seis indivíduos identificados como Piasts apresentavam haplogrupos R1b. As análises dos dados gerados para os Piasts R1b individuais sugeriram que seu ancestral comum pertencia à linhagem R1b-P312. Atualmente, essa linhagem é observada com maior frequência na Grã-Bretanha... As evidências apresentadas acima indicam que todos os indivíduos classificados como Piastas R1b pertenciam a uma mesma família e compartilhavam a mesma linhagem do haplogrupo Y R1b-BY3549, atualmente rara na Europa. Entre as amostras datadas do período anterior à formação do Estado Piasta, a mesma linhagem foi encontrada em três amostras antigas: CGG_023713 (datada de 770–540 a.C.) da atual França<sup> 42</sup> , CGG_107766 (datada de 20–200 d.C.) dos atuais Países Baixos<sup> 42</sup> e VK177 (datada de 880–1000 d.C.) da atual Inglaterra <sup>43</sup> . Assim, nossos dados revelam que os Piastas pertenciam à linhagem R1b-BY3549, sugerindo que eram migrantes de origem não eslava...
Os resultados obtidos indicam que os Piastas não eram de origem eslava e, portanto, sugerem que forças externas desempenharam um papel fundamental no processo de formação da Polônia."
Igualmente o estudo mostra a forte interconexão via alinças matrimonias entre a dinastia polonesa a as outras casas reias da Europa medieval contemporanea:

"Muitas das filhas de Piast e as mulheres que se casaram com membros da família Piast também representavam dinastias europeias famosas; portanto, os dados genéticos que coletamos para os membros da dinastia Piast nos permitem prever haplogrupos mitocondriais (mt-hgs) para mais de 200 figuras históricas conhecidas. Dentro desse grupo, há 108 Piasts, 32 Rurikids, 12 Giediminids, 23 Árpáds, 15 Přemyslids, 13 Hohenzollerns, 10 Habsburgos, 8 Wettins, 5 Angevinos e 4 Wittelsbachs ..."

Isto ultimo não é nada extranho, nem inesperado, a pouco que se observe a história das linhagens reais europeias caraterizada por um forte endogamica dentro do grupo e a pressença frequente por estes emparentamentos de dinastias de origen foraneo regindo as distntias monarquias europeias. 

o evidènte parecido familiar dos primos Nicolas II da Russia e Jorge V de Inglaterra.

Os reis de Grécia, esoclhidos após a independencia, eram de origem alemão e casaram-se quase na sua maior parte com linhagen de essa mesma origem e algumas escandinavas em menor medida. Os ingleses levam sendo governandos por soberanos não anglo-saxões mesmo desde a morte de Harold Godwineson: franceses da Normandia, e da Aquitânia, galeses (Tudor), escoceses (Estuardo), neerlandeses (Orange), e alemães (desde os Hannover aos actuais Mounbaten-Winsord, em realidade Watterberg-Saxonia Coburgo Gotta (1).

Jean-Baptiste Bernardotte, Carlos Joâo XIV de Suécia

Na Suecia actual os reinam os descendes omonimos de um general transfugade de Napoleão (os Bernadotte), e assim um trás o outro, e isso sem ter em conta a citada endogamia de grupo que faz que quase todos os membros das casas reais europeias actuais sejam primos entre sim em um ou outro grão e as vezes por partida dobre ou tripla.


Tampouco o facto de descender a dinastia fundadora da Polonia de um extrangeiro não resultaria demasiado disonante na época. Sem ir mais longe no ambito polones pode-se pensar no comerciante saxão Kizo que a tribo eslava dos luticios escolhera como chefe durante a revolta do ano 983 contra o dominio do Sacro-Imperio Romano Germânico. 


Também poderiamos citar igualmente a figura de outro extrangeiro: Rurik, aquele varego de origem sueca que fundara a Rus de Kiev, dando origem a dinastia dos rurikidas que dera monarca aos distintos principados poskievanitas, incluido o de Moscova até que Ivan IV, O Terrivel assasianra ao seu proprio filho e herdeiro cortando abruptamente a continuidade familiar.

Rurik e seus irmãos Trúvor chegam a Ládoga. Víktor Vasnetsov (1913)

Neste sentido estes "aventureiros" vindos de fora que atuam como fundadores de identidade etnico-políticas, depois convertidas em estados, não estão muito longe de realidades mais exoticas como a dos "reis extranhos/forasteiros" (Strnage Kings) táo tipicos do Sureste Asiático. O imaginario dos stranger king em esta região soe repressentar o poder político como algo essencialmente alheio a comunidade, uma especie de corpo extranho, vindo de fora in illo tempore mas que com a sua chegada estabelece uma nova ordem que subsiste até o momento atual e vem compretar em certa forma a sociedade pré-arrivada do strange king.

gravado no que se amostra o encontro do explorador holandês Joris van Spilbergen 
com o rei Vimaladharmasuriya I de Kandi, 1609

A ideaia dos stranger kings, além do seu contexto actotono, chegaria em esta região converter-se numa forma de interpretar e justifica,r dentro dos esquemas cosmologicos locais a realidade da dominação de potencias extrangeiras durante o posterior periodo colonial. O antropologo Marshall Sahlins amplou o padrão extendo-o a outros contextos geograficos e culturais (desde a Polinesia e Africa, à Grécia Antiga ou o mundo mesoamericano), considerando que este sistema era uma das formas elementais, senão a forma elementar por antonomaisa, de emergência do poder político nas sociedades humanas (Sahlins, 2008).

fotografa do filme Farewell to the King (1989)  inspirado no topos do Strange King

Segundo o antropologo no sistema de Stranger Kings existia uma repartição em duas esferas de atividade (a reprodução e poder) em termos uma dicotomia esencial entre a "autoctonia" e a "aloctonia". O padrão geral dos relatos sobre a chegada do strange king é conhecido, e reconocivel em muitas tradições ao longo do mundo, desde os mitos e lendas aos contos populares: mostra a chegada de um heroe, um extrangeiro alheio a comunidade, inclui o conflito com alguma entidade local, nomalmente descrita como monstroussa, e remata com o matrimonio entre o heroe foraneo e uma princesa autoctona que cria essa união armonica que reconcilia alotono e o autoctono dentro dum todo. 

Recorrentemente este extrangeiro atua como heroi cultural, que introduçe diversas innovações: novas costumes, objetos, ritos, ... marcando assim uma ruptura com a ordem anterior (cambio nas formas de matrimonio, na estrutura social, novas instituições, etc). Além da ominpressencia nas lendas e contos deste topos do heroi exiliado que mata a monstro e casa com a princesa local, há em estas tradiçoes sobre "reis extranhos" e fundacionais algo mais arcaico e esencial sob o proprio conceito de poder político, que em si proprio aparece cataterizado como algo "extranho", no doble sentido da palavra, algo vindo de fora mas que supõe  também uma "anomalia" com respeito a ordem previa que vem a tranformar.


É inevitavel não recordar alias aquelas comunidade de "Sociedades contra o Estado" (que quizas fora mais preciso denominar como "contra o poder"), descritas na Amaçonia por Pierre Clastres, Essas sociedades que consciênte e ativamente anulam, atraves de distntas estrategias, qualquer possivel comportamento que levasse ao estabelecimento de uma autoridade ou prestigio superior de algum individuo sob outros membros da comuidade, no que pudera fundar-se a constituição de qualquer formas de poder ou proto-poder politico de facto.  


E fazil imaginar como poderia ter sido possivel o passo desde tal estado de "anarquia", coidadosamente mantido com tanta constància, à aparição das primeiras chefias e sistemas de poder, e perceve-lo, em certa forma, como um ato carismático e de fonda transgressão.  Relacionando igualmente este ato de quebra primordial com alguns dados etnográficos, como o carater de grande “transgressor”, que alguns povos africanos atribuem a seus chefes, aos que se permite -ou mesmo exige-se?- um comportamento fortemente “antisocial” que rompe as normas quotidianas da sociedade, e deriva frequentemente num desempenho excesivo de uma violência arbitraria, concevida, e justificada, coma um elemento constitutivo e necessario do proprio poder e sacralidade do “monarca” (Simonse, 2017).

chefe "fazedor de chuva" da vila de Cakereda (1972)

Noutro ordem de coisas Sahlins entendia que os sitemas de stranger king aparecem em contextos de forte contato e intercambio intercultural a longas distancias, no que o antropologo norteamericano denomina como "Cosmopoliticas". Não seria muito extranho considerar que em momentos de forte contacto cultural, expostos á troca e a chegada de novas formas, objetos, pessoas e constumes, o vindo de fora termine alterando a propria realidade constitutiva preexistente de uma comunidade.

Neste sentido esse imaginario, que mostra a formação do poder como a chegada de algo anomalo vindo desde fora, e vinculado as qualidades de algum sujeito ou grupo carismáticos, seria especialmente adequado como repressentação mitica dos profundos cambios sociais que se estâo a operar em distintos niveis. Nâo é uma imagem que resulte extranha, precissamente, a um arqueologo. 


De certo, se agora pensamos em epocas da pré- e proto-história europeia nas que se fazem vissiveis grandes cambios culturais: unificações em koines linguisticas ou arqueológicas, a expansão de elementos de cultura material como armas, adornos, etc., a grandes distàncias, junto com tecnologias; e outros saberes denominados, as vezes, como "conhecimento esoterico" investidos ao mesmo tempo do prestigio do inusual e do distante das suas origens (Helms, 1999). não seria extranho imaginar algo similar ao que topamos no caso dos stranger kings


Assim o pensara já defunto Michael Rowlands para o Bronze Final europeu (Ling e Rowlands, 2015), mas poderia-se igualmente projetar-se o mesmo padrão, segundo a nossa opinião, a momentos aina mais afastados da pré-história europeia como o calcolítico, mesmo com a possivilidade de vincular isto a questões tão discutidas e controversas, como o processo de  indo-europeização (2)


Mas  faz-me pensar em outra questão também: se os "reis" da pré- e proto-história foram alguma vez strange kings em que medida não estamiaos a criar uma imagem distorsionada, quando nos debruçamos sob as tumbas, frequentemente de essa elite "regia" precissamente, para analisar a paleo-genetica do conjunto de uma sociedade num momento concreto?. Em que medida repressentaria hoje uma imagem genètica adequada do homem e mulher comuns do seu pais o ADN dum monarca europeu?

Os strange kings, como os seus filhos postumos, desde logo não são um bom exemplo da autoctonia do povo comum, precissamente
   

Artigo: 

Zenczak, M., Handschuh, L., Marcinkowska-Swojak, M. et al. (2026):" Genetic genealogy of the Piast dynasty and related European royal families." Nat Commun Nº 17, 3224  DOI: 10.1038/s41467-026-71457-1

Bibliografia complementar

Classtres, P. (2010): La sociedad contra el estado. Virus editorial. Bilbao
   
Helms, M. (1993): Craft and the Kingly Ideal. Art, trade and power. University of Textas Press. Austin.  aqui
   
Rowlands, M. & Ling, J. (2013): "BoundarIes, flows and Connectivities: mobility and Stasis in the Bronze Age"  Bergerbrant, S. & Sabatini, S. (eds.): Counterpoint: Essays in Archaeology and heritage Studies in Honour of Professor Kristian Kristiansen. BAR International Series 2508. BAR Publishing. Oxford. pp. 497-509
   
Sahlins, M. (2008a): Islas de Historia. La muerte del capitán Cook. Metafora, antropologia e historia. Gedisa. Barcelona.
   
Sahlins, M (2008b): "The Strnager-King or elementary forms of the politics of life" Indonesia & the Malay World Nº 36, pp. 177–199  DOI: 10.1080/13639810802267918
     
Simonse, S. (2017):  Kings of Disaster: Dualism, Centralism and the Scapegoat King in Southeastern Sudan.  Fountain Publishers. Kampala
   
Ling, J. & Rowlands, M. (2015): "The ‘Stranger King’  (bull) and rock art" Skoglund, P., Ling, J. & Bertilsson, U.: Picturing the Bronze Age..Swedish Rock Art Series Vol. 3. Oxbow Books. Oxford. pp. 89-184  PDF

Notas:
1) A substituição do apelido Saxonia-Coburgo-Gotta por Winsord foi resultado da molesta sonoridade alemã de este durante o a I Guerra Mundial. Igual questão motivou a anglização como Mountbatten do apelido Wattenberg.
2) Consideramos que boa parte da mitologia Indo-europeia, como o tema do "combate dos deuses", pode ser frutiferamente reinterpretada em termos da oposição "autotono" "alotono" pressente na estruturas dos sestemas de Strange King, o qual coincidira curiossamente já com a inicial intuição comparatista de Sahlins quando reconheceu a obra de Dumézil como uma das inspirações principais do seu modelo (Sahlins, 2008a)
    

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terça-feira, 28 de abril de 2026

Intercambio Tecnologico e Comércio na Cisalpina

CORAL LIES

Berruto, G. (2026): Coral Lies: Unveiling Technological Exchange and Trade in the Early Iron Age. Cisalpine Studies Vol. 4. Milano University Press. Milão ISBN: 979-12-5510-404-9  DOI: 10.54103/cisalpinestudies.261

Sinopse  
Este volume apresenta o estudo integrado, tipológico, arqueométrico e arqueotecnológico de supostos artefatos de coral da Idade do Ferro no norte da Itália: fíbulas de sanguessuga incrustadas e outros artefatos. 


Dos 372 artefatos examinados, 264 foram selecionados para análises arqueométricas, conduzidas utilizando um protocolo não destrutivo ou microdestrutivo que combina espectroscopias Raman e FT-IR, micro-XRD e MEV-EDS. 


O estudo, que combina análise, radiografia e experimentação, identificou a presença de C. rubrum e outros materiais nas decorações, bem como evidências de controle intencional da composição da liga metálica. Isso sugere uma possível reconstrução das sequências de produção dos artefatos e lança luz sobre as tecnologias e interações culturais na Europa da Idade do Ferro.

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