quarta-feira, 3 de junho de 2026

Sistemas Politicos Africano Revisitados

African Political Systems Revisited

Bošković, A. & Schlee, G. (eds.) (2022): African Political Systems Revisited Changing Perspectives on Statehood and Power. Berghanh Book. Oxford & Nova York. ISBN: 978-1-80073-472-2 DOI: 10.3167/9781800734722

Sinopse 
Ao reexaminar a obra clássica da antropologia social Sistemas Políticos Africanos (1940) de Fortes e Evans-Pritchard, este livro analisa o contexto colonial e acadêmico em que a obra surgiu, bem como sua recepção e seu tema, e examina como ela pode contribuir para a análise da política contemporânea na África. 


Este livro reflete criticamente sob a história da antropologia. Contribui também para uma antropologia política consciente de seus antecedentes, autorreflexiva como disciplina, atenta às armadilhas e vieses, e capaz de se situar em seu ambiente acadêmico, social e político.

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Sistemas Políticos Africanos - Livro

African Political Systems

Fortes, M & Evans-Pritchard, E.E. 1950): African Political Systems. Oxford University Press. Oxford. 

Sinopse  
Sistemas Políticos Africanos é uma obra fundamental no campo da antropologia política, publicada por primeira vez em 1940, o livro oferece um estudo comparativo das estruturas de governo em diversas sociedades africanas, desafiando pressupostos ocidentais anteriores sobre a organização política em culturas não ocidentais.


Por meio de uma série de estudos de caso aprofundados, o livro explora a diversidade de sistemas políticos nas sociedades africanas, desde sociedades sem Estado com autoridade descentralizada até reinos centralizados com governança hierárquica. 


Abrange comunidades como os Nuer, Zulu e Bemba, revelando como a ordem política é mantida por meio de laços de parentesco, rituais, alianças e costumes locais. Cada capítulo demonstra como esses sistemas refletem as condições culturais, sociais e econômicas únicas das comunidades que governam. 
   
INDEX
  
Preface. 
A. R. Radcliffe-Brown

Introduction
M. Fortes & 
E. E. Evans-Pritchard

The kingdom of the Zulu of South Africa
Max Gluckman

The political organization of the Ngwato
 of Bechuanaland protectorate 
I. Schapera

The political system of the Bemba tribe. 
North-eastern Rhodesia 
Audrey I. Richards

The kingdom of Ankole in Uganda
K. Oberg

The Kede: a riverain state 
in Northern Nigeria
S. F. Nadel

The political organization of 
the Bantu of Kavirondo
Günther Wagner

The political system of the Tallensi of the 
Northern territories of the Gold coast
M. Fortes

The Nuer of the southern Sudan
E. E. Evans-Pritchard


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domingo, 24 de maio de 2026

Indo-arianos na Idade do Bronze - Livro

Indo-Aryans in the Bronze Age

Grigoriev, S. (2025): Indo-Aryans in the Bronze Age. Archaeopress. Oxford. ISBN: 9781805830665 DOI: 10.32028/9781805830665

Sinopse  
Este livro questiona a teoria da origem indo-ariana nas estepes, argumentando que sua pátria original ficava no noroeste do Irão. Utilizando dados linguísticos, genéticos e arqueológicos, traça as migrações do Irã para a Ásia Central, Índia e além, durante o 3º milênio A.C., que moldaram os dialetos indo-arianos.


Segundo a teoria geralmente aceita, eles se originaram na estepe eurasiática, de onde posteriormente migraram para o subcontinente indiano e o planalto iraniano. No entanto, faltam evidências que sustentem esses desenvolvimentos. O autor reuniu dados linguísticos, paleogenéticos e arqueológicos para reconstruir os processos que ocorreram no Eneolítico e na Idade do Bronze em vastas áreas da Eurásia, demonstrando que a pátria ancestral dos indo-iranianos ficava no noroeste do Irão.



De lá, alguns migraram para o sudeste do Irã, o que levou ao surgimento de dialetos indo-arianos por volta do início do 3º milênio a.C. A partir de meados do 3º milênio a.C., iniciou-se a migração de tribos indo-arianas para o nordeste do Irã e Ásia Central, que culminou posteriormente com a migração para a Índia, bem como para o Oriente Próximo, Europa Oriental, sul dos Montes Urais e, ocasionalmente, para o sul da Sibéria

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terça-feira, 19 de maio de 2026

Archaeology & Early History of Ukraine Nº 1/58

Archaeology and Early 
History of Ukraine 

Nº 1/58 - 2026
   
INDEX
  
Eastern Carpathian Region in the context 
of cultural and historical processes 
of the Late Mesolithic Period. pp. 5-22
V. Chornobryvets

On the chronological peculiarities of the 
non-ferrous temple jewelry in the Early and 
Middle Bronze Age of Ukraine  pp. 23-58
L. Chernykh

Pins with protrusion from the Northern 
Pontic Region pp. 59-113
S. D. Lysenko, S. S. Lysenko

Final Paleolithic site Popivtsi V  
pp. 114-124
S. Kyrylchuk

Multilayered archaeological site of 
Lisna Slobidka XII in the Sub-Carpathian
 Area  pp. 125-142
Ya. Yakovyshyna, M. Voitovych, 
M. Melnychuk

Javelin-head from the Middle 
Psel river basin pp. 143-148
O. Suprunenko, T. Menchynska

The Bronze Age barrow near the village 
Nyzhnya Duvanka on the left bank 
of Siverski Donets river  pp. 149-166
Yu. Brovender, A. Rusinov

Layer of the Mira site: Flake tool. 
Transformations as key to understanding
 knapping strategies  pp. 167-196
V. Stepanchuk


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domingo, 17 de maio de 2026

Tempo e Temporalisda no Mundo Viking - Livro

Time and Temporality 
in the Viking Age

Lund, J. (2026): Time and Temporality in the Viking Age. An Archaeology of Reuse, Remembering, and Relations to the Past in the Past in Scandinavia, 750-1050 CE.  Sidestone Press. Leiden. ISBN: 9789464264395 DOI: 10.59641/t2w8q9r0s1

Sinopse  
Esta publicação revela as complexas relações entre a Era Viking e seus contextos passados. O livro explora estudos anteriores sobre o passado e seus fundamentos teóricos, utilizando a relacionalidade, a materialidade e a afetividade como abordagens produtivas para o avanço da área.


Três estudos de caso examinam o uso do passado na construção de estruturas para navios na Era Viking, a presença de antiguidades e referências ao passado em tesouros da Era Viking e o uso de pedras de meio-fio como referências a um passado específico. Além disso, explora a relação entre memória social e reutilização no passado. Demonstra como o engajamento ativo com o passado era parte integrante das identidades sociais e das autopercepções.


As análises do registro arqueológico apontam para alguns dos mecanismos pelos quais o passado foi apropriado, alterado e integrado às práticas da Era Viking. A análise destaca as dimensões políticas da memória, desafiando preconceitos estabelecidos de que a reutilização é automaticamente conduzida para legitimar relações de poder. O estudo, portanto, fornece uma perspectiva diferenciada para examinar como os habitantes da Era Viking concebiam e utilizavam suas realidades temporais. 


Ao reconhecer a natureza relacional do passado e de seus materiais, a publicação reavalia a sociedade da Era Viking, sublinhando a relevância da memória coletiva na formação da identidade e das relações sociais através das fronteiras temporais. Acima de tudo, demonstra como os usos do passado eram práticas variadas e diversas na sociedade da Era Viking.

INDEX
    
Preface  p. 7

1. Approaching time and temporality 
in the Viking Age  p. 9

2. All about power and commemoration?
 Previous studies of the past 
in the Viking Age  p. 15

3. Temporality, power, affectivity and memory. 
Theoretical perspectives on reuse
in the past p. 29

4. Ship settings. Templates from the pasts 
and a question of scale? p. 45

5. The temporality of the theme hoards 
p. 65

6. Kerbstones. Connections to specific pasts 
p. 83

7. Time and temporality in Viking 
Age Scandinavia p. 97

References p. 105


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A Origem dos Castros Britânicos - Tese

The Origins of British Hillforts

Campbell, L. (2021):  The Origins of British Hillforts: A comparative study of Late Bronze Age hillfort origins in the Atlantic West. Tese doutoral apressentada na Universidade de Liverpool.

Sinopse   
O final da Idade do Bronze na Grã-Bretanha (c. 1250–750 a.C.) foi um período de reorganização econômica e social: padrões agrícolas e de assentamento, práticas funerárias e de deposição, todos sofreram mudanças e desenvolvimentos significativos. 


Esta tese examina as evidências da ocupação e outeiros fortificados no oeste atlântico da Grã-Bretanha durante esse período formativo. Concentrando-se nas razões pelas quais as comunidades começaram a unir-se nessa época para construir esses monumentos impressionantes, esta tese fornece informações sobre como essas comunidades estavam organizando a paisagem em um período em que os primeiros efeitos da deterioração climática começavam a ser sentidos. 


Os castros, em vez de serem locais marginais distantes dos centros populacionais, desempenharam um papel importante para as comunidades que transitavam do mundo seguro e estável da Idade do Bronze Média para as realidades emergentes da vida em um ambiente mais imprevisível. O oeste atlântico da Grã-Bretanha, que aqui abrange o País de Gales e o sudoeste da Inglaterra, é uma área que, até recentemente, ficou atrás da região centro-sul da Inglaterra, mais conhecida e estudada. 


Esta tese procura demonstrar que, longe de ser uma região periférica, as comunidades do oeste atlântico desenvolviam sítios no topo de colinas por toda a paisagem, proporcionando um local seguro e central para encontros comunitários e atividades pastoris. As ligações marítimas através do Mar da Irlanda até os castros da Idade do Bronze Final na Irlanda (O'Brien e O'Driscoll 2017) são exploradas para verificar se o ocidente atlântico da Grã-Bretanha fazia parte de uma região mais ampla com foco no oeste, em vez de uma com ligações no leste, em direção ao centro-sul da Inglaterra. 


Estes asssentamente foram construídos como locais projetados para serem vistos em toda a paisagem, proporcionando uma manifestação física do sentimento de pertencimento à comunidade para as pessoas que os construíram. Embora as evidências de assentamento sejam escassas, o ato de cercar o espaço parece ter sido o principal motivador. Isso, juntamente com a disponibilidade de fontes de água, sugere que esses sítios funcionavam como centros de apoio às atividades sazonais de transumância associadas à agricultura pastoril, semelhantes aos sambaquis das terras baixas. Somando-se às evidências de objetos pessoais, ferramentas e armas encontradas nesses sítios no topo das colinas, sugere-se que eles também serviam como locais para encontros comunitários e banquetes, com o objetivo de fortalecer a coesão social em uma sociedade em constante transformação. 


Evidências cerâmicas corroboram essa hipótese, com indícios de interconectividade em toda a paisagem. Os resultados desta investigação ajudarão a contextualizar o papel que esses sítios no topo das colinas desempenharam para as comunidades que os construíram no oeste atlântico.aprofundando nossa compreensão da Idade do Bronze Final como um período de transição em que as pessoas tentavam criar estabilidade em um mundo em transformação.

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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Pensar o Indo-Europeu - Workshop

THINKING INFO-EUROPEAN

Meaning and Form in Historical Linguistics and Comparative Reconstruction

Quando: 19-21 Meio
Onde: Milão e on-line

A universidade  Università Cattolica del Sacro Cuore de Milão organiza um workshop internacional baixo o titulo “Pensando o Indo-Europeu: Significado e Forma na Linguística Histórica e na Reconstrução Comparativa”, que decorrerá entre os dias 19 -21 de maio de 2026


As sessões serão em formato hibrido e podem ser seguidas pressencialmente ou on-line através do Teams no seguinte  enlaçe. Descarregar o programa e livro de resumos 
   
Programa e Resumos


quinta-feira, 14 de maio de 2026

Cosmologia e Vida Social - Livro

Cosmology and Social Life

Traube, E.G. (1986): Cosmology and Social Life. Ritual exchange among the Mambai of East Timor. University of Chicago. Chicago & Londres

Sinopse  
Este volume é tanto um estudo etnográfico da vida ritual numa sociedade do leste da Indonésia como um contributo para a antropologia das formas simbólicas. Inspirando-se em Durkheim e no estruturalismo, Elizabeth G. Traube tem como objetivo mostrar como os símbolos rituais são utilizados conscientemente em contextos específicos para criar relações sociais significativas.


Traube orienta o seu estudo em torno de um sistema convincente de crenças cosmológicas. Entre os Mambai de Timor-Leste, um povo cuja existência está actualmente ameaçada por circunstâncias políticas, o cosmos é representado como a referência última da acção social e a fonte de uma identidade colectiva distinta. 


Os Mambai reivindicam para si o papel de guardiões de um cosmos que dá vida e depende dos seres humanos para o serviço ritual. Traube descreve os seus rituais agrícolas e funerários, traçando as ligações simbólicas entre as obrigações humanas para com os seres cósmicos e as obrigações de troca que unem os vários grupos sociais que realizam os rituais.

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Reis Extranhos e Origens do Poder no Timor


Anteriormente temos tratado, trangencialmente, do topos dos Reis Estranhos (aqui), muito extendido no Sureste Asiático, e que Marshall Sahlins ampliou a outros contextos etnográficos e históricos (Sahlins, 2000a, 2000b). Tema que como expressa Traube no livro de acima: "incorporam uma conceção de poder como algo originalmente alheio à sociedade. Em todas estas teorias políticas, observa Sahlins, "a realeza é a estrangeira" e "o poder é um bárbaro" (Traube, 1986)


No sistema dos Reis Extranhos o carater alheio do poder político se exprime através de uma oposiçâo entre o soberano foraneo e os "donos da terra" autoctonos. Em esta divissão ao ultimos compete o mantimento da fecundidade da terra, que mantem apís a su substituiçâo pelo soberano extrangeiro:
  
"Na ilha de Roti, por exemplo, diz-se que o antepassado do Manek ou Senhor veio de além-mar e entrou em disputa com o Dae Langgak, a Cabeça da Terra. O resultado foi que o Dae Langgak perdeu o poder político para o Manek, mas preservou a autoridade ritual sobre a fertilidade. Em Timor, as tradições Belunesas e Atoni apresentam variações deste padrão. Os governantes dos reinos Beluneses e Atoni são ambos considerados de origem étnica diferente da dos seus povos. O fundador de Wehali, no centro de Belu, é associado a uma terra distante além-mar conhecida como Sina Mutin Malacca. Tanto as tradições Belunesas como as Atoni identificam o governante Atoni Sonba'i como o irmão mais novo do Senhor de Wehali. Para os Atoni, Sonba'i é um outsider. Os mitos contam como derrotou um antigo Senhor da Terra, um chefe chamado Kune, que detém a autoridade ritual sobre o solo
Outra variação do padrão narrativo ocorre nas tradições Bunaq, sobre os antepassados que vêm de além-mar e subjugam os autóctones "donos da terra", conhecidos por melus. Ritualmente, estes melus são identificados com os espíritos dos autóctones falecidos, e os Bunaq consideram-nos os mais poderosos de todas as "sombras da terra"


No ultimo parrafo os burag assimilam a oposiçâo entre autoctos e alheios através de uma doble linha de ancestrais, os ancestrais da gente atual e os ancestrados dos autoctones que embora desaparecidos subsistem na forma de espiritos dessa outra gente que têm o control dos mundo telurico e a subsistência da comunidade. 

Reis Extranhos e Origens do Colonialismo

Uma variante peculiar de este topos e a que fazem os Mambai que Traube estuda no seu livro, ja que estes transformam aos "estrangeiros" (os malaia) em autoctonos. Na tradição mandai as diferências etnicas entre timores e malaios ou ainda brancos (todos classificados genericamente como malaia) são apenas resultado de uma divissão de linhagens e fissicos que aparece nos mito de origem nos que no obstante os ancestrais de mambai e malaia aparecem como 2 irmão descentes de deus.
"Como deus soberano, o papel do Céu é articular limites e divisões. Ele ordena o cosmos distribuindo sinais de diferença, e o seu primeiro ato é dividir os seus filhos nas categorias opostas de bocas silenciosas e bocas falantes. A enunciação primordial da soberania retira o poder da fala dos primogénitos do Céu; é designada por "ban do interior" ou "ban da rocha e da árvore". Enquanto isso, os filhos humanos do Céu assumem características físicas distintas. O mais novo "tira água branca" e "lava-se branco/banha-se limpo", mas o mais velho "tira água negra", o que o deixa "nem branco nem limpo", num estado sem marcas."
Após isto o Ceu divide o poder sobre este mundo dividido entre as coisas "silenciosas" (o mundo vegetal e animal) e as falantes (a humanidade), através de uma serie de insignias asociadas a cada um de estes ambitos da realidade. O primogenito Ki Sa, receva a rocha e a árvore sagradas, símbolos da sua autoridade ritual sob um cosmos silencioso ao mais novo, Loer Sa, deus da-lhe  o livro e a pruma emblemas dos europeios. 


Ao mesmo tempo o Pai Ceu deposita como posseção comum na casa originaria (trasuntos das casas sagradas timoresas) uma serie indefinida de insignias que encarnam o poder político, mas Loer sa rouba estes objetos sagrados e fuge para o norte, privando ao seu irmão maior da autoridade, o que faz que seja incapaz de governar aos homens que  "nem tremem nem temem" ante as suas ordens. 


A fugida por mar de Loe Sa faz que a partir de este momento estes signos do poder sejam conhecidos como "o ban do mar" por oposição ao "ban do interior" formado pela arvore e a rocha que Si Ka retiveu na sua posse. Ante a evidência de que o seu "governo não tem passo" ante o povo Ki Sa emprende a busqueda do seu irmão para reclamar-lhe as insignias do poder:
   
"Empreende uma longa e árdua viagem através do mar até Portugal. Lá, encontra o seu irmão mais novo trancado dentro de uma casa. Ao acordar, Loer Sa recebe reverências de Ki Sa e ouve um longo e comovente discurso. O seu irmão mais velho descreve a sua situação difícil e recorda ao mais novo as suas obrigações para com o lugar que abandonou. Pede a Loer Sa um novo símbolo de status que fará o seu próprio reino "tremer e temer". Loer Sa responde entregando objetos, prometendo que os seus descendentes regressarão a Timor com a bandeira numa data posterior"

Investido com estes novos signos de pode substitutorios Ki Sa volta ao Timor e restavelece a ordem no reino pois agora as suas palavras são escutadas e os seus mandatos tem pesso e fazem "tremer e temer" a gente. O mito termina com o prometido retorno dos descendes do Loe Sa, identificados com os colonos portugueses
   
"Passam-se gerações, mas finalmente os Malaia, descendentes de Loer Sa, regressam a Timor, com a bandeira hasteada no mastro do seu navio. Todos os povos da terra se reúnem para os receber na costa. Os descendentes de Ki Sa recebem bandeiras e outras insígnias de poder dos Malaia, mas logo renunciam a esses símbolos. Cansados do comando, "entregam o governo" (sra ukun) a novos líderes indígenas que vêm de fora do reino. Por este ato, os governantes originais renunciam a todas as responsabilidades mundanas para com o reino que fundaram, mas retêm a sua autoridade ritual sobre o cosmos. A expressão poética para a sua renúncia ao poder é que "se sentam para cuidar da rocha e vigiar a árvore"
Através de esta renuncia o mito descreve a justifica a situação do dominio colonial integrando-a na cosmologia mandai, no tipico esquema de "Reis Estrangeiros" no que os portugueses terminam ostentando as faculdade políticas e o monopolio da força (a proteção). 


No entanto os mandai comprem a função de "senhores da terra" que através do ritual mantem o ciclo da vida e fecundidade necessario para a supervivência fisica da sociedade. Em esta construção a estrutura tributaria do poder colonia se amosttra não como uma relação desigual senão de reciprocidade funcional e intercambio equilibrado:
   
"O mito conclui com uma descrição da instituição de um sistema de trocas pelos Malaia e pelas autoridades rituais. Neste sistema, as dádivas da colheita acumuladas no interior são entregues aos Malaia, no litoral, pelos governantes executivos indígenas. Estas dádivas são retribuídas com prestações de arroz cru, sal e gado. A transação é representada como parte de uma troca de serviços, em que as autoridades rituais promovem a fertilidade da terra e os Malaia guardam os limites dos campos e jardins."
A proprio poder político inicialmente indefinido aparesce logo materializado através da bandeira portuguesa que os indigenas timoreses aos observar os extranhos rituas do seu izado e arriado solemne quotidiano pelos soldados colonias identifaram como a insignia da que procede o poder dos reis extranhos portugueses. 


As insignias funcionais que definem a malaia e manbai, o livro e pruma vs. a rocha e a arvore expressam o ambito do natural que garante a vida fronte cultura burocratica, estatal e exotica dos europeus, e são reunidos através do talismam da soberania roubados do fogar comum pelo primeiro malai e retornados desde o mar, a través da bandeira. 
    

Mas além de esta cenificação da estrutura e realidade social no pensamento mandai esta dicotomia adquire os carateres de uma dualidade cosmologicos: o Norte (mar) vs. o Sul (Interior), o Pão Ceu vs. a Mâe Terra que compreta o edificio social repressentando nos dois postes (sul e norte) da casa sagrada.
   
"Subjacente ao mito está uma oposição entre duas orientações no espaço, que se manifesta ao nível cósmico no par teológico. Ao Céu, que ordena o cosmos, pertence o mundo exterior, e tem a natureza aberta e irrestrita de um andarilho. À Mãe Terra, que estabiliza e nutre o cosmos, pertence o mundo interior, o espaço escuro e confinado da casa, e a ela pertence a natureza fechada e restrita de quem espera num lugar de origem. Daqui decorre uma divisão das pessoas em duas categorias: as que vagam cara o exterior e as que são deixadas para trás pelos errantes"

Bibliografia

Traube, E.G. (1986): Cosmology and Social Life. Ritual exchange among the Mambai of East Timor. University of Chicago. Chicago & Londres
   
Sahlins, M. (2008a): Islas de Historia. La muerte del capitán Cook. Metafora, antropologia e historia. Gedisa. Barcelona.  

Sahlins, M (2008b): "The Strnager-King or elementary forms of the politics of life" Indonesia & the Malay World Nº 36, pp. 177–199  DOI: 10.1080/13639810802267918