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domingo, 20 de setembro de 2026

A Arte da Oralidade - Livro

The Art of Orality

Lloyd, D. (2025): The Art of Orality. Cultural Aesthetics in the Absence of Writing. Palgrave Macmillan Cham.  ISBN: 978-3-031-85430-9  DOI: 10.1007/978-3-031-85431-6

Sinopse   
Este livro examina como a presença ou ausência da escrita pode influenciar os estilos distintivos das artes visuais de uma cultura, propondo que muitos dos desenvolvimentos mais profundos no mundo da arte estão diretamente correlacionados a uma transição cultural da oralidade para a escrita (isto é, de uma cultura que possui apenas uma forma de linguagem falada para uma que possui tanto a forma falada quanto a escrita). 


O estudo contempla como a "psicodinâmica" da oralidade pode afetar radicalmente a expressão artística, resultando em uma gama de características visuais que, de muitas maneiras, refletem os modos únicos de fala dentro das sociedades orais primárias. 



Analisando a arte de uma gama diversificada de culturas e períodos históricos, incluindo a arte grega arcaica, a arte medieval, a arte tribal africana, a arte infantil, a arte marginal e a arte moderna, A Arte da Oralidade considera quais novas perspectivas podem ser obtidas ao colocar esses estilos em diálogo com os estudos da oralidade e da escrita.

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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Lendas de Lobisomens - Livro

Werewolf Legends

De Blécourt, W. & Mencej, M. (eds.) (2023): Werewolf Legends. Palgrave Historical Studies in Witchcraft and Magic. Palgrave Macmillan. Cham ISBN: 978-3-031-06081-6  DOI: 10.1007/978-3-031-06082-3

Sinopse 
Este livro reúne contribuições de antropólogos e folcloristas sobre lendas de lobisomens de toda a Europa. 


Variando de panoramas gerais a estudos de caso específicos, seus capítulos destacam as semelhanças e diferenças entre as narrativas de lobisomens em diferentes regiões e buscam explicá-las. 


Resultado da interação entre a cultura de elite e a cultura popular, influências locais e externas, e natureza e cultura que durou vários séculos ou até mais, as lendas de lobisomens dos séculos XIX ao XXI representam um caleidoscópio dos lados mais sombrios da vida humana.

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Trabalhos de Antropologia e Etnologia Nº 66

Trabalhos de Antropologia 
e Etnologia

Nº 66 - 2026
    
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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Jack Goody entre Antropologia e a História

Jack Goody between Social Anthropology and World History

Hann, C. & Vermeulen, H.F. (eds.) (2024): Jack Goody between Social Anthropology and World History. Halle Studies in the Anthropology of Eurasia Vol. 50. LIT Verlag. Münster. ISBN: 978-3-643-91598-6 DOI: 10.52038/9783643915986

Sinopse  
Um gigante da antropologia social britânica, Jack Goody (1919-2015) trabalhou durante sessenta anos para transcender a visão de que a antropologia era o estudo de “outras culturas”. Ele queria direcioná-la para uma ciência social mais sociológica, pós-colonial e comparativa. 


A condição prévia mais importante para essa ciência era a libertação da história mundial de séculos de viés eurocêntrico. De sua base em Cambridge, a influência e a inspiração de Goody se espalharam internacionalmente. Na Alemanha, como consultor de longa data da Sociedade Max Planck, ele desempenhou um papel fundamental na criação do Instituto Max Planck de Antropologia Social em Halle (Saale) em 1999. 


Este volume apresenta doze Palestras Goody proferidas em Halle entre 2011 e 2022, juntamente com uma palestra inédita dada pelo próprio Goody em 2004 e ensaios biográficos e bibliográficos dos editores.

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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Sistemas Politicos Africano Revisitados

African Political Systems Revisited

Bošković, A. & Schlee, G. (eds.) (2022): African Political Systems Revisited Changing Perspectives on Statehood and Power. Berghanh Book. Oxford & Nova York. ISBN: 978-1-80073-472-2 DOI: 10.3167/9781800734722

Sinopse 
Ao reexaminar a obra clássica da antropologia social Sistemas Políticos Africanos (1940) de Fortes e Evans-Pritchard, este livro analisa o contexto colonial e acadêmico em que a obra surgiu, bem como sua recepção e seu tema, e examina como ela pode contribuir para a análise da política contemporânea na África. 


Este livro reflete criticamente sob a história da antropologia. Contribui também para uma antropologia política consciente de seus antecedentes, autorreflexiva como disciplina, atenta às armadilhas e vieses, e capaz de se situar em seu ambiente acadêmico, social e político.

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Sistemas Políticos Africanos - Livro

African Political Systems

Fortes, M & Evans-Pritchard, E.E. 1950): African Political Systems. Oxford University Press. Oxford. 

Sinopse  
Sistemas Políticos Africanos é uma obra fundamental no campo da antropologia política, publicada por primeira vez em 1940, o livro oferece um estudo comparativo das estruturas de governo em diversas sociedades africanas, desafiando pressupostos ocidentais anteriores sobre a organização política em culturas não ocidentais.


Por meio de uma série de estudos de caso aprofundados, o livro explora a diversidade de sistemas políticos nas sociedades africanas, desde sociedades sem Estado com autoridade descentralizada até reinos centralizados com governança hierárquica. 


Abrange comunidades como os Nuer, Zulu e Bemba, revelando como a ordem política é mantida por meio de laços de parentesco, rituais, alianças e costumes locais. Cada capítulo demonstra como esses sistemas refletem as condições culturais, sociais e econômicas únicas das comunidades que governam. 
   
INDEX
  
Preface. 
A. R. Radcliffe-Brown

Introduction
M. Fortes & 
E. E. Evans-Pritchard

The kingdom of the Zulu of South Africa
Max Gluckman

The political organization of the Ngwato
 of Bechuanaland protectorate 
I. Schapera

The political system of the Bemba tribe. 
North-eastern Rhodesia 
Audrey I. Richards

The kingdom of Ankole in Uganda
K. Oberg

The Kede: a riverain state 
in Northern Nigeria
S. F. Nadel

The political organization of 
the Bantu of Kavirondo
Günther Wagner

The political system of the Tallensi of the 
Northern territories of the Gold coast
M. Fortes

The Nuer of the southern Sudan
E. E. Evans-Pritchard


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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Cosmologia e Vida Social - Livro

Cosmology and Social Life

Traube, E.G. (1986): Cosmology and Social Life. Ritual exchange among the Mambai of East Timor. University of Chicago. Chicago & Londres

Sinopse  
Este volume é tanto um estudo etnográfico da vida ritual numa sociedade do leste da Indonésia como um contributo para a antropologia das formas simbólicas. Inspirando-se em Durkheim e no estruturalismo, Elizabeth G. Traube tem como objetivo mostrar como os símbolos rituais são utilizados conscientemente em contextos específicos para criar relações sociais significativas.


Traube orienta o seu estudo em torno de um sistema convincente de crenças cosmológicas. Entre os Mambai de Timor-Leste, um povo cuja existência está actualmente ameaçada por circunstâncias políticas, o cosmos é representado como a referência última da acção social e a fonte de uma identidade colectiva distinta. 


Os Mambai reivindicam para si o papel de guardiões de um cosmos que dá vida e depende dos seres humanos para o serviço ritual. Traube descreve os seus rituais agrícolas e funerários, traçando as ligações simbólicas entre as obrigações humanas para com os seres cósmicos e as obrigações de troca que unem os vários grupos sociais que realizam os rituais.

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Reis Extranhos e Origens do Poder no Timor


Anteriormente temos tratado, trangencialmente, do topos dos Reis Estranhos (aqui), muito extendido no Sureste Asiático, e que Marshall Sahlins ampliou a outros contextos etnográficos e históricos (Sahlins, 2000a, 2000b). Tema que como expressa Traube no livro de acima: "incorporam uma conceção de poder como algo originalmente alheio à sociedade. Em todas estas teorias políticas, observa Sahlins, "a realeza é a estrangeira" e "o poder é um bárbaro" (Traube, 1986)


No sistema dos Reis Extranhos o carater alheio do poder político se exprime através de uma oposiçâo entre o soberano foraneo e os "donos da terra" autoctonos. Em esta divissão ao ultimos compete o mantimento da fecundidade da terra, que mantem apís a su substituiçâo pelo soberano extrangeiro:
  
"Na ilha de Roti, por exemplo, diz-se que o antepassado do Manek ou Senhor veio de além-mar e entrou em disputa com o Dae Langgak, a Cabeça da Terra. O resultado foi que o Dae Langgak perdeu o poder político para o Manek, mas preservou a autoridade ritual sobre a fertilidade. Em Timor, as tradições Belunesas e Atoni apresentam variações deste padrão. Os governantes dos reinos Beluneses e Atoni são ambos considerados de origem étnica diferente da dos seus povos. O fundador de Wehali, no centro de Belu, é associado a uma terra distante além-mar conhecida como Sina Mutin Malacca. Tanto as tradições Belunesas como as Atoni identificam o governante Atoni Sonba'i como o irmão mais novo do Senhor de Wehali. Para os Atoni, Sonba'i é um outsider. Os mitos contam como derrotou um antigo Senhor da Terra, um chefe chamado Kune, que detém a autoridade ritual sobre o solo
Outra variação do padrão narrativo ocorre nas tradições Bunaq, sobre os antepassados que vêm de além-mar e subjugam os autóctones "donos da terra", conhecidos por melus. Ritualmente, estes melus são identificados com os espíritos dos autóctones falecidos, e os Bunaq consideram-nos os mais poderosos de todas as "sombras da terra"


No ultimo parrafo os burag assimilam a oposiçâo entre autoctos e alheios através de uma doble linha de ancestrais, os ancestrais da gente atual e os ancestrados dos autoctones que embora desaparecidos subsistem na forma de espiritos dessa outra gente que têm o control dos mundo telurico e a subsistência da comunidade. 

Reis Extranhos e Origens do Colonialismo

Uma variante peculiar de este topos e a que fazem os Mambai que Traube estuda no seu livro, ja que estes transformam aos "estrangeiros" (os malaia) em autoctonos. Na tradição mandai as diferências etnicas entre timores e malaios ou ainda brancos (todos classificados genericamente como malaia) são apenas resultado de uma divissão de linhagens e fissicos que aparece nos mito de origem nos que no obstante os ancestrais de mambai e malaia aparecem como 2 irmão descentes de deus.
"Como deus soberano, o papel do Céu é articular limites e divisões. Ele ordena o cosmos distribuindo sinais de diferença, e o seu primeiro ato é dividir os seus filhos nas categorias opostas de bocas silenciosas e bocas falantes. A enunciação primordial da soberania retira o poder da fala dos primogénitos do Céu; é designada por "ban do interior" ou "ban da rocha e da árvore". Enquanto isso, os filhos humanos do Céu assumem características físicas distintas. O mais novo "tira água branca" e "lava-se branco/banha-se limpo", mas o mais velho "tira água negra", o que o deixa "nem branco nem limpo", num estado sem marcas."
Após isto o Ceu divide o poder sobre este mundo dividido entre as coisas "silenciosas" (o mundo vegetal e animal) e as falantes (a humanidade), através de uma serie de insignias asociadas a cada um de estes ambitos da realidade. O primogenito Ki Sa, receva a rocha e a árvore sagradas, símbolos da sua autoridade ritual sob um cosmos silencioso ao mais novo, Loer Sa, deus da-lhe  o livro e a pruma emblemas dos europeios. 


Ao mesmo tempo o Pai Ceu deposita como posseção comum na casa originaria (trasuntos das casas sagradas timoresas) uma serie indefinida de insignias que encarnam o poder político, mas Loer sa rouba estes objetos sagrados e fuge para o norte, privando ao seu irmão maior da autoridade, o que faz que seja incapaz de governar aos homens que  "nem tremem nem temem" ante as suas ordens. 


A fugida por mar de Loe Sa faz que a partir de este momento estes signos do poder sejam conhecidos como "o ban do mar" por oposição ao "ban do interior" formado pela arvore e a rocha que Si Ka retiveu na sua posse. Ante a evidência de que o seu "governo não tem passo" ante o povo Ki Sa emprende a busqueda do seu irmão para reclamar-lhe as insignias do poder:
   
"Empreende uma longa e árdua viagem através do mar até Portugal. Lá, encontra o seu irmão mais novo trancado dentro de uma casa. Ao acordar, Loer Sa recebe reverências de Ki Sa e ouve um longo e comovente discurso. O seu irmão mais velho descreve a sua situação difícil e recorda ao mais novo as suas obrigações para com o lugar que abandonou. Pede a Loer Sa um novo símbolo de status que fará o seu próprio reino "tremer e temer". Loer Sa responde entregando objetos, prometendo que os seus descendentes regressarão a Timor com a bandeira numa data posterior"

Investido com estes novos signos de pode substitutorios Ki Sa volta ao Timor e restavelece a ordem no reino pois agora as suas palavras são escutadas e os seus mandatos tem pesso e fazem "tremer e temer" a gente. O mito termina com o prometido retorno dos descendes do Loe Sa, identificados com os colonos portugueses
   
"Passam-se gerações, mas finalmente os Malaia, descendentes de Loer Sa, regressam a Timor, com a bandeira hasteada no mastro do seu navio. Todos os povos da terra se reúnem para os receber na costa. Os descendentes de Ki Sa recebem bandeiras e outras insígnias de poder dos Malaia, mas logo renunciam a esses símbolos. Cansados do comando, "entregam o governo" (sra ukun) a novos líderes indígenas que vêm de fora do reino. Por este ato, os governantes originais renunciam a todas as responsabilidades mundanas para com o reino que fundaram, mas retêm a sua autoridade ritual sobre o cosmos. A expressão poética para a sua renúncia ao poder é que "se sentam para cuidar da rocha e vigiar a árvore"
Através de esta renuncia o mito descreve a justifica a situação do dominio colonial integrando-a na cosmologia mandai, no tipico esquema de "Reis Estrangeiros" no que os portugueses terminam ostentando as faculdade políticas e o monopolio da força (a proteção). 


No entanto os mandai comprem a função de "senhores da terra" que através do ritual mantem o ciclo da vida e fecundidade necessario para a supervivência fisica da sociedade. Em esta construção a estrutura tributaria do poder colonia se amosttra não como uma relação desigual senão de reciprocidade funcional e intercambio equilibrado:
   
"O mito conclui com uma descrição da instituição de um sistema de trocas pelos Malaia e pelas autoridades rituais. Neste sistema, as dádivas da colheita acumuladas no interior são entregues aos Malaia, no litoral, pelos governantes executivos indígenas. Estas dádivas são retribuídas com prestações de arroz cru, sal e gado. A transação é representada como parte de uma troca de serviços, em que as autoridades rituais promovem a fertilidade da terra e os Malaia guardam os limites dos campos e jardins."
A proprio poder político inicialmente indefinido aparesce logo materializado através da bandeira portuguesa que os indigenas timoreses aos observar os extranhos rituas do seu izado e arriado solemne quotidiano pelos soldados colonias identifaram como a insignia da que procede o poder dos reis extranhos portugueses. 


As insignias funcionais que definem a malaia e manbai, o livro e pruma vs. a rocha e a arvore expressam o ambito do natural que garante a vida fronte cultura burocratica, estatal e exotica dos europeus, e são reunidos através do talismam da soberania roubados do fogar comum pelo primeiro malai e retornados desde o mar, a través da bandeira. 
    

Mas além de esta cenificação da estrutura e realidade social no pensamento mandai esta dicotomia adquire os carateres de uma dualidade cosmologicos: o Norte (mar) vs. o Sul (Interior), o Pão Ceu vs. a Mâe Terra que compreta o edificio social repressentando nos dois postes (sul e norte) da casa sagrada.
   
"Subjacente ao mito está uma oposição entre duas orientações no espaço, que se manifesta ao nível cósmico no par teológico. Ao Céu, que ordena o cosmos, pertence o mundo exterior, e tem a natureza aberta e irrestrita de um andarilho. À Mãe Terra, que estabiliza e nutre o cosmos, pertence o mundo interior, o espaço escuro e confinado da casa, e a ela pertence a natureza fechada e restrita de quem espera num lugar de origem. Daqui decorre uma divisão das pessoas em duas categorias: as que vagam cara o exterior e as que são deixadas para trás pelos errantes"

Bibliografia

Traube, E.G. (1986): Cosmology and Social Life. Ritual exchange among the Mambai of East Timor. University of Chicago. Chicago & Londres
   
Sahlins, M. (2008a): Islas de Historia. La muerte del capitán Cook. Metafora, antropologia e historia. Gedisa. Barcelona.  

Sahlins, M (2008b): "The Strnager-King or elementary forms of the politics of life" Indonesia & the Malay World Nº 36, pp. 177–199  DOI: 10.1080/13639810802267918


sexta-feira, 8 de maio de 2026

Social Evolution & History Nº 25/1 - 2026

Social Evolution & History 

Nº 25/1 - 2026
   

INDEX

English Language in Former 
African Colonies
Adeoye Olugbenga Adewolu, 
 Ayomipo Akintunde Fadeyi

Fifteenth-Century Malacca and Its Maritime Code: 
A Reflection of the State Hierarchical Sociopolitical 
Structure and Order through the Lens of the Code
Nadyaa Afiqah Binti Azerin

Dawkins and Deuteronomy: 
The Evolutionary Sociobiology 
of Ancient Judaism
Kieran Black

The Evolution of Well-Being in Russia 
/ USSR (19th – 21st Centuries)
Dmitry Didenko

On the Next Stage of Earth's Macroevolution: 
Criteria for Identifying Leading Elements 
Pavel L. Krupkin

Immigration in the United States of America: 
A Historical and Political Review
Atatüre, Süha

Israeli-Palestinian Conflict: Analytical Reflections
Abiola A. Isikalu, Goodnews Osah, 
Adewumi Eyitayo, Uzzibi M. Irmiya,
 Jesusikemi Olaleye

Cognitive Science in the Context of Global Studies
Kefeli, Igor F., Vykhodets, Roman S., 
Plebanek, Olga V., Konstantin I. Kefeli
    

Reviews and Notes

The Cybernetic Revolution 
Antony Harper

In memoriam

Herbert Barry III (1930–2025)  


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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Principios e Formas de Organização Sociocultural

Principes and Forms of sociocultural organization

Бондаренко, Д.М.  и Александрова, Г.В. (2024): Принципы и формы социокультурной организации: исторические контексты взаимодействия. Издательский Дом ЯСК  Москва / Bondarenko, D.M & Aleksandrov, G.V. (2024):  Principes and forms of sociocultural organization. Historical context of interaction. LRC Publishing House. Moscova. ISBN: 978-5-907498-68-6

Sinopse   
Esta monografia colaborativa explora aspetos importantes da diversidade histórica da organização sociocultural, uma questão fundamental para as ciências sociais e humanas. 


Seu fundamento teórico reside nos conceitos de heterarquia e homoarquia, que vêm sendo ativamente desenvolvidos na academia russa e internacional. Heterarquia e homoarquia são vistas como princípios fundamentais da organização sociocultural que permeiam a história da humanidade, influenciando decisivamente as formas que a organização sociocultural assume em sociedades específicas


Manifestasse, entre outras coisas, na interação de princípios heterárquicos e homoárquicos dentro de sociedades individuais e nas relações entre as sociedades predominantemente heterárquicas e homoárquicas. 


Estas questões teóricas fundamentais são exploradas aqui utilizando uma vasta e diversificada gama de materiais concretos e de diversos contestos temporais e culturais.

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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Piastas e "Reis Extranhos" de Hoje e Ontem


Não é nada extranho, nem desconhecido, que as linhagens reais sõem ser frequêntemente as menos "autotoctonas" naqueles paises nas que reinam. Em este sentido vai um artigo recente publicado na revista Nature Communications que vem a aportar , através do analise paleo-genètico, alguma luz sob a origem da dinastia piasta, que protagoniza a época fundacional do reino da Polonia.

Boleslvo Piast, Bolesłavo I de Polònia

O estudo feito sob os restos esqueleticos disponiveis dos membros das distintas ramas de esta linhagem aporta dados que questionam a origem local, e mesmo a eslavicidade da familia piasta:

"Seis indivíduos identificados como Piasts apresentavam haplogrupos R1b. As análises dos dados gerados para os Piasts R1b individuais sugeriram que seu ancestral comum pertencia à linhagem R1b-P312. Atualmente, essa linhagem é observada com maior frequência na Grã-Bretanha... As evidências apresentadas acima indicam que todos os indivíduos classificados como Piastas R1b pertenciam a uma mesma família e compartilhavam a mesma linhagem do haplogrupo Y R1b-BY3549, atualmente rara na Europa. Entre as amostras datadas do período anterior à formação do Estado Piasta, a mesma linhagem foi encontrada em três amostras antigas: CGG_023713 (datada de 770–540 a.C.) da atual França<sup> 42</sup> , CGG_107766 (datada de 20–200 d.C.) dos atuais Países Baixos<sup> 42</sup> e VK177 (datada de 880–1000 d.C.) da atual Inglaterra <sup>43</sup> . Assim, nossos dados revelam que os Piastas pertenciam à linhagem R1b-BY3549, sugerindo que eram migrantes de origem não eslava...
Os resultados obtidos indicam que os Piastas não eram de origem eslava e, portanto, sugerem que forças externas desempenharam um papel fundamental no processo de formação da Polônia."
Igualmente o estudo mostra a forte interconexão via alinças matrimonias entre a dinastia polonesa a as outras casas reias da Europa medieval contemporanea:

"Muitas das filhas de Piast e as mulheres que se casaram com membros da família Piast também representavam dinastias europeias famosas; portanto, os dados genéticos que coletamos para os membros da dinastia Piast nos permitem prever haplogrupos mitocondriais (mt-hgs) para mais de 200 figuras históricas conhecidas. Dentro desse grupo, há 108 Piasts, 32 Rurikids, 12 Giediminids, 23 Árpáds, 15 Přemyslids, 13 Hohenzollerns, 10 Habsburgos, 8 Wettins, 5 Angevinos e 4 Wittelsbachs ..."

Isto ultimo não é nada extranho, nem inesperado, a pouco que se observe a história das linhagens reais europeias caraterizada por um forte endogamica dentro do grupo e a pressença frequente por estes emparentamentos de dinastias de origen foraneo regindo as distntias monarquias europeias. 

o evidènte parecido familiar dos primos Nicolas II da Russia e Jorge V de Inglaterra.

Os reis de Grécia, esoclhidos após a independencia, eram de origem alemão e casaram-se quase na sua maior parte com linhagen de essa mesma origem e algumas escandinavas em menor medida. Os ingleses levam sendo governandos por soberanos não anglo-saxões mesmo desde a morte de Harold Godwineson: franceses da Normandia, e da Aquitânia, galeses (Tudor), escoceses (Estuardo), neerlandeses (Orange), e alemães (desde os Hannover aos actuais Mounbaten-Winsord, em realidade Watterberg-Saxonia Coburgo Gotta (1).

Jean-Baptiste Bernardotte, Carlos Joâo XIV de Suécia

Na Suecia actual os reinam os descendes omonimos de um general transfugade de Napoleão (os Bernadotte), e assim um trás o outro, e isso sem ter em conta a citada endogamia de grupo que faz que quase todos os membros das casas reais europeias actuais sejam primos entre sim em um ou outro grão e as vezes por partida dobre ou tripla.


Tampouco o facto de descender a dinastia fundadora da Polonia de um extrangeiro não resultaria demasiado disonante na época. Sem ir mais longe no ambito polones pode-se pensar no comerciante saxão Kizo que a tribo eslava dos luticios escolhera como chefe durante a revolta do ano 983 contra o dominio do Sacro-Imperio Romano Germânico. 


Também poderiamos citar igualmente a figura de outro extrangeiro: Rurik, aquele varego de origem sueca que fundara a Rus de Kiev, dando origem a dinastia dos rurikidas que dera monarca aos distintos principados poskievanitas, incluido o de Moscova até que Ivan IV, O Terrivel assasianra ao seu proprio filho e herdeiro cortando abruptamente a continuidade familiar.

Rurik e seus irmãos Trúvor chegam a Ládoga. Víktor Vasnetsov (1913)

Neste sentido estes "aventureiros" vindos de fora que atuam como fundadores de identidade etnico-políticas, depois convertidas em estados, não estão muito longe de realidades mais exoticas como a dos "reis extranhos/forasteiros" (Strnage Kings) táo tipicos do Sureste Asiático. O imaginario dos stranger king em esta região soe repressentar o poder político como algo essencialmente alheio a comunidade, uma especie de corpo extranho, vindo de fora in illo tempore mas que com a sua chegada estabelece uma nova ordem que subsiste até o momento atual e vem compretar em certa forma a sociedade pré-arrivada do strange king.

gravado no que se amostra o encontro do explorador holandês Joris van Spilbergen 
com o rei Vimaladharmasuriya I de Kandi, 1609

A ideaia dos stranger kings, além do seu contexto actotono, chegaria em esta região converter-se numa forma de interpretar e justifica,r dentro dos esquemas cosmologicos locais a realidade da dominação de potencias extrangeiras durante o posterior periodo colonial. O antropologo Marshall Sahlins amplou o padrão extendo-o a outros contextos geograficos e culturais (desde a Polinesia e Africa, à Grécia Antiga ou o mundo mesoamericano), considerando que este sistema era uma das formas elementais, senão a forma elementar por antonomaisa, de emergência do poder político nas sociedades humanas (Sahlins, 2008).

fotografa do filme Farewell to the King (1989)  inspirado no topos do Strange King

Segundo o antropologo no sistema de Stranger Kings existia uma repartição em duas esferas de atividade (a reprodução e poder) em termos uma dicotomia esencial entre a "autoctonia" e a "aloctonia". O padrão geral dos relatos sobre a chegada do strange king é conhecido, e reconocivel em muitas tradições ao longo do mundo, desde os mitos e lendas aos contos populares: mostra a chegada de um heroe, um extrangeiro alheio a comunidade, inclui o conflito com alguma entidade local, nomalmente descrita como monstroussa, e remata com o matrimonio entre o heroe foraneo e uma princesa autoctona que cria essa união armonica que reconcilia alotono e o autoctono dentro dum todo. 

Recorrentemente este extrangeiro atua como heroi cultural, que introduçe diversas innovações: novas costumes, objetos, ritos, ... marcando assim uma ruptura com a ordem anterior (cambio nas formas de matrimonio, na estrutura social, novas instituições, etc). Além da ominpressencia nas lendas e contos deste topos do heroi exiliado que mata a monstro e casa com a princesa local, há em estas tradiçoes sobre "reis extranhos" e fundacionais algo mais arcaico e esencial sob o proprio conceito de poder político, que em si proprio aparece cataterizado como algo "extranho", no doble sentido da palavra, algo vindo de fora mas que supõe  também uma "anomalia" com respeito a ordem previa que vem a tranformar.


É inevitavel não recordar alias aquelas comunidade de "Sociedades contra o Estado" (que quizas fora mais preciso denominar como "contra o poder"), descritas na Amaçonia por Pierre Clastres, Essas sociedades que consciênte e ativamente anulam, atraves de distntas estrategias, qualquer possivel comportamento que levasse ao estabelecimento de uma autoridade ou prestigio superior de algum individuo sob outros membros da comuidade, no que pudera fundar-se a constituição de qualquer formas de poder ou proto-poder politico de facto.  


E fazil imaginar como poderia ter sido possivel o passo desde tal estado de "anarquia", coidadosamente mantido com tanta constància, à aparição das primeiras chefias e sistemas de poder, e perceve-lo, em certa forma, como um ato carismático e de fonda transgressão.  Relacionando igualmente este ato de quebra primordial com alguns dados etnográficos, como o carater de grande “transgressor”, que alguns povos africanos atribuem a seus chefes, aos que se permite -ou mesmo exige-se?- um comportamento fortemente “antisocial” que rompe as normas quotidianas da sociedade, e deriva frequentemente num desempenho excesivo de uma violência arbitraria, concevida, e justificada, coma um elemento constitutivo e necessario do proprio poder e sacralidade do “monarca” (Simonse, 2017).

chefe "fazedor de chuva" da vila de Cakereda (1972)

Noutro ordem de coisas Sahlins entendia que os sitemas de stranger king aparecem em contextos de forte contato e intercambio intercultural a longas distancias, no que o antropologo norteamericano denomina como "Cosmopoliticas". Não seria muito extranho considerar que em momentos de forte contacto cultural, expostos á troca e a chegada de novas formas, objetos, pessoas e constumes, o vindo de fora termine alterando a propria realidade constitutiva preexistente de uma comunidade.

Neste sentido esse imaginario, que mostra a formação do poder como a chegada de algo anomalo vindo desde fora, e vinculado as qualidades de algum sujeito ou grupo carismáticos, seria especialmente adequado como repressentação mitica dos profundos cambios sociais que se estâo a operar em distintos niveis. Nâo é uma imagem que resulte extranha, precissamente, a um arqueologo. 


De certo, se agora pensamos em epocas da pré- e proto-história europeia nas que se fazem vissiveis grandes cambios culturais: unificações em koines linguisticas ou arqueológicas, a expansão de elementos de cultura material como armas, adornos, etc., a grandes distàncias, junto com tecnologias; e outros saberes denominados, as vezes, como "conhecimento esoterico" investidos ao mesmo tempo do prestigio do inusual e do distante das suas origens (Helms, 1999). não seria extranho imaginar algo similar ao que topamos no caso dos stranger kings. 


Assim o pensara já defunto Michael Rowlands para o Bronze Final europeu (Ling e Rowlands, 2015), mas poderia-se igualmente projetar-se o mesmo padrão, segundo a nossa opinião, a momentos aina mais afastados da pré-história europeia como o calcolítico, mesmo com a possivilidade de vincular isto a questões tão discutidas e controversas, como o processo de  indo-europeização (2)


Mas  faz-me pensar em outra questão também: se os "reis" da pré- e proto-história foram alguma vez strange kings em que medida não estamiaos a criar uma imagem distorsionada, quando nos debruçamos sob as tumbas, frequentemente de essa elite "regia" precissamente, para analisar a paleo-genetica do conjunto de uma sociedade num momento concreto?. Em que medida repressentaria hoje uma imagem genètica adequada do homem e mulher comuns do seu pais o ADN dum monarca europeu?

Os strange kings, como os seus filhos postumos, desde logo não são um bom exemplo da autoctonia do povo comum, precissamente
   

Artigo: 

Zenczak, M., Handschuh, L., Marcinkowska-Swojak, M. et al. (2026):" Genetic genealogy of the Piast dynasty and related European royal families." Nat Commun Nº 17, 3224  DOI: 10.1038/s41467-026-71457-1

Bibliografia complementar

Classtres, P. (2010): La sociedad contra el estado. Virus editorial. Bilbao
   
Helms, M. (1993): Craft and the Kingly Ideal. Art, trade and power. University of Textas Press. Austin.  aqui
   
Rowlands, M. & Ling, J. (2013): "BoundarIes, flows and Connectivities: mobility and Stasis in the Bronze Age"  Bergerbrant, S. & Sabatini, S. (eds.): Counterpoint: Essays in Archaeology and heritage Studies in Honour of Professor Kristian Kristiansen. BAR International Series 2508. BAR Publishing. Oxford. pp. 497-509
   
Sahlins, M. (2008a): Islas de Historia. La muerte del capitán Cook. Metafora, antropologia e historia. Gedisa. Barcelona.
   
Sahlins, M (2008b): "The Strnager-King or elementary forms of the politics of life" Indonesia & the Malay World Nº 36, pp. 177–199  DOI: 10.1080/13639810802267918
     
Simonse, S. (2017):  Kings of Disaster: Dualism, Centralism and the Scapegoat King in Southeastern Sudan.  Fountain Publishers. Kampala
   
Ling, J. & Rowlands, M. (2015): "The ‘Stranger King’  (bull) and rock art" Skoglund, P., Ling, J. & Bertilsson, U.: Picturing the Bronze Age..Swedish Rock Art Series Vol. 3. Oxbow Books. Oxford. pp. 89-184  PDF

Notas:
1) A substituição do apelido Saxonia-Coburgo-Gotta por Winsord foi resultado da molesta sonoridade alemã de este durante o a I Guerra Mundial. Igual questão motivou a anglização como Mountbatten do apelido Wattenberg.
2) Consideramos que boa parte da mitologia Indo-europeia, como o tema do "combate dos deuses", pode ser frutiferamente reinterpretada em termos da oposição "autotono" "alotono" pressente na estruturas dos sestemas de Strange King, o qual coincidira curiossamente já com a inicial intuição comparatista de Sahlins quando reconheceu a obra de Dumézil como uma das inspirações principais do seu modelo (Sahlins, 2008a)
    

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