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quinta-feira, 12 de março de 2026

O Corpo do meu Inimigo - Livro

Le corps de mon ennemi

Darmangeat, C., Gicqueau, A., Pétillon, J.M & Teyssandier, N. (eds.) (2026): Le corps de mon ennemi: Conflits armés dans les sociétés sans richesse. Séances de la Société Préhistorique Française Vol. 23. Société Préhistorique Française. Paris. ISBN : 978-2-9588382-1-8

Sinopse
A guerra tem origem nos primórdios da humanidade, ou mesmo em nossa herança biológica, ou surgiu em um estágio específico da evolução das sociedades?


O tema é ainda mais complexo porque, por um lado, a guerra é um conceito frequentemente mal definido e, por outro, as sociedades humanas inventaram muitas formas de confronto coletivo.


A antropologia social há muito se esforça para compreender como, entre outras coisas, as guerras propriamente ditas, as rixas (vendettas), os chamados combates "ritualizados" praticados em muitas sociedades, mas também as expedições por vezes descritas como "guerras em pequena escala" no âmbito de relações de hostilidade perpétua, são articuladas.




Este simpósio, realizado na Universidade de Toulouse Jean-Jaurès como parte das sessões da Sociedade Francesa de Pré-História, reuniu pré-historiadores e antropólogos sociais e proporcionou amplo tempo para discussão coletiva. Buscou esclarecer essas questões abordando os conceitos utilizados, as lições da primatologia, diversos estudos de caso etnológicos e as dificuldades suscitadas pela interpretação de vestígios materiais.

INDEX


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sexta-feira, 12 de julho de 2024

O Corpo do meu Inimigo - Vídeos

Deixamos aqui os vídeos das sessões da conferência "O corpo do meu inimigo. Conflito armados na sociedades sem riqueça" que teve lugar os dias 23-24 de abril na Universidade Jean Jaures de Toulouse. 


A guerra vem das profundezas da história, ou mesmo da nossa herança biológica, ou surgiu numa fase específica da evolução das sociedades? A esta velha questão, uma parte significativa do mundo científico tende hoje a responder com a segunda proposição, argumentando em particular pela ausência de vestígios convincentes de conflitos coletivos armados para períodos antigos e situando o surgimento da guerra algures entre o final do Neolítico e a Idade do Bronze.


No entanto, nos últimos anos, e para falar apenas de França, vários trabalhos têm desafiado esta visão, seja com base em argumentos etnológicos ou arqueológicos. Em escala internacional, a descoberta da vala de Nataruk, que se segue à do recentemente reestudado sítio Jebel Sahaba, colocou em questão o suposto pacifismo das sociedades de caçadores-coletores, pelo menos dos posteriores.


O assunto é ainda mais complexo porque, por um lado, a guerra é um conceito muitas vezes mal definido e, por outro lado, as sociedades humanas inventaram muitos métodos de confronto colectivo: a antropologia social tem-se esforçado desde há muito para compreender como, entre outras coisas, são articuladas guerras reais, rixas (vendetas), os chamados combates “ritualizados” praticados em muitas sociedades, mas também (lista não exaustiva) expedições por vezes qualificadas como “guerras de pequena escala”. hostilidade perpétua


Esta conferência, realizada no âmbito das sessões da Sociedade Pré-histórica Francesa , reunirá pré-historiadores e antropólogos sociais e deixará grande parte à discussão coletiva. Ele tentará esclarecer essas questões tratando dos conceitos utilizados, dos ensinamentos da primatologia, de vários casos etnológicos e das dificuldades levantadas pela interpretação de vestígios materiais.

 Arthur Gicqueau - Introduction générale


Christophe Darmangeat - La guerre des concepts


François Bon - Préhistoriographie de la guerre


Jürg Helbling - Guerre et paix en Australie aborigène


Christian Jeunesse -  Violences sociales à Sumba (Indonésie): quelle place pour le frontières ethno-liguistiques ?


Pierre Lemonnier - La guerre chez les Anga de Nouvelle-Guinée 


Vincent Hirtzel - Les guerres amazoniennes


Jean-Loïc Le Quellec - Guerres et conflits dans les mythes 


Isabelle Crevecoeur - Violences interpersonnelles dans la Vallée du Nil á la Prehistoire


Christian Jeunesse - Les massacres de masse dans le Néolithique Centro-Européen (5200-4000 BC) . Un état de la question.


Jean-Marc Pétillon - La visibilité archéologique des guerres préhistoriques


Sylvain Lemoines - Les conflicts chez les primates 


Maxime Petitjean - La guerre dans tout son état. Discours normatifs sur les conflits armés dans le monde gréco-romain 


quarta-feira, 8 de maio de 2024

Violência e Guerra entre os Caçadores - Livro

Violence and Warfare among Hunter-Gatherers

Allen, M.W. & Jones, T. L. (2014): Violence and Warfare among Hunter-Gatherers. Left Coast Press. Walnut Creek, ISBN: 978-1-61132-939-1

  
Sinopse   
Como surgiu a guerra? Foi genética humana? Competição social? O aumento da complexidade? O estudo intensivo do passado de longo prazo dos caçadores-coletores nos aproxima de uma resposta. 



Os capítulos originais deste volume examinam áreas culturais em cinco continentes onde existem evidências arqueológicas, etnográficas e históricas de conflitos entre caçadores e coletores, apesar dos altos graus de mobilidade, das pequenas populações e das estruturas sociais relativamente igualitárias. 




As suas conclusões controversas suscitarão interesse entre antropólogos, arqueólogos e aqueles que se dedicam a estudos de conflitos.  
     

INDEX


quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Guerra, Meio, Desigualdade e Socialidade


Warfare, Environment, Social Inequality, and Pro-Sociability
  
WESIPS 2024 - Bienial Conference

Quando: 4-7 Junho
Onde: Sevilha 


Ao longo de milénios, as guerras, a degradação ambiental e a desigualdade social trouxeram muito sofrimento à humanidade. Num esforço para facilitar a fertilização interdisciplinar, o WESIPS reúne um quadro de académicos reconhecidos internacionalmente para abordar as causas subjacentes da guerra, da degradação ambiental e da desigualdade social a partir de uma série de perspetivas interdisciplinares e teóricas. 


Preparando o terreno para a acumulação de conhecimento, este simpósio procura descobrir soluções eficazes que promovam a paz, o altruísmo, a cooperação, a igualdade social e o uso sustentável dos recursos naturais





Os organizadores procuram artigos de uma variedade de perspetivas disciplinares e abordagens teóricas que abordem um ou mais dos seguintes tópicos: guerra pré-histórica/histórica/contemporânea, violência ritual, biodiversidade, utilização de recursos naturais, casos passados ​​e presentes de degradação/sustentabilidade ambiental, igualitarismo, advento da complexidade social, desigualdade social, resolução de conflitos e comportamento pró-social a partir de uma variedade de perspetivas disciplinares e teóricas.





Os organizadores são Richard J. Chacon (Universidade Winthrop) Dr. Yamilette Chacon (Universidade James Madison) Dr. Leonardo García Sanjuan (Universidade de Sevilha). A palestrante principal sera a Dra. Lynn Gamble (UC Santa Bárbara)

O prazo para envio de resumos está aberto até o dia 11 de janeiro de 2024. Mais informação aqui


Sociedades sem Guerra e Origens da Guerra

Warless Societies and 
the Origin of War

Kelly, R.C. (2003):  Warless Societies and the Origin of War. University of Michigan Press. Ann Arbor.  ISBN: 0-472-09738-5  DOI: 10.3998/mpub.11589

  
Sinopse  
A obra emprega uma análise etnográfica comparativa de sociedades caçadoras e coletoras sem guerra e guerreiras para isolar características distintivas de povos pré-agrícolas pacíficos e para desenvolver um modelo teórico da origem da guerra e da coevolução inicial da guerra e da sociedade. 


Examinando as principais pinturas rupestres do Paleolítico Superior e sepulturas que documentam a violência letal, a iluminação de Raymond Kelly sobre a transição da ausência de guerra para a guerra em vários locais específicos da Europa e do Médio Oriente confunde a compreensão da origem da guerra predominante hoje.




Kelly aborda questões fundamentais relativas à trindade formada pela interação entre a natureza humana, a guerra e a constituição da sociedade: Será a guerra uma característica primordial e difundida da existência humana ou um conjunto de práticas que surgiram num determinado momento do nosso passado pré-histórico recente? Existem sociedades pacíficas nas quais a guerra está ausente e, em caso afirmativo, como são e como diferem das sociedades bélicas?




As características críticas de diferenciação dizem respeito às práticas de criação dos filhos, aos modos de resolução de conflitos, à desigualdade social e económica, à competição por recursos ou à constituição de grupos sociais?




Como as conclusões de tal investigação são centrais para as nossas concepções da natureza humana, o livro irá interessar a uma vasta gama de leitores, desde os curiosos sobre as origens da violência colectiva até aos que estudam os papéis que as instituições sociais desempenham na sociedade.

INDEX

Preface p. IX

Introduction p. 1

1. The Category of Peaceful Societies p. 11

2. Warless and Warlike Hunter-Gatherers: 
A Comparison  p. 41

3. The Origin of War: A Transitional Case  
p. 75

4. The Early Coevolution of War and Society  
p. 121

Notes  p. 163

Bibliography  p. 177

Index  p.  189


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quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Os Anjos Escuros vs Pinker


The Darker Angels 
of Our Nature

Dwyer, Ph., & Mark Micale. M. (2021): The Darker Angels of Our Nature: Refuting the Pinker Theory of History and Violence. Bloomsbury Academic. Londres  ISBN: 9781350140608


Sinopse   
Em Os Anjos bons da nossa Natureza, o psicólogo de Harvard, Steven Pinker, argumentou que a história moderna testemunhou um declínio dramático na violência humana de todos os tipos, e que no presente estamos a viver o período mais pacífico da história da humanidade. 


Mas o que pensam os principais historiadores sobre a leitura do passado feita por Pinker? Seu argumento resiste à análise histórica?. Em Os Anjos Escuros da nossa Natureza, dezessete estudiosos de estatura internacional avaliam os argumentos de Pinker e os consideram deficientes. 


Estudando a história da violência desde o Japão e a Rússia até à América Nativa, à Inglaterra Medieval e ao Médio Oriente Imperial, estes estudiosos desmascaram o mito da modernidade não violenta. 


Afirmando que a história real da violência humana é mais rica, mais interessante e incomparavelmente mais complexa do que a narrativa simplificada e abrangente de Pinker, este livro testa e supera a "história fake" com conhecimento especializado.   
   

INDEX

1 Steven Pinker and the nature of violence in history  p. 1
Philip Dwyer and Mark S. Micale 

Part One Interpretations  p. 21

2 The inner demons of The Better Angels of Our Nature  
p. 23
Daniel Lord Smail 

3 Pinker and the use and abuse of statistics in writing 
the history of violence  p. 39
Dag Lindström 

4 Progress and its contradictions: Human rights, 
inequality and violence  p. 57
Eric D. Weitz 

5 Pinker’s technocratic neoliberalism, and 
why it matters  p. 73
David A. Bell 

6 Steven Pinker, Norbert Elias and The Civilizing Process 
p. 87
Philip Dwyer & Elizabeth Roberts-Pedersen 


Part Two Periods  p. 105

7 Steven Pinker’s ‘prehistoric anarchy’: 
A bioarchaeological critique p. 107
Linda Fibiger 

8 Getting medieval on Steven Pinker: Violence 
and medieval England p. 125
Sara M. Butler 

9 History, violence and the Enlightenment  p. 142
Philip Dwyer 


Part Three Places  p. 161

10 The complexity of history: Russia and Steven 
Pinker’s thesis  p. 163
Nancy Shields Kollmann 

11 A necrology of angels: Violence in Japanese history 
as a lens of critique p. 176
Michael Wert 

12 British imperial violence and the Middle East  p. 197
Caroline Elkins


Part Four Themes  p. 219

13 A history of violence and indigeneity: Pinker 
and the Native Americas p. 221
Matthew Restall 

14 The rise and rise of sexual violence p. 236
Joanna Bourke 

15 Where angels fear to tread: Racialized policing, 
mass incarceration and executions as state violence 
in the post–civil rights era  p. 252
Robert T. Chase 

16 The better angels of which nature?: Violence and 
environmental history in the modern world p. 273
Corey Ross 

17 On cool reason and hot-blooded impulses: Violence 
and the history of emotion p. 293
Susan K. Morrissey 


Part Five Coda  p. 315

18 Pinker and contemporary historical consciousness p. 317
Mark S. Micale 

   Bibliography  p. 337

Index  p. 374



+INFO sobre o livro em: Darker Angels of ou Nature

terça-feira, 12 de setembro de 2023

Guerra Emergente e Evolução

Emergent Warfare

Kim, N.C. &, Marc Kissel, M. (2018): Emergent Warfare in Our Evolutionary Past. Routledge. Londres. ISBN: 9781629582672


Sinopse  
Por que lutamos? Sempre estivemos brigando entre nós? Este livro examina as origens e o desenvolvimento das formas humanas de violência organizada a partir de uma perspetiva antropológica e arqueológica. 


Kim e Kissel argumentam que a guerra humana é qualitativamente diferente das formas de violência letal e intergrupal vistas em outras partes do mundo natural, e que a sua emergência está intimamente ligada à forma como os humanos evoluíram e à emergência da própria natureza humana.

INDEX

Foreword – Lawrence H. Keeley 

1. Peering into the Abyss 

2. Dropping into the Rabbit Hole 

3. The Recent, the Ancient, and 
the Very Ancient Past 

4. The Ice Age World 5. Insights from 
Genomic Research 

6. The Onset of Human Variability 
and Emergent Warfare 

7. The Durability of Peace 8. 
There and Back Again



+INFO sobre o livro em: Emergent Warfare

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Transformar ao Guerreiro

Transforming Warriors

Peter Haldén and Peter Jackson (2016): Transforming Warriors: The ritual organization of military force. Routledge. Londres.  ISBN: 978-1-138-64283-6


Sinopse  
Este volume oferece um estudo interdisciplinar de como diferentes culturas procuraram transformar indivíduos em guerreiros. A guerra muda as pessoas, no entanto, uma questão menos explorada é como as diferentes sociedades querem que as pessoas mudem à medida que se transformam em guerreiros.


Quando as sociedades entram em guerra, reconhecem que uma fronteira está a ser ultrapassada. Espera-se que os participantes façam coisas que de outra forma seriam proibidas, ou pelo menos regidas por regras diferentes. Este volume analisa como diferentes culturas conceituaram as transformações de um indivíduo que passa de uma existência em tempo de paz para uma existência em tempo de guerra para se tornar um guerreiro ativo. Apesar das suas diferenças, todas as sociedades enfrentam a mesma questão: quanto da paz interna do indivíduo deve e pode ser retida no estado de guerra? 

O livro explora casos como os furiosos nórdicos, os samurais japoneses e os cavaleiros europeus, bem como os soldados modernos na Alemanha, Libéria e Suécia. Mostra que as sociedades arcaicas e modernas são mais semelhantes do que normalmente pensamos: ambos os tipos de sociedades usam mitos, símbolos e rituais para criar guerreiros. Assim, este volume procura redefinir as teorias da modernização e da secularização. 

Mostra que as organizações militares precisam levar a sério os mitos, símbolos e rituais para criar unidades eficazes. Este livro será de muito interesse para estudantes de estudos militares, estudos de guerra, sociologia, religião e relações internacionais em geral.  
     

INDEX

1. Introduction. Symbolic and Mythological Perspectives 
on War and Peace join the Archaic with the Modern
Peter Haldén and Peter Jackson

2. A Portrait of the Warrior as a Beast: Hunter, Man, and 
Animal in Sophocles Trachiniae and Schwarzenegger’s Predator
 Johan Tralau

3. Cycles of the Wolf: Unmasking the Young Warrior in Europe’s Past
Peter Jackson

4. "Laughing I shall die!" The Total Transformations of Berserks 
and Ulfhednar in Old Norse Society
 Andreas Nordberg & Frederik Wallenstein

5. Professionalization of Transformation: From Knights 
to Officers in the Renaissance
Gorm Harste

6. Transformation into Manhood: Sex, Violence and the Making of Warriors, Women and Victims in Early Modern Europe
Maria Sjöberg

7. Japanese Warrior Transformations: Bushidō as the 
Continuation of Death by other Means
Dan Öberg

8. Mystical and Modern Transformations in the Liberian Civil War
 Ilmari Käikhö

9. Transformation into Nature: Swedish Army Ranger 
Rites of Passage
Jan Angstrom

10. From Total to Minimal Transformation: 
German Oaths of Loyalty 1871-2014
Peter Haldén

11. The Warrior on the Edge of Tomorrow
Christopher Coker

12. The Haunted Road: Failed Transformations and the 
Return from War or, A Historical Sociology of War Veterans
Gorm Harste

13. Conclusions. The Transformations of the Future
Peter Haldén


+INFO sobre o livro em:  Transforming Warriors

sábado, 9 de setembro de 2023

Uma olhada a Guerra "Pré-histórica"

Hoje o nosso caro colega Cristobo de Milio Carrin deu-nos a conheçer este documento audiovisual de primeiro ordem sobre a guerra nas sociedades chamadas em tempos "primitivas", ou  que de jeito mais adequado tribais (seguindo a Sahlins) ainda que em isto ultimamente também há descontentos. O video se trata de parte do documentaio Death Birds feito por Robert Gardner.em 1963 em Papua Nova Guine, na que se mostra uma batalha real entre dois clãs do povo Dani do Vale de Baliem, os Willihiman-Wallalua e os Wittaia.

Há que ter em conta o povo dani que pelas datas da filmaçao os povo dani apenas empeçara porque aquele então a ter seus primeiros contactos com os occidentais, já que não foram descobertos até 1938 quando um bo de reconhecimento da zona topou a primeira evidèncias de eles naquela zona das terras altas Guineanas. Por tanto esta é uma filmação de extraordinario valor que mostra um imagem da vida e da forma de façer a guerra de um grupo humano ainda não inserido no processo colonial.

O vídeo mostra o que alguns autores têm denominado como "guerra ritual", um tipo de guerra de baixa intensidade ocasional, e que frequentemente tem um caráter estacional ou cíclico. Por exemplo, Roy Rappaport num conhecido estudo clássico sobre outro povo papuas os marind (aqui) observou com a recorrência das guerras tinha relação com o ciclo produtivo e os ciclos de esgotamento dos recursos cada certo tempo num sistema de horticultura singelas de tala e queima. Rappapor mostrou como estas guerras cíclicas estavam conectas com o ritual e com o todo o conjunto da organização social de este povo papue

Outro elemento interessante no vídeo é a própria forma de combater que amostra na que observa um constante baile entre o ataque e a evitação, típico de uma forma de guerra na que os combatentes carecem de proteções e estão mutuamente expostos ante o ataque do outro. O uso de armas para projetar como seta ou lanças favorecem, pela perigosidade dos projécteis, uma ausência de combate corpo a corpo ou de aproximações excessivas ao inimigo.

O combate consiste, pois tanto no ataque como na fugida e na evitação prévia, como se observa, isto da lugar a uma letalidade em certa forma controlada, com certamente mais ferido que mortos. Não é uma guerra total e a massacre no campo de batalha seja frequente, ainda que esta tampouco é desconhecida entre os dani ou outros grupos papuas. 

De facto a guerra jogava um papel fundamental entre os dani, como descrevia o próprio diretor: 

"Quando filmei em 1961, os Dani tinham uma cultura neolítica quase clássica. Eram excepcionais na forma como concentraram as suas energias e basearam os seus valores num elaborado sistema de guerra intertribal e vingança. Grupos vizinhos de clãs Dani, separados por faixas não cultivadas de terra de ninguém, travavam frequentes batalhas formais. Quando um guerreiro era morto em batalha ou morria ferido e mesmo quando uma mulher ou uma criança perdia a vida num ataque inimigo, os vencedores celebravam e as vítimas lamentavam. Como cada morte tinha de ser vingada, o equilíbrio era continuamente ajustado, com o ânimo dos lesados ​​levantado e os fantasmas dos camaradas mortos satisfeitos assim que uma vida compensatória do inimigo era tirada"

Uma oportunidade para amossar-nos a esta fenestra que nos mostra como poderia ser a guerra e a sociedade durante parte da nossa pré-história, penso sobre tudo na guerra durante o período neolítico ou ainda durante o calcolítico. 


No Jardim da Guerra - Vida e Morte na Papua

Gardens of War

Robert Gardner, R., & Heider, K.G. (1969): Gardens of War: Life and Death in the New Guinea Stone Age.  Random House. New York.


Um ano após a saída do filme Dead Bird (1968) do qual temos posteado um fragmento aqui acima, o antropólogo e documentalista norte-americano Robert Gardner publicou este livro, que agora aqui oferecemos sobre a vida social e a morte no grupo humano dos dani, que oferece um registo fotográfico extraordinário sobre as sociedades tribais da Papua num momento no que apenas  principiaram a sofrer o contacto com o mundo ocidental e os estragos do colonialismo.


Sinopse 
Os Dugum Dani, sobre cuja cultura este livro extraordinário é o primeiro registo fotográfico completo, são uma tribo da Idade da Pedra de agricultores guerreiros neolíticos que vivem no Grande Vale de Baliem, nas Terras Altas Centrais do oeste da Nova Guiné. 


Na época em que essas fotografias foram tiradas, os Dugum Dani eram quase únicos, pois ainda não apenas praticavam a guerra ritual, mas também eram praticamente intocados por qualquer forma de civilização moderna. Em 1961, o Centro de Estudos de Cinema do Museu Peabody da Universidade de Harvard montou uma expedição para registrar este mundo intocado. 




Robert Gardner organizou o Centro para a investigação antropológica do cinema porque, como ele diz, “até ao ano 2000 a sociedade humana promete variar pouco de continente para continente. O transporte e a comunicação ligarão o vale mais remoto e o planalto mais distante aos centros de tecnologia. 


Os desertos serão irrigados, os pântanos drenados e as culturas que se desenvolveram em resposta ao isolamento ou às dificuldades terão desaparecido".


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