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sábado, 22 de março de 2025

Morte, memória e identidade em Bracara Augusta

Morte, memória e identidade

Braga, C. M. Vilas Boas (2018): Morte, memória e identidade: uma análise das práticas funerárias de Bracara Augusta. Tese doutoral apresentada na Universidade do Minho. 

Sinopse    
Este trabalho teve como principal objetivo a reconstituição das vivências da morte e das práticas sociais em torno dos contextos funerários romanos, partindo de uma análise detalhada das evidências materiais recuperadas pelas escavações das necrópoles de Bracara Augusta. 





Para tal foram considerados os dados provenientes de 22 núcleos de necrópoles distribuídas em torno do espaço suburbano da cidade romana e tardo-antiga. Foi nossa intenção estudar detalhadamente cada conjunto sepulcral, compreendendo o tipo de estruturas que lhe estavam associadas e como se organizava cada um dos espaços de enterramento nos distintos períodos cronológicos. 




Esta tarefa, num outro nível de análise, permitiu entender os ritmos de uso de cada núcleo de necrópole (descontinuidades/continuidades, pausas/retomas), em articulação com a importância estratégica dos eixos viários romanos a que se associavam, potenciando a recriação da topografia dos diversos espaços fúnebres (organização, disposição das sepulturas/construções, natureza dos rituais, variações cronológicas). 





Articulando essa análise com os dados da epigrafia funerária foi possível abordar o tema da(s) sociabilidade(s) da morte, bem como a evolução das práticas funerárias. Procedemos ainda a um estudo sistemático dos conjuntos votivos, não só de forma a afinar a cronologia de construção e de uso desses espaços, mas também com o intuito de reconhecer eventuais marcas rituais patentes nas peças, executando, simultaneamente, tarefas de categorização e de reconhecimento dos diversos tipos de construções funerárias. 


Por esta via, considerando que as necrópoles se constituem como lugares privilegiados para apreciar as mudanças culturais, procuramos reconhecer os fenómenos de assimilação ou resistência cultural subjacentes às práticas funerárias que possam elucidar sobre o processo de aculturação das populações indígenas ao longo do século I e compreender como a comunidade cívica urbana assimilou as novas práticas funerárias durante a Antiguidade Tardia, associadas à disseminação do Cristianismo. 






Para este estudo foram ainda tidos em conta os dados de natureza antropológica, carpológica e antracológica que permitem um conhecimento mais objetivo sobre as características dos procedimentos funerários.

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quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Relações de parentesco no Argar


O período que inclui o calcolítico e o Bronze Antigo na Europeia na Europa envolveu fortes mudanças sociais drásticas que resultaram numa forte centralização política, crescente desigualdade económica e em perturbações demográficas e de povoamento marcadas pelo predomínio de uma carrega genética nas populações genéticas procedente em origem da Estepe do Mar Negro. 




Este conjunto de fundas mudanças sociais e humanas fizeram-se especialmente visíveis em alguma regiões específicas, como Central-Europa, a Bretanha, o sul de Inglaterra ou sudeste da Península Ibérica, onde a distribuição desigual da riqueza, refletida nos bens funerários, se torna evidente especialmente na chamada cultura do Argar do Bronze Antigo. 

O complexo argárico, cobre o período de ca 2.200-1.550 A.C, (cronologia calibrada). O povoamento argárico espalha-se durante este escopo temporal desde as planícies costeiras até as terras do interior chegando a cobrir esta cultura arqueológico no topo uns 35.000 km 2 em seu pico. Seus assentamentos densamente situam-se na parte cimeira de colinas, chegando a alcançar extensões de 5 hectares, e mostram uma clara hierarquização com evidências de grandes edifícios públicos e importantes estruturas funcionais de abastecimentos de aguas OU relacionadas com o processamento a grande escala de cereais, obras de irrigação, e unidades artesanais especializados na produção cerâmica e metalúrgica. 

Edificio de reunião do jazigo de La Almoloya

Todo isto delineia a imagem do mundo argárico como uma sociedade de profunda complexidade social e económica com evidentes signos de hierarquia social que se fazem visíveis na riquezas dos enterramentos elitares das necrópoles argárica. Em este sentido os enterramentos argáricos apresentam um marco perfeito para o estudo de caso das relações de parentesco nas sociedades pré-históricas. 




Até agora esta questão fora unicamente abordada desde a metodologia arqueologicamente convencional, através o estudo de enterramentos duplos típicos de esta cultura que envolvem uma parelha adulta, ou uma criança e um indivíduo adulto; mas o desenrolo da paleo-genetica tem aberto a possibilidade de estudar as relações de parentesco entre a elite argárica com uma maior precisão previamente impossivel



O modelo tradicional interpretava estas sepulturas duplas como evidência de casais heterossexuais e monogâmicos (' casamentos') base de famílias nucleares. No obstante um recente estudo desde o ponto de vista da genética do jazigo argárico de La Almoloya aporta uma perspetiva muito distintas apontando a existência  de uma maior complexidade nas práticas que organizam as relações de parentesco na sociedade argárica.  



Em base a uma ampla amostra reconstrui-se a estrutura genealógica da necrópole da La Almoloya conseguindo isolar 7 grupos familiares diferenciados sincrónica e diacrónicamente as relações de parentesco de 1º e 2 grau e além (até o 6º e 7º grau) entre os adscritos a cada conjunto genealógico chegando a uma amplitude de cinco gerações.
As evidências, segundo os autores do estudo, apontam a um predomínio entre a aristocracia argárica da exogamia feminina e a patrilinearidade, envolvendo com muita probabilidade praticas de intercâmbio de mulheres entre linhagens de distintos assentamentos como os são conhecidos pela casuística antropológica

“A visão combinada dos resultados inclina-se para a prática da exogamia feminina e da patrilocalidade, em que as jovens mudam-se para uma residência diferente para construir novos relacionamentos. As fêmeas adultas enterradas em sepulturas duplas dão suporte a essas práticas, pois não têm pais enterrados no local e, além dos descendentes, também não têm outros parentes adultos, o que sugere que vieram de fora da comunidade e foram integradas através da união com machos locais, podendo assim ser considerados companheiros de machos de linhagem. É importante ressaltar que o fato de não encontrarmos relações de 1º ou 2º grau entre mulheres adultas em La Almoloya sugere que esta prática era recíproca e que as jovens de La Almoloya também se mudaram para outros locais. A patrilocalidade não implica necessariamente a ausência de mobilidade dos homens adultos. Na verdade, os nossos resultados também apoiam uma mobilidade substancial para ambos os sexos, como demonstrado pela presença de menos parentes de 2º grau do que de 1º grau no local. No entanto, a capacidade de rastrear linhagens masculinas através de gerações pela presença de descendentes masculinos adultos, mas não de descendentes adultos femininos apoia a patrilocalidade apesar da mobilidade masculina e feminina.”
Com tudo junto a este padrão predominante, o estudo observa uma curiosa desproporção entre o número de mulheres e de homens dentro dos grupos definidos, o que lhes permite inferir que junto como este padrão patrilocal e patrilinear vinculado a exogamia feminina e intercâmbio (tal vez reciproco) de mulheres funcionaria em paralelo um sistema de exogamia masculina, pelo que parte dos homens das linhagens que ficariam fora da herança casavam fora do seu assentamento original integrando-se matrilocalmente na comunidade da sua esposa. 

“Alternativamente, a proporção desequilibrada entre os sexos entre os adultos nos cemitérios argáricos pode ser responsável por um “excesso” de mulheres e não por uma falta de homens. Este cenário envolve não apenas um número substancial de mulheres que chegam, mas também práticas matrimoniais consistentes com ele, ou seja, sob a forma de poliginia ou de monogamia em série. No entanto, a exogamia feminina por si só não explica todas as formas de mobilidade que poderiam ser inferidas a partir dos dados de La Almoloya. Enre os homens, a falta de evidências de irmãos e meio-irmãos adultos sugere que a patrilocalidade pode ter sido restrita a certos homens, enquanto outros deixaram o local. Os homens podem ter saído do seu local de nascimento como parte de práticas de exogamia masculina, atribuição a outros assentamentos, ou processos de migração/colonização ligados à expansão territorial argárica. Estudos futuros sobre o ADNA de pessoas enterradas em locais diferentes de La Almoloya contribuirão ainda mais para testar estas possibilidades.”

Estes resultados amostram uma maior complexidade dos enterramentos duplos argáricos, nos se combinam predominantemente tanto mulheres forâneas junto a homens locais como o caso contrario, o qual encaixa com um tipo de comportamento frequente entre grupos aristocráticos com padrões matrimoniais complexos nos que uma certa ambilinearidade das relações de parentesco dentro de uma linha dominante já seja matrilinear ou patrilinear como resulta ser o caso argárico, serve de instrumento flexível para estabelecer alianças políticas e familiares entre linhagens aristocráticos dentro de um território amplio. 



Outra aportação novidosa do estudo é a possibilidade não contemplada agora, mas que se mostra como fatível na diversidade de relacionamentos entre os descendentes de um único varão, mas com distintas madres, é a possível presença de casos de poliginia ou do matrimónio sucessivo na cultura do Argar. 




Em resume, o artigo é um bom exemplo das possibilidades que as técnicas de análise paleo-genética abrem a uma questão tâo crucial para entender a organização social das culturas do passado como é a organização do parentesco; possivelmente a aportação maior e mais crucial que, na atualidade e num futuro próximo, a genetica pode oferecer a Arqueologia. 
   

Artigo:

Villalba-Mouco, V., Oliart, C., Rihuete-Herrada, C. et al. (2022):  "Kinship practices in the early state El Argar society from Bronze Age Iberia" Nature Sci Rep 12, 22415  DOI: 10.1038/s41598-022-25975-9

Bibliografia complementaria:
  
Ensor, B.E. (2013): The Archaeology of Kinship: Advancing Interpretation and Contributions to Theory. University of Arizona Press pdf

Fox, R. (1980): Sistemas de parentesco y matrimonio. Alianza. Madrid. pdf

Levi-Strauss, Cl (1982): As estruturas elementares do parentesco. Editora Vozes. Petrópolis pdf


Postagem relacionada: A Princessa Argárica da Almoloya

Género e parentesco no Argar - Vìdeo

Deixamos aqui a palestra que foi proferida o passado mes de abril no Museu Arqueologico Nacional (MAN) de Madrid pelos arqueologos Vicente Lull, Rafael Micó e Cristina Rihuete Herrada (Grupo de Pesquisa em Arqueoecologia Social do Mediterrâneo -ASOME-UAB-, Departamento de Pré-História, Universidade Autônoma de Barcelona) 

Reconstruir as relações de parentesco em sociedades pré-históricas é um objetivo tão desejável quanto difícil de alcançar. A pesquisa sobre El Argar considerou isso desde o início, principalmente graças às informações e pistas fornecidas por sepulturas duplas, que adquiriram um significado ritual consolidado nessa sociedade. 

Nos últimos anos, o desenvolvimento da arqueogenética abriu novas possibilidades para identificar relações de consanguinidade, um dos componentes básicos para a compreensão das relações de parentesco. 


quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Gente, Corpos e Morte


MENSCH-KÖRPER-TOD


Balkowski, N., Hofmann, K.P., Hohle. I.A., & Schülke, A. (2023): Mensch-Körper-Tod. Der Umgang mit menschlichen Überresten im Neolithikum Mitteleuropas. Sidestone Press. Leiden.   ISBN: 978-94-6427-055-6


Sinopse  
O Neolítico Europeu é caracterizado por uma variedade de práticas no tratamento de restos mortais. Nos estudos neolíticos da Europa Central, o discurso arqueológico sobre humanos, corpos e morte tem tradicionalmente lidado com achados de inumações. Isto se deve principalmente às concepções ocidentais dominantes de morte que envolvem a deposição do corpo intacto em um local, muitas vezes delimitado. 


Recentemente, o foco tem sido direcionado para os depósitos de restos humanos fragmentados e até mesmo manipulados, sobretudo através de uma quantidade crescente de novas evidências arqueológicas, que desafiam os termos, conceitos e práticas de pesquisa arqueológicas tradicionais. O presente volume integra perspetivas teóricas sobre o significado do corpo humano e a percepção da transformação da vida em morte enquanto podem ser estudadas a partir de achados arqueológicos como sepulturas e depósitos de restos mortais humanos, com especial enfoque no Neolítico Central. 


Europa. A coleção de artigos, resultado de uma sessão em conferência em Würzburg 2019, reúne artigos com abordagens teóricas, bem como contribuições que tratam de diferentes áreas e subperíodos do Neolítico, como a Cultura da Cerâmica Linear, a Cultura do Vaso de Funil e o Neolítico Superior sub-alpino, e inclui complexos de achados proeminentes. Estes são enquadrados por ensaios que examinam criticamente a pesquisa arqueológica sobre o tratamento da morte e dos mortos.

INDEX

Mensch – Körper – Tod. Ansätze zur archäologischen Erforschung des Umgangs mit Tod und Toten
Kerstin P. Hofmann, Almut Schülke

Wider den ewigen Menschen: Plädoyer für eine Gräberarchäologie jenseits von Historismus und Naturgeschichte
Ulrich Veit

Das Itinerarium des menschlichen Körpers. Eine interdisziplinäre Spurensuche
Alexander Gramsch, Birgit Großkopf

Gewalt gegen Lebende – Gewalt an Toten: zu Kontexten und Interpretationsmöglichkeiten menschlicher Überreste in der Linearbandkeramik
Heidi Peter-Röcher

Totenbehandlung und Bestattungspraxis in der bandkeramischen Siedlung von Schletz (NÖ) – Reflexionen zur Skelettrepräsentation und Taphonomie von Graben-, Gruben- und Gräberfunden
Franz Pieler, Maria Teschler-Nicola

Kopflose Skelette und aufgebahrte Leichen: Die Toten der bandkeramischen Siedlung von Vráble/Südwestslowakei im Vergleich mit gleichzeitigen Kollektiven
Nils Müller-Scheeßel, Zuzana Hukeľová, Ivan Cheben, Johannes Müller, Martin Furholt

Vielfalt in Leben und Tod – linienbandkeramische Bestattungskollektive in Südbayern
Joachim Pechtl

Gedanken zu den sog. Silobestattungen der Münchshöfener und Michelsberger Kultur – auch ein Postulat an das Grabungswesen
Martin Nadler

Leben und Sterben auf dem Abfallhaufen? Eine Strontium-Isotopen-Untersuchung zu den menschlichen Skelettresten der jungsteinzeitlichen Seeufersiedlung von Zürich-Parkhaus Opéra
Rouven Turck,  Niels Bleicher

Grabhandlungen oder Handlungen am Grab? Die Bedeutung schnurkeramischer Scherben und unterschiedlicher Bestattungskonzepte am Beispiel des Galeriegrabes Altendorf, Lkr. Kassel
Clara Drummer

Der Umgang mit menschlichen Überresten im Neolithikum Mitteleuropas – Ein zusammenfassender Überblick zu den Beiträgen des Sammelbandes
Nadia Balkowski. Isabel Hohle



+INFO sobre o livro em: Mensch-Körper-Tod

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Normativo, Atipico ou Desviante?

Normative, Atypical 
or Deviant?

Murphy, E. & Le Roy, M. (2023): Normative, Atypical or Deviant? Interpreting Prehistoric and Protohistoric Child Burial Practices. Childhood in the Past Monograph Series Vol. 10. Archaeopress. Oxford. ISBN: 9781803275116  DOI: 10.32028/9781803275116


Sinopse   
O livro explora a resposta dos vivos ao lidar com a morte de uma criança. Esta resposta está fortemente ligada aos sistemas de crenças e à preocupação com o destino do falecido na vida após a morte. Os rituais funerários para cada cultura geralmente seguem um formato prescrito que irá satisfazer as necessidades dos mortos e garantir que não haja consequências negativas para os vivos. 


Mas como interpretamos os enterros que não seguem a fórmula reconhecida pela sua sociedade? Poderemos encontrar provas de que tais diferenças envolviam emoções positivas ou, na verdade, negativas? Caso os ritos atípicos para crianças sejam realmente considerados normais, uma vez que são típicos da sua faixa etária, diferindo apenas dos dos adultos, e talvez simplesmente reflita interpretações do passado centradas nos adultos? 




Os artigos do volume discutem estas questões, concentrando-se nas práticas funerárias juvenis na Europa e no Oriente Próximo durante a pré-história e a proto-história recentes. A interpretação do normativo, do atípico ou do desviante é interrogada com base no contexto dos sepultamentos e na intencionalidade da prática.

INDEX

Introduction: Normative, Atypical or Deviant? Interpreting 
Prehistoric and Protohistoric Child Burial Practices
Eileen Murphy & Mélie Le Roy

Moments of Memory and Belonging. A Special 
Child Burial from Neolithic Ba`ja,
Southern Jordan
Marion Benz, Hala Alarashi, Julia Gresky, 
Christoph Purschwitz & Hans Georg K. Gebel

The First Youngsters of a New Age: Juveniles in 
the Neolithic of Hungary
Alexandra Anders

Where Do the Children Go? Funerary Treatments of Juveniles 
Within Collective Burial Sites in Neolithic Southern France
Mélie Le Roy

Are They Really Missing? Non-Adult Graves of 
the Late Prehistory of Central Spain: An Archaeological 
and Bioanthropological Approach
Ana Mercedes Herrerro-Corral

Juvenile Burial Practices in Chalcolithic and Early Bronze Age 
Ireland: Interpretations of the Atypical
Cormac McSparron & Eileen Murphy

Sweet Child O’ Mine. Family Ties, Inheritance System and Representation of Infants in Iron Age Veneto: The Case 
of Mound L from Este, Padua
Fiorenza Bortolami

An Integrated Approach Towards the Analysis of Child Burials 
in the Etruscan Po Valley, Italy (6th-3rd century BC):
 Representation and Spatial Choices
Anna Serra

Burying Children in Iron Age Normandy: The Unusual Case 
of the Necropolis of Urville-Nacqueville, Second Century BC
Ana Arzelier, Caroline Partiot, Claire-Elise Fischer, 
Anthony Lefort, Melie Le Roy, Stéphane Rottier

Funerary Rituals for Juveniles in Gaul. Specificities and Standards 
of Infant Burials in Avaricum from the 1st to 5th Centuries AD
Raphaël Durand

A Childhood Cut Short? The Mortuary Analysis of Subadult 
Decapitation Burials in Western Roman Britain
Shaheen M. Christie

Mors Immatura in the Civitas of Forum Iulii, Narbonnensis Gaul: 
An Archaeothanatological Approach 
Alexia Lattard and Aurore Schmitt

The Late Antiquity Burials of Verdier Nord, Lunel-Viel, 
Hérault, France: Graves on the Outskirts of the Necropolis
Sélim Djouad & Agathe Chen



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quinta-feira, 6 de julho de 2023

O Mundo Funerario no Segundo Milenio - Livro

Funerary Practices in 2 Millenium  

Nonat, L. & Prieto Martinez, M.P. (2022):  Funerary Practices in the Second Half of the Second Millennium BC in Continental Atlantic Europe: From Belgium to the North of Portugal. Archaeopress. Oxford. ISBN: 978-1-78969-938-8

Sinopse
O conhecimento da Idade do Bronze Atlântica aumentou muito nos últimos trinta anos, mas o estado atual da pesquisa não é homogêneo de uma região para outra da Europa Atlântica Ocidental. Ainda existem áreas para as quais uma caracterização cultural permanece difícil de estabelecer. 


É particularmente notória uma dicotomia de conhecimento entre o norte e o sul do domínio atlântico. Assim, a norte, a documentação arqueológica permite hoje definir culturas bem conhecidas, dotadas de uma identidade marcada, como, por exemplo, a da cultura do Canal do Mar do Norte (MMN), a dos Tumulus armoricanos, ou mesmo a dos Wessex para o sul da Inglaterra. Porém, mais ao sul, e além do grande Centro-Oeste da França e da cultura dos Duffaits, enumerar as identidades culturais envolvidas é um exercício muito mais complexo. 


Na orla atlântica, regiões como o norte da Península Ibérica ou o extremo sudoeste de França aparecem ainda muito fracamente nos estudos à escala europeia. Nosso objetivo consiste, portanto, através deste volume de coleção de sínteses regionais dedicadas às manifestações funerárias da segunda metade do segundo milênio A.C. J.-C. da Bélgica ao norte de Portugal, para encher estas lacunas documentais e assim compreender melhor as relações que estas regiões atlânticas mantiveram durante a Idade do Bronze.


INDEX

Introduction  p. iii
Laure Nonat et M. Pilar Prieto Martínez
Introduction p. vii
Introducción p. xi

Belgium/Belique/Bélgica

Funerary Practices at the Northern Fringe of the Atlantic Area 
p.1
Guy de Mulder

Normandy/Normandie/Normandía

Les contextes funéraires du XVIIe au IXe siècle en Normandie 
p. 15
Cyril Marcigny

Brittany/Bretagne/Bretaña

Les pratiques funéraires du Bronze moyen et du Bronze final 
en Bretagne : un premier bilan p. 29
Stéphane Blanchet avec la collaboration de Patrick Pihuit

Centre-West/Centre-Ouest/Centro-Oeste

Que peut-on actuellement dire des pratiques funéraires du Centre-Ouest de la France au Bronze moyen? p. 47
Sylvie Boulud-Gazo, José Gomez de Soto, Muriel Mélin 
& Marilou Nordez

Les inhumations du Bronze ancien de Luxé en Charente (France) 
p. .68
Patricia Semelier, Valérie Audé, Caroline Mougne, 
Catherine Dupont and Guirec Quérré

Aqutany/Aquitaine/Aquitania

Les vases décorés à la cordelette dans les contextes 
funéraires du bassin de l’Adour à l’âge du Bronze p. 76
Laure Nonat

Cantabric Coast/Côte Cantabrique/Costa Cantábrica

Bronze Age Burials and Funerary Practices in Cantabrian Spain 
p.101
Ángel Armendariz Gutiérrez

Galicia and The North of Portugal/Galice et Nord du Portugal/
Galicia y Norte de Portugal

Les contextes funéraires et le dynamisme culturel 
du nord-ouest de la péninsule Ibérique entre le XVIIIE 
siècle et le VIIIE siècle avant J.-C.  p. 128
Laure Nonat, M. Pilar Prieto Martínez & 
Pablo Vázquez Liz (†)

The cist of a Praia da Rola (Mugueimes, Ourense, NW Iberia)  
p. 157
M. Pilar Prieto Martínez, Olalla López-Costas, 
Pablo Vàzquez Liz (†) & Oscar Lantes Suárez

The Burial of a Devesa Do Rei (Vedra, A Coruña, 
NW Iberian Peninsula) p. 172
M. Pilar Prieto Martínez, Oscar Lantes Suárez 
& Beatriz Guimarey

Ritual Sites from the Second Millennium BC in the 
North West of Spain p. 187
M. Pilar Prieto Martínez and Luis Cordeiro

Synthèse Et Réflexion p.200
Laure Nonat et M. Pilar Prieto Martínez


+INFO sobre o livro: Funerary Practices in 2 Millenium 

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Machadas e Tumbas - Um reciclagem de simbolos


Como me disse uma vez um bom amigo (Lois Armada) no entanto me ensinava a machada polida que acabava de topar em um dos multiplos pavimentos perto dum muro (ou quase incrustada a ele?) em uma casa da Idade do Ferro -em concreto Ibérica- "aqui andavan sacraliçando com uma machada dos sus ancestrais" 

Pois bem parece que em esta tumba dos Campos de Urnas da Polónia véu a suceder algo semelhante; um exemplo dos muitos que podemos topar de objetos de esses "passados" reformulados em um contexto distinto do que lhes deu origem. Por um lado poderíamos pensar em um reciclagem como objeto de função pratica, algumas machadas neolíticas tem sido identificadas (e reutilizadas como tales) as vezes pelos paisanos como pedras de afiar. 

Mas também existe na tradição oral atribuições de uma origem sobrenatural que lhe atribuem qualidade magicas e protetoras, as chamadas "pedras de raio", que contam na tradição ocidental com uma longa história, que como mínimo nos leva a Antiguidade onde receberam o nome de Ceraunias, com o que posteriormente serão conhecidas de forma culta.

O "Martelo de São Martinho de Tours", machada polida neolítica reaproveitada em esta reliquia vinculada a lenda do santo. Museum Catharijneconvent, Utrecht

O estudo não indica que pudera haver um reúso prático das peças e aponta a um sentido simbólico, ideia que dado a escassez do enxoval (ou melhor dito o seu caráter fortemente seletivo) da tumba se veria reforçada. Ceraunia, amuleto protetor ou qualquer outro sentido?, o certo é que tem que haver alguma conexão entre estas peças e o simbolismo funerário de algum jeito.

Enterramento Nº 527 da necropole dos Campos de Urnas de Miłosławice com indicação do deposito de machados neoltíticos

Pode que tampouco escape a isto, o facto de que estas peças fossem recuperadas assim mesmo do contexto de tumbas neolíticas ou calcolíticas, nas quais podia subsistir ainda o esqueleto do cadáver, o qual puído influir também na ideia de associar o simbolismo mágico-religioso de estas peças a um contexto tão concreto como o funerário


Artigo:

Kufel-Diakowska, B., Chłoń, M., & Baron, J. (2022). "A Neolithic ground stone tool as an Early Iron Age funerary gift" Antiquity pp. 1-7 DOI: 10.15184/aqy.2022.124


terça-feira, 23 de maio de 2023

O Assentamento de Valencina - Livro

El Asentamiento Prehistórico de Valencina de la Concepción 

      

García Sanjuán, L., Vargas Jiménez, J.M, Hurtado Pérez, V., Ruiz Moreno, T. Cruz-Auñón Briones, R. (2013): El Asentamiento Prehistórico de Valencina de la Concepción (Sevilla): Investigación y Tutela en el 150 Aniversario del Descubrimiento de La Pastora. Universidad de Sevilla. Sevilla  ISBN: 978-84-472-1465-5  

   

Sinopse
Desde que em 1860 a descoberta de La Pastora, una de las megalíticas más bellas y singulares conocidas construcciones en España, el yacimiento de la Edad del Cobre y de la Edad del Bronce de Valencina de la Concepción - Castilleja de Guzmán no ha cesado deparar hallazgos archeológicos de la mayor significado.


Hoje, 150 años después de los primeros descubrimientos, —el volumen E/ Asentamiento Prehistórico de Valencina de la Concepción (Sevilla): Investigación y Tutela en el 150 Aniversario del Descubrimiento de La Pastora ofrece una al día de las investigações que están revelando la extraordinária importância deste yacimiento como recurso científico e patrimonial. Entre as colaborações desta obra, o leitor encontrou algumas das claves da ocupação da déembocadura do rio Guadalquivir há 5000 anos: o processo de agregação humana que representa a origem da mesma cidade de Sevilha.


Igualmente, entre as páginas deste livro desenrola-se o debate que na atualidade preside ao estudo da Edad del Cobre (c. 3200-2200 antes de nuestra era), período de excitante dinamismo social e cultural em que consolidamos os fundamentos de jerarquización social, las relações comerciais a larga distancia, la metalurgia y la especialização produtiva.

INDEX


Descarregar o livro em:  Academia.edu