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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Cosmologia e Vida Social - Livro

Cosmology and Social Life

Traube, E.G. (1986): Cosmology and Social Life. Ritual exchange among the Mambai of East Timor. University of Chicago. Chicago & Londres

Sinopse  
Este volume é tanto um estudo etnográfico da vida ritual numa sociedade do leste da Indonésia como um contributo para a antropologia das formas simbólicas. Inspirando-se em Durkheim e no estruturalismo, Elizabeth G. Traube tem como objetivo mostrar como os símbolos rituais são utilizados conscientemente em contextos específicos para criar relações sociais significativas.


Traube orienta o seu estudo em torno de um sistema convincente de crenças cosmológicas. Entre os Mambai de Timor-Leste, um povo cuja existência está actualmente ameaçada por circunstâncias políticas, o cosmos é representado como a referência última da acção social e a fonte de uma identidade colectiva distinta. 


Os Mambai reivindicam para si o papel de guardiões de um cosmos que dá vida e depende dos seres humanos para o serviço ritual. Traube descreve os seus rituais agrícolas e funerários, traçando as ligações simbólicas entre as obrigações humanas para com os seres cósmicos e as obrigações de troca que unem os vários grupos sociais que realizam os rituais.

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Reis Extranhos e Origens do Poder no Timor


Anteriormente temos tratado, trangencialmente, do topos dos Reis Estranhos (aqui), muito extendido no Sureste Asiático, e que Marshall Sahlins ampliou a outros contextos etnográficos e históricos (Sahlins, 2000a, 2000b). Tema que como expressa Traube no livro de acima: "incorporam uma conceção de poder como algo originalmente alheio à sociedade. Em todas estas teorias políticas, observa Sahlins, "a realeza é a estrangeira" e "o poder é um bárbaro" (Traube, 1986)


No sistema dos Reis Extranhos o carater alheio do poder político se exprime através de uma oposiçâo entre o soberano foraneo e os "donos da terra" autoctonos. Em esta divissão ao ultimos compete o mantimento da fecundidade da terra, que mantem apís a su substituiçâo pelo soberano extrangeiro:
  
"Na ilha de Roti, por exemplo, diz-se que o antepassado do Manek ou Senhor veio de além-mar e entrou em disputa com o Dae Langgak, a Cabeça da Terra. O resultado foi que o Dae Langgak perdeu o poder político para o Manek, mas preservou a autoridade ritual sobre a fertilidade. Em Timor, as tradições Belunesas e Atoni apresentam variações deste padrão. Os governantes dos reinos Beluneses e Atoni são ambos considerados de origem étnica diferente da dos seus povos. O fundador de Wehali, no centro de Belu, é associado a uma terra distante além-mar conhecida como Sina Mutin Malacca. Tanto as tradições Belunesas como as Atoni identificam o governante Atoni Sonba'i como o irmão mais novo do Senhor de Wehali. Para os Atoni, Sonba'i é um outsider. Os mitos contam como derrotou um antigo Senhor da Terra, um chefe chamado Kune, que detém a autoridade ritual sobre o solo
Outra variação do padrão narrativo ocorre nas tradições Bunaq, sobre os antepassados que vêm de além-mar e subjugam os autóctones "donos da terra", conhecidos por melus. Ritualmente, estes melus são identificados com os espíritos dos autóctones falecidos, e os Bunaq consideram-nos os mais poderosos de todas as "sombras da terra"


No ultimo parrafo os burag assimilam a oposiçâo entre autoctos e alheios através de uma doble linha de ancestrais, os ancestrais da gente atual e os ancestrados dos autoctones que embora desaparecidos subsistem na forma de espiritos dessa outra gente que têm o control dos mundo telurico e a subsistência da comunidade. 

Reis Extranhos e Origens do Colonialismo

Uma variante peculiar de este topos e a que fazem os Mambai que Traube estuda no seu livro, ja que estes transformam aos "estrangeiros" (os malaia) em autoctonos. Na tradição mandai as diferências etnicas entre timores e malaios ou ainda brancos (todos classificados genericamente como malaia) são apenas resultado de uma divissão de linhagens e fissicos que aparece nos mito de origem nos que no obstante os ancestrais de mambai e malaia aparecem como 2 irmão descentes de deus.
"Como deus soberano, o papel do Céu é articular limites e divisões. Ele ordena o cosmos distribuindo sinais de diferença, e o seu primeiro ato é dividir os seus filhos nas categorias opostas de bocas silenciosas e bocas falantes. A enunciação primordial da soberania retira o poder da fala dos primogénitos do Céu; é designada por "ban do interior" ou "ban da rocha e da árvore". Enquanto isso, os filhos humanos do Céu assumem características físicas distintas. O mais novo "tira água branca" e "lava-se branco/banha-se limpo", mas o mais velho "tira água negra", o que o deixa "nem branco nem limpo", num estado sem marcas."
Após isto o Ceu divide o poder sobre este mundo dividido entre as coisas "silenciosas" (o mundo vegetal e animal) e as falantes (a humanidade), através de uma serie de insignias asociadas a cada um de estes ambitos da realidade. O primogenito Ki Sa, receva a rocha e a árvore sagradas, símbolos da sua autoridade ritual sob um cosmos silencioso ao mais novo, Loer Sa, deus da-lhe  o livro e a pruma emblemas dos europeios. 


Ao mesmo tempo o Pai Ceu deposita como posseção comum na casa originaria (trasuntos das casas sagradas timoresas) uma serie indefinida de insignias que encarnam o poder político, mas Loer sa rouba estes objetos sagrados e fuge para o norte, privando ao seu irmão maior da autoridade, o que faz que seja incapaz de governar aos homens que  "nem tremem nem temem" ante as suas ordens. 


A fugida por mar de Loe Sa faz que a partir de este momento estes signos do poder sejam conhecidos como "o ban do mar" por oposição ao "ban do interior" formado pela arvore e a rocha que Si Ka retiveu na sua posse. Ante a evidência de que o seu "governo não tem passo" ante o povo Ki Sa emprende a busqueda do seu irmão para reclamar-lhe as insignias do poder:
   
"Empreende uma longa e árdua viagem através do mar até Portugal. Lá, encontra o seu irmão mais novo trancado dentro de uma casa. Ao acordar, Loer Sa recebe reverências de Ki Sa e ouve um longo e comovente discurso. O seu irmão mais velho descreve a sua situação difícil e recorda ao mais novo as suas obrigações para com o lugar que abandonou. Pede a Loer Sa um novo símbolo de status que fará o seu próprio reino "tremer e temer". Loer Sa responde entregando objetos, prometendo que os seus descendentes regressarão a Timor com a bandeira numa data posterior"

Investido com estes novos signos de pode substitutorios Ki Sa volta ao Timor e restavelece a ordem no reino pois agora as suas palavras são escutadas e os seus mandatos tem pesso e fazem "tremer e temer" a gente. O mito termina com o prometido retorno dos descendes do Loe Sa, identificados com os colonos portugueses
   
"Passam-se gerações, mas finalmente os Malaia, descendentes de Loer Sa, regressam a Timor, com a bandeira hasteada no mastro do seu navio. Todos os povos da terra se reúnem para os receber na costa. Os descendentes de Ki Sa recebem bandeiras e outras insígnias de poder dos Malaia, mas logo renunciam a esses símbolos. Cansados do comando, "entregam o governo" (sra ukun) a novos líderes indígenas que vêm de fora do reino. Por este ato, os governantes originais renunciam a todas as responsabilidades mundanas para com o reino que fundaram, mas retêm a sua autoridade ritual sobre o cosmos. A expressão poética para a sua renúncia ao poder é que "se sentam para cuidar da rocha e vigiar a árvore"
Através de esta renuncia o mito descreve a justifica a situação do dominio colonial integrando-a na cosmologia mandai, no tipico esquema de "Reis Estrangeiros" no que os portugueses terminam ostentando as faculdade políticas e o monopolio da força (a proteção). 


No entanto os mandai comprem a função de "senhores da terra" que através do ritual mantem o ciclo da vida e fecundidade necessario para a supervivência fisica da sociedade. Em esta construção a estrutura tributaria do poder colonia se amosttra não como uma relação desigual senão de reciprocidade funcional e intercambio equilibrado:
   
"O mito conclui com uma descrição da instituição de um sistema de trocas pelos Malaia e pelas autoridades rituais. Neste sistema, as dádivas da colheita acumuladas no interior são entregues aos Malaia, no litoral, pelos governantes executivos indígenas. Estas dádivas são retribuídas com prestações de arroz cru, sal e gado. A transação é representada como parte de uma troca de serviços, em que as autoridades rituais promovem a fertilidade da terra e os Malaia guardam os limites dos campos e jardins."
A proprio poder político inicialmente indefinido aparesce logo materializado através da bandeira portuguesa que os indigenas timoreses aos observar os extranhos rituas do seu izado e arriado solemne quotidiano pelos soldados colonias identifaram como a insignia da que procede o poder dos reis extranhos portugueses. 


As insignias funcionais que definem a malaia e manbai, o livro e pruma vs. a rocha e a arvore expressam o ambito do natural que garante a vida fronte cultura burocratica, estatal e exotica dos europeus, e são reunidos através do talismam da soberania roubados do fogar comum pelo primeiro malai e retornados desde o mar, a través da bandeira. 
    

Mas além de esta cenificação da estrutura e realidade social no pensamento mandai esta dicotomia adquire os carateres de uma dualidade cosmologicos: o Norte (mar) vs. o Sul (Interior), o Pão Ceu vs. a Mâe Terra que compreta o edificio social repressentando nos dois postes (sul e norte) da casa sagrada.
   
"Subjacente ao mito está uma oposição entre duas orientações no espaço, que se manifesta ao nível cósmico no par teológico. Ao Céu, que ordena o cosmos, pertence o mundo exterior, e tem a natureza aberta e irrestrita de um andarilho. À Mãe Terra, que estabiliza e nutre o cosmos, pertence o mundo interior, o espaço escuro e confinado da casa, e a ela pertence a natureza fechada e restrita de quem espera num lugar de origem. Daqui decorre uma divisão das pessoas em duas categorias: as que vagam cara o exterior e as que são deixadas para trás pelos errantes"

Bibliografia

Traube, E.G. (1986): Cosmology and Social Life. Ritual exchange among the Mambai of East Timor. University of Chicago. Chicago & Londres
   
Sahlins, M. (2008a): Islas de Historia. La muerte del capitán Cook. Metafora, antropologia e historia. Gedisa. Barcelona.  

Sahlins, M (2008b): "The Strnager-King or elementary forms of the politics of life" Indonesia & the Malay World Nº 36, pp. 177–199  DOI: 10.1080/13639810802267918


terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Eco-Cosmologias, Ritual e Desastre

Dealing with Disasters

Riboli, D., Stewart, P. J., Strathern, A.J., & Torri, D. (2021): Dealing with Disasters: Perspectives from Eco-Cosmologies. Palgrave Studies in Disaster Anthropology. Palgrave Macmillan  ISBN: 978-3-030-56103-1 DOI: 10.1007/978-3-030-56104-8

Sinopse  
Oferecendo um novo olhar sobre algumas das questões urgentes do nosso mundo hoje, esta coleção  concentra-se em práticas de enfrentamento experienciais e ritualizadas em resposta a uma infinidade de desafios ambientais — ciclones, erupções vulcânicas, tsunamis, terremotos, guerras e deslocamentos de pessoas e exploração de recursos ambientais. 


Práticas ecocosmológicas conduzidas por praticantes de cura qualificados utilizam conhecimento embutido na base cosmológica do lugar e experiências do lugar e das paisagens nas quais tal experiência é encapsulada. 


Uma variedade de estudos geográficos de caso  são apresentados neste volume, explorando a Ásia, Europa, Pacífico e América do Sul. Com referência especial ao ritual como um modo de buscar a estabilização, renovação e continuidade dos processos vitais. 


Este volume será de particular interesse para leitores que trabalham com práticas xamânicas e de cura, preocupações ambientais em torno da sustentabilidade e conservação, sistemas etnomédicos e estudos religiosos e rituais.

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quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

O fio da Vida, O Laço da Morte

El hilo de la vida y el 
Lazo de la muerte

Andrés-Toledo, M. Á (2010): El hilo de la vida y el lazo de la muerte en la tradición indoirania. Institució Alfons el Magnànim. Valencia.  ISBN: 978-84-7822-588-00 

Sinopse  
A vida está em jogo. A morte coloca um laço em nossos pescoços. Estas duas imagens resumem a visão da existência humana partilhada pelos antigos indianos e iranianos. Em El hilo de la vida y el lazo de la muerte na tradição indiana , Miguel Ángel Andrés Toledo nos conduz por um labirinto de textos védicos e zoroastristas. Deuses e deusas que desfilam pelo céu em vestidos esplêndidos, tecidos com o fio da Verdade. 


Ligaduras cósmicas que abraçam o indivíduo, marionete do destino. Fiandeiros e bruxas que cortam um cordão não só umbilical, mas também vital. Caçadores de demônios que lançam armadilhas mortais contra os humanos, que tentam em vão escapar do estrangulamento fatal. Fórmulas poéticas que remontam a um passado indo-iraniano comum, por vezes indo-europeu, reconstruídas com rigor filológico. Imagens que, apesar da distância geográfica e temporal, estão muito próximas de nós. 


Não há minotauros neste labirinto; apenas céus e infernos, deuses e demônios, filamentos e cordas, e mortais agarrados a crenças ancestrais que ainda giram na roda dos nossos dias. Afinal, tecidos e textos são um só. Sem perder o fio da meada: às vezes a vida depende disso.

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domingo, 12 de novembro de 2023

Divinidades da Caça e a sua Influencia no Meio

The History & Environmental Impacts of Hunting Deities 

    
Chacon, R. J. (2023): The History and Environmental Impacts of Hunting Deities. Supernatural Gamekeepers and Animal Masters. Conflict, Environment, and Social Complexity. Springer.   ISBN: 978-3-031-37502-6
  
   
Sinopse   
Este volume analisa a crença em guardas sobrenaturais e/ou mestres dos animais selvagens a partir de uma perspetiva intercultural. Muitas sociedades tradicionais sustem que essas entidades sobrenaturais garantem o sucesso na caça para àqueles que realizam fielmente os rituais específicos e aderem as restrições prescritas.



Por outro lado, os caçadores que violam estas restrições estabelecidas podem sofrer a perda da sorte na caça, doenças e, em alguns casos, até a morte. Este trabalho interdisciplinar documenta tanto a antiguidade como a distribuição geográfica generalizada desta crença, e faz um levantamento das várias manifestações desta cosmologia através de vários estudos de caso da Europa, Ásia, África, América do Norte e do Sul. 




Alguns capítulos exploram as multifacetadas manifestações deste sistema de crenças, como as pinturas rupestres e pictogramas assim como outras formas de cultura material relacionadas com o complexo mágico ritual dos guardas da caça/mestres dos animais. Outros capítulos centram-se nos impactos ambientais destas crenças/rituais, analisando como aos prescrevem restrições de alimentares  afetam aos padrões de caça.

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quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Arcos-da-Velha, Pitões e Cachoeiras - Livro

Rainbows, pythons & waterfalls

Oestigaard, T. (2019): Rainbows, pythons and waterfalls: heritage, poverty and sacrifice among the Busoga, Uganda. Nordiska Afrikainstitutet, Uppsala University. Uppsala   ISBN: 978-91-7106-847-7

Sinopse  
O património cultural e natural é uma parte fundamental da sociedade e crucial em qualquer processo de desenvolvimento; no entanto, devido à complexidade, revelou-se difícil incorporar a cultura e a tradição na prática política real. 




Aqui, a rica herança de Busoga é explorada, utilizando a cosmologia da água nas Cataratas de Itanda, em Uganda, com ênfase específica no ritual de fazer chover e no sacrifício ao deus da chuva durante a seca. 



Embora os rituais de fazer chover não possam mitigar as alterações climáticas no mundo moderno, e embora cada vez menos pessoas acreditem na religião tradicional, o passado e as suas tradições ainda são fontes para um futuro. 



Ao repensarmos o papel do património nos processos de redução da pobreza, argumenta-se que uma forte ênfase no património cultural e natural é uma das áreas mais eficientes e importantes de desenvolvimento a longo prazo numa era de globalização, quando as tradições estão a desaparecer. .Sem passado não há futuro.

INDEX

Acknowledgments  p. 5

1. Mythology of hydrology p. 9

2. Senses and science and rainbows p. 25

3. Giant snakes and rainbow serpents p. 39

4. Rainbow cosmologies p.  55

5. Busoga water cosmology, rainmaking 
and the rainbow p. 67

6. Rainmaking and understanding water in society 
and religion p. 91

7. History and heritage  p. 111

8. Literature p. 122

9. Endnotes p. 133

Index  p. 144


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sexta-feira, 6 de outubro de 2023

A Árvore Sagrada na Antiguidade e Idade Media

The Sacred Tree 

Cusack, C.M. (2011): The sacred tree: ancient and medieval manifestations. Cambridge Scholars Publishing. Cambridge  ISBN: 978-1-4438-2857-4


Sinopse   
A natureza fundamental da árvore como símbolo para muitas comunidades reflete a realidade histórica com a qual os seres humanos sempre interagiram e dependeram das árvores para a sua sobrevivência. As árvores forneceram uma das primeiras formas de abrigo, juntamente com as cavernas, e a abundância de árvores, nozes, frutas e bagas deram sustento às populações de caçadores-coletores. 

a celebre árvore centenaria Sicamor Gap do Valo de Adriano recentemente destruída pelo vandalismo juvenil contemporâneao

Este estudo concentrou-se na árvore como sagrada e significativa para um determinado grupo de sociedades, vivendo nas eras antigas e medievais nos limites geográficos da Europa, e partilhando uma herança indo-europeia comum, mas as árvores sagradas são encontradas em todo o mundo, em culturas e períodos históricos muito diferentes. As árvores sagradas aparecem nas estruturas religiosas dos Akan de Gana, nas comunidades xamânicas do Ártico Altaico e na China e no Japão. O poder da árvore sagrada como símbolo deriva do fato de que as árvores funcionam como homólogas dos seres humanos e do cosmos. 

representação gráfica do Igdrasill, árvore cósmica da mitologia nórdica

Este estudo concentra a árvore como axis mundi (eixo ou centro do mundo) e a árvore como imago mundi (imagem do mundo). Os gregos e romanos no mundo antigo, e os irlandeses, anglo-saxões, alemães continentais e escandinavos no mundo medieval, todos entendiam o poder da árvore e do seu derivado, o pilar, como marcadores do centro. Árvores e pilares sagrados pontilhavam suas paisagens, e o território ao seu redor derivava seu significado de sua presença. 

cena do conhecido Pilar dos Nautae Parisiae, século I D.C

Terras desconhecidas ou mesmo hostis poderiam ser domesticadas e tornadas significativas através da construção de um monumento que reproduzisse o centro sagrado. Tais monumentos também estão ligados a fronteiras e, por extensão, à lei e à ordem, aos costumes e à tradição. A árvore sagrada e o pilar como centro simbolizavam a estabilidade do cosmos e da sociedade. 

São Bonifácio abatendo a árvore sacra dos germanos

Quando os povos pagãos da Europa adoptaram o Cristianismo, as árvores e pilares sagrados, sinais visíveis da presença dos deuses na paisagem, eram alvos populares para santos e missionários empunhando machados que desejavam forçar a conversão da paisagem, bem como o pessoas. No entanto, o Cristianismo tinha o seu próprio monumento de árvore, a cruz na qual Jesus Cristo foi crucificado, e que veio a significar a vida ressuscitada e a conquista da morte eterna para os devotos. 

"A Árvore da Vida e a Ultima Cea" de Taddeo Gaddi, c. 1330-40/60 refetorio da igreja da Santa Croce, Florencia

À medida que os pagãos europeus foram convertidos ao cristianismo, os seus monumentos de árvores e pilares foram transformados em formas cristãs; as grandes cruzes do norte da Inglaterra anglo-saxônica desempenhavam muitos dos mesmos papéis que as árvores e pilares sagrados pagãos. Os cristãos irlandeses e anglo-saxões muitas vezes combinavam a imagem da Árvore da Vida do Jardim do Éden com Cristo na cruz, para produzir uma versão cristã da árvore como imago mundi.

árvore emergindo duma cratera entre dois grifos, São Marcos de Venêcia

INDEX

Preface and Acknowledgements p. ix

Introduction: Pagan and Christian Sacred Trees p. xi
   
Chapter One: Methodology: The Meanings 
of  Sacred Trees  p. 1

Chapter Two: Sacred Trees in the Ancient World: 
Origins, Oaks and Oracles  p. 27

Chapter Three: Sacred Trees in Ancient and Medieval 
Celtic Sources: Druids, Kings and Saints p. 57

Chapter Four: Continental German Sacred Trees: 
The Oak of Jupiter and the Irminsul 89

Chapter Five: Anglo-Saxon Sacred Trees: 
Christianizing a Pagan Symbol p. 121

Chapter Six: The Sacred Tree in Medieval Scandinavia: 
Judgment, Law and Fate p.147

Conclusion Sacred Trees and the Transformation 
of Meaningp. 171

Bibliography p. 177
Index p. 197



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sexta-feira, 12 de maio de 2023

Centauros e Gandharvas - Livro


KENTAUREN UND GANDHARVEN   
   

Janda, M. (2022): Kentauren und Gandharven. Münsteraner Sprachwissenschaftliche BeiträgeReihen-Nº 4. Verlag Thomas Kubo, Münster ISBN: 978-3-96230-007-4


Sinopse: 
Como a ideia de pessoas de cavalo surgiu no mundo tem ocupado poetas e pensadores desde a antiguidade. Com a associação de centauros e gandharvas de Adalbert Kuhn há 170 anos, essas enigmáticas figuras míticas tornaram-se objeto de estudo transcultural pela primeira vez. Em seu último estudo, Michael Janda se dedica a provar a relação histórico-genética e a analisar os dois nomes.

luta entre centauro e lapita nos relevos do Partenão de Atenas, s. V A.C

Esta pesquisa combina filologia e linguística com História das Religiôes e arqueoastronomia e, conduz desde as primeiras evidências do grego e do indo-iraniano até o firmamento. 

pintura representando ao gandharva Tumburudu, 1816, British Museum

Desta forma, Janda pode abordar inúmeros problemas que inicialmente permaneceram contraditórios ao ser vistos isoladamente dentro do marco das filologias especificamente grega, avéstica ou védica, mas que se tornam imediatamente compreensíveis dentro de uma conceção mais geral de mundo mítico dos indo-europeus.


INDEX

1. Einleitung p. i

2. Die Kentauren  p. 5

3. Die Gandharven p. 30

4. Der Gandaraßa und weitere iranische Gestalten 
p. 50

5. Die Gemeinsamkeiten von Kentauren, 
Gandharven und Gandaraßa  p. 60

6. Erste Annäherung an die Namen  p. 65

  1. Der erste Augenschein  p. 65

  2. Reduzierung der Unterschiede durch die 
sprachwissenschaftliche Perspektive  p. 66

7. Forschungsgeschichte  p. 72

8. Analyse der Namen  p. 82

9. Das blutige Kleid der Braut p. 97

10. Kentauren und Gandharven am Himmel p. 122
.
  1. Die Position am Himmel: Kentauren und Lapithen p. 124

   2. Die goldene Ferse des Gandaraßa p. 127

   3. Die Position am Himmel: Naksatras und die 
vedische Hochzeit  p. 127

11. Zusammenfassung  p.129

12. Abkürzungsverzeichnis und Angaben zur Zitierweise 
p. 131

13. Wortindex  p. 132

14. Stellenindex  p. 133

15.Literaturverzeichnis  p.135



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domingo, 3 de agosto de 2014

Cosmologia Celta - Livro


CELTIC COSMOLOGY

Borsje, J., Booley, A., Mac Mathúa, S., Toner, G., Celtic Cosmology: Perspectives from Ireland and Scotland. PIMS, Papers in Mediaeval Studies 26, 2014 316pp.  ISBN 978–0–88844–826–2


Sinopse
Os ensaios desta coleção, forom originalmente apresentado no colóquio, 2008 Celtic Cosmology and the Power of Words que examinou a visão de mundo dos povos celtas, centrando-se particularmente nas perspectivas gaélicas (irlandesa e escocesa); e usando como fontes principais as inscrições e textos em língua céltica e Latim


Esse volume representa um estudo dos vestígios das cosmologias celtas nas suas fontes, especialmente irlandesas e escocesas. Esses traços cosmológicas são investigados através das suas semelhanças e influências indo-europeias e semiticas.


As ordenações gerais do mundo como a tripartição Celtica (terra, água e céu) em contraponto a bipartição Christiana (este mundo eo outro) são exploradas, junto com significado cosmológico especifico de alguns elementos da paisagem



O mundo foi mapeado mundo palavras e simbolos para as gerações contemporâneas e futuras. Esses "mapas" escritos não são apenas geográfica, constituem também diretrizes éticas e mitológicas. Através das histórias, a paisagem e espaço social são processados ​​em um esquema que define o bem e do mal num sentido cósmico. 



No mundo mental Celtico os caminhos, rios, montanhas e outeiros são marcadores vitais. Outeiros e cavernas foram usadas em rituais e eram vistas como entradas para um Alem subterrâneo, onde habitam seres sobrenaturais. Dentro desta paisagem socializada a periferia e o centro estão intimamente relacionados com a realeza, as capitais reais são apresentadas na paisagem e arquitetura como centros rituais. 


A nomeação de lugares significativos é um ato humano de criar um ordem. Na tradição literária celta as histórias explicativas e etymologicas, servem como significantes e sinais de alerta (tabus) ou como performances de expiação para as rupturas pontuais da ordem cósmica


 INDEX



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