sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Olhando ao traves


Vai uns dias o Museu de arqueologia de Yorkshire deu a conhecer duas viriae de ouro descobertas por dois detectoristas de metais perto de Tadcaster, no lugar de Towson, no norte da bisbarra de York. Os braceletes forem topados respectivamente em maio do 2010 e Abril do 2011. O primeiro tem-se datado entre o 100-70 a.C mentres que o segundo pudera ser ainda mais antigo. Ambos constituem a evidência mais recuada da presença de jóias na Idade do Ferro do Norte de Inglaterra.

Detalhe dos braceletes de Tadcaster
Natalie McCaul conservadora assistente do citado museu (acima na foto) comenta na nova que estas alfaias seriam um elemento de "prestígio", propriedade da elite tribal ou ainda da própria linhagem real que governou entre o povo dos Brigantes. As peças apresentam similitudes tipológicas com outras do território dos Iceni, como as do conhecido depósito de Snettisham (Norfolk) (Stead, 1991). Ao respeito a arqueóloga considera a possibilidade de que as viriae chegaram ou bem como botim ganhado nas razias guerreiras, ou como um regalo diplomático entregado ou intercambiado para estabelecer a "amizade", aliança, a Paz (?) cecais, entre estes dois povos

Depósito "tesouro" de Snettisham (British Museum)
Não posso evitar de passo que se me vaia a cabeça certo velho livrinho, -uma das minhas primeiras leituras arqueológicas- do Ladislao Castro titulado Los Torques de los Dioses y de los Hombres (traduzido logo ao inglês como The Sacred Torcs)  assim coma às divisões tipológicas dos torques galaicos às que desde vai anos os arqueólogos querem dar uma dimensão regional, e não só num sentido geográfico, fruto meramente capilar do contacto e a proximidade, senão também social e em certa forma mesmo "identitário" (Rey Castiñeira, 1993)

Torques de Tronha e depósito de Fojados
Os casos de torques "fora de lugar", como o de tipo artabro de Tronha (S. de Pontevedra), ou o conjunto de diversa procedência de Fojados (Corunha) (González Ruibal, 2007: 302-4) ponhem-nos em escenarios muito similares aos dos braceletinhos de Tadcaster ou "tesouro" de Snettisham: entre a guerra, a economia do don e a deposição ritual. Para um arqueólogo ou historiador; tudo isso resulta muito subgerente, e gostamos de pensar ou re-pensar, cecais se há sorte re-ler, as fascinantes possibilidades "biográficas" (González Ruibal,2007); profundamente sociais, criadoras e transmissoras de identidades no mais amplo sentido do termo; individual, grupal, de género, status, étnica, desses anacos de cultura material que chamamos: torques, viriae ... . Em resume, gostamos de ver a vida a traves deles.


 Referencias
- Castro Pérez, L., Los torques de los dioses y de los hombres. Vía Láctea, Corunha, 1992
- Castro Pérez, L., The Sacred Torcs: prehistory and archaeology of a symbol. Pentland Press, Edinburgo,1998.
- González Ruibal, A., "La vida social de los objetos castreños" in: González García, F.J.(ed.), Los Pueblos de la Galicia Céltica. Akal, Madrid, 2007, pp 259-322
- Rey Castiñeira, J., "Cuestiones de tipo territorial en la cultura Castreña" in: Actas del XXII Congreso Nacional de Arqueología, Vigo 1993 vol. pp. 165-172
- Stead, I.M., " Treasure: Excavations in 1990" Antiquity 65, 1991 pp. 447-65


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A Europa Atlântica no Iº Milénio a.C - Livro


ATLANTIC EUROPE IN THE FIRST MILLENIUM B.C


Moore, T. & Armada, X-L., Atlantic Europe in the First Millenium B.C. Crossing the Divide.
Oxford University Press, Madrid 720 pags.
ISBN: 979-0-19-956795-9

Manha mesmo quinta-feira dia 24 de novembro sai ao lume o livro Atlantic Europe in the First Millenium B.C. Crossing the divide que reúne as atas da Congresso organizado polo Departamento de Arqueologia da Universidade de Durham em novembro do ano 2007 baixo o titulo de Western Europe in the First Millenium e que reuniu em a maioria dos mais destacados especialistas no Bronze Final e a Idade do Ferro na Faciana Atlântica de Europa, das quais o livro apresenta uma perspetiva atualizada do estado da investigação sobre esta época e das suas principais linhas e prospetivas. e esta editado por duas jovens promessas da arqueologia britânica e galega, T. Moorre e X-L Armada,  antigo companheiro de estudos (e bo amigo) de quem isto escreve, e que por aqueles anos fora bolseiro post-doutoral na citada Universidade de Durham

Desde o Archaeoethnologica a nossa noraboa aos editores por este livro, froito dum longo trabalho bem feito, e que pensamos será ponto de referência no estudo sobre este período da proto-história nos próximos anos, tanto a um lado como a outro deste nosso Atlântico.


Sinopse
Os estudos sobre o Primeiro milénio a.C na Europa testemunham uma crescente divisão teórica entre as abordagens adotadas nos diferentes países. Embora temas como etnia, identidade e agência têm dominado muitos estudos nas Ilhas Britânicas, estes temas têm tido menos ressonância nas abordagens continentais do mesmo período Ao mesmo tempo os estudos britânicos e ibéricos sobre o primeiro milénio a.C estudos, tenham-se tornado cada vez mais divorciados da pesquisa realizada no resto da Europa. Enquanto essa divergência reflete profundas divisões históricas na teoria e metodologia entre as perspetivas europeias, é uma questão que tem sido amplamente ignorada polos estudiosos do período.

Este volume aborda estas questões, reunindo 33 trabalhos realizados pelos principais estudiosos da Idade do Bronze e do Ferro na França, Espanha, Portugal, Bélgica, Irlanda, América do Norte e Reino Unido. Os capítulos iniciais introduzem os temas principais (a paisagem, organização social, a historiografia, as dinâmicas de mudança, e a identidade), fornecendo uma visão geral sobre a história de abordagens da investigação para estas áreas, perspetivas sobre os problemas atuais e possíveis direções futuras da pesquisa. Nos capítulos seguintes esses temas desenrolassem através estudos de caso e questões específicas relativas ao primeiro milénio antes de Cristo no área atlântica da Europa Ocidental.


INDEX

Part 1. Crossing the divide

1: Tom MOORE and Xosé-Lois ARMADA: Crossing the Divide: opening a dialogue on approaches to Western European first millennium BC studies


Part 2. Landscape studies

2: Gonzalo RUIZ ZAPATERO: Settlement and landscape in Iron Age Europe: archaeological mainstreams and minorities

3: William MEYER and Carole L. CRUMLEY: Historical ecology: using what works to cross the divide

4: Sebastián CELESTINO PÉREZ, Victorino MAYORAL HERRERA, José Ángel SALGADO CARMONA and Rebeca CAZORLA MARTÍN: Stelae iconography and landscape in south-west Iberia

5: Ignacio GRAU MIRA: Landscape dynamics, political processes and social strategies in the eastern Iberian Iron Age

6: Oliver DAVIS: A re-examination of three Wessex type sites: Little Woodbury, Gussage All Saints and Winnall Down

7: Francisco SANDE LEMOS, Gonçalo CRUZ, João FONTE and Joana VALDEZ: Landscape in the Late Iron Age of north-western Portugal

8: Pierre NOUVEL: La Tène and early Gallo-Roman settlement in central Gaul. An examination of the boundary between the Aedui, Lingoni and Senoni (Northern Burgundy, France)


Part 3. The social modelling of Late Bronze Age and Iron Age Societies

9: John COLLIS: Reconstructing Iron Age Society revisited

10: How did British Middle and Late Pre-Roman Iron Age societies work (if they did)a

11: Inés SASTRE PRATS: Social inequality during the Iron Age: interpretation models

12: Francisco Javier GONZÁLEZ GARCÍA, César PARCERO-OUBIÑA and Xurxo AYÁN VILA: Iron Age societies against the state. An account on the emergence of the Iron Age in north-western Iberia

13: Guy DE MULDER and Jean BOURGEOIS: Shifting centres of power and changing elite symbolism in the Scheldt fluvial basin during the Late Bronze Age and the Iron Age

14: Rebecca PEAKE, Valérie DELATTRE and Régis ISSENMANN: Examples of social modelling in the Seine valley during the Late Bronze Age and Early Iron Age

15: Raimund KARL: Becoming Welsh. Modelling first millennium BC societies in Wales and the Celtic context

16: Dimitri MATHIOT: Person, family and community: the social structure of Iron Age societies seen through the organization of their housing in north-western Europe

17: Rachel POPE and Ian RALSTON: Approaching sex and status in Iron Age Britain with reference to the nearer continent


Part 4. Continuity and change

18: Barbara R. ARMBRUSTER: Approaches to metalwork - the role of technology in tradition, innovation and cultural change

19: John C. BARRETT, Mark BOWDEN and David McOMISH: The problem of continuity: re-assessing the shape of the British Iron Age sequence

20: Katharina BECKER: Iron Age Ireland: continuity, change and identity

21: Jody JOY: Exploring status and identity in Later Iron Age Britain: reinterpreting mirror burials

22: Jesús F. JORDÁ PARDO, Carlos MARÍN SUÁREZ and Javier GARCÍA-GUINEA: Discovering San Chuis hillfort (northern Spain): archaeometry, craft technologies and social interpretation

23: Alicia JIMÉNEZ DÍEZ: Changing to remain the same. The southern Iberian Peninsula between the third and the first centuries BC


Part 5. Rhythms of life and death

24: Robert VAN DE NOORT: Crossing the divide in the first millennium BC: a study into the cultural biographies of boats

25: Leonardo GARCÍA SANJUÁN: The warrior stelae of the Iberian south-west. Symbols of power in ancestral landscapes

26: Miguel Ángel ARNÁIZ ALONSO and Juan MONTERO GUTIÉRREZ: Funerary expression and ideology in the Cogotas culture settlements in the northern Meseta of the Iberian Peninsula

27: Raimon GRAELLS FABREGAT: Warriors and heroes from the northeast of Iberia: a view from the funerary contexts

28: Ian ARMIT: Headhunting and social power in Iron Age Europe

29: Valérie DELATTRE: The ritual representation of the body during the Late Iron Age in northern France


Part 6. Exploring European research traditions

30: Richard HINGLEY: Iron Age knowledge: Pre-Roman peoples and myths of origin

31: Adam ROGERS: Exploring Late Iron Age settlement in Britain and the near Continent: Reading Edward Gibbon s The Decline and Fall of the Roman Empire and examining the significance of landscape, place, and water in settlement studies

32: Guillermo-Sven REHER DÍEZ: The introduction to ethnicity-syndrome in protohistorical archaeology

33: Niall SHARPLES: Boundaries, status and conflict: An exploration of Iron Age research in the 20th century



+INFO no site de:  Oxford University Press

terça-feira, 22 de novembro de 2011

RACF 50, 2011

Revue archéologique du Centre de la France
50, 2011


Stéphane Joly, Florent Mercey, Anne Filippini, Valérie Abenzoar, Morgane Liard et Fréderic Poupon
Un nouvel habitat du Bronze final IIIb dans le Val d’Orléans et ses traces de métallurgie du fer : Bonnée, Les Terres à l’Est du Bourg (Centre, Loiret)

Frédéric Dupont, Bruno Lecomte, Jérémie Liagre, Julie Rivière et Jonathan Simon
Un établissement du début du premier âge du Fer en Eure-et-Loir : Sours, Les Ouches

Francesca Di Napoli et Dorothée Lusson
Deux occupations rurales de La Tène ancienne à Sainte-Maure-de-Touraine, Les Chauffeaux (Indre-et-Loire)

Bénédicte Quilliec et Jean-Marie Laruaz
Un établissement rural de La Tène finale à Couesmes, La Tesserie (Indre-et-Loire)
 
Gilles Desrayaud
Ferme gauloise et établissements ruraux gallo-romains du Bois de l’Homme Mort, Saint-Pathus (Seine-et-Marne) milieu iie s. av.-début ve ap. J.-C.

Frédéric Méténier
Le sanctuaire gallo-romain de Drevant (Cher): état des connaissances et nouvelle approche archéologique des façades sud et est

Jasmine Boudeau
Devenir et place des thermes publics dans les castra du Bas-Empire du Nord-Ouest de la Gaule: étude de dix chefs-lieux de cité de Gaule Belgique et Lyonnaise

Frédéric Epaud
La charpente de la nef de la cathédrale de Bourges


Notes et documents

Monique Dondin-Payre et Christian Cribellier
Un ex-voto oculaire inscrit trouvé au Clos du Détour à Pannes (Loiret), sanctuaire du territoire sénon

Alain Ferdière
Voyage à travers la Gaule profonde - XV


Comptes rendus d’ouvrages

Luc Bourgeois
Elisabeth Zadora-Rio (dir.), Des paroisses de Touraine aux communes d’Indre-et-Loire : la formation des territoires, Tours, FERACF, 2008 (34e suppl. à la RACF)

Olivier Buchsenschutz
I. Jahier (dir.), L'enceinte des premier et second âges du Fer de la Fosse Touzé (Courseulles-sur-Mer, Calvados). Entre résidence aristocratique et place de collecte monumentale, Documents d’archéologie française no 104, Paris, 2011


Ir ao número da revista: RACF

As Branhas - XII Seminario de Estudos Asturianos


XII Seminariu d´Estudios Asturianos de la Fundación Belenos


26-27 novembro
Pola de Alhande


Os próximos dias 26-27 de novembro celebrara-se em Pola de Alhande (Asturias) a edição número XII dos Seminários de Estudos Asturianos organizados pola Fundação Belenos. Esta edição centrara-se no sistema de pastorícia tradicional das Branhas asturianas e contara com estudiosos do tema como o antropólogo Adolfo García Martínez ou o etnografo Alberto Albarez Peña (do que já faláramos neste blog) mendro do Conceyu d´Estudos Etnográficos Belenos e um dos etnografos mais interessantes que existem na atualidade na vizinha Astúrias

O prezo da matricula e de 40 euros, e há opção de reservar alojamento a traves do seminário por 20 euros mais. Para mais informação podeis consultar o Facebook da Fundação Belenos


Programa

Sabadu 26

10:30 Presentación ya inaguración del XII Seminariu d´Estudios Asturianos

11:00 ADOLFO GARCÍA MARTÍNEZ (Antropologo, Prof. UNED)
Las Brañas n´Asturias. La transhumancia interior y la transhumancia de los vaqueiros d´alzada

12:30 XULIO CONCEPCIÓN SUÁREZ (Filólogu, Prof. IES)
Siempre de camín entre la casa y la cabana.

14:30 Xinta

17:00 GONZALO BARRENA DIEZ (Prof. de Filosofía IES)
Habitantes de la peñe. Pastores y mayadas en los Picos d´Europa.

18:30 ALBERTO ÁLVAREZ PEÑA (Etnografu. Fundación Belenos)
"El mal güeyu, l´aigla y la tona". El mundu de les mentalidades na cultura les brañes.


21:30 Cena

23:30 Filandon. Fiesta asturiana de nueite
nel "Café centro" con música del País


Domingu 27 CONCEYU ABIERTU

Visita guiada a una braña d´Allande y alderique en conceyu abiertu. Tema de discutiniu:

Les brañes güei: ¿El desaniciu d´una cultura milenaria?

[Si´l tiempu tuviere gafu, el conceyu fairíase nel aula]

14:30 Xinta y piesllu del XII Seminariu



ArqR-Urb - Arqueologia das cidades romanas


Arqueología da la gestión de los recursos urbanos (ArqR-Urbis)

Ciudades, Espacios, Infraestructuras y Redes Económicas en el Mundo Romano

 CCHS-CSIC, Madrid, 1-2 de dicembro de 2011
 Onde: Centro de Ciencias Humanas y Sociales
Sala María Zambrano


As aglomerações urbanas geram uma ampla série de necessidades a cobrir: em primeiro lugar, precisam de uma ampla variedade de fornecimentos, que vão desde os alimentos básicos aos recipientes ou materiais para a construção das moradas. Mas também a própria dinâmica urbana, isto é, a sua urbanização, monumentalização e manutenção, fazem imprescindível que as cidades se abasteçam de determinados produtos e matérias-primas.

O objetivo deste encontro é aprofundar no funcionamento interno das cidades romanas desde a perspetiva da logística e também analisar como este processo se constitui em dinamizador e transformador do próprio tecido urbano.


Programa




+INFO no site do:  CCHS

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Indioislandesas

Povoado viking reconstruido em Terra-nova, Canadá

Cinco séculos antes de Colón já teve contacto genético entre Europa e América Uma equipa de pesquisadores espanhóis e islandeses descobriu uma linhagem de origem ameríndio em quatro famílias da Islândia, segundo publicam na revista American Journal of Physical Anthropology. O antepassado comum parece ser uma mulher que os vikings trouxeram à ilha desde o continente americano ao redor do ano 1000. Vários restos arqueológicos e narrações evidenciam que os vikings calcaram terras americanas séculos antes da chegada de Cristóvão Colom. O povoado viking descoberto em L’Anse aux Meadows, em Terra-nova, Canadá, e textos medievais islandeses como a Saga dos groenlandeses e a Saga de Erik o Vermelho, escritas no século XIII, apontam a que estes incansáveis exploradores começaram a chegar à costa norte-americana a partir do século X.

Agora, uma equipa com participação de pesquisadores do Instituto de Biologia Evolutiva (centro misto do CSIC e a Universitat Pompeu Fabra) constatou pela primeira vez que esta presença precolombina tem ademais uma base genética. O trabalho aparece publicado na revista American Journal of Physical Anthropology. A chave encontrara-a os pesquisadores na análise genética de quatro famílias na Islândia, integradas atualmente por cerca de 80 pessoas. Os cientistas acharam uma linhagem genética de origem ameríndio e reconstruíram as genealogias até quatro antepassados próximos ao ano 1700. Até agora, se conhecia que os genes dos atuais habitantes da ilha procediam dos países escandinavos, da Escócia e Irlanda, mas se desconhecia que a origem fosse mais longano.

A linhagem encontrada, denominado C1e, é ademais mitocondrial, o que significa que estes genes foram introduzidos na Islândia por uma mulher. "Como a ilha ficou praticamente isolada desde o século X, a hipótese mais exequível é que estes genes correspondessem a uma mulher ameríndia que foi levada desde América pelos vikings cerca do ano 1000."

A ameríndia anónima
Curiosamente, este facto permaneceria oculto porque esta mulher era uma personagem anónima?, assinala Carles Lalueza-Fox, cientista do Instituto de Biologia Evolutiva. No estudo também participaram pesquisadores da Universidade da Islândia e da empresa biofarmacéutica deCODE Genetics ambas em Reikiavik. O trabalho tem a sua origem no achado, faz quatro anos, de quatro islandeses com uma linhagem mitocondrial C, que é típico dos indígenas americanos e do este da Ásia, e que está ausente na Europa.

"Pensou-se em um primeiro momento que procediam de famílias asiáticas estabelecidas recentemente na Islândia, mas quando se estudaram as genealogias familiares, se descobriu que as quatro famílias proviam de quatro antepassados situados entre 1710 e 1740 e que procediam da mesma região do sul da Islândia, próxima ao enorme glaciar Vatnajökull", detalha o pesquisador do CSIC. Para determinar que esta pequena parte dos genes do continente americano passaria a Europa, os pesquisadores empregaram o banco de dados familiares de deCODE, que recolhe as genealogias de todos os islandeses e de 80% dos islandeses que existiram.

Esta informação é de grande utilidade para o estudo de doenças genéticas complexas. A população da Islândia (com cerca de 320.000 habitantes) é o suficientemente grande como para que todos os transtornos que afetam aos europeus estejam presentes e, ao mesmo tempo, a bastante pequena para que os cientistas possam controlar a diversidade genética.

Os pesquisadores procuram agora encontrar algum resto pré-colombino com a mesma sequência genética. "Até agora retrocedemos até princípios do século XVIII, mas seria interessante poder encontrar um resto mais antigo na Islândia com esta mesma sequência. O primeiro sítio no que teria que olhar seria na mesma região da que procedem as quatro famílias com a linhagem ameríndio, já que, como é o mais lógico, os seus antepassados deveriam estar enterrados ali", agrega Lalueza-Fox.

  [Fonte: Scinc 16/11/2011 ]


Referencias

- Ebenesersdóttir, S.S., Sigurdsson, A., Sánchez‐Quinto, F., Lalueza‐Fox, C., KáriStefánsson, K.  & Helgason, A., “A new subclade of mtDNA Haplogroup C1 found in Icelanders: evidence of pre‐columbian contact?” AJPA, 144/1,2011 pp. 92–99  DOI: 10.1002/ajpa.21419


Artigo relacionado:  Lingua dos nossos Pães?

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O Cantabrico na Idade do Ferro - Livro


EL CANTABRICO EN LA EDAD DEL HIERRO


Torres-Martínez, J. F., El Cantábrico en la Edad del Hierro, Medioambiente, economía, territorio y sociedad. Real Academia de la Historia, Madrid, 2011 640 pags.
ISBN: 9788415069287


Desde o Archeoethnologica agrada-nos muito poder anunciar a pressentação do livro El Cantábrico en la Edad del Hierro do nosso colega Jesús F. Torres-Martinez (Kechu), diretor do projeto arqueológico Montebernorio, e que é já conhecido nestas terras pola publicação recente da sua La Economía de los Celtas de la Hispania Atlántica (Vol I e II), O Cantábrico na Idade do Ferro constitue a edição aumentada da sua tese doutoral que fora dirigida pelo catedrático Martin Almagro-Gorbea, na que seguindo na linha doutras publicações previas do autor, presta-se uma especial interesse à etnografia e a sua possibilidade de integração com o registro arqueológico

O ato de apressentação do livro terá lugar o dia 22 de Outubro às 18:00 no Salão de Graus da Faculdade de Geografia e História da Universidade Complutense de Madrid e contará com a intervenção do editor o Prof. Dr. Martín Almagro-Gorbea.


Sinopse:
 O Cantábrico na Idade do Ferro é uma obra muito extensa sobre a Idade do Ferro no norte da Espanha a partir do ponto de vista da arqueologia: arqueologia, etno-arqueologia e etno-história. Dentro da obra presta-se uma atenção especial às referências geográficas e ambientais incluindo-se as informações referidas polos autores gregos e romanos sobre esta região e seus habitantes durante a Idade do Ferro. Um dos capítulos mais longos é o dedicado à Economia, o qual inclui um apêndice sobre a reciprocidade nas relações económicas e sociais. Também neste livro pode-se encontrar um capítulo sobre a construção do território e da paisagem cultural e o desenvolvimento da organização social, e as suas mudanças, ao longo do tempo. À ideologia guerreira e a religião celta adicanse-lhe assim mesmo dois capítulos do livro


  INDEX




+INFO no site da:  RAH publicacións

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Simpósio sobre os Celtiberos 2011

VII Simpósio sobre os Celtiberos
Novas Descobertas, Novas Interpretações

 
Daroca (Saragoça), 
12 a 14 de Dezembro de 2011

Já está ao dispor em rede o programa do próximo Simpósio sobre os Celtiberos, que se celebrara na vila de Daroca (Saragoça) entre os dias 12 e 14 de Dezembro deste ano. O programa divide-se em 5 secções temáticas: 1) Processo Formativo, 2) Povoamento, Sociedade e Economia, 3) Cosmologia e Ritual, 4) Celtiberos e Romanos e 5) Gestão e Desenvolvimento. 

Programa




+INFO no site do Colóquio:  Celtiberica.es

Complutum - Novo numero


Complutum  Vol 22/1, 2011


Artigos

Caracterización socioeconómica de la Arqueología Comercial española. Resultados de la primera encuesta nacional dirigida a empresas del sector
Eva Parga-Dans, Rocío Varela-Pousa pp. 9-25

Ismael del Pan (1889-1968). Arqueología, etnografía, educación y política en la primera mitad del siglo XX
Jorge De Torres Rodríguez pp. 27-46

El “campo de hoyos” calcolítico de Fuente Celada (Burgos): datos preliminares y perspectivas
María del Carmen Alameda Cuenca-Romero, Eduardo Carmona Ballestero, Silvia Pascual Blanco, Gerardo Martínez Díez, Cristina Díez Pastor pp. 47-69

La estatua-menhir del Pla de les Pruneres (Mollet del Vallès, Vallès Oriental)
Pablo Martínez Rodríguez pp. 71-87

La estela antropomorfa de Monte dos Zebros (Idanha-a-Nova). Su contextualización en el grupo de estelas diademadas de la Península Ibérica
João Luís Cardoso pp. 89-106

El complejo megalítico de Monte Baranta en Cerdeña: ¿centro de peregrinaje en la Edad del Bronce Antiguo?
Giulio Magli, Eugenio Realini, Daniele Sampietro, Mauro Peppino Zedda pp. 107-116

Los Célticos de Gallaecia: apuntes sobre etnicidad y territorialidad en la Edad del Hierro del Noroeste de la Península Ibérica
Fracisco Javier González García pp. 117-132

Arqueología, folklore y comunidades locales: los castros en el medio rural asturiano
David González Álvarez pp. 133-153

El poblamiento ibérico en el Alto Guadiana
Rosario García Huerta, Javier Morales Hervás pp. 155-176

El impacto de los conjuntos de trilleros en el registro paleolítico de la Meseta. Una aproximación etnoarqueológica
David Álvarez Alonso, María de Andrés Herrero pp. 177-191


Notícias e Recensões

Fernando López Pardo (13/8/1955 – 22/12/2010)
Mariano Torres Ortiz pp. 195-196

Lewis Roberts Binford (1931 – 2011)
Victor M. Fernández Martínez, Gonzalo Ruiz Zapatero pp. 197-199

Fluidez y escritura. Ana Rodríguez Mayorgas. Arqueología de la Palabra. Oralidad y escritura en el mundo antiguo. Bellaterra/Arqueología, Barcelona, 2010.
Almudena Hernando Gonzalo pp. 200-202

¿Podemos cambiar el mundo? Arqueología y activismo M. Jay Stottman. Archaeologists as Activists. Can Archaeology change the World? University of Alabama Press, Tuscaloosa, 2010.
Jaime Almansa Sánchez pp. 202-204

Simon J. Knell, Peter Aronsson, Arne B. Amundsen, Amy J. Barnes, Stuart Burch, Jenifer Carter, Viviane Gosselin, Sally Hughes, Alan Kirwan. National Museums. New Studies from around the World. Routledge, Londres, 2010.
Alicia Castillo Mena pp. 204-206

Irina Podgorny. El sendero del tiempo y de las causas accidentales. Los espacios de la prehistoria en la Argentina, 1850-1910. Prohistoria ediciones-Colección Historia de la Ciencia, Rosario, 2009.
Mª Ángeles Querol pp. 206-208

Paul Pettitt: The Palaeolithic Origins of Human Burial. Routledge, Londres/Nueva York, 2011.
Gonzalo Ruiz Zapatero pp. 209-212

Fulvia Lo Schiavo, James D. Muhly, Robert Maddin y Alessandra Giumlia-Mair (eds.). Oxhide Ingots in the Central Mediterranean. A.G. Leventis Foundation, Cipro y CNR-Istituto di Studi Sulle Civiltà dell’Egeo e del Vicino Oriente, Roma, 2009.
Salvador Rovira Llorens pp. 212-214

Susana González Reyero y Carmen Rueda Galán. Imágenes de los iberos. Comunicar sin palabras en las sociedades de la antigua Iberia. CSIC-Los Libros de la Catarata, Madrid, 2010.
Teresa Chapa Brunet pp. 215-216

Luis Valdés. Gastiburu. El santuario vasco de la Edad del Hierro, Bibliotheca Archaeologica Hispana 29, Real Academia de la Historia, Madrid, 2 vol., 2009.
Alberto J. Lorrio pp. 217-220


Ir ao site de:  Complutum

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Blick, Mira, Olha - A exposição

O próximo dia 12 de Novembro, as 16:00h no Centro Cultural de Cascais terá lugar a inauguração da Exposição Blick Mira Olha! O arquivo fotográfico do Instituto Arqueológico Alemão de Madrid, produzida pelo Museu Nacional Arqueológico de Tarragona e pelo Instituto Arqueológico Alemão de Madrid (DAI), enriquecida pelo módulo Instantes Arqueológicos. Arqueólogos e Arqueologia em Cascais entre 1940 e 1960.

Um percurso pelo magnífico arquivo fotográfico do Instituto Arqueológico Alemão de Madrid, assinalando a importância do trabalho dos seus fotógrafos para a investigação arqueológica na Península Ibérica. Exibem-se também instantes fotográficos que registaram a presença de arqueólogos estrangeiros em vários sítios arqueológicos de Cascais, entre 1940 e 1960. A exposição Blick Mira Olha! estara aberta ate o 8 de janeiro do 2012


+INFO no site do:  DAI - Madrid Adteilung

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Congresso de Arqueologia do Alto Ribatejo

CONFLUÊNCIA DE RIOS – CONFLUÊNCIA DE IDEIAS
Iº CONGRESSO DE ARQUEOLOGIA DO ALTO RIBATEJO

11-12 Novembro de 2011
Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha


Os estudos de arqueologia na região remontam a José Leite de Vasconcellos e à época de fundação da arqueologia portuguesa, e foram retomados em diversos momentos posteriores, como em meados do século XX. Mas seria a partir de finais da década de 1970, e nas três décadas seguintes, que uma arqueologia apoiada em equipas interdisciplinares se consolidou, envolvendo diversos jovens pesquisadores locais e de fora da região.

Trinta anos depois, o Alto Ribatejo é uma realidade estudada que deu origem a centenas de artigos científicos, mas que nunca foi objecto de um “ponto da situação” global. É este esforço que se pretende iniciar com o presente congresso. A iniciativa do Instituto Politécnico de Tomar através do seu Centro de Pré-História, com o Centro de Interpretação de Arqueologia do Alto Ribatejo e com o Instituto Terra e Memória, teve desde cedo o apoio de várias instituições, com destaque para a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e as autarquias de Abrantes, Mação e Vila Nova da Barquinha.

O congresso tem lugar em Vila Nova da Barquinha, município onde se cruzam os dois eixos viários que permitem hoje aceder aos vários espaços do Alto Ribatejo


Programa e Resumens



+INFO ir ao site: 1º Congresso de Arqueologia

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Morre Geza Alföldy


Ontem dia 6 de novembro falecia em Atenas de um paro cardíaco, Prof. Dr.  Geza Alföldy um dos mais reconhecidos especialistas em epigrafia romana do último século. De origem húngaro (Budapest 1935), mas nacionalizado alemão, Alfoldy foi catedrático na Universidade de Heidelberg onde criou em torno assim uma importante escola, e foi assim mesmo nos últimos anos o coordenador e principal impulsor da reedição e posta ao dia do Corpus Inscriptionum Latinarum, a monumental corpus levado a cabo no seu dia por Mommsen e os seus discípulos, e que topou em Alföldy o seu melhor relevo.


Ao longo da sua trajetória difícil de resumir pola sua fecundidade o professor Alföldy teve um especial interesse por Hispânia já desde o que fora a sua tese doutoral: Die römischen Inschriften von Tarraco (Berlim, 1975), e que se concretou em uma boa quantidade de artigos e monografia como o seu trabalho sobre os flâmines provinciais de Tarraco, ou a sua recente Provincia Hispania Superior (Heidelberg, 2000), traduzida e editada dois anos depois pola UDC (2002)


Pessoalmente tivemos a oportunidade de escuitar ao professor Alföldy nas magistrais classes que dera no ano 2000 para o curso de doutoramento da UDC La epigrafía latina: un método de investigación de la historia de Roma,já daquela mostrara o seu interesse por por ao dia a sua clássica Historia Social de Roma, projeto que sacou ao lume recentemente oferecendo uma nova edição profundamente aumentada, que em breve se traduzira na Espanha, e que a dia de hoje em dia constitui quase o testamento deste grande e incansável historiador da antiguidade. Sit tibi terrae levis


Biblioteca On-line da Universidade de Rennes


Dentro do projeto de digitalização dos fundos antigos realizado polas Universidades de Rennes 1 e 2, apresenta-se esta biblioteca eletrónica que recolhe aqueles elementos do corpus relacionadas coas Humanidades e as Ciências Sociais, encomendado a Universidade de Rennes 2.

O corpus da Universdade de Rennes 2 apresenta um grande inteires tanto pela qualidade e rareza dalgumas das obras recolhidas nele como pola sua especialização em dois âmbitos temáticos:

- Língua, Literatura e civilização bretonas
- Língua, literatura e civilização célticas

Este corpus foi construído em torno de um tema comum às coleções do património das duas universidades, fortemente impregnada com a identidade regional, por causa de legados de linguistas e historiadores proeminentes como Joseph Loth, Georges Dottin, e François Duine. A constituição do corpus foi efetuada participação de professores e pesquisadores da Universidade de Rennes 2, de acordo com os seguintes critérios:

- As obras anteriores ao século XX, impressas na Bretanha e no resto dos países Célticos
- Aquelas obras considerados coma unica
- Fundos procedentes de Loth, Dottin e Duine

Joseph Loth
Dada a importância de estes pesquisadores para os estudos célticos, creio que não compre incidir muito no interesse que tem que os fundos das suas bibliotecas estejam ao dispor debalde na rede, um bom exemplo dessas iniciativas de open acess à que França nos tem já acostumados ter criado já iniciativa coma o Gallica e diversas plataformas de revistas científicas e repositórios bem conhecidos


Ir ao site da: Bibliotèque Numérique Université de Rennes 2

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Ilha dos Vampiros III - Documentário

A Ilha dos Vampiros II - Documentário

A Ilha dos Vampiros I - Documentário

Entre a Arqueologia e o Folklore - os "Não-mortos"


Estando nas datas na que estamos quase que é conjuntural escrever algo deste tipo para acompanhar a contextual temática da morte. A morte por em é um tema que leva longe a mente humana em geral como feito omnipresente desde a alba dos tempos, e do mesmo jeito não podia deixar de estar presente dentro do campo de estudo da etnografia, a antropologia, a história ou a arqueologia, uma longa bibliografia sobre "arqueologia da morte" assim o acredita. A morte e as distintas formas de entende-la ao longo do tempo e das culturas certamente dão para muito, e permitem de cote achegamentos cruzados entre disciplinas diversas

um dos esqueletes de Kilteasheen
Vai uns meses no bloge Powered by Osteons da arqueologa Kristina Killgrove precisamente empeçara a avançar em uma dessas fascinantes temáticas nas que a arqueologia se da a mão co folklore, a arqueologia dos "não-mortos". A postagem recolhia a nova da aparição nas escavações de uma necrópole de entre os séculos 7-14 d.C em Kilteasheen, Condado de Roscomon (Irlanda) de dois cadáveres masculinos datados no século oitavo, que foram submetidos a um curioso procedimento ritual consistente em colocar-lhes uma pedra fechando-lhes a boca, e no casso de um de eles outra de maior tamanho sobre o peito.

A chamada Vampira de Venecia
Este curioso costume está testemunhado arqueologicamente noutros cadáveres de época medieval e moderna, como no campo-santo de Celekovice (Moravia) perto de Praga (século 10-11 d.C) onde 12 indivíduos foram submetidos a esta prática postmortem (King, 2011a), e na Itália onde vai uns anos se dera a conhecer o caso de uma mulher de idade abançada falecida durante a praga no século 16 e enterrada em uma fossa comum no lugar Lazzareto Vechio, que aparecera igualmente cum grosso pelouro ainda incrustado entre seus dentes (Nuzzolese & Borrini, 2010), ou mais recente o caso dos restos de uma moça exumados em Piondino (Toscana).

Escavações em Pionbino (Toscana)
A explicação destas crenças parece estar na natureza atribuída a estes defuntos de "maus mortos". Durante Idade Media estivo muito estendida a crença em que aqueles mortos que que tiveram uma "mala morte", entendendo por elo geralmente uma morte violenta, como a dos criminais justiçados ou as pessoas que foram assassinadas ou vitimas de um episódio bélico (como os dois irlandeses), ou bem aqueles que não foram enterrados "bem", como Deus manda, isto é fora de sagrado, por estarem excomungados ou simplesmente ter-se perdido o seu cadáver e quedar exposto (como soia suceder com os afogados no mar).

Também entravam nesta categoria aquelas pessoas que durante a sua vida tiveram uma existência considerada marginal -ou marginalizada- pela comunidade, como sucedia frequentemente com as meigas. O qual que se tem sugerido para a Vampira de Venecia e a moça de Piondino ainda que neste casso tenha-se também plantegado que for parte doutra categoria anómala, a de "adultera" ou "prostituta" (King, 2011b). Todos estes "maus mortos" eram suscetíveis de converter-se trás do seu passamento em "aparecidos", e voltar ao mundo provocando a morte aos vivos

O caráter contagioso que tinha na mentalidade popular a condição dos visitantes do alem fazia que mesmo o simples contacto com eles leva-se a morte aos vivos. E frequente recordar o casso do nosso lendário popular em que a anima dum pecador aparece-se a um homem pedindo-lhe que lhe corte o santo-abito com que o amortalharem pois lhe impede a entrada no inferno, do mesmo jeito que os seus pecados lhe a negam no céu, atando-a a este mundo, coisa que o vivo assim faz, embora a caridade não tenha prémio pois dias depois o que se apiedará da anima empeça a murchar para falecer ao pouco. De igual jeito era o destino do vivo que acompanha a Estadeia o de ir e perdendo a saúde e enfraquecendo até formar ele mesmo parte da eterna processão dos mortos (Risco, 1962).

Este tétrico mas omnipresente imaginário da morte deveu de favorecer a extensão das crenças, e sobre tudo rituais, relacionados com este tipo de entidades na medida que elo fornecia uma boa explicação -causal- a arbitrariedade da morte, e mesmo uma forma, por ineficaz que for, de escapar a ela, em intres expecialmente sensíveis como foram as bagas de pragas que assolaram a Europa durante boa parte a Idade Media e Moderna, começando pola peste da que pares seica forem vitimas tanto a dama de Venecia como o avultado número de defuntos "malfaisants" de Celekovice (Ziegler, 2011b) ou no caso do cemiterio irlandes ( Ziegler, 2011a). Uma boa época para o imaginário da morte, mas não tanto para os vivos, aos a iconografia moralizante de cote mostra em alegórico -mas de feito também real- combate contra a parca/ ou parcas.

Mas como vencer em tal combate, como matar o que já esta morto,  isso desde logo era um contrasentido em sim mesmo, pelo que a forma de enfrentar a ameaçante presença tinha que passar ou por meios profiláticos, que alongassem o mal da pessoa, como diversos amuletos, por ineficazes que foram ou bem por evitar o desprazimento da anima desde o seu cadaleito, neutralizando finalmente assim o perigo das incomodas visitas

As formas de evitar que a anima mortos abandonassem a sepultura, estava intimamente relacionada com o tratamento do corpo do defunto, entre eles hachava-se o tamponamento da boca, que topamos estendido em todos estes casos citados acima (mostrando quase uma expansão pan-europeia do rito), para evitar que o alma deixara o corpo pela sua saída natural, por onde damos o nosso "ultimo alento".

Outros meios, algum deles também suscetíveis de reconhecimento arqueológico e que tenhem sido estudados a traves das evidencias textuais polo medievalista Claude Lecouteux em vários livros (1986, 1990), como o interessante Fantômes et Revenant au Moyen Age (traducido recentemente ao castelhano),  incluíam a decapitação postmortem do corpo e colocação da cabeça uma vez seccionada diante dos pés do cadáver, junto a ela estavam também às mais diversas variedades de proto-sádicos exercícios de bordagem e piercing, com longos cravos, sobre o pobre defunto, rematado nalgum mais expeditivo caso, ainda coa destruição dos restos pelo "lume purificador", já fora parcial (normalmente coa extração e queima do coração) ou total

Não posso esquecer, de passo que quando lera no Fantômes de Lecouteux o caso da decapitação e posta aos pés da testa não pudem evitar que me viram, a cabeça as consabidas explicações e prolongações pre- e proto-históricas do papel da cabeça como assento do espírito, da vida, ou ainda da pessoalidade (Lambrecht, 1954)  em tudo isto, mas que também me fixe-se recordar de novo uma anedota que anos antes me contara D. Luis Montegudo, naquelas tardes que me passava daquela na sua casa de Belvis como ele dizia fazendo-lhe "de secretario", e na que de novo o arqueologia volve a enlaçar-se coa ténue sombra do folklore.

Tetes coupes do Oppidum de Entremont
Contara-me daquela Dom Luís o que lhe ocorrera uma vez a certo arqueólogo num desses países de fala alemã ao que lhe contaram uns paisanos da zona, junto antes de escomeçar a escavação de um túmulo, que ali nele fora enterrada uma mulher -com nome que não recordo- e "coa sua cabeça aos pés", o caso e que o nosso arqueólogo sem acreditar muito em tudo aquilo, principiou a remover terra sem mais, e finalmente ao chegar a câmara topou-se logo um corpo de femininas formas sem testa mas com um crânio perfeita e expressivamente situado, justo "aos seus pés".



Referências

- Killgrove, K., "Archaeolgoy of the Undead"  2011a  Powered by Osteons
- Killgrove, K., "Witches and Prostitutes in Medieval Tuscany" 2011b Powerd by Osteons
- King, D., "Burials: Zombies vs Vampires"  2011a  Phdiva
- King, D., "A medieval Withch?" 2011b  Phdiva
Lambrechts, P.: L´exaltation de la tête dans la penée et dans l´art des celtes. De Tempel, Brujas, 1954, 3 vols 
- Lecouteux, Cl., Fantômes et revenants au Moyen Age, Imago, Paris 1986 (trad. cast. Olañeta Editor, Palma de Malhorca 1999)
- Lecouteux, Cl. & Marqc, Ph., Les esprits et les morts, croyances medievales. H. Champion, Paris 1990
- Lecouteux, Cl., História dos Vampiros. UNESP
- Nuzzolese, E & Borrini, M., "Forensis approach to an archaeological casework of "vampir" skeletal remains in Venice: odontological and anthropological prospectus" Journal of Forensic Sciences 55/6, 2010, pp. 1634-7  DOI:10.1111/j.1556-4029.2010.01525.x.
- Risco, V., "etnografia galega. Cultura espiritual" in: Otero Pedraio, R (ed.): Historia de Galicia. Nós, Bos Aires, 1962-1973  3 vols.
- Tsaliki, A., "Unusual Burials and Necrophobia: an insight into the Burial Archaeology of Fear" in: Murphy, E., Deviant Burial in the Archaeological Record. Oxbow Books, Oxford, 2008 pp. 1-16
- Ziegler, M.,"The Vampire in the Plague Pit" 2011a Contagions
- Ziegler, M., "Vampire Prevention in Eighth Century Ireland" 2011b Contagions