O termo "rede social" e o acto da interaçao em redes são cada vez mais dominante linguagem cotidiana e, talvez, pode ser considerado sinônimo de desenvolvimento cultural e tecnológico da sociedade moderna.
As discussões sobre a influência e interesse crescente das redes sociais estão hoje tornando-se muito prevalente no discurso social. Neste sentido a exploração das interações sociais, por meio do registro de material, tem uma longa história dentro da disciplina arqueológica.
O popularidade crescente desta tematica, tanto na sociedade como da arqueologia, tem incentivado a reavaliar o que exatamente significa e que esperam os arqueólogos do termo 'rede social'. Este volume pretende fornecer um recurso valioso tanto para os analistas de rede experientes e também os novatos.
É um convite para explorar as perspectivas das redes sociais como ferramenta de análise formal e como jeito de pensar e refletir como podemos topar um terreno comum para conectar essas abordagens com o registro arqueológico
Ikäheimo, J. Salmi, A.K & Äikäs, T., Sounds Like Theory. Proceeding of the XII Nordic Theoretical Archaeology Group Meeting Monographs of the Archaeological Society of Finland vol 2, Oulu, 2014. 197pp. ISSN 1799-8611
Sinopse
Os 13 trabalhos apresentados neste volume abrangem uma ampla gama de temáticas e contextos culturais. Cobrindo a variedade das novas abordagens teóricas que foram apresentadas na congresso e em diversos jornais e que foram selecionados para este volume.
Embora os trabalhos individuais pressentem múltiplos enfoques, muitas vezes multi-disciplinar, nas suas abordagens, podem sem identificar três grandes áreas que estavam no núcleo dos trabalhos selecionados e que dão titulo as secções da obra: 1) Vivendo em mundos do passado Fazer e experienciar as Coisas 2) Paisagens sonoros e Arqueoacústica 3) Redes de interação
Os Navios em pedra Amossam uma rede comercial maritima no Baltico à 3000 Anos
A meados da Idade do Bronze, por volta do 1000 aC, a quantidade de artefatos de metal comercializados na região do Mar Báltico aumentou dramaticamente. Na mesma época, um novo tipo de monumento apareceram ao longo das costas; pedras embotarão e organizados na forma de navios, construídos pela cultura marítima envolvida nesse mesmo ramo metal.
Uma rede marítima ampla
Estes grupos marítimos da Idade do Bronze faziam parte de uma rede que se estendia através de grande parte do norte da Europa e com ligações mais para o sul: uma rede que foi mantida devido à crescente dependência de bronze e outras matérias-primas importantes, como meio de status social, criando assim uma dependência cultural.
Os arqueólogos têm assumido que bronze foi importado para a Escandinávia desde sul, e as análises recentes confirmaram esta hipótese. No entanto como as pessoas organizaram esse comércio e formaram as suas redes raramente é abordado, e porem nada se sabe dos lugares onde eles se reuniram para tal fim
"Uma razão pela qual os lugares de encontro da Idade do Bronze não são discutidos, muitas vezes, é que temos sido incapazes de encontrá-los. O qual contrasta com os centros comerciais [mais tardios] da Era Viking, muito singelos de localizar, devido à grande quantidade de material arqueológico que deixaram", diz o autor da tese Joakim Wehlin da Universidade de Gotemburgo e a Universidade de Gotland.
Em sua tese, Wehlin analisada a totalidade do material arqueológico relacionado com os navios de pedra e também a colocação destes monumentos dentro da paisagem de Gotland. A tese oferece um novo e extenso relato dos navios de pedra e sugere que a importância do Mar Báltico durante a Idade do Bronze escandinava, e dos não menos importantes rios, como vias de comunicação aquática, tem sido subestimada na pesquisa anterior.
Os barcos de pedra podem ser encontrados em toda a região do Mar Báltico, especialmente nas ilhas maiores, com um conjunto significativo na Ilha de Gotland. Os navios têm-se considerado como concebidos para ter servido como túmulos e por esta razão eles foram vistos como recipientes destinados a levar o falecido ao Além após a sua morte.
O site como um ponto de encontro
"Meu estudo mostra uma imagem diferente", diz Wehlin. "Parece não que todos os corpo foram enterrados dentro do navio, e uma percentagem significativa de navios de pedra não têm sepulturas dentro deles em tudo. Em vez disso, eles às vezes mostram restos de outros tipos de atividades. Assim, com a ausência dos mortos, os traços da vida começam a aparecer."
Wehlin sugere que os navios de pedra e as atividades que possam ter ocorrido ao redor deles apontam para um povo que estava focado no comércio e as ligações marítimas. Detalhes destes monumentos; indicam que elas foram construídas não tanto como navios espetrais, mas como representações de embarcações reais.
Wehlin crê que os barcos de pedra ainda podem dar pistas sobre as técnicas de construção naval e as dimensões estruturais dos navios da época e isso proporcionara uma visão mais aprofundada de como se navegava pelo Mar Báltico durante a Idade do Bronze.
Este período na pré-história mostra o navio como um elemento dominante da cultura visual; esculpida em pedra, decorado em artefactos de bronze ou construído como nestes monumentos em pedra. Os navios visualizados através de diferentes meios de comunicação parecem referir-se aos navios de fato e a sua variedade pode indicar diferencias funcionais entre distintos tipos de embarcações.
Primeiros Portos Comerciais
Através do trabalho de campo, Wehlin localizou o que ele sente uma série de potenciais locais de encontro - o que poderia até mesmo ser descrita como portos comerciais iniciais. Em uma parte da área de estudo no nordeste de Gotland no sistema de água consiste no Rio Hörsne que mais tarde se torna o rio Gothem (o maior rio em Gotland). O rio corre para o norte-leste através das zonas húmidas de Lina pântano, e continua a sua foz no Åminne e a Baía de Vitviken no Mar Báltico.
O pântano Lina era -antes da campanha de drenagem em 1947- a maior em Gotland. Esta área aparece como uma paisagem marítima, com uma grande área húmida no interior, pântanos, sistemas fluviais, rio-boca, coa costa e do mar situado dentro de uma rica paisagem da Idade do Bronze.
A área poderia muito bem ter sido importante como um nó de comunicação entre a costa leste e oeste, papel que tivo continuidade em tempos históricos. Wehlin acredita que não é por acaso que um dos maiores conjuntos de configurações do navio, quase 15% do número total de tais monumentos, surge nesta região.
Ele sugere que as pessoas que faziam parte de uma instituição marítima; construtores de barcos, marinheiros, as pessoas com conhecimentos e habilidades necessários para viagens ao exterior, a navegação, o comércio etc, poderia ter tido um lugar especial na sociedade. Se for assim eles poderiam estar ligados a tradição destes sites com barcos
Esses recursos podem ser vistos como um instrumento fundamental para a identificação coletiva, semelhante aos sites com arte rupestre no Bohuslän. Os enterros que estão presentes perto desses sites se tornariam pois atividades secundárias relacionadas com o poder sacro destes lugares.
Wehlin, J., Östersjöns skeppssättningar. Monument och mötesplatser under yngre bronsålder/ Baltic Stone Ships. Monuments and Meeting places during the Late Bronze Agemore. Univ. Göteborg, tese on-line
Wehlin, J. "Approaching the Gotlandic Bronze Age from Sea. Future possibilities from a maritime perspective" in: Martinsson-Wallin, H., Baltic Prehistoric Interactions and Transformations: The Neolithic to the Bronze Age. Gotland University Press 2010. pp. 89-109 pdf
Hodder, Ian, Entangled: An Archaeology of the Relationships between Humans and Things, John Wiley & Sons, 2012 264pp. ISBN: 9780470672112
Sinopse:
O autor apressenta um poderoso e inovador argumento que explora a complexidade da relação de os humanos com as coisas materiais, demonstrando como homens e as sociedades são aprisionados na manutenção e sustentação de mundos materiais. E acrescenta que esta inter-relação dos seres humanos e das coisas é uma característica definidotoria da história e da cultura humanas, pois:
- Oferece um argumento sutil, que valoriza os processos físicos de coisas sem sucumbir ao materialismo
- Discute exemplos históricos e modernos, usando a teoria da evolução para mostrar como estes antigos "envolvimentos" coas coisas são irreversíveis e aumentar em escala e complexidade ao longo do tempo
- Integra aspectos de um conjunto diversificado de teorias contemporâneas em arqueologia e das ciências naturais e biológicas
- E, finalmente, fornece uma revisão crítica de muitas das principais perspectivas contemporâneas da materialidade, cultura material e estudos da fenomenologia, teoria evolucionista, arqueologia comportamental, arqueologia cognitiva, ecologia humana, Teoria da Ator-Rede e a Teoria da Complexidade
ASociety for American Archaeology (SAA), organiza dentro do seu Congresso Anual uma sessão dedicada a aplicação arqueológica da teoria de redes, que prolonga o anterior congresso que baixo o titulo de The Connected Past, se dedicou ao tema.
Ao longo da última década, as publicações sobre a aplicação arqueológica dos métodos das teorias de redes tem aumentado significativamente. Esta sessão terá como focagem este interesse crescente entre os arqueólogos nas redes, destacando uma série de temas de pesquisa que merecem uma maior exploração.
Em primeiro lugar, pretende-se ilustrar como determinados contextos pesquisa arqueológica podem dirigir a seleção e adaptação de métodos de redes formais a partir de uma vasta gama de abordagens existentes, onde seja possível através da colaboração interdisciplinar. Em segundo lugar, as contribuições nesta sessão irá abordar o papel que os dados arqueológicos podem jogar na metodologia de análises de redes, as decisões que enfrentamos ao definir os nós e os laços, e como as nossas abordagens teóricas podem ser expressas através de métodos formais, incorporando dados empíricos.
Em terceiro lugar, a sessão irá abordar a compatibilidade de teorias e métodos de rede. Por último, discutira-se o potencial de incorporar o conceito de materialidade dentro das abordagens de rede existentes e no estudo da evolução a longo prazo das redes. Esta sessão irá abordar estes temas através de contribuições metodológicas ou teóricas, ilustrando o potencial de uma perspetiva de redes para a arqueologia em uma série de estudos de caso inovadores.
Espera-se que elo mostre como as para ilustrar que as abordagens de tipo interdisciplinar, mas fundamentalmente baseadas em contextos de pesquisa arqueológicos, podem produzir estudos de redes arqueológicas mais críticos e úteis.
Pagel, M., Wired for Culture: Origins of the Human Social Mind. W. W. Norton & Company, 2012 432pp. ISBN 978-0-393-06587-9
Sinopse Uma característica única da espécie humana é que nossas personalidades, estilos de vida e visões de mundo são moldadas por um acidente de nascimento: a Cultura em que nascemos. É a nossa cultura e não os nossos genes que determinam quais são os alimentos que comemos, que línguas falamos, as pessoas que amamos e com as casamos, e as pessoas que matar na guerra. Mas como é que a nossa espécie desenvolveu uma mente que está programada para a cultura e por quê?
O biólogo evolucionista Mark Pagel acompanha esta intrigante pergunta ao longo dos últimos 80 mil anos de evolução humana, revelando como existe uma propensão inata para contribuir e estar de acordo com a cultura de nosso nascimento, e que isso não só permitiu a sobrevivência humana e os progressos do passado, mas também continua hoje a influenciar o nosso comportamento.
Votar lume sobre como a nossa espécie define os seus atributos -desde o arte, o altruísmo, moralidade, o interesse próprio, o engano, e preconceito- entretecidos da Cultura oferece surpreendentes novos achegas sobre o que significa ser humano.
INDEX
Preface
Introduction: The Gamble
Part 1 – Mind Control, Protection and Prosperity
Cap. 1: The Occupation of the World
Cap. 2: Ultra-sociality and the Cultural Survival Vehicle
Cap 3: The Domestication of Our Talents
Cap. 4: Religion and Other Cultural “Enhancers”
Part 2 –Cooperation and our Cultural Nature
Cap. 5: Reciprocity and the Shadow of the Future
Cap. 6: Green Beards and the Reputation Marketplace
Cap. 7: Hostile Forces
Part 3 – The Theatre of the Mind
Cap. 8: Human Language – Voice of Our Genes
Cap. 9: Deception, Consciousness, and Truth
Part 4 – The Many and the Few
Prologue
Cap. 10: Termite Mound and the Exploitation of Our Social Instincts
ORBIS The Stanford Geospatial Network Model of the Roman World
A base de dados ORBIS reconstrói o custo de tempo e despesa financeira associada com uma vasta gama de diferentes tipos de viagens na Antiguidade. O modelo esta baseado numa versão simplificada da rede de cidades, estradas, rios e rotas marítimas ao longo de tudo o Império Romano. ORBIS reflete as condições em torno de 200 DC, mas abrange também alguns sítios e estradas criadas na Antiguidade Tardia.
O modelo consiste em 751 sítios, a maioria deles assentamentos urbanos, mas também promontórios importantes e passagens de montanha, e cobre perto de 10 milhões de quilómetros quadrados (4 milhões de quilómetros quadrados) de espaço terrestre e marítimo. A rede viária abrange 84,631 km de trilhos da estrada ou do deserto, complementados por 28,272 km de rios e canais navegáveis.
Em geral, a rede está composta de 1.371 segmentos de base para que os que o modelo simula um total de mais de 363.000 resultados de custos discretos. O modelo permite aos usuários gerar simulações para as ligações entre dois locais em meios específicos de transporte e diferentes meses do ano. A futura atualização permitirá aos usuários gerar cartogramas de distância da totalidade ou partes da rede que visualizem os custo e distâncias a um ponto central, que pode ser qualquer local na rede.
O sistema inclui nas simulações, como elementos de correção, as distintas variáveis: geográficas, climáticas, estacionais e tecnológicas, que condicionariam os movimentos no espaço e no tempo; assim ORBIS simula as condições do vento mensais e toma em conta a forza das correntes e a altura das ondas que condicionam as navegações, ou as restrições derivadas da horografia montanhosa no inverno nos deslocamentos terrestres, e seleciona igualmente distintas rotas e prómeios de velocidades segundo o meio de transporte ou o tipo de deslocamento (militar, civil, etc)
Este aplicação facilita a simulação das propriedades estruturais da rede de comunicações, que tendem um particular valor para a compreensão do significado histórico do custo das viagens e a conectividade dentro do Império Romano.
'Facebook' da Idade do Bronze descoberto por especialistas de Cambridge
Arte rupestre tem sido comparada a uma forma pré-histórica de Facebook por um arqueólogo Cambridge.
Mark Sapwell, que é uma estudante de doutoramento de arqueologia na Faculdade do St John’s College, acredita ter descoberto uma "versão arcaica" do site da rede social, onde os utilizadores partilham pensamentos e emoções e dão selos de aprovação para outras contribuições - semelhante ao Facebook "gosto".
Imagens de animais e eventos foram desenhados nas faces rochosas em Rússia e norte da Suécia para se comunicar com tribos distantes e os seus descendentes durante a Idade do Bronze.
Eles formam toda uma linha do tempo preservada em pedras que abrangem milheiros de anos. Sapwell disse: "Como um muro no Facebook convidam ao comentário, a arte rupestre parece ser muito social e predispor à adição – o jeito de entende-las é velas como as variações de uma imagem num espelho e reinterpretar esses atos como uma espécie de chamada e resposta entre diferentes grupos de caçadores ao longo de centos - talvez milhares -. de anos"
Os dois sites que ele está investigando, Zalavruga na Rússia e Nämforsen no Norte da Suécia, contenhem cerca de 2.500 imagens de animais, pessoas, barcos, cenas de caça e até mesmo os primeiros centauros e sereias.
Ele está usando a última tecnologia para analisar os diferentes tipos, carateres e tropos nas milhares de imagens gravadas nos dois afloramentos graníticos, onde as paisagens de arte de inícios Idade do Bronze se estendem por áreas rochosas do tamanho de campos de futebol
Sapwell, explica: "Estes sites estão recorrentemente em redes hidrográficas, e o barco é o meio mais provável com que essas tribos da Idade do Bronze viajaram".
"A arte rupestre que eu estou estudando encontrava-se perto de fervenças e cachoeiras, lugares onde terias que deixar o rio e circundar o treito carregando coa tua canoa de peles, pontos naturais onde parar e deixar a marca da tua viajem, como uma espécie de pedágio artístico. "
Mark Sapwell acrescenta: "Há claramente algo muito especial nestes espaços. Eu acho que as pessoas iam lá porque sabia que as pessoas tinham estado lá antes deles. Como hoje, as pessoas sempre querem sentir-se ligados uns aos outros – e esta foi uma expressão da identidade para essas sociedades muito cedo, antes da linguagem escrita."
NETWORKING
AND THE FORMATION OF ELITES IN THE ARCHAIC WESTERN MEDITERRANEAN WORLD
Quando: 20-21 março
Onde: Institut Archäologie Univ. Insbruck
As rotas da longa rede trans-mediterrânica foram marcadas pelo movimento de bens de prestígio, modas e tecnologias. O objetivo geral desta conferência é traçar as complexidades pré-globais das circunstâncias de ese tráfego económico e cultural ao longo de toda a orla costeira e no interior dos hinterlands indígenas ocidentais das zonas mediterrânicas.
Ao fazê-lo, principalmente, a intenção de adotar duas abordagens diferentes. Em primeiro lugar, traçar "as coisas em movimento", ou seja, o fluxo trans-Mediterrânicao dos bens e mercadorias que combinavam o interior e dos litorais do mundo mediterrâneo antigo em um mundo de transações compartilhadas. Em segundo lugar, saber onde, como e com que finalidade este fluxo pré- ou proto- global resulta na redistribuição de tais "coisas em movimento".entre as comunidades locais implicadas nele.
Também se prestarão atenção ao papel dos espaços sagrados, coma os santuários como núcleos centrais onde, acordo com a "proteção do altar", das a interação que permite neutralizar o potencial conflito nos habitats multi-étnicos do Mediterrâneo ocidental. Permitindo o encontro e a aceitação cultural mútua entre os membros das diferentes elites, gregas, galas, fenícias, itálicas … dando lugar a uma koiné mediterrânea de praticas de “consumo” marcada pelo movimento de elementos de prestígio que se reflete numa cultura material a través da qual as elites, desde a Gália á Anatólia, construirão o seu poder e legitimidade.
Relacionado coa postagem anterior aproveitamos agora aqui no Archaeoethnologica, para deter-nos nesta palestra de Nicholas Christakis titulada: The hidden influence of social networks que for dada dentro dos Ted Talks em fevereiro de 2010.
Nela este pesquisador vai comentando qual foi o decorrer da sua visão das Redes Sociais. Especialmente interessante é a imagem que faz ao entender as redes sociais em evolução ao longo da tempo (da história) como entes -organismos vivos- "com memória" além dos indivíduos particulares que as formam num período determinado -as pessoas morrem as redes perduram- e como ele nos ajuda a entender as sociedades humanas, e toda a grande variedade de fenómenos que se dão em sociedade.
Os seres humanos antigos, segundo sugere um novo estudo, podem não ter tido o luxo de atualizar seu status no Facebook, mas as redes sociais foram, no entanto, um componente essencial de suas vidas.
As conclusões do estudo descrever os elementos das estruturas de redes sociais que possam ter existido no início da história humana, sugerindo como os nossos antepassados podem ter formado laços tanto entre parentes como não-parentes em base a atributos comuns, incluído a tendência a cooperar. Segundo o estudo as redes sociais contribuíram provavelmente na própria evolução da cooperação.
"A coisa mais surpreendente é que os antigos humanos tiverem redes sociais de modo muito semelhante as que vemos hoje", disse Nicholas Christakis, professor de Políticas da Saúde (Sociologia médica) na Harvard Medical School e professor de sociologia na de Faculdade de Artes e Ciências da mesma universidade, um dos autores do estudo. "Desde o momento em que estivemos em torno de fogueiras e tivemos palavras flutuando pelo ar, até hoje, quando temos pacotes digitais flutuando através do éter, fizemos redes que basicamente são do mesmo tipo."
"Nós descobrimos que o que as pessoas modernas estão fazendo com as redes sociais online é o que sempre fizemos, e não apenas antes de Facebook, mas antes de agricultura", disse o coautor James Fowler, professor de genética médica e ciência política na Universidade de Califórnia (Sam Diego), que junto com Christakis é co-autor de uma série de estudos seminais sobre redes sociais humanas.
Os resultados foram publicados 26 de janeiro na revista Nature.
As Raízes do altruísmo
O mundo natural, de em dentes e garras sangrentas, tem um lado amável. Enquanto os indivíduos competem ferozmente para assegurar a proliferação de seus descendentes, alguns animais, incluindo aos seres humanos, também cooperar em agir de forma altruísta. Os investigadores queriam saber se as redes sociais humanas são um produto da vida moderna, ou se poderia ter surgido sob o tipo de condições que nossos antepassados distantes enfrentaram. A resposta de esta questão tem sido um desafio para a teoria evolucionária clássica.
Para que a cooperação a surgira, um ato altruísta, como a partilha de alimentos com um não-parente, deveria ter um benefício para todas as partes. No caso contrário os os indivíduos puramente egoístas se sobreporiam e substituir aos altruístas. Todas as explicações teóricas para a evolução da cooperação-seleção por parentesco, altruísmo recíproco, seleção de grupo dependem da existência de algum sistema que permite que aos colaboradores se agrupar com outros indivíduos, que tendem a compartilhar.
"Se você pode conseguir que os colaboradores se agrupem num espaço social, essa cooperação pode evoluir", disse Coren Apicella, uma pesquisadora de pós-doutorado em Sociologia de Saúde da Harvard Medical School e autor principal do artigo: "As redes sociais permitem que isso aconteça."
Embora não seja possível fazer testes aos nossos antepassados longanos sobre suas amizades ou hábitos de partilha e colaboração, uma equipe de pesquisadores da Harvard Medical School, da Universidade da Califórnia, San Diego, e da Universidade de Cambridge têm caracterizado a estrutura das redes sociais entre os hadza, um grupo étnico da região do Lago Eyasi da Tanzânia, um dos últimos grupos sobreviventes de recoletores (há menos de 1.000 esquerda Hadza que seguem a viver da forma tradicional).
Estar conectados
O estilo de vida Hadza antecede a invenção da agricultura. O Hadza consomem uma grande variedade de alimentos silvestres, rebuscam tubérculos, nozes e frutas e caçam uma grande variedade de animais, incluindo flamingos, musaranhos, e girafas. O mel é outro de seus alimentos favoritos, conhecidos por meia dúzia de nomes diferentes em Hadzane, seu idioma principal. Apicella assumiu a liderança na recolha dos dados para o estudo, entrevistando 205 Hadza adulto ao longo de dois meses, medindo a sua tendência à cooperar e mapeando suas amizades.
Apicella, Fowler e Christakis projetaram o estudo e experimentos, trabalhando em conjunto com Frank Marlowe, professor do Departamento de Arqueologia e Antropologia da Universidade de Cambridge, e autor do livro única obra etnografia sobre os Hadza em Inglês. A recolha dos dados não foi fácil. O Hadza nómada percorrem mais de 4.000 quilómetros quadrados. Apicella e os seus assistentes de pesquisa viajaram à região num Land Cruiser lutando coa lama encharcada e tendo que despejar de cotio o térreo de árvores derrubadas, e em uma viagem anterior, fugindo mesmo de uma horda de elefantes saqueadores.
Para reconstruir uma rede social, Apicella e seus colegas tomaram uma abordagem dupla. Primeiro, eles pediram aos adultos hadza que identificaram indivíduos que prefeririam viver no seu próximo acampamento. Em segundo lugar, deu a cada três adultos panais de mel e informou-nos de que poderia dá-los como presentes para qualquer em seu acampamento. Isso gerou 1.263 relações e 426 de laços estabelecidos a través desses presentes.
Em uma atividade separada, os pesquisadores mediram os níveis de cooperação, dando os hadza panais de mel adicionais que poderiam ou bem manter para si ou doar ao grupo. Quando as redes foram mapeadas e analisadas, os pesquisadores descobriram que os cooperadores e não-cooperadores formado grupos distintos. Os investigadores também mediram a conexão de pessoas com altura semelhante, a idade, a força, etc, e outras características, tais como preferência alimentar. Eles também analisaram a probabilidade de transitividade na amizade, e dizer, que os amigos sejam amigos um com o outro, e outras propriedades das redes.
A estrutura e dinâmica das redes sociais caçadores-coletores hadza eram essencialmente indistinguíveis dos dados existentes sob redes sociais extraídas das comunidades modernas. "Viramos a olhar os dados de maneiras diferentes", disse Fowler. "Olhamos para mais de uma dúzia de medidas que os analistas de redes sociais usam para comparar redes e muito gratificante, os Hadza são como nós." "Os seres humanos são pouco comuns entre as distintas espécies no grau em que formamos a longo prazo, e não-reprodutivamente, uniões cós outros membros de nossa espécie", disse Christakis. "Em outras palavras, não só temos sexo, mas também temos amigos".
Os trabalhos anteriores de Christakis e Fowler, que são co-autores do livro "Conectados" (Connected), tem mostrado que a nossa experiência do mundo depende de onde nos encontramos dentro das redes sociais. Estudos específicos descobriram que as redes influenciam uma variedade surpreendente de fatores da vida e saúde , tais como a forma como você este propenso à obesidade, tabagismo, e até mesmo à felicidade. Para os pesquisadores, os Hadza oferecem novas evidências suficientemente fortes de que as redes sociais são uma verdadeira parte antiga, cecais integral da história humana.
Esta pesquisa foi financiada pelo National Institute on Aging e a Science of Generosity Initiative, da Universidade de Notre Dame.
Blog sobre arqueologia, etnologia e etnografia histórica desde uma perspetiva multidisciplinar e com especial interesse pola Proto-história e História Antiga da Europa Ocidental