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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Britania e Irlanda na Idade dos Metais

Material & Spiritual engagements
Britain and Ireland in the first age of metal

Stuart Needham
Rhind Lectures 2011, Edimburgo


Resume
Grã-Bretanha e a Irlanda estão repletas de enterros de inícios da idade dos metais. Muitos indivíduos foram enterrados de jeito especial após a morte, enterrados em câmaras finamente construídas ou em sepulturas profundas ou honrados pela cremação e acompanhados por vasos de cerâmica altamente ornamentados.


Os objetos distintivos ou exóticos que acompanham o sepultamento e os próprios lugares de enterramento são memorializados por meio da construção de tumulos e anéis monumentais. Estes contextos arqueológicos visíveis e penetrantes têm vindo a definir um fenómeno funerário e uma era.


Eles dão a impressão de uma sociedade profundamente preocupada pelos mortos e sua passagem funerária e com uma política funerária abrangente. Que estas práticas funerárias foram endémica na maioria das regiões é evidente, mas quantas pessoas realmente receberam um enterro formal, quem eram eles eram e como foram apresentados na hora da morte?


 Ao abordar estas questões, vamos considerar o propósito deste fenómeno e interpretar novamente os significados dos modos de sepultamento definíveis.


1 - Funerary conundrums



2 - Competing ethea of seniority



3 - Blunt instruments of power



4 - Enriching the female persona



5 - The centrality of axe heads



6 - The exemplary dead




+INFO no site:  Society of Antiquaries of Scotland

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Magdalenenberg - Um Calendario da Idade do Ferro

Tumba Real da Idade do Ferro mostra alineação lunar

Graças a um software especial desenrolado pela NASA, arqueólogos alemães descobrirão agora 40 anos apos a escavação original, um enorme calendário lunar celta no túmulo principesco de Magdalenenberg, perto de Villingen -Schwenningen , na Selva Negra da Alemanha

Denominado pelos pesquisadores do Römisch- Germanisches Zentralmuseum (RGZM) de Maguncia, como o "Stonehenge da Selva Negra", este seria o calendário de ciclo lunar mais antigo calendário até agora encontrado no âmbito céltico. Esta descoberta foi feita ao avaliar os velhos planos da escavação processando os dados através dum sofisticado software da NASA. A ordem dos enterros em torno do túmulo real central, encaixava exatamente com as constelações no céu do Hemisfério Norte.

tumulo de Magdalenenberg

Ao contrario que Stonehenge que foi orientado com respeito ao sol, o inmenso tumulo de 100 metros de diâmetro de Magdalenberg forom orientado segundo a lua. Os construtores posicionaram longas filas de postes arredor do túmulo para estavelezer as posições da lua . Essas posições lunares que se sucedem na mesma localizaçao cada 18,6 anos e eram as " pedras angulares " do calendário celta.

tumulo de Glauberg

A posição dos enterros em Magdeleneberg representa um padrão das constelaçoes que podiam ser vistas entre os solsticios de inverno e verão. Com a ajuda de um programa de computador especial, o Dr. Allard Mees, pesquisador do RGZM pudo reconstruir a posição de aquela constelações que eram visiveis no céu nos solsticios durante os inícios da Idade do Ferro e após ela. Esta pesquisa arqueo - astronómico datou o padrão solsticial da necrópole no 618 aC , o que o converte no exemplo mais antigo e mais completo de um calendário celta focado nas lunações.



Júlio César relatou nos seus Comentários sobre a Guerra das Gálias o conhecimento astronómico dos sacerdotes druídicos e a existência de um calendário lunar. Depois de sua conquista da Gália e da destruição da cultura gaulesa, estes tipos de calendário foram completamente esquecidos na Europa. Com os romanos, um calendário baseado sol foi adotado, embora durante o período romano pode topar-se evidencias do sistema de computo gaulês através do calendário epigráfico de Coligny

fragmento do calendario de Coligny

O estudo do tumulo monumental de Magdalenenberg e o seu entorno bota agora nova luz sobre as primeiras etapas de a dimensão ritual do sistema calendárico celta durante os inícios da Idade do Ferro

Extraido de: Past Orizonts




Postagem relacionada: O Principe de Glauberg

sábado, 2 de novembro de 2013

Journal of Social Archaeology 13/3

Journal of Social Archaeology
13/3, 2013


Articles

Temporalities of the Formative Period Taraco Peninsula, Bolivia  287-309
Andrew P. Roddick

The National Museum of Immigration History (Paris, France), neo-colonialist representations, silencing, and re-appropriation  310-330
Sophia Labadi

Tapu and the invention of the “death taboo”: An analysis of the transformation of a Polynesian cultural concept  331-349
Helen Gilmore, Cyril Schafer & Siân Halcrow

Cultural sovereignty in the Balkans and Turkey: The politics of preservation and rehabilitation 350-370
Christina Luke

Building community: Exploring civic identity in Hispanic New Mexico  371-393
Kelly L. Jenks

The past as a lived space: Heritage places, re-emergent aesthetics, and hopeful practices in NW Argentina   394-419
Marisa Lazzari & Alejandra Korstanje



Ir ao número da revista: JSA

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O Cavalo e o Touro - Programa

O CAVALO E O TOURO NA PRÉ-HISTÓRIA E NA HISTÓRIA
Congresso Internacional

Quando: 15-19 Maio
Onde:   Golegã e Chamusca


Recentemente tem saído o programa do Congresso Internacional O Cavalo e o Touro, na Pré-história e na História no que o que isto escreve participa como uma comunicação apresentada conjuntamente com o nosso colega e bom amigo Pedro-Reyes Moya da UCM, e que terá por título Mito e Ritual: Para uma etnoarqueologia jurídica do Touro.  



Nela que exporemos os datos e alguma hipótese sobre um interessante conjunto de rituais jurídicos que se topam na Península Ibérica e noutros lugares da Europa, pranteando-nos a sua lógica e origens, de certo -podemos adiantar- nada recentes.



Junto a nossa modesta apartação como vereis pelo programa que incluímos abaixo o Congresso tratara a multitude de aspetos que rodeiam a figura destes dois animais em distintas culturas, desde as crenças sobre a morte, a guerra, a economia, os processos de domesticação, a festa o ritual, o mito, ou a arte rupestre.



E reunindo os mais diversos espaços e tempos desde a Mesopotâmia, ao Novo Mundo passando por Trácia, centro-europa, ou Val Camonica, e contando coa participação de importantes especialistas internacionais como Henry De Lumley conhecido pelo seus estudos sobre o jazigo de Terra Amata ou os petróglifos de Mont Bégo



Em resume umas interessantes jornadas que decorreram debatendo e expondo os distintos pontos de vista, detalhes, em resume os retalhos duma multiforme quase caleidoscópica historia cultural do cavalo e o touro. Certamente interessante


Programa provisório




+INFO no site de:  O Cavalo e o Touro

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Raro, o Inusual e o Estranho - Convocatória

The Odd, the Unusual, & the Strange
Animal & Human Deviant Burial and their Cultural Contexts

Quando: 17-20 Outubro 2013 & 8-3 Setembro 2014
Onde: Scarborough & Istambul


Recebemos vai pouco de parte de uma das suas coordenadores (Anastasia Tsaliki) a informação sobre 2 interessantes simpósios que durante os anos 2013 e 2014 se celebrarão tendo por temática um tema tão interessante e de atualidade como o dos chamados "enterramentos anómalos" (Deviant Burial)


Os enterros anómalos proporcionarem uma oportunidade de obter invaluáveis informações sobre a construção cultural dos marginados, os não conformes, e os diferentes tipos de "outros". Às vezes, baseados em crenças religiosas, outros em fatores sociais, os indivíduos que foram vistos em vida como extraordinários, e por elo separados ou segregados do grupo social deram lugar normalmente a enterros únicos, que refletiam essa alteridade ou estatuto especial do falecido.



Esses enterros são identificados no registo arqueológico pela evidência de ritos funerários diferentes ou incomuns, por contraste coas inumações normais dos outros membros do grupo, pela segregação destes enterramentos assim como pela presença de elementos inesperados acompanhado ao cadáver ou de alterações intencionais do próprio corpo. O Evidência de enterro desviante tem sido documentado em uma variedade de locais geográficos e períodos temporais, que serão refletidos nas sessões destes Congressos.



Para incluir o maior número de pesquisadores possível desde um ponto de vista geográfico os promotores do Congresso decidiram organizar dois simpósios para dois congressos diferentes - um na América do Norte e um na Europa- organizados pela Canadian Association for Physical Anthropology (CAPA) e a European Archaeological Association (EAA). Que se celebraram respetivamente em Scarborough (Canada), entre o 17-2 de outubro do 2013, e em Istambul (Turquia) entre o 8-3 Setembro 2014..



As datas limite para a entrega de cada um dos Congressos são; o dia 31 de Maio para a edição norte-americana, e o Novembro de 2013 para edição europeia 17-20 Outubro deste ano,


+INFO no site: Funerary & Biological Archaeology

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Cavalgando ao Além - tese on-line


Rowsell, T., Riding To The Afterlife: The Role Of Horses In Early Medieval North-Western Europe. Master’s Thesis, University College London, 2012


Resumo
A fim de estabelecer o papel de cavalos nas religiões pré-cristãs da Inglaterra anglo-saxã, a Escandinávia da época viking e outras regiões germânicas da Europa continental, esta dissertação procurara as evidências nas fontes arqueológicas e literárias do enterramento, sacrifício, e outros rituais nos que são envolvidos os cavalos. Na ideologia reconstruída neste ensaio, o cavalo serve como símbolo de status por igual para cristãos e pagãos iguais, assim como de eficiente meio de transporte. 



Para os pagãos o cavalo era também uma fonte de alimento e estava ligada a ritos religiosos envolvendo a sua decapitação e consumo ritual. A análise das evidências mostra que como os numerosos exemplos de enterros de cavalo do noroeste da Europa serviram a uma variedade de funções: símbolo de status entre os bens no túmulo, vítima para os deuses ou antepassados, e meio de transporte póstumo ao Além.

Enterramento anglo-saxão com cavalo

Ao comparar a arqueologia com as fontes literárias, em as que os cavalos são representados em mitologia nórdica e como parte de rituais pagãos, se possem identificar duas categorias principais de funções divinas do cavalo nesta época. Em primeiro lugar, as tumbas de guerreiros de status elevado, acompanhados polos seus cavalos, que se identificam com o culto do deus Óðinn.

Portrait of a Burial Horse foto: Charlotte Dumas

Nestes casos, a função dos cavalos é ser meio de transporte na vida após a morte, provavelmente cara o Valhǫll. Em segundo lugar, aqueles enterros que envolvem os a cremação de cavalos, por vezes acompanhada de arreios e rédeas, caso em que também foram destinados como transporte póstumo mais que parecem ter significado espiritual relacionado com o culto dos Vanir.

Dentes de cavalo num depósito ritual, Uppsala

Neste caso os cavalos que foram sacrificados e comidos puderam ter sido dedicados ao deus da fertilidade Freyr, assim como sucede na Saga de Hrafnkels. Tácito fornece evidências de que o cavalo teve sido um meio divino, no que pode ser uma manifestação anterior do rito descrito por Adam de Bremen, que foi relacionado igualmente como o culto Vanir do cavalo. 

Reconstrução do sítio sacrificial de Eketorp (Suécia)

A Análise dos feitiços médicos semi-pagãos encantos do século X, assim como a primeira legislação cristã sobre os cavalos fornece um contexto que ajuda a distinguir o que é genuinamente pagão na cultura popular arredor do cavalo nos inícios do medievo no Norte de Europa


Descarregar a tese em:  Medievalist.net

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Poder e Morte em Valencina - palestras



A Secção de Pré-História da Associação dos Arqueólogos Portugueses organiça o dia 8 de Novembro as 18:00 no Museu do Carmo (Lisboa) duas palestras que serão dadas polos arqueologos Pedro M. López Aldana e Ana Pajuelo Pando ambas centraram-se no conhecido jazigo de Valencina de La Concepción (Sevilha). A entrada é livre para qualquer interessado no tema.

Crânio de menino, Museu de Valencina

As palestras serão as seguintes: 

  
Un centro de poder en el Bajo Guadalquivir. Valencina III milenio a.n.e
Pedro Manuel López Aldana

Expresiones de la muerte en Valencina (Sevilla)
Ana Pajuelo Pando


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Rituais da Morte durante a Romanidade


DIIS MANIBVS
Rituais da Morte durante a Romanidade


O próximo dia 2 de novembro inaugurara-se no Museu de Arte Moderna de Sintra a exposição DII MANIBVS – Rituais da Morte durante a Romanidade. A exposição esta organizada pelo Museu Arqueológico Municipal de São Miguel de Odrinhas em colaboração coa Câmara Municipal de Sintra.

Monumento funerário de Marco Statio Maximo, s. I, Mus. Arq Odrinhas

A exposição estará patente ao publico até o dia 30 de dezembro de 2012 no Museu de Arte Moderna de Sintra, e do 5 de fevereiro ao 15 de dezembro do 2013 no Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas.


sábado, 24 de março de 2012

Arqueologia da morte - Entrevista


"Do 99% da humanidade não ficara rastro"

  Entrevista a Mike Parker Pearson (Universitade de Sheffield)
Especialista de renome internacional em arqueologia da morte e na pré-história recente de Grã-Bretanha e do norte de Europa. Também tem escavado em Grécia, Síria, os Estados Unidos, Madagascar e no oeste do oceano Índico. Dirige os trabalhos arqueológicos no jazigo de Stonehenge, o qual lhe fez merescente da distinção de "Arqueólogo do ano" o 2010. Foi o principal palestrante do seminário do ICAC "A arqueologia da morte".

Que é a arqueologia da morte?
É o estudo dos costumes e rituais funerários no passado, o estudo de como a gente comemorou a morte.

Que é mais que comemorar o passado.
É claro, porque os monumentos funerários pervivem no futuro, ou seja que é uma maneira que têm os humanos de mudar o sentido do tempo. É uma marca no presente que se refere ao passado e que perdurará no futuro, durante séculos ou milénios.

A consciência da morte faz-nos humanos?
Sim, é um dos aspetos fundamentais que nos diferencia dos animais. E o que fazemos é ver de dar sentido a este problema: temos uma vida muito curta e não sabemos que passa quando morremos. O que é fascinante, como historiadores, é estudar como as sociedades do passado e do presente o tentam resolver, racionalizar, explicar.

A sociedade atual como o faz?
A Ocidente vemo-nos como uma cultura da vida. A morte é negada, apesar que esté em todos os lados e lhe passe a tudo o mundo! Teria que estar mais integrada na vida, independentemente de se temos crenças religiosas.



Para entender a morte ao longo do tempo os restos arqueológicos são suficientes?
A arqueologia não dá um retrato de corpo inteiro do passado. Temos restos materiais, como monumentos, recintos funerários, edifícios, os mesmos esqueletos, mas perto do 99% da história da humanidade não ficaram rastros.

Que difícil de estudar, pois?.
É um reto. Tão só sabemos de grupos que não são representativos da maioria da população. Também é o nosso reto pensar em outros lugares onde temos de procurar restos. E tenhamos presente uma coisa: em Europa a maioria dos nossos mortos de hoje não serão arqueologicamente visíveis, porque a incineração é uma prática a cada passo mais estendida.

Sorte, porque ao final não caberíamos! Que passa quando o planeta é cheio de monumentos para os mortos?
Não o sei. À Grã-Bretanha os cemitérios estão cheios. Que temos de fazer? Jogá-los a terra, reutilizá-los? É difícil porque também há em jogo um sentimento muito forte da gente. Como temos de gestionar os mortos no mundo dos vivos? Construímo-los espaços separados, mas agora temos de pensar outras soluções.

lekitos com escena de culto diante de uma estela funerária

Outra maneira de representá-los?
Sim. Aqui ainda temos terreno, mas fixem-nos em lugares como Hong Kong, onde há pouco espaço e é caro. Será interessante ver como fazem-no para construir os monumentos para as cinzas dos mortos. À Grã-Bretanha há um interesse crescente por reciclar os mortos em enterramentos verdes ("green burials").

Em que consiste?
Em enterrar em zonas verdes e marcar a tumba plantando uma árvore. A ideia é que a morte é uma parte do ciclo da vida, do processo natural de decadência e regeneração. É uma boa solução. Conecta com a perceção das árvores como monumentos naturais. E é como dizer: "O meu tempo se acabou, mas a vida contínua".

Que importância tenhem os rituais?
 Muita, também em sociedades seculares, porque juntam a gente, os dão um marco para viver em comum este momento de luito e rutura. Os rituais, religiosos ou não, são necessários, porque acompanham na morte e são uma boa estratégia para a encarar.

Você diz que a morte com frequência se utiliza politicamente.
Sim. Temos muitos exemplos, como o de Eva Perón. Defunta, o seu corpo quase converteu-se em objeto de manipulação política do seu marido, o ditador. E outro caso da América Latina: os maias eram conhecidos por mumificar os governantes, e continuavam tendo poder no mundo dos vivos. Um jovem conquistador que se quis casar com uma moça local teve de pedir permissão a um de estas momias, que tinham um intérprete!

Incrível.
Mas de fato todos os funerais políticos são uma ocasião para manipular, negociar, para reclamar sucessões. É um momento político chave!

Stonehenge, foto: Bill Bevan

Fale-nos de Stonehenge, onde dirige as escavações desde o 2003.
É apaixonante! Fizemos descobertas revolucionárias: encontramos o núcleo onde vivia a gente enquanto se construía Stonehenge, datamos o jazigo entre o 3000 e 2400 aC e encontramos o Bluestonehenge.

Que é?, outro círculo de pedras?.
Sim, mas mais pequeno, a uns 3 km de Stonehenge e ao lado do riu Avon. De fato o riu conecta o núcleo habitado com Bluestonehenge. Chamarmos-lhe assim pela cor azulada pedra.

De onde provem?
Do oeste de Gales, a uns 200 km. Está feita de doleritas, riolitas, cinza vulcânica e grés. O outro tipo de pedra que há no jazimento é um grés de Avebury, a uns 30 km. Agora o que queremos são encontrar as pedreiras de onde sacaram estes blocos!

Por que os levaram de tão longe?
Boa pergunta. O que é óbvio é a associação entre as pedras e os ossos dos mortos. É um lugar dos ancestrais seguro. O fato que se usem pedras de dois lugares (do centre de Inglaterra e de Gales) para um sozinho monumento faz pensar que quiçá é o primeiro símbolo da união de Grã-Bretanha, a sinal de um momento de trégua.

Mas que é, Stonehenge? Cemitério, lugar de culto, enclave astronómico?
Tudo ao mesmo tempo! Tem a ver com o céu, com os mortos e com a união de Grã-Bretanha. Mas é um mistério. Em junho publico um livro precisamente em que o explico, Exploring the greatest Stonehenge mistery.

Por que é importante tê-lo datado
Porque desfizemos o mito que Stonehenge vem dos druidas. Disse-o William Stukeley o 1740 baseando-se em escritos de Júlio César. Não se podia nem imaginar que era bem mais antigo!

(extraido de Icac.net )


quarta-feira, 14 de março de 2012

Arqueologia da Morte

  
Seminaris Internacionals d´Arqueologia Clàssica 

L´arqueologia de la mort: una perspectiva multidisciplinar

Quando: 20 - 21 Março
Onde:  Salão de Atos do ICAC


O seminário L´arqueologia de la mort: una perspetiva multidisciplinar; terá lugar nos dias 20 e 21 de março do 2012 no marco da oitava edição de Seminários Internacionais de Arqueologia Clássica organizados pelo Instituto Catalão de Arqueologia Clássica (ICAC).O seminário apresentará varias palestras que explorarão a informação que os rituais e práticas funerárias aportam sobre as sociedades do passado

Michael Parker Pearson, foto: Bill Bevan

O convidado principal é o professor Mike Parker Pearson, da Universidade de Sheffield, reconhecido expecialista na arqueologia do ritual na pré-história europeia, que foi ademais editor de um conhecido volumem sobre arqueologia da morte titulado The Archaeology of Death and Burial, e tem afrontado este tipo de estudos em contextos tão diversos como o da Idade do Ferro britânica o neolítico, ou o Calcolítico, como diretor do Projeto Riverside que investigou a área de Stonehenge, e do que já temos falado alguma vez no Archaeoethnologica



O seminário conta com a participação de mais sete especialistas, que se aproximarão ao estudo arqueológico da morte desde diversas perspetivas tratando aspetos metodológicos ao mesmo tempo que apresentam estudos de caso.



Programa


Terça-feira 20 de março

9:00 - 10:00 Principles of analysis in funerary archaeology
Mike Parker Pearson

10:00 - 11:00 Death and evolution of human consciousness
Mike Parker Pearson

11-11:30  Pausa

11:30 -13:30  El que ens expliquen els esquelets: la importancia 
de l´estudi antropològic
Assumpció Malgosa

12:30 -13:30  Esquelets malalts: aportacions a l´arqueologia
Emili Provinciale

16-17:30 Social status and the dead-revisiting the New Archaeology
Mike Parker Pearson

17:30-17:45  Pausa

17:45-18:44  Els rituals funeraris I l´organització de l´espai
 a la polis grega.
Jesús Carruesco


Quarta-feira 21 de março

9:30 -11:00  Placing the dead mortuary pratices and 
landscape archaeology
Mike Parker Pearson

11:00-11:30 Pausa

11:30 -12:30 The dead of Stonehenge – a case study of Neolithic mortuary pratices
Mike Parker Pearson

12:30 – 14:00 Les necropolis protohistòriques d´incineració de la 
Catalunya meridional: problemática d´estudi
Carme Belarte, Jaume Noguera & Pau Olmos

16:00-17:00  Burial in Iron Age and Roman Britain – a case study
Mike Parker Pearson

17:00-17:15 Pausa

17:15-18:15 O crudele funus! Tradició i canvi en els rituals funeraris a les necrópolis de Tarraco
Judit Ciurana


+INFO no site do:  ICAC

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Arqueologia da morte em Os Perdigões


O próximo dia 17 de fevereiro terão lugar no Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade de Coimbra, uma serie de conferências com o título “Perdigões e as Práticas funerárias no Neolítico e Calcolítico” a cargo dos arqueólogos António Valera, Ana Maria Silva, Daniela Pereira, Inês Leandro, Cláudia Cunha e Cláudia Costa, nas que se trataram diversos aspetos do registo arqueológico e a dimensão simbólica relacionados com este jazigo

Foto: Portugues Prehistoric Enclosures

Como adianto podeis consultar assim mesmo as novas sobre o projeto Perdigões no muito recomendável bloge de A. Valera: Portuguese Prehistoric Enclosures, do que já temos falado alguma vez aqui no archaeoethnologica.


Programa:

14:00 – António Valera – Os perdigões, a sua dimensão cosmológica e as práticas funerárias

15:00 – Ana Maria Silva, Daniela Pereira e Inês Leandro – Restos humanos e o seu contexto funerário Perdigões Abordagem preliminar

16:00 – Intervalo

16:15 – Cláudia Cunha – O Estudo da Morfologia Dentaria – Buscando Informações sobre o Parentes no contexto das inumações Coletivas dos Perdigões

16:45- Cláudia Costa – Faunas e contextos funerários nos Perdigões

17:15 - Debate



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Recintos e praticas funerarias da Pré-história


Recintos da Pré-História Recente e Prácticas Funerárias
Colóquio Internacional

Quando: 6 - 8 novembro
Onde: Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Recolhe-mos aqui a nova do futuro Colóquio Internacional sobre as enclossures pré-históricas que se celebrara durante o mês de novembro em Lisboa, organizado por ERA Arqueologia coa colabora da Fundação Calouste Gulbenkian e baixo a direção do arqueólogo António Carlos Valera direitor das escavações no recinto de Perdigões e autor do magnífico bloge Portuguese Prehistoric Enclosures do que já temos falado alguma vez no Archaeoethnologica.


As problemáticas dos recintos definidos por muros ou muralhas e por fossos têm estado frequentemente no centro de vários debates relativos às comunidades da Pré-História Recente Peninsular. Entre as inúmeras questões que levantam, um dos aspectos que tem vindo a emergir nos últimos anos com particular relevo é o da relação directa que estes recintos terão tido com as práticas funerárias, a ponto de, em alguns casos, se diluir a noção de necrópole como espaço dos mortos bem demarcado em relação ao dos vivos e onde situações semelhantes têm gerado questionários e respostas distintas.

restos de ossos cremados nos Perdigões


Porque os últimos anos têm proporcionado, a nível Peninsular, importantes novidades no que respeita a estes contextos e à expressão que a realidade funerária neles assume, e porque o recinto dos Perdigões se tem vindo a transformar num projecto âncora nesta matéria, a ERA Arqueologia entendeu promover um encontro internacional para debater esta problemática. 


Tratando-se de um fenómeno de dimensão europeia, entendeu-se que a abordagem dos casos peninsulares necessitaria de um enquadramento e uma confrontação com realidades aparentadas de outras regiões europeias, procurando promover o debate a diferentes escalas e a partir de diferentes contextos, experiências e posicionamentos teóricos. 

Assim, este encontro reunirá um conjunto de investigadores com proveniência em vários países europeus onde esta temática assume particular relevo.


  Programa provisório




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

As Cupae Hispanas - Apresentação


Las Cvpae Hispanas

Andreu Pintado, J., Las Cvpae Hispanas. Origen / Difusión / Uso / Tipología. Monografías de Los Bañales nº 1, edit. UNED & Fundación los Bañales, Tudela, 2012
ISBN:  13978-84-615-6200-8


O próximo día 18, sábado, será apresentado o volume Las cupae hispanas: origen, difusión, uso, tipología. O volume recolhe as contribuições apresentadas em abril de 2010 no que foi I Colóquio de Arqueologia e História Antiga de Los Bañales que abordou a questão das "cupae", um singular tipo de monumento funerário romano muito bem testemunhado na Comarca das Cinco Vilas onde se topa o jazigo de Los Bañales



Nestas atas editadas pelo epigrafista Javier Andreu Pintado  recolhem-se mais de quinze contribuições assinadas por epigráficas, arqueólogos e historiadores a mais de vinte centros de investigação espanhóis e estrangeiros, fornecendo uma síntese que que virá a constituir ponto de referência para novas pesquisas tal tipo de monumentos. 

O ato terá lugar as 19.30 horas, no salão de Atos San Miguel da Fundação Uncastillo (Uncastillo, Saragoça)


 INDEX



terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Ilha dos Vampiros III - Documentário

A Ilha dos Vampiros II - Documentário

A Ilha dos Vampiros I - Documentário

Entre a Arqueologia e o Folklore - os "Não-mortos"


Estando nas datas na que estamos quase que é conjuntural escrever algo deste tipo para acompanhar a contextual temática da morte. A morte por em é um tema que leva longe a mente humana em geral como feito omnipresente desde a alba dos tempos, e do mesmo jeito não podia deixar de estar presente dentro do campo de estudo da etnografia, a antropologia, a história ou a arqueologia, uma longa bibliografia sobre "arqueologia da morte" assim o acredita. A morte e as distintas formas de entende-la ao longo do tempo e das culturas certamente dão para muito, e permitem de cote achegamentos cruzados entre disciplinas diversas

um dos esqueletes de Kilteasheen
Vai uns meses no bloge Powered by Osteons da arqueologa Kristina Killgrove precisamente empeçara a avançar em uma dessas fascinantes temáticas nas que a arqueologia se da a mão co folklore, a arqueologia dos "não-mortos". A postagem recolhia a nova da aparição nas escavações de uma necrópole de entre os séculos 7-14 d.C em Kilteasheen, Condado de Roscomon (Irlanda) de dois cadáveres masculinos datados no século oitavo, que foram submetidos a um curioso procedimento ritual consistente em colocar-lhes uma pedra fechando-lhes a boca, e no casso de um de eles outra de maior tamanho sobre o peito.

A chamada Vampira de Venecia
Este curioso costume está testemunhado arqueologicamente noutros cadáveres de época medieval e moderna, como no campo-santo de Celekovice (Moravia) perto de Praga (século 10-11 d.C) onde 12 indivíduos foram submetidos a esta prática postmortem (King, 2011a), e na Itália onde vai uns anos se dera a conhecer o caso de uma mulher de idade abançada falecida durante a praga no século 16 e enterrada em uma fossa comum no lugar Lazzareto Vechio, que aparecera igualmente cum grosso pelouro ainda incrustado entre seus dentes (Nuzzolese & Borrini, 2010), ou mais recente o caso dos restos de uma moça exumados em Piondino (Toscana).

Escavações em Pionbino (Toscana)
A explicação destas crenças parece estar na natureza atribuída a estes defuntos de "maus mortos". Durante Idade Media estivo muito estendida a crença em que aqueles mortos que que tiveram uma "mala morte", entendendo por elo geralmente uma morte violenta, como a dos criminais justiçados ou as pessoas que foram assassinadas ou vitimas de um episódio bélico (como os dois irlandeses), ou bem aqueles que não foram enterrados "bem", como Deus manda, isto é fora de sagrado, por estarem excomungados ou simplesmente ter-se perdido o seu cadáver e quedar exposto (como soia suceder com os afogados no mar).

Também entravam nesta categoria aquelas pessoas que durante a sua vida tiveram uma existência considerada marginal -ou marginalizada- pela comunidade, como sucedia frequentemente com as meigas. O qual que se tem sugerido para a Vampira de Venecia e a moça de Piondino ainda que neste casso tenha-se também plantegado que for parte doutra categoria anómala, a de "adultera" ou "prostituta" (King, 2011b). Todos estes "maus mortos" eram suscetíveis de converter-se trás do seu passamento em "aparecidos", e voltar ao mundo provocando a morte aos vivos

O caráter contagioso que tinha na mentalidade popular a condição dos visitantes do alem fazia que mesmo o simples contacto com eles leva-se a morte aos vivos. E frequente recordar o casso do nosso lendário popular em que a anima dum pecador aparece-se a um homem pedindo-lhe que lhe corte o santo-abito com que o amortalharem pois lhe impede a entrada no inferno, do mesmo jeito que os seus pecados lhe a negam no céu, atando-a a este mundo, coisa que o vivo assim faz, embora a caridade não tenha prémio pois dias depois o que se apiedará da anima empeça a murchar para falecer ao pouco. De igual jeito era o destino do vivo que acompanha a Estadeia o de ir e perdendo a saúde e enfraquecendo até formar ele mesmo parte da eterna processão dos mortos (Risco, 1962).

Este tétrico mas omnipresente imaginário da morte deveu de favorecer a extensão das crenças, e sobre tudo rituais, relacionados com este tipo de entidades na medida que elo fornecia uma boa explicação -causal- a arbitrariedade da morte, e mesmo uma forma, por ineficaz que for, de escapar a ela, em intres expecialmente sensíveis como foram as bagas de pragas que assolaram a Europa durante boa parte a Idade Media e Moderna, começando pola peste da que pares seica forem vitimas tanto a dama de Venecia como o avultado número de defuntos "malfaisants" de Celekovice (Ziegler, 2011b) ou no caso do cemiterio irlandes ( Ziegler, 2011a). Uma boa época para o imaginário da morte, mas não tanto para os vivos, aos a iconografia moralizante de cote mostra em alegórico -mas de feito também real- combate contra a parca/ ou parcas.

Mas como vencer em tal combate, como matar o que já esta morto,  isso desde logo era um contrasentido em sim mesmo, pelo que a forma de enfrentar a ameaçante presença tinha que passar ou por meios profiláticos, que alongassem o mal da pessoa, como diversos amuletos, por ineficazes que foram ou bem por evitar o desprazimento da anima desde o seu cadaleito, neutralizando finalmente assim o perigo das incomodas visitas

As formas de evitar que a anima mortos abandonassem a sepultura, estava intimamente relacionada com o tratamento do corpo do defunto, entre eles hachava-se o tamponamento da boca, que topamos estendido em todos estes casos citados acima (mostrando quase uma expansão pan-europeia do rito), para evitar que o alma deixara o corpo pela sua saída natural, por onde damos o nosso "ultimo alento".

Outros meios, algum deles também suscetíveis de reconhecimento arqueológico e que tenhem sido estudados a traves das evidencias textuais polo medievalista Claude Lecouteux em vários livros (1986, 1990), como o interessante Fantômes et Revenant au Moyen Age (traducido recentemente ao castelhano),  incluíam a decapitação postmortem do corpo e colocação da cabeça uma vez seccionada diante dos pés do cadáver, junto a ela estavam também às mais diversas variedades de proto-sádicos exercícios de bordagem e piercing, com longos cravos, sobre o pobre defunto, rematado nalgum mais expeditivo caso, ainda coa destruição dos restos pelo "lume purificador", já fora parcial (normalmente coa extração e queima do coração) ou total

Não posso esquecer, de passo que quando lera no Fantômes de Lecouteux o caso da decapitação e posta aos pés da testa não pudem evitar que me viram, a cabeça as consabidas explicações e prolongações pre- e proto-históricas do papel da cabeça como assento do espírito, da vida, ou ainda da pessoalidade (Lambrecht, 1954)  em tudo isto, mas que também me fixe-se recordar de novo uma anedota que anos antes me contara D. Luis Montegudo, naquelas tardes que me passava daquela na sua casa de Belvis como ele dizia fazendo-lhe "de secretario", e na que de novo o arqueologia volve a enlaçar-se coa ténue sombra do folklore.

Tetes coupes do Oppidum de Entremont
Contara-me daquela Dom Luís o que lhe ocorrera uma vez a certo arqueólogo num desses países de fala alemã ao que lhe contaram uns paisanos da zona, junto antes de escomeçar a escavação de um túmulo, que ali nele fora enterrada uma mulher -com nome que não recordo- e "coa sua cabeça aos pés", o caso e que o nosso arqueólogo sem acreditar muito em tudo aquilo, principiou a remover terra sem mais, e finalmente ao chegar a câmara topou-se logo um corpo de femininas formas sem testa mas com um crânio perfeita e expressivamente situado, justo "aos seus pés".



Referências

- Killgrove, K., "Archaeolgoy of the Undead"  2011a  Powered by Osteons
- Killgrove, K., "Witches and Prostitutes in Medieval Tuscany" 2011b Powerd by Osteons
- King, D., "Burials: Zombies vs Vampires"  2011a  Phdiva
- King, D., "A medieval Withch?" 2011b  Phdiva
Lambrechts, P.: L´exaltation de la tête dans la penée et dans l´art des celtes. De Tempel, Brujas, 1954, 3 vols 
- Lecouteux, Cl., Fantômes et revenants au Moyen Age, Imago, Paris 1986 (trad. cast. Olañeta Editor, Palma de Malhorca 1999)
- Lecouteux, Cl. & Marqc, Ph., Les esprits et les morts, croyances medievales. H. Champion, Paris 1990
- Lecouteux, Cl., História dos Vampiros. UNESP
- Nuzzolese, E & Borrini, M., "Forensis approach to an archaeological casework of "vampir" skeletal remains in Venice: odontological and anthropological prospectus" Journal of Forensic Sciences 55/6, 2010, pp. 1634-7  DOI:10.1111/j.1556-4029.2010.01525.x.
- Risco, V., "etnografia galega. Cultura espiritual" in: Otero Pedraio, R (ed.): Historia de Galicia. Nós, Bos Aires, 1962-1973  3 vols.
- Tsaliki, A., "Unusual Burials and Necrophobia: an insight into the Burial Archaeology of Fear" in: Murphy, E., Deviant Burial in the Archaeological Record. Oxbow Books, Oxford, 2008 pp. 1-16
- Ziegler, M.,"The Vampire in the Plague Pit" 2011a Contagions
- Ziegler, M., "Vampire Prevention in Eighth Century Ireland" 2011b Contagions