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domingo, 5 de abril de 2015

De Ritos e Homens - Livro

Des Rites et des Hommes

Roure R. & Pernet L., Des rites et des Hommes. Les pratiques symboliques des Celtes, des Ibères et des Grecs en Provence, en Languedoc et en Catalogne. Editions Errance, 2011. 288pp. ISBN 978-2-87772-460-9


Sinopse
A obra constitui o catálogo da exposição homónima do Museu Arqueológico Henri Prades em Lattara (Lattes, Hérault) síntese do mundo ritual gaulês do sul, e os seus vizinhos gregos e iberos.



As práticas rituais dos povos celtas, iberos e gregos da costa da bacia noroeste do Mediterrâneo são ainda longamente desconhecidos, enquanto têm-se feito avances significativos nesta temática nos últimos anos.



O catálogo desta exposição baseia-se nos resultados de um projeto de pesquisa que analisou tudo o registo relativo a essas práticas, destinando-se a identificar os dados à nossa disposição em França e Espanha mediterrâneas para compreender melhor esses gestos rituais em toda a sua diversidade e seus aspetos, tanto coletivos como individuais.


Na exposição "Rituais e Homens", os elementos mais emblemáticos dessas práticas rituais foram apresentados no seu contexto arqueológico, descrito através de noticias sobre vários sítios arqueológicos. 


Quatro capítulos temáticos desenvolvem as principais direções da exposição e permitem comparar, compreender e interpretar diversos tipos de manifestações simbólicas: como os restos arquitetónicos monumentais, as cabeças cortadas, os rituais e cultos domésticos e os cultos gregos.


 INDEX



Descarrega o catalogo em:  Academia.edu

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Arqueologia e Ritual

Archéologie et rituel
Séminaire d'archéologie

Quando: 2013-2014
Onde: Bruxelas


O Centre de Recherches en Archaeologie et Patrimoine (CReA) da Universidade Livre de Bruxelas organiza entre os dias 18 de novembro de 2013 a 31 de Março de 2014 um ciclo de conferências intitulado Arqueologia e Ritual, nele participaram boa parte dos maiores especialistas atuais que se têm centrado na arqueologia do ritual.



com nomes tão reconhecidos nesta área de estudo como Parker Pearson, Renfrew, Insoll, etc; que cobriram desde a arqueologia da morte a etnoarqueología ou o estudo dos lugares de culto. O aceso é livre e de balde a todo o interessado nestas temáticas desde o público académico ao mais geral.


 Programa



+INFO no site do:  CReA

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Ethnoarqueologia Juridica do Touro - Resumo

Deixamos-vos aqui o resumo da nossa futura intervenção o próximo sábado no Congresso o Cavalo e o Touro, Mito e Ritual: Para uma etnoarqueologia jurídica do Touro


Resumo
A presente comunicação centra-se em duas práticas relacionadas com o touro que se podem encontrar em diferentes partes da Península Ibérica. De um lado, trataremos os rituais de delimitação nos quais os bovídeos intervêm como parte dos atos de definição do perímetro de um território, e nos que se observa um componente mágico que os conecta com os rituais de fundação.



Do outro lado, a serie de tradições e lendas sobre o confronto entre dois bois que representam a comunidade e que se associam com a delimitação de fronteiras entre vizinhanças, zonas de pastagem, etc.
Em ambos os casos, pode-mos ver semelhanças com mitos e rituais presentes em outros lugares da Europa Continental e Ilhas Britânicas.



Os quais juntamente com a presença ocasional de tais costumes em documentos medievais e modernos de caráter jurídico, permitem observar fenómenos de longue durée em torno desses usos consuetudinários, que nos referem em último término, quando menos, ao mundo céltico.



Esta abordagem comparativa, porém põe de manifesto a necessidade de uma estratégia de pesquisa que permita cruzar diferentes fontes, desde a etnografia à história do direito, além das propriamente arqueológicas, para a compreensão deste tipo de fenómenos



Podeis consultar uma versão inglesa junto coa portuguesa aqui


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Thézy-Glimont - Um depósito ritual



Thézy-Glimont: descoberta excecional de vestígios arqueológicos do período gaulês   
     
Se trata de poços com um conjunto de homens e animais sacrificados  Este tipo de depósitos, apenas contava até agora com outros dois exemplos no centro da França.

As duas áreas definidas pelo estado para a sua escavação preventiva depois do 5 de novembro, cobre uma superfície total de 2 ha perto do cemitério Glimont Thézy ao este de Amiens sacrificados.


A primeira área de 7.500 m² foi explorada em 2012, a segunda de 12.500 m² serão em 2013. A avaliação arqueológica realizada entre finais de junho e início de julho pelo Serviço de Arqueologia Preventiva de Amiens numa área total de 5 ha, foi motivado pela construção de 50 pavilhões. A partir do diagnostico desta intervenção inicial, concertaram-se as duas áreas de escavação.

estratado de: France 3 - Picardie


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Bioarqueologia da Violência

Landscapes of Violence
Vol. 2/2, 2012

Special Poster Presentation Issue
Bioarchaeological Perspectives on Violence


Articles

From the Editor: Special Poster Presentation Issue
Ventura R. Perez

Taphonomic and Skeletal Indicators of Captivity and Violence in the Southwest (AD 1000-1300)
Debra L. Martin

The Taphonomy of a Sacrifice: Burial 6 of the Patio Hundido at el Teul
Ventura R. Perez and Peter Jiménez Betts

Contextualizing Death and Trauma at Canyon del Muerto
Pamela K. Stone

Taphonomy After the Fact: Violence and Ritual in Room 33 at Chaco and Room 178 at Aztec
Ryan P. Harrod, Debra L. Martin, and Shawn W. Carlyle

The Blessing and the Curse of Taphonomic Processes: 
A Bioarchaeological Analysis of a Shaft Tomb from La Florida, Mexico
Heidi Bauer-Clapp, Laura Solar Valverde, and Lisa Rios

Postmortem violence? Identifying and interpreting postmortem disturbance in Mongolia.
Judith H. Littleton and Bruno Frohlich

Violence against People, Bodies, or Bones: Lessons from La Plata, New Mexico
H. Wolcott Toll Ph.D. and Nancy J. Akins

Personal Taphonomy at Sacred Ridge: Burial 196
Anna Osterholtz and Ann L.W. Stodder

Evidence of Violent Conflict in Males from Pot Creek Pueblo
Catrina B. Whitley

Violence and Postmortem Signaling in Early Farming Communities of the Sonoran Desert: An Expanded Taphonomic Approach
James T. Watson, Misty Fields, and Marijke Stoll

Evidence of Child Sacrifice at La Cueva de los Muertos Chiquitos (660-1430 AD)
John J. Crandall, Debra L. Martin, and Jennifer L. Thompson

Taphonomy and Warfare in the Mesa Verde Region
Kristin A. Kuckelman and Debra L. Martin

Violence, taphonomy and cannibalism in Chaco Canyon: Discerning taphonomic changes from human action in the archaeological record
Kerriann Marden

Taphonomy and Cremation of Human Remains from San Francisco de Borja
Cheryl P. Anderson, Debra L. Martin, and Jennifer L. Thompson
   
   
Book Review

Warfare, Violence and Slavery in Prehistory
John J. Crandall


Ir ao número da revista:  Landscapes of Violence

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Exército no Pântano



Um exército inteiro sacrificado em um pântano

Um pântano dinamarquês abrigou um terrível segredo por milhares de anos.

Arqueólogos passaram todo o verão escavando uma pequena amostra do que acabou por ser uma fossa comum com restos mortais de mais de 1.000 guerreiros, que foram mortos numa batalha cerca de 2.000 anos atrás.



"Nós encontramos muitos mais ossos humanos dos que esperávamos", diz Ejvind Hertz, conservador do Museu Skanderborg. A descoberta de tal quantidade de ossos da Idade do Ferro tem atraído muito a atenção internacional porque os ossos estão surpreendentemente bem preservados. Além disso, a descoberta confirma a descrição das fontes romana sobre as práticas guerreiras dos Teutões. O sítio está localizado no humidal de Alken Enge perto do lago Mossø na península da Jutlândia.



Os ossos revelam feridas de arma
Cerca de 2.000 anos atrás, os guerreiros de Alken foram sacrificados a algum deus, que hoje desconhecemos. Os ossos foram depositados lá em um momento em que não era um pântano, mas sim, que era uma pequena bacia do Lago Mossø, criada por uma língua de terra que se projeta dentro do lago. Os arqueólogos tenhem escavado só uma área de 80-90 metros quadrados, embora o local se estende por um espaço de 3600 metros quadrados.



As escavações em zonas húmidas são muito costosas, já que a água precisa ser constantemente bombeada para fora. Além disso, as descobertas são tão densamente concentradas que leva muito tempo para ocupar-se de seu registo. A área que até agora tem sido escavada contém os fragmentos dos ossos de cerca de 240 homens com uma idade entre os 13 e 45 anos. Os ossos dos homens apresentam marcas de armas brancas como espadas e machados.



Um Prado cheio de guerreiros mortos
A bacia não escavada do pântano estende-se por uma enorme área que cobre quase 40 hectares e é acreditado poder conter os restos mortais de mais de 1.000 guerreiros. Quando se lhe pergunta sobre afirma que mais guerreiros estão enterrados lá, Hertz diz: "Nós sabemos de pessoas que recolhiam turfa aqui nos séculos XIX e XX e encontraram fragmentos de ossos, e nós também fizemos escavações de teste na bacia". Os arqueólogos não encontraram esqueletos completos, apenas partes de eles. Mas creem que o pântano pode conter muitos indivíduos diferentes, já que os seres humanos têm, por exemplo, apenas um fémur direito.



Os guerreiros foram deixados no campo de batalha
O exército pode ter sido derrotado e morto em um campo de batalha localizado longe do pântano de Alken. Hertz diz que, se fosse esse o caso, deve ter sido uma tarefa logística enorme para as pessoas da Idade do Ferro transportar os ossos para o lago. Os pesquisadores não podem dizer quando a batalha pode ter acontecido ou onde ocorreu. Muitos dos achados arqueológicos indicam que o exército procedia de longe. Mas, em princípio, o campo de batalha pode ter sido localizado num local próximo ao do sacrifício.



O sacrifício, porém, ocorreu muito tempo depois da batalha "Os ossos puderam ser sacrificadas meses ou até mesmo anos após os guerreiros forem mortos. Não o saberemos até que sejam cuidadosamente analisados", diz o conservador. "Numa fase inicial, podemos ver que os ossos têm marcas de mordedura sobre eles, e que parte das articulações foram arrincadas. Por tanto, não há dúvida de que os predadores estiverem em contacto com as partes dos corpos".



O achádego confirmar histórias de guerra
As marcas de mordida dos predadores indicam que os guerreiros mortos eram deixados para morrer ou apodrecer no campo de batalha, sem que ninguém se preocupar em enterrar ou até mesmo remover os corpos. Isto confirma partes do que nas fontes romanas se escreveu sobre as práticas guerreiras entre os europeus do norte no período em torno da época do nascimento de Cristo. Um dos maiores historiadores do Império Romano, Tácito (56 DC - 120 DC) descreveu o rescultado da famosa derrota de Varo na Batalha da fraga de Teutoburgo no 9 DC.



Tácito escreveu em seus Anais. "No meio da planície, os ossos descansavam espalhados e amontoados, dependendo se eles tinham fugido ou aguantado. Entre os ossos havia pedaços de lanças e membros do cavalo, as cabeças humanas estavam cravadas nas árvores. Nos bosques próximos havia altares bárbaros em que os tribunos e centuriões de primeira ordem eram sacrificados"
Sabemos, também, a partir das fontes que, quando os germanos venciam numa batalha, eles matavam todos os inimigos sobreviventes, exceto os poucos que mandavam de volta para anunciarem a derrota.

Muito poucas armas encontradas
Os arqueólogos não podem determinar a origem dos guerreiros mortos, porque eles têm-se encontrado muitas poucas armas no jazigo. Entre os numerosos fragmentos de ossos, eles só encontraram umas poucas pontas de seta, alguns restos de um escudo e um machado muito bem conservado.



Uma inestimável fonte de informação sobre Idade do Ferro
Os ossos são, contudo, de valor inestimável: "Esta é a primeira vez que algo assim foi encontrado no norte da Europa", diz Hertz. As condições das zonas húmidas com uma atmosfera livrem de oxigeno como Alken tem sido ótima, para preservação dos restos. "Os ossos estão completamente novos", diz ele. "Algum ADN debe quedar preservado, para que possamos ter um bom perfil destes homens da Idade de Ferro.



Assim mesmo uma análise antropológica dos ossos irá nos fornecer um retrato de sua dieta e sua aparência física".  Os pesquisadores estão-se aproximando a conclusão do projeto de escavação atual. Nos próximos meses, eles estarão juntamente com peritos internacionais analisando os muitos ossos topados



O projeto, intitulado The army and post-war rituals in the Iron Age – warriors sacrificed in the bog at Alken Enge in Illerup Ådal é obra da colaboração entre arqueólogos e geólogos do Museu Skanderborg, o   Museu Moesgård e o Instituto de Cultura e Sociedade da Universidade de Aarhus.

(Fonte: ScienceNordic 22-08-2012)


domingo, 25 de setembro de 2011

Um passeio pelo sexo, a morte e o sacrifício

Vai umas semanas saiu ao lume o achádego recente dum conjunto de ossos procedentes do jazigo mesolítico de Motala no Centro de Suecia, a zona corresponde-se com importante assentamento de pescadores datado no mesolítico, é dizer no período compreendido entre o paleolítico e a irrupção do sistema neolítico.

O conhecido como "dildo da Idade de Pedra" de Motala

Este jazigo já dera nos últimos anos uma boa quantidade descobertas entre elas uma peça óssea que pela sua forma, certamente indisimulada, deu cedo em figurar nas novas com o alcume do Stone age dildo, se bem o seu tamanho real asomava certas duvidas sobre a utilidade do artefato (e é que às vezes "o tamanho sim importa") pelo que à falta de explicação haverá que cataloga-lo convencionalmente como "simbólico" ou "ritual".

Dimensões e escala da figurinha falomórfica de Motala 
Embora este ultimo achádego mostra-nos outro aspeto algo mais "macabro" da realidade destes pescadores da Europa pré-neolítica, pois evidência o uso de uma boa quantidade de ossos humanos em um curioso tratamento pós-mortem dentro do que semelha um complexo ritual, isto é um santuário.

Aqui tendes a nota da prensa de Fredrik Hallgre e  Stiftelsen Kulturmiljövård diretores da escavação, dos que também se pode consultar uma interesante entrevista na prensa, e que pudemos ler a traves do blog  Aardvarchaeology do arqueólogo sueco Martin Rundkvist:

As escavações arqueológicas no período 2009-2011 em Motala descobriram um sítio Mesolítico único com deposições cerimoniais de crânios humanos no primitivo lago. Os crânios foram tratados em uma cerimónia complexa que implicava a colocação dos crânios em estacas  e o seu deposição na água. Os crânios dataram-se por radiocarbono em 8000 anos de antiguidade. Os rituais em Kanaljorden levaram-se a cabo em um pavimento de pedra construído no fundo de um lago pouco profundo (na atualidade um pântano de multidão). Alguns crânios estão bastante intactos, enquanto outros foram encontrados como fragmentos isolados. Os intactos representam onze pessoas, tanto homens como mulheres, de idades compreendidas entre a infância e a média idade. Dois dos crânios tiveram estacas de madeira inseridas desde a base até a parte. Em outro caso, o osso temporal duma mulher de foi introduzido dentro do crânio de outra. Além dos crânios humanos, os achados também incluem um pequeno número de ossos pós-cranial humanos Assi como vários ossos animais, e artefactos de pedra, madeira, osso e hasta. A deposição de Kanaljorden tem claramente um caráter ritual. O seguinte passo é averiguar se os ossos humanos são relíquias de defuntos que se manejaram em um complexo ritual de enterro secundário, ou os troféus dos inimigos derrotados. Os arqueólogos esperam que a análise de laboratório em curso [isótopos estáveis, ADN] dará pistas sobre se os ossos se encontram os restos dos locais ou as pessoas com uma origem geográfica distante, e se representam um grupo familiar ou pessoas não relacionadas entre si.

Pelo momento e mentres a genética e os restos de isótopos estáveis de estrôncio nas peças dentárias, método analise do que já falarmos ao tratar do arqueiro do Amesbury, não deem mais lume sobre o tema pouco mais se pode dizer. O feito de estarem as estacas cravadas tão profundamente fala a favor de que não tiveram o sustento da carne já e que pelo tanto os crânios sofreram um descarnamento prévio, já for pelo passo do tempo ou forçado, por efeito da exposição ao animais, ou bem da ação manual dos humanos



Este tratamento dos ossos contrasta fortemente coas nossas atitudes atuais e ocidentais com respeito aos mortos e a morte em geral, e certa mortefobia assética cada vez mais pressente na nossa sociedade (onde vão os velórios na casa?), no obstante encaixa com atitudes que observamos em muitas culturas  (Ucko, 1969), desde os curiosos ritos de segundo enterramento da Famadíhana Madagascar (Graedner, 1995; Larson, 2001), a conservação cerimonial dos crânios dalguma tribos da áfrica e asia,  ou a conhecida Caça de cabeças dos Dayak e outros povos do SE asiático (Needham, 1976), Oceania (Zegwaard, 1959) ou dos celtas (Lambrechts, 1954) e germanos antigos como recorda Rubkvist em certa alusão verba skoll do brinde sueco. 

crânios troféu decorados com incisões dos Dayak de Borneo
Ao respeito a pergunta está em se istos restos  devem ser entendidos ou bem como "troféu" ou coma "relíquia" , estamos ante um exemplo dum sacrifício no que se misturam humanos e animais, e no que se produce a exposição do vencido?, ou bem ante um templo no que se da culto aos antepassados, e se lhes oferendem animais coma vitimas? certamente a questão não é pequena, pois por um lado enfrenta-nos ante a realidade duns caçadores que cada vez estamos mais seguros não eram os "bons selvagens pacifistas" (Guilaine e Zammit, 2002) e pelo outro uma atitude de "memorialização" do grupo que já nos recorda a coisas que logo veremos no neolítico doutras lugares como o Lebante asiático  (Rose et alii, 1998)

crânios co rosto reconstruido e enterrados baijo o solo duma casa no asentamento neolítico de Tell Aswad (Siria)
Outra questão que este achádego sugere, e não o olvidemos também é a que nos põe em relação com outro feito cultural como é o nascimento do "sacrifício animal" como ritual religioso que agora já não pode ser já considerado como resultado duma mera religiosidade neolítica, senão no que pares assomar um fundo prévio, cecais como quiser em tempos Walter Burkert, provinde do imaginário dos antigos caçadores.

Seja como for não há dúvida de que os restos de Motala nos mostram um complexo mundo ritual no que os vestígios da morte, e especialmente o crânio, tiverem um especial protagonismo, sobre como há já que entender o papel deste vítima ou objeto de reverência ancestral, troféu ou relíquia, o seu, em resume, "ser ou não ser" destes nórdicos ossos, e uma pergunta  que pelo momento, e na espera dos isótopos, meu caro Jorik queda "aberta": "that is the question"


Referências
 
- Burkert, W.: Homo Necans: The Anthropology of ancient Greek sacrificial ritual and myth University of California, Berkeley, 1983 pp. 1-81
- Graedner, D.: "Dancing with Corpses Reconsidered: An interpretation of famadihana (in Arivonimamo Madagascar)" American Ethnologist 22, 2  1995 pp. 258-278
- Guilaine, J. e Zammit, J.: El camino de la guerra. La violencia en la prehistoria. Ariel, Barcelona, 2002 pp. 61-100
- Lambrechts, P.: L´exaltation de la tête dans la penée et dans l´art des celtes. De Tempel, Brujas, 1954, 3 vols 
- Larson, P:"Austronesian Mortuary Ritual in History: Transformations of Secondary Burial (Famadihana) in Highland Madagascar" Ethnohistory 48, 1/2,  Emerging Histories in Madagascar, 2001, pp. 123-155, DOI: 10.1215/00141801-48-1-2-123 
- Needham, R.: "Skulls and Causality" Man 11,1, 1976  pp. 71-88
- Rose, J.C, Schmandt-Besserat, D.; Rollefson, G: "A Decorated Skull from MPPNB´ain Ghazal" Paléorient 24, 2  1998 pp. 99-104
- Zegwaard, G. A. "Headhunting Practices of the Asmat of Netherlands New Guinea" American Anthropologist 61, 6 1959 pp. 1020-1041 
- Ucko, P. J.: "Ethnography and Archaeological Interpretation of Funerary Remains" World Archaeology, 1, 2, 1969 pp. 262-280

Algo + de Informação em: 

- Kanaljorden – a Mesolithic Wetland  - Fredrik Hallgren, Univ. de Uppsala, Suecia
- Stone Age in Motala - Swedish National Heritage Board.
-  Arkeologi vid Motala ström - Blog das escavações (só em sueco)