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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Divindades e Cultos na Gália romana - Congresso


Présence des Divinités et des Cultes

Quando: 16-17 Outubro
Onde:  Limoges




As obras principais das artes figurativas (pinturas, mosaico e escultura) da Gália eram em sua maioria representações de divindades mitológicas gaulesas e greco-romanas. Muitas inscrições em pedra também mencionom essas divindades, e os restos arqueologicos que sobrevivem ajudam a identificar as construções que acolhiam a umas e outras.



Devido à forte representação destes vestigios epigraficos e iconograficos, e dos edifícios que os alojadam na património arqueológico, pareceu apropriado dedicar um simpósio sobre estas obras artísticas na Gália central e, especialmente, em o território dos



Lemovices, o atual Limousin, que oferece uma certa abundância destes elementos, e onde é possivel detectar as influências estéticas célticas e mediterrâneas.

 Programa



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Quando as Estátuas também Morrem



No ano 1953 os diretores de cine Alain Resnai e Chris Marker realizavam esta pequena joia do cinema documental intitulada as Estatuas também morrem (les Statues meurent aussi), o filme promovido pela revista Presence Africaine foi resultado da colaboração de importante museus europeus como o British Museum, a Maison de L´Homme de Paris, ou o Museu do Congo Belga.


No filme faz-se uma interessante reflexão sobre o conceito de arte, e criticam-se as antinomias do colonialismo europeu sobre a África, centrado na arte o documentário põe em questionamento o etnocentrismo da distinção estabelecida entre a arte e a estética Ocidental e a dos povos africanos, através dela a própria classificação das formas icónicas africanas como Arte mostra-se em boa medida arbitraria, sem um sentido real no contexto que gerou essas mostras culturais, respondendo em resumem mais aos valores culturais europeus que a outra coisa


A través disto percebe-se como a própria categoria de artístico serve para alienar não só as coisas do seu contexto senão as pessoas, formando parte mais dum processo de "violência" cultural. Num mundo entre dois séculos condicionados pela expansão colonial das potencias europeias, a apropriação dos objetos indígenas e a sua inclusão em museus e coleções particulares, o impacto da estética africana na arte das Vanguardas, europeias não exento de uma atração pelo "primitivismo" em relação cós movimentos irracionalistas da época, da lugar a uma demanda da arte africana.


Mas paradoxalmente esta demanda da arte africana converte-se num espada de dobre fio, que "valoriza" em ocidente o alheio a costa de contribuir a sua decadência no lugar de origem donde as formas estéticas indígenas se tornam uma forma de artesoaria dirigida e orientada aos gostos do novo mercado do colecionismo ocidental



O colecionismo, e poderíamos dizer igualmente o mesmo de tantas coleções arqueológicas a través das que nos temos apropriado de passados alheios, ccumpre assim uma função ao mesmo tempo "depredadora" e "necrológica" que vem enunciada já nas primeiras frases "Quando os homens estão mortos, entram na historia. Quando as estatuas estão mortas, entram na arte. Esta botânica da morte, é o que nós chamamos A Cultura."



 Isto serve Igualmente de reflexão sobre a própria Conceição de Historia "Universal" como discurso unilinear e que deixa fora de sim aquelas outras histórias que não falam -ou ao menos fizemos que falassem de nos mesmos: esses chamados "Povos sem Historia", noção claramente etnocêntrica a que Eric Wolf dedicara o seu livro homónimo Europa e as Gentes sem Historia.


Neste sentido a própria genealogia da noção de "Africanismo" inacessível a ser integrada no discurso genealógico da Civilaçao europeia ao contrario da de "Orientalismo" que estudara Said, pressente-se como uma lógica que tem muito que ver ao menos a um nível subconsciente com aquela que guiara a aparição dos Gabinetes de Curiosidades que armazenam de jeito caótico -descontextualizado o extravagante, exótico, monstruoso ...


 Em resumem tudo aquilo que não e integrável na normalidade da nossa identidade pero sim submetivel segundo os casos a uma tipologia ou uma estética do alheio


domingo, 3 de fevereiro de 2013

A primeira escultura da Humanidade

O Homem Leão da Idade do Gelo é a escultura figurativa mais antiga do mundo

A obra esculpida em marfim de mamute foi redatada, e 1.000 novos fragmentos descobertos mas não vai figurar na exibição do British Museum

A peça estrela inicialmente prometida para Ice Age Art do British Museum finalmente não figurara na exposição, mas por uma boa razão. Novos fragmentos da escultura do Homem Leão de Ulm foram descobertos e eles mostram que a peça parece ser mais velho do que se pensava inicialmente, cerca de 40.000 anos. Isto faz dela a escultura figurativa mais antiga do mundo figurativo. Na exposição de Londres, que abre em 7 de fevereiro, figurara em vez da original uma réplica proporcionada pelo Museu de Ulm.



A história da descoberta do Homem Leão começa em agosto de 1939, quando os fragmentos de marfim de mamute foram topados na escavação da parte traseira da Caverna de Stadel nos Alpes da Suábia (sudoeste da Alemanha). Aquilo sucedeu alguns dias antes do inicio da Segunda Guerra Mundial. Quando finalmente foi reensamblada no 1970, a estátua foi considerada como um urso em pé ou um grande felino, mas com características humanoides.



O marfim no que a figura fora esculpida tinha quebrado em inumeráveis fragmentos. Quando for reconstruído, cerca de 200 peças foram incorporadas a escultura de 30cm de altura, embora cerca de 30% de seu volume faltava.



Outros fragmentos foram mais tarde encontrados entre o material escavado anteriormente e foram adicionados à figura, em 1989. Neste ponto, a escultura foi reconhecido como representação um leão, que a maioria dos especialistas têm considerado como masculino, mas a paleontóloga Elisabeth Schmid argumentou controversamente que pudera ser de sexo feminino, sugerindo que a sociedade primitiva poderia ter sido matriarcal.



A última nova é que quase 1.000 fragmentos adicionais da estátua foram encontrados, após recentes escavações na caverna Stadel, por Claus-Joachim Kind. A maior parte destes são diminutos, mas algumas têm vários centímetros de cumprimento. Algumas das maiores peças já estão sendo reintegradas agora à figura.



Os restauradores têm removido a cola do século 20 e o recheio da reconstrução de 1989, e estão a remontar meticulosamente o Homem Leão, usando técnicas digitalização de imagens. "É um enorme quebra-cabeça em 3D", diz o conservador do Museu Britânico Jill Cook. A nova reconstrução dará uma ideia muito melhor do seu estado original. Em particular, a parte do colo será mais exata, o braço direito mais completo, e a mesma figura alguns centímetros mais alta. Um escultor imaginativo


Um escultor imaginativo

Ainda mais emocionante que a descoberta dos novos anacos, foi a redefinição da idade da escultura mediante a datação por rádio-carbono de outros ossos encontrados no estrato. Isso retarda a data a 40.000 anos atrás, quando até agora pensava-se que a figura tinha 32 mil anos. Uma vez concluída a reconstrução, vários fragmentos pequenos, não utilizados do marfim de mamute serão suscetíveis de ser datados assim mesmo, com o que se espera confirmar este resultado definitivamente. 


Esta datação revisada empurra ao Homem Leão de volta entre as mais antigas esculturas, que foram encontradas em outras duas cavernas dos Alpes suabos. Estes raros achádegos estão datados no 35.000 e 40.000 a.C., mas o Homem Leão é, de longe, a peça maior e mais complexa. Alguns itens esculpidos um pouco mais velhos foram encontrados em outras regiões, mas estes mostram padrões simples, não figuração.


O interessante do escultor do Homem Leão é que ele -ou ela- tinha uma mente capaz de imaginação capaz de representar algo mais que as simples formas reais. Como diz Cook: "não é necessário ter um cérebro com um córtex pré-frontal complexo para formar a imagem mental de um ser humano ou um leão, mas isso é precisamente o que se precisa para fazer a figura de um leão-homem". A escultura de Ulm, portanto, lança mais luz sobre a evolução do homo sapiens.


Restauradores experimentaram fazer uma réplica do homem Leão, calculando que um escultor qualificado usando ferramentas de sílex iria demorar-se nele pelo menos umas 400 horas (dois meses trabalhando à luz do dia). Isso significa que o escultor teria que ser sustentado pelo grupo de caçadores-recoletores, o que pressupõe um certo grau de organização social. Há um debate em curso sobre o que o homem-leão representaria, e se ele está ligado ao xamanismo e ao mundo espiritual.


Inicialmente, esperava-se que o original do Homem Leão pudera estar presente na exposição do Museu Britânico, mas isso não foi possível porque os conservadores precisam de mais tempo para ter a figura reconstruída com a maior precisão possível. O Museu de Ulm planeja apresentar de novo a figura já reconstruída no mês de novembro.

Fonte: The Art Newspaper 31-01-2013


Archivo Español de Arqveologia Nº 85, 2012

ARCHIVO ESPAÑOL DE ARQVEOLOGIA
     
Vol 85, 2012


Sumario

Necrología
Adela Cepas Palanca (1955-2012)  pp. 7-8
Javier Arce


Artículos
La “casa oval” del Areópago y los Medóntidas en el origen de 
la polis de Atenas   pp. 9-21
Miriam Valdés Guía

Wein, Weib und Gesang. A propósito de tres apliques de bronce arcaicos entre la Península Ibérica y Baleares   pp. 23-42
Giacomo Bardelli, Raimon Graells i Fabregat

El Castellet de Banyoles (Tivissa): Una ciudad ibérica en el curso inferior del río Ebro  pp. 43-63
Joan Sanmartí, David Asensio, M.ª Teresa Miró, Rafael Jornet

Sobre cerámicas Helenísticas en Iberia / Hispania. Significado y funcionalidad   pp. 65-78
José Pérez Ballester

Las imágenes como un modo de acción: las estatuas de guerreros castreños   pp. 79-100
Javier Rodríguez-Corral

Estudio arqueológico en la Vía de los Vasos de Vicarello, A Gades Romam, entre las estaciones de Mariana y Mentesa (Puebla del Príncipe - Villanueva de la Fuente, Ciudad Real)   pp. 101-118
Luis Benítez de Lugo Enrich, Honorio Javier Álvarez García, José Luis Fernández Montoro, Enrique Mata Trujillo, Jaime Moraleda Sierra, Jesús Sánchez Sánchez, Jesús Rodríguez Morales
    
      
La Tumba del Elefante de la Necrópolis Romana de Carmona. Una revisión necesaria desde la Arqueología de la Arquitectura y la Arqueoastronomía   pp. 119-139
Alejandro Jiménez Hernández, Inmaculada Carrasco Gómez

Iconografía triunfal augustea y las guerras cántabras: algunas observaciones sobre escudos redondos y puntas de lanza representados en monumentos de la Península Ibérica e Italia   
pp. 141-148
Eugenio Polito

Marcadores da paisagem e intervenção cadastral no território próximo da cidade de Bracara Augusta (Hispania Citerior Tarraconensis)   pp. 149-166
Helena Paula Carvalho

Análisis arqueomorfológico y dinámica territorial en el Vallés Oriental (Barcelona) de la Protohistoria s. VI-V a.C.) a la alta Edad Media 
(s. IX-X)   pp. 167-192
Marta Flórez Santasusana, Josep M. Palet Martínez

Los sellos in planta pedis de las ánforas olearias béticas Dressel 23 (primera mitad siglo V d.C.)  pp.193-219
Piero Berni Millet, Juan Moros Díaz

Un vaso de Terra Sigillata Hispánica Tardía con decoración singular procedente de la Villa romana de Saelices El Chico (Salamanca, España)   pp. 221-228
Sarah Dahi Elena, M.ª Concepción Martín Chamoso

El uso de la cueva de Arlanpe (Bizkaia) en época tardorromana   
pp. 229-251
Enrique Gutiérrez Cuenca, José Ángel Hierro Gárate, Joseba Ríos Garaizar, Diego Gárate Maidagan, Asier Gómez Olivencia, Diego Arceredillo Alonso

Sobre los usos y la cronología de las pizarras numerales: Reflexiones a partir del caso del yacimiento de Valdelobos (Montijo, Badajoz)   pp. 253-266
Tomás Cordero Ruiz, Iñaki Martín Viso

Un nuevo término augustal del ager Iuliobrigensium   pp. 267-271
Pedro Ángel Fernández Vega, Rafael Bolado del Castillo, Joaquín Callejo Gómez, Lino Mantecón Callejo

Nuevo miliario de Augusto procedente de Fuenteguinaldo (Salamanca)   pp. 273-279
Manuel Salinas de Frías, Juan José Palao Vicente

Una inscripción latina relativa a la fundación de Olite (Navarra)
pp. 281-286
Javier Velaza

El Instituto Ibérico Oriental (1938-1941). Un intento de introducción de los estudios sobre el Oriente Antiguo en España   pp. 287-296
Agnès Garcia-Ventura, Jordi Vidal

Recensiones   pp. 297-312
Adolfo J. Domínguez Monedero, Joaquín L. Gómez Pantoja, Antonio Monterroso Checa, Gloria Mora, Patrizio Pensabene, Marta González Herrero, Javier Rodríguez-Corral



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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Escultura Fenícia em Hispânia

ESCULTURA FENICIA EN HISPANIA

Almagro-Gorbea, M & Torres Ortíz, M, La Escultura Fenicia en Hispania. RAH, Madrid, 2010
ISBN: 978-84-15069-19-5


A Real Academia da História de Espanha, tem editado recentemente dentro da sua coleção Biblioteca Archaeologica Hispana, um interessante corpus da estatuária de origem fenício topada na Península Ibérica. O livro La Escultura Fenicia en Hispania é uma interessante síntese de interesse não só para os estudiosos do mundo do sul e levante peninsular, senão também de jeito mais geral para os interessados na arte oriental e de outros âmbitos culturais da Europa durante a Idade do Ferro, desde Hallstatt e La Téne, até o mundo etrusco, ou a Grécia Arcaica

Dama de Cádis
  
A obra mais que um simples catalogo plateia um estudo detalhado de cada peça sinalando os diversos paralelos estilísticos e iconográficos tanto no mundo oriental como no Mediterrâneo Oriental, incluindo o mundo grego, e sinalando as influencias nas peças de produções indígenas da Hispânia e de outros âmbitos (Centro Europa, Itália, etc.), ampliando como elo consideravelmente as perspetivas sobre a origem da arte peninsular

leão orientalizante de Pozo Moro
    
Em resumem um livro destinado a se converter em uma das obras de referencia nos próximos anos no estudo da plástica ibérica.


Sinopse
Esta obra é o resultado de um intenso esforço, de vários anos, dirigido a dar a conhecer, reunidos e bem analisados neste Corpus da Escultura Fenícia em Hispânia, um dos testemunhos materiais mais interessantes da arqueologia fenícia e púnica na Península Ibéria, a antiga Hispânia, que, não obstante, foi escassamente valorizado apesar da sua grande importância.


 INDEX



domingo, 15 de julho de 2012

Imagem e Ritual na Céltica Peninsular

Imagen y Ritual en la Céltica Peninsular

Alfayé Villa, S., Imagen y Ritual en la Céltica peninsular. Edit. Toxosoutos, Noia, 2011  ISBN: 978-84-15400-11-0


Este livro que no que aqui agora nos detemos; Imagem e Ritual na Céltica Peninsular é obra Silvia Alfayé Villa una nova investigadora discípula de F. Marco Simón e que tem abordado o tema da religiosidade da Hispânia céltica já numa nutrida quantidade de publicações entre as que destaca a sua tesse doutoral Santuarios y rituales en la Hispania Céltica publicada na serie internacional do British Archaeological Report (BAR), obras nas que tem prestado um especial interesse a imagem, a iconografia e aos seus valores nas sociedades indígenas e hispano-romanas.



Linha de pesquisa da que este livro é um novo exemplo, nele a autora faz um exaustivo repasso as fontes sobre a iconografia religiosa da Celtica Peninsular, lando a cabo uma necessária expurgação de falsas atribuições e breve posta a dia do material disponível, para tratar logo diversos âmbitos como o da relação entre imagem e ritual, as crenças escatológicas ou potencialidade que as próprias imagens tiverem para crear ou recrear identidades.


Sinopse:
O livro pretende ser unha aproximação multidisciplinar ás imaxes do ritual e não ritual produzidas e consumidas polas sociedades dá Céltica peninsular, que aspira a compreender as dinâmicas visuais do culto desas comunidades e as súas formas de representar, imaxinar, experimentar e se relacionar co sacro. Analízanse as imaxes de contido relixioso, as supostas representacións divinas, a utilização e funcionalidade dás imaxes em diversos contextos culturais.


 INDEX



domingo, 3 de junho de 2012

Inauguração do CEDIEC

CEDIEC, um centro de vocação europeia único em Portugal

À margem do Colóquio Internacional “Simulacra et Imagines Deorum. O Rosto das Divindades”, foi inaugurado o Centro Europeu de Documentação e Interpretação da Escultura Castreja (CEDIEC), na envolvente do Museu Rural de Boticas, que visa valorizar as expressões artísticas proto-históricas do Noroeste peninsular.

A partir de hoje, seremos uma janela aberta ao mundo na área da cultura castreja”. Palavras do presidente da Câmara Municipal de Boticas, Fernando Campos, no primeiro dia de vida do Centro Europeu de Documentação e Interpretação da Escultura Castreja (CEDIEC), inaugurado na passada quinta-feira, 24 de Maio. O acto solene contou com a presença de Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, onde estão as estátuas originais do Guerreiro Galaico encontradas no concelho, e da Directora Regional da Cultura do Norte, Paula Silva.



Desde mós, moedas e uma maquete do Outeiro Lesenho às armas usadas pelos povos indígenas e vídeos explicativos, o CEDIEC reúne um interessante espólio de peças arqueológicas ao lado de salas de documentação e de investigação, uma biblioteca e a réplica de um balneário castrejo no exterior, que deverá ficar concluída no verão. Contudo, os maiores atractivos são as réplicas dos quatro Guerreiros Galaicos achados no Outeiro Lesenho e uma do Guerreiro de Sanfins.



Além de museu, que irá receber futuramente réplicas de guerreiros achados em Glauberg, na Alemanha, este espaço será sobretudo “um repositório de toda a documentação que existe em qualquer parte do mundo, em qualquer língua, sejam originais, réplicas ou digitalizados, o que significa que as pessoas que queiram vir estudar essa época podem fazê-lo aqui em conexão com qualquer ponto do mundo onde haja também referências”, explicou Fernando Campos. Um acervo científico, histórico e documental que estará sempre disponível. “O saber e a inspiração não têm hora de funcionário público e um estudioso pode a qualquer momento levantar-se e ir para a biblioteca, entrar na Internet e procurar imagens virtuais relacionadas com a área da cultura castreja em qualquer parte do mundo”, notou ainda o autarca botiquense.



Para Luís Raposo, que dirige o Museu Nacional de Arqueologia há 16 anos, “o Guerreiro Galaico foi sempre um grande símbolo nacional” e juntar várias valências (museu e centro de documentação) numa só instituição é um “caso único no país”



Deste modo, “qualquer pessoa que queira estudar escultura monumental castreja, é aqui que tem de vir. Serve o turista, que vem a Boticas pela boa gastronomia, paisagens, monumentos, pesca e várias actividades. Serve as escolas, por toda a valência exterior lúdica e um balneário castrejo. Serve o estudioso […], o escritor, o sacerdote, o filósofo, o místico, ou seja, qualquer pessoa que num momento do seu percurso de vida entendeu que castros, motivos castrejos, príncipes castrejos, deuses castrejos é um tema que lhe diz algo e quer produzir algo [sobre ele], sublinhou o arqueólogo, no acto inaugural do CEDIEC.

Aos botiquenses, Luís Raposo prometeu ainda “divulgar o mais possível este conceito inovador”.


O Centro “vai atrair turismo especializado” para Boticas
“Retratar uma das expressões artísticas mais originais da nossa região e da proto-história europeia” é o objectivo primordial do CEDIEC, notou o docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Armando Coelho, que ministra um doutoramento em Museologia. 



Para o coordenador científico deste projecto financiado por fundos comunitários, a localização de um centro de vocação europeia tem razão de ser em Boticas, já que os quatro guerreiros encontrados no Outeiro Lesenho seriam “quatro chefes de entidades étnicas instaladas na região que se juntaram, num momento de crise, certamente aquando da chegada dos romanos nos tempos de Augusto, para celebrar entre si um pacto perante a divindade, oferecendo-lhe um sacrifício”.



O CEDIEC será “um sítio de estudo”, onde será aprofundada a investigação arqueológica relacionada com o Lesenho, mas também um espaço “de lazer e visita agradável para pensar e reflectir, que também é muito preciso nos tempos em que estamos”, considerou Armando Coelho, convicto que o centro irá atrair os olhares e as atenções dos investigadores estrangeiros, criando “um turismo especializado”, que junto com o cultural, “será o turismo do futuro”.



Em paralelo com a sua inclusão na futura “Rota Castreja”, o Outeiro Lesenho, onde estão a ser recuperadas as muralhas do Castro, classificado Imóvel de Interesse Público e que terá um núcleo interpretativo na antiga casa florestal, continuará a ser alvo de estudo em rede com outras entidades, sendo algumas já parceiras do município de Boticas na implementação do CEDIEC, nomeadamente: Universidade de Lisboa, Universidade do Minho, Ministério da Cultura, IGESPAR, Instituto Arqueológico Alemão de Madrid (Espanha), UNIARQ, Liga dos Amigos do Museu Nacional de Arqueologia e Grupo de Amigos dos Guerreiros Castrejos (Gucas).



Com conclusão prevista para o Verão do CEDIEC, a réplica do balneário do Castro das Eiras, construída a partir de ruínas existentes em Vila Nova de Famalicão, e exposta em 2008 no Museu Nacional de Arqueologia onde foi visitada por mais de 100 mil pessoas, irá deliciar os curiosos de passagem por Boticas, que poderão realmente experimentar o ritual do banho de sauna e água fria, outrora sagrados e símbolo de iniciações e renovações.

Fonte: Diario Atual - Sandra Pereira


Postagem relacionada:  Simulacra Deorum

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Simulacra Deorum - Congresso


Simulacra et Imagines Deorum

O rosto das divindades: o papel das imagens de divindades na génese da escultura no Ocidente do Império Romano

Colóquio internacional em Boticas (Portugal)
24–27 de Maio 2012


Recordámos agora que dentro de umas semanas se celebrara um colóquio Internacional sobre a estatuária do noroeste peninsular da proto-história à época romana na concelho de Boticas (Portugal), que terá por título Simulacra et Imagines Deorum, do que já tratáramos numa anterior postagem do Archaeoethnologica. O prazo de inscrição fica aberto até o dia 15 de maio.


 Programa
   



Postagem relacionada:  O Rostro dos Deuses

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Venus Genetrix e o Sidus Iulius



E volvendo a postagem anterior, penso que este é um bom momento para por o vídeos de esta interessante palestra que nos leva precisamente a iconografia da deusa Vénus, neste caso em forma de Venus Genetrix, e no que se mostram todas as complexidades, e apaixonantes térreos ao que nos pode levar a iconografia. A palestra foi dada por Pablo Aparicio Resco (UCM) dentro das I Jornadas de Novos Investigadores que organizara a Universidade de Vigo em novembro do 2011




sábado, 10 de março de 2012

O Príncipe de Glauberg



Entre 1994 e 1997, o Serviço de Arqueologia do Estado de Hesse escavou uma serie de túmulos da Idade do ferro topados a finais dos anos 80, e situados 300 metros ao sul do Oppidum de Glauberg. Nas escavações observou-se que uma serie de estruturas, muros de terra e gabias basicamente, próximas ao assentamento pareciam estar em relação com o túmulo 1 da necrópole. 


Eles não pareciam ter uma função defensiva de negnhum tipo. Um pequeño valo do oeste do túmulo está associado a vários outros restos como uma série de grandes furados de poste (ultimamente interpretados cum sentido calendárico), talvez sugerindo um possivel santuário ou templo.  Igualmente encontrou-se uma longa via processional que conducia desde o tumulo ate alem do oppidum ao longo de quase 2 km. Mas uma das maiores surpresas fora a aparição de uma estátua de guerreiro em esta área.


A estatua de pedra arenisca datada no século V a.C. ficara magnificamente preservada exceto os pés que não se conservarem. A estátua representa um guerreiro armado com um scutum de madeira e a mão direita colocada sobre o peito, adornavase com vários anéis (viriae) em seus braços e um torques  ao pescoço com três pingentes mui semelhante ao encontrado entre o enjoval da câmara da própria tumba 1. A cabeça tinha umas protuberâncias globulares aos lados, resultando em o típico motivo de "mickey mouse" bem conhecido em peças da ourivesaria lateniense 


Na mesma área foram encontrados fragmento de outras 3 estátuas, de modo que é assumido que as 4 figuras de guerreiro delimitaram um recinto retangular (talvez um têmenos ou nemetom) possivelmente relacionado com o culto do ancestral representado nessas esculturas, em um fenómeno similar ao do culto heroico que conhecemos paralelamente no mundo mediterrâneo.



+INFO no site do:   Glauberg Archäologische Park

sexta-feira, 9 de março de 2012

Pensando os Guerreiros galaicos



É um bom momento, tendo em conta a postagem anterior para resgatar entre o arquivo de "pendentes" do Archaeoethnologica o vídeo de esta palestra titulada Pensando as estátuas de guerreiros castrejos que fora dada em junho do ano passado pelo arqueólogo Javier Rodriguez Corral dentro do curso de verão Castros de Interior: A Idade do Ferro do N.O. peninsular através do exemplo limião, que foi celebrado em Ginzo da Limiã baixo a organização do Concelho de Ginzo e o LAUV.

Incluímos abaixo ademais a sessão de debate na que também participou outro dos palestrantes, Ladislao Castro Pérez, e na que saírem de novo algumas interessantes questões arredor de estas peças escultóricas da nossa idade do ferro