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sábado, 29 de março de 2014

Vivindo com os Mortos - Palestra


Living with the Dead

Quando: 2 Abril
Onde:  Gambelas


O Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Universidade do Algarve vem anunciar mais uma conferência do ciclo de palestras Arqueologia ao Sul, desta vez por Karina Croucher, com o tema Living with the dead: Mortuary practices from the Neolithic Near East, que se realizará no dia 2 de Abril de 2014 pelas 17:30 horas


Resumo
Esta presentação discute a evidência mortuária do Neolítico no Oriente Próximo (sudoeste da Ásia), um período crucial para o desenvolvimento da civilização, se consideramos a introdução da agricultura e das primeiras cidades sedentárias. Houve neste período várias formas de tratar os mortos, incluindo a fragmentação do corpo humano e a reutilização de partes do corpo, especialmente o crânio.


Entre estas práticas se incluiu o reboco dos crânios dos mortos, no que os rostos dos mortos foram recriados sobre seus crânios usando cal, barro e gesso. Esta palestra discute as interpretações recentes deste enigmático fenómeno, que incluem as conexões entre vivos e os mortos, e o papel tangível dos defuntos na vida dos vivos.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Raro, o Inusual e o Estranho - Convocatória

The Odd, the Unusual, & the Strange
Animal & Human Deviant Burial and their Cultural Contexts

Quando: 17-20 Outubro 2013 & 8-3 Setembro 2014
Onde: Scarborough & Istambul


Recebemos vai pouco de parte de uma das suas coordenadores (Anastasia Tsaliki) a informação sobre 2 interessantes simpósios que durante os anos 2013 e 2014 se celebrarão tendo por temática um tema tão interessante e de atualidade como o dos chamados "enterramentos anómalos" (Deviant Burial)


Os enterros anómalos proporcionarem uma oportunidade de obter invaluáveis informações sobre a construção cultural dos marginados, os não conformes, e os diferentes tipos de "outros". Às vezes, baseados em crenças religiosas, outros em fatores sociais, os indivíduos que foram vistos em vida como extraordinários, e por elo separados ou segregados do grupo social deram lugar normalmente a enterros únicos, que refletiam essa alteridade ou estatuto especial do falecido.



Esses enterros são identificados no registo arqueológico pela evidência de ritos funerários diferentes ou incomuns, por contraste coas inumações normais dos outros membros do grupo, pela segregação destes enterramentos assim como pela presença de elementos inesperados acompanhado ao cadáver ou de alterações intencionais do próprio corpo. O Evidência de enterro desviante tem sido documentado em uma variedade de locais geográficos e períodos temporais, que serão refletidos nas sessões destes Congressos.



Para incluir o maior número de pesquisadores possível desde um ponto de vista geográfico os promotores do Congresso decidiram organizar dois simpósios para dois congressos diferentes - um na América do Norte e um na Europa- organizados pela Canadian Association for Physical Anthropology (CAPA) e a European Archaeological Association (EAA). Que se celebraram respetivamente em Scarborough (Canada), entre o 17-2 de outubro do 2013, e em Istambul (Turquia) entre o 8-3 Setembro 2014..



As datas limite para a entrega de cada um dos Congressos são; o dia 31 de Maio para a edição norte-americana, e o Novembro de 2013 para edição europeia 17-20 Outubro deste ano,


+INFO no site: Funerary & Biological Archaeology

sábado, 12 de janeiro de 2013

O Megalitismo e os Mortos

NOTULAS SOBRE O MEGALITISMO

Quando: 16 janeiro
Onde: Lisboa

A próxima quarta feira dia 16 janeiro, terá lugal na Sociedade de Geografia de Lisboa dentro do ciclo de conferência Origens e transformações da complexidade social, das primeiras sociedades camponesas à Idade do Ferro organizado pola secção da arqueologia da mesma, uma palestra a cargo do arqueologo Rui Boaventura e que terá por titulo Nótulas de Megalitismo: a disposição dos mortos nos 4º e 3º milénios a.n.e


A conferência dercorrera a partir das 18:00 horas. A entrada e livre


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Crânios, Troféus ou Ancestrais - Livro


Crânes Trophées, Crânes d´Ancêtres

Boulestin,B. & Henry-Gambier,D. (Eds.), Crânes  trophées,  crânes   
d´ancêtres et autres pratiques autour de la tête: problèmes d’interprétation en archéologie. BAR International Series 2415, Archaeopress, Oxford, 2012


Sinopse
A aparição de restos humanos em diversos contextos arqueológicos claramente ritualizados como silos, lugares de habitação, gáveas, estruturas arquitetónicas varias, e com uma amplitude cronológica igualmente considerável do paleolítico a tempos proto-históricos, nos últimos anos tem sido estudada pola arqueologia pranteando diversas ideias interpretativas, que vão desde a memorialização, o sacrifício, o troféu, ou mesmo canibalismo.



Isto contrasta assim mesmo com a presença na etnografia de povos não europeus o unas fontes antigas de referências sobre o sentido e uso do crânio e outras partes do corpo. Por elo esta temática apresenta-se como um térreo privilegiado para o encontro e a síntese interdisciplinar entre arqueologia, historia e antropologia, assim como para prantear toda uma serie de questões epistemológicas e metodológicas.  

Ornamentos de crânios do Dahomey 1851

O livro recolhe os trabalhos sobre esta temática apresentados por arqueólogos, historiadores e antropólogos na mesa redonda do mesmo titulo celebrada no Museu Nacional da Pré-história de Eyzies-de-Tayac (Dordonha, França) em outubro de 2010


INDEX

1 - Décapitation/décollation: une distinction justifiée?
Bruno Boulestin et Dominique Henry-Gambier

2 - Têtes coupées, têtes-trophées. L’exemple de l’île de Pâques
Nicolas Cauwe

3 - Pourquoi couper des têtes?
Alain Testart

4 - Quelques réflexions à propos des coupes crâniennes préhistoriques
Bruno Boulestin

5 - Têtes coupées: données archéo-anthropologiques et lignée néandertalienne
Célimène Mussini et Bruno Maureille

6 - Les pratiques autour de la tête en Europe au Paléolithique supérieur
Dominique Henry-Gambier et Aurélie Faucheux

7 - Ofnet et les dépôts de têtes dans le Mésolithique du sud-ouest de l’Allemagne
Christian Jeunesse

8 - Le crâne mésolithique de l’abri du Mannlefelsen I à Oberlarg (Haut-Rhin): étude des modifications osseuses
Bruno Boulestin et Dominique Henry-Gambier

9 - Aperçu des pratiques autour de la tête du Néolithique au premier âge du fer
Bruno Boulestin

10 - À propos des crânes découverts dans les fossés d’enceinte de la culture de Michelsberg
Christian Jeunesse

11 - Du prix et des usages de la tête. Les données historiques sur la prise du crâne en Gaule
Jean-Louis Brunaux

12 - Pratique des têtes coupées chez les Gaulois: les données archéologiques
Élisabeth Rousseau

13 - Acquisition, préparation et autres traitements de la tête chez les Gaulois: aspects anthropobiologiques
Bruno Boulestin et Henri Duday



terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Ilha dos Vampiros III - Documentário

A Ilha dos Vampiros II - Documentário

A Ilha dos Vampiros I - Documentário

Entre a Arqueologia e o Folklore - os "Não-mortos"


Estando nas datas na que estamos quase que é conjuntural escrever algo deste tipo para acompanhar a contextual temática da morte. A morte por em é um tema que leva longe a mente humana em geral como feito omnipresente desde a alba dos tempos, e do mesmo jeito não podia deixar de estar presente dentro do campo de estudo da etnografia, a antropologia, a história ou a arqueologia, uma longa bibliografia sobre "arqueologia da morte" assim o acredita. A morte e as distintas formas de entende-la ao longo do tempo e das culturas certamente dão para muito, e permitem de cote achegamentos cruzados entre disciplinas diversas

um dos esqueletes de Kilteasheen
Vai uns meses no bloge Powered by Osteons da arqueologa Kristina Killgrove precisamente empeçara a avançar em uma dessas fascinantes temáticas nas que a arqueologia se da a mão co folklore, a arqueologia dos "não-mortos". A postagem recolhia a nova da aparição nas escavações de uma necrópole de entre os séculos 7-14 d.C em Kilteasheen, Condado de Roscomon (Irlanda) de dois cadáveres masculinos datados no século oitavo, que foram submetidos a um curioso procedimento ritual consistente em colocar-lhes uma pedra fechando-lhes a boca, e no casso de um de eles outra de maior tamanho sobre o peito.

A chamada Vampira de Venecia
Este curioso costume está testemunhado arqueologicamente noutros cadáveres de época medieval e moderna, como no campo-santo de Celekovice (Moravia) perto de Praga (século 10-11 d.C) onde 12 indivíduos foram submetidos a esta prática postmortem (King, 2011a), e na Itália onde vai uns anos se dera a conhecer o caso de uma mulher de idade abançada falecida durante a praga no século 16 e enterrada em uma fossa comum no lugar Lazzareto Vechio, que aparecera igualmente cum grosso pelouro ainda incrustado entre seus dentes (Nuzzolese & Borrini, 2010), ou mais recente o caso dos restos de uma moça exumados em Piondino (Toscana).

Escavações em Pionbino (Toscana)
A explicação destas crenças parece estar na natureza atribuída a estes defuntos de "maus mortos". Durante Idade Media estivo muito estendida a crença em que aqueles mortos que que tiveram uma "mala morte", entendendo por elo geralmente uma morte violenta, como a dos criminais justiçados ou as pessoas que foram assassinadas ou vitimas de um episódio bélico (como os dois irlandeses), ou bem aqueles que não foram enterrados "bem", como Deus manda, isto é fora de sagrado, por estarem excomungados ou simplesmente ter-se perdido o seu cadáver e quedar exposto (como soia suceder com os afogados no mar).

Também entravam nesta categoria aquelas pessoas que durante a sua vida tiveram uma existência considerada marginal -ou marginalizada- pela comunidade, como sucedia frequentemente com as meigas. O qual que se tem sugerido para a Vampira de Venecia e a moça de Piondino ainda que neste casso tenha-se também plantegado que for parte doutra categoria anómala, a de "adultera" ou "prostituta" (King, 2011b). Todos estes "maus mortos" eram suscetíveis de converter-se trás do seu passamento em "aparecidos", e voltar ao mundo provocando a morte aos vivos

O caráter contagioso que tinha na mentalidade popular a condição dos visitantes do alem fazia que mesmo o simples contacto com eles leva-se a morte aos vivos. E frequente recordar o casso do nosso lendário popular em que a anima dum pecador aparece-se a um homem pedindo-lhe que lhe corte o santo-abito com que o amortalharem pois lhe impede a entrada no inferno, do mesmo jeito que os seus pecados lhe a negam no céu, atando-a a este mundo, coisa que o vivo assim faz, embora a caridade não tenha prémio pois dias depois o que se apiedará da anima empeça a murchar para falecer ao pouco. De igual jeito era o destino do vivo que acompanha a Estadeia o de ir e perdendo a saúde e enfraquecendo até formar ele mesmo parte da eterna processão dos mortos (Risco, 1962).

Este tétrico mas omnipresente imaginário da morte deveu de favorecer a extensão das crenças, e sobre tudo rituais, relacionados com este tipo de entidades na medida que elo fornecia uma boa explicação -causal- a arbitrariedade da morte, e mesmo uma forma, por ineficaz que for, de escapar a ela, em intres expecialmente sensíveis como foram as bagas de pragas que assolaram a Europa durante boa parte a Idade Media e Moderna, começando pola peste da que pares seica forem vitimas tanto a dama de Venecia como o avultado número de defuntos "malfaisants" de Celekovice (Ziegler, 2011b) ou no caso do cemiterio irlandes ( Ziegler, 2011a). Uma boa época para o imaginário da morte, mas não tanto para os vivos, aos a iconografia moralizante de cote mostra em alegórico -mas de feito também real- combate contra a parca/ ou parcas.

Mas como vencer em tal combate, como matar o que já esta morto,  isso desde logo era um contrasentido em sim mesmo, pelo que a forma de enfrentar a ameaçante presença tinha que passar ou por meios profiláticos, que alongassem o mal da pessoa, como diversos amuletos, por ineficazes que foram ou bem por evitar o desprazimento da anima desde o seu cadaleito, neutralizando finalmente assim o perigo das incomodas visitas

As formas de evitar que a anima mortos abandonassem a sepultura, estava intimamente relacionada com o tratamento do corpo do defunto, entre eles hachava-se o tamponamento da boca, que topamos estendido em todos estes casos citados acima (mostrando quase uma expansão pan-europeia do rito), para evitar que o alma deixara o corpo pela sua saída natural, por onde damos o nosso "ultimo alento".

Outros meios, algum deles também suscetíveis de reconhecimento arqueológico e que tenhem sido estudados a traves das evidencias textuais polo medievalista Claude Lecouteux em vários livros (1986, 1990), como o interessante Fantômes et Revenant au Moyen Age (traducido recentemente ao castelhano),  incluíam a decapitação postmortem do corpo e colocação da cabeça uma vez seccionada diante dos pés do cadáver, junto a ela estavam também às mais diversas variedades de proto-sádicos exercícios de bordagem e piercing, com longos cravos, sobre o pobre defunto, rematado nalgum mais expeditivo caso, ainda coa destruição dos restos pelo "lume purificador", já fora parcial (normalmente coa extração e queima do coração) ou total

Não posso esquecer, de passo que quando lera no Fantômes de Lecouteux o caso da decapitação e posta aos pés da testa não pudem evitar que me viram, a cabeça as consabidas explicações e prolongações pre- e proto-históricas do papel da cabeça como assento do espírito, da vida, ou ainda da pessoalidade (Lambrecht, 1954)  em tudo isto, mas que também me fixe-se recordar de novo uma anedota que anos antes me contara D. Luis Montegudo, naquelas tardes que me passava daquela na sua casa de Belvis como ele dizia fazendo-lhe "de secretario", e na que de novo o arqueologia volve a enlaçar-se coa ténue sombra do folklore.

Tetes coupes do Oppidum de Entremont
Contara-me daquela Dom Luís o que lhe ocorrera uma vez a certo arqueólogo num desses países de fala alemã ao que lhe contaram uns paisanos da zona, junto antes de escomeçar a escavação de um túmulo, que ali nele fora enterrada uma mulher -com nome que não recordo- e "coa sua cabeça aos pés", o caso e que o nosso arqueólogo sem acreditar muito em tudo aquilo, principiou a remover terra sem mais, e finalmente ao chegar a câmara topou-se logo um corpo de femininas formas sem testa mas com um crânio perfeita e expressivamente situado, justo "aos seus pés".



Referências

- Killgrove, K., "Archaeolgoy of the Undead"  2011a  Powered by Osteons
- Killgrove, K., "Witches and Prostitutes in Medieval Tuscany" 2011b Powerd by Osteons
- King, D., "Burials: Zombies vs Vampires"  2011a  Phdiva
- King, D., "A medieval Withch?" 2011b  Phdiva
Lambrechts, P.: L´exaltation de la tête dans la penée et dans l´art des celtes. De Tempel, Brujas, 1954, 3 vols 
- Lecouteux, Cl., Fantômes et revenants au Moyen Age, Imago, Paris 1986 (trad. cast. Olañeta Editor, Palma de Malhorca 1999)
- Lecouteux, Cl. & Marqc, Ph., Les esprits et les morts, croyances medievales. H. Champion, Paris 1990
- Lecouteux, Cl., História dos Vampiros. UNESP
- Nuzzolese, E & Borrini, M., "Forensis approach to an archaeological casework of "vampir" skeletal remains in Venice: odontological and anthropological prospectus" Journal of Forensic Sciences 55/6, 2010, pp. 1634-7  DOI:10.1111/j.1556-4029.2010.01525.x.
- Risco, V., "etnografia galega. Cultura espiritual" in: Otero Pedraio, R (ed.): Historia de Galicia. Nós, Bos Aires, 1962-1973  3 vols.
- Tsaliki, A., "Unusual Burials and Necrophobia: an insight into the Burial Archaeology of Fear" in: Murphy, E., Deviant Burial in the Archaeological Record. Oxbow Books, Oxford, 2008 pp. 1-16
- Ziegler, M.,"The Vampire in the Plague Pit" 2011a Contagions
- Ziegler, M., "Vampire Prevention in Eighth Century Ireland" 2011b Contagions