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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A Pré-historia Genetica da Centro-Europa

Traçam o mapa das quatro migrações que mudaram a história genética da Europa

A análise do ADN de ossos pré-históricos permitiu desentranhar as mudanças genéticas que deram origem às populações modernas da Europa. Dois estudos descrevem a complexidade dos padrões de migração e os relacionamentos humanos no velho continente desde o Neolítico à Idade de Bronze, com a mudança da caça e a recoleção à agricultura e a metalurgia.

A análise de ADN dos dentes e restos ósseos pré-históricos permitiu rastrear a história genética da Europa moderna. Dois estudos publicados hoje em Science descrevem os padrões migratórios de Centro-europa durante a mudança para à agricultura entre o Neolítico e a Idade de Bronze. Neste período muitos caçadores-recoletores mantiveram os seus costumes enquanto outros povos já cultivavam.



"Temos caracterizado diferentes culturas arqueológicas para reconstruir quatro importantes situações durante o Neolítico que descrevem o fluxo genético europeu", destaca Guido Brandt, pesquisador do Instituto de Antropologia da Universidade de Maguncia e um dos autores dos estudos. "Uma simples mistura entre os caçadores-recoletores indígenas europeus e a população emigrante do este do continente não pode explicar a diversidade genética europeia", assevera.



"Estes momentos clave são quatro: a introdução da agricultura desde Oriente Próximo ao centro da Europa; depois, desde Europa Central até o sul de Escandinávia; a influência genética de Oriente Próximo, e por último, o influxo da cultura campaniforme do oeste europeu. Cada um destes eventos contribuiu à formação da diversidade mitocondrial dos europeus de hoje em dia", expõe Brandt.

reconstrução de vaso campaniforme

Em um primeiro estudo, as equipas de investigação analisaram o ADN mitocondrial, que se herda da mãe, extraído de ossos e dentes pertencentes a 364 esqueletos humanos das culturas que povoaram a região de Mittelelbe-Saale na Alemanha durante mais de 4.000 anos. Para descrever a pré-história genética dos centro-europeus, foi necessário um processo a mais de oito anos no que utilizaram novas tecnologias de análises genómico.

distancias genéticas e continuidade populacional centro-europeia

Os resultados de Brandt indicam que durante o Mesolítico (entre o Paleolítico e Neolítico) os centro-europeus eram caçadores-recoletores. Depois foram substituídos pelos agricultores neolíticos, que dominaram a zona durante 2.500 anos, graças à agricultura própria das regiões de Oriente Próximo, Anatólia e o Cáucaso.


Convivência entre agricultores e caçadores

 O segundo estudo assegura que os povoadores caçadores-recoletores viveram junto dos agricultores durante uns 2.000 anos desde a entrada dos cultivos no continente. Nesta segunda investigação, os cientistas sequenciaram os genomas mitocondriais de 25 indivíduos do jazigo arqueológico Blätterhöhle em Hagen (Alemanha), mediante a análise dos isótopos de enxofre, nitrogénio e carbono contidos nos ossos e os dentes.


Os resultados refletem que durante anos três culturas diferentes habitaram no centro da Europa: uma de caçadores-recoletores; outra formada por agricultores, provavelmente novos imigrantes; e uma última também de caçadores-recoletores que subsistiam principalmente graças à pesca nos rios.


 As mostras analisadas refletem que estas duas últimas culturas foram vizinhas e viveram uma ao lado da outra durante uns 2.000 anos, mas com muito pouco ou nenhum intercâmbio nem cultural nem genético.

Fonte texto: Sinc
 
  
Refêrencias

Brandt, G. et alii (2013): "Ancient DNA Reveals Key Stages in the Formation of Central European Mitochondrial Genetic Diversity" Science Vol. 342, Nº 6155 pp. 257-261 DOI: 10.1126/science.1241844
  
Bollongino, R. et alii (2013): "2000 Years of Parallel Societies in Stone Age Central Europe". Science Vol. 342 Nº 6155  DOI: 10.1126/science.1245049
  
Balter, M. (2013): "Farming's Tangled European Roots" Science Vol. 342, Nº 6155 pp. 181-182 DOI: 10.1126/science.342.6155.181


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Porcos entre o Mesolítico e o Neolítico

Os caçadores-recoletores europeus possuiram porcos já no 4600a.C

Os caçadores-coletores europeus adquiriram porcos domesticados dos seus vizinhos agricultores tão cedo quanto 4600aC, de acordo com as novas evidências. Uma equipe internacional de cientistas, incluindo pesquisadores da Universidade Durham, mostrou que houve interação entre os caçadores-coletores e as comunidades agrícolas e uma "partilha" de animais e conhecimentos. A interação entre os dois grupos levou aos caçadores-coletores a que incorporam a agricultura e criação de gado na sua cultura, afirmam os pesquisadores. 


A investigaçao, publicada na revista Nature Communications, oferece novas evidencias sobre os movimentos dos seres humanos pré-históricos ea transição de tecnologias e conhecimentos. A propagação de plantas e animais em toda a Europa entre o 6000 e 4000 AC envolveu uma complexa interação entre os indígenas caçadores-coletores do Mesolitico e os recem chegados agricultores neolíticos ,mas a escala da interação e a medida em que os caçadores-coletores adoparam idéias de seus vizinhos continua a ser muito debatido.


Os pesquisadores afirmam que as evidências anteriores sobre a posse de animais domésticos por parte de caçadores-coletores até agora tinham sido meramente circunstanciais. Ainda não se sabe se os caçadores-coletores receberam os seus porcos através do comércio ou a troca, ou por caça e captura de animais que escaparam dos asentamentos agricolas. No entanto, os porcos domésticos tinham pelejos coloridos e manchados diferentes dos usuais que teriam parecido estranhos e exóticos aos caçadores-coletores e poderom ter atraído a sua atençao sobre os porcos.


O Co- autor do artigo o Dr. Greger Larson , do Departamento de Arqueologia da Universidade de Durham , acrescentou: "Os seres humanos amam a novidade, e apesar de que os caçadores-coletores já tinham explorado o javali, teria sido difícil não ficar fascinados pelos porcos manchados de aparência estranha propriedade dos agricultores que viviam nas proximidades . 



Nao deveria ser nenhuma surpresa que os caçadores-coletores adquiriram alguns deles , eventualmente, mas este estudo mostra que eles fizerao cedo mesmo após os porcos domésticos chegaram ao norte da Europa.". A equipe analisou o ADN antigo dos ossos e dentes de 63 porcos do norte da Alemanha , que mostrarom como os caçadores-recoletores tinham adquirido porcos domésticos de diferentes tamanho e cor de pelagem, e que tinha tanto ascendência proximo oriental como europeia.


O autor principal, o Dr. Ben - Krause-Kyora, da Universidade Christian -Albrecht de Kiel ( Alemanha), disse: "Os caçadores-recoletores mesoliticos definitivamente tinham cães, mas eles não praticavam a agricultura e não tinha porcos, ovelhas, cabras, vacas, tudo o que fora introduzidos na Europa pelos agricultores arredor do 6000 a.C. Ter a pessoas que praticam uma estratégia de sobrevivência muito diferente nas proximidades deve ter resultado estranho, e agora sabemos que os caçador, chegaram a possuir alguns dos porcos domesticados dos agricultores ".


A pesquisa foi liderada pela Christian - Albrechts Universität , Alemanha junto com pesquisadores envolvidos nas Universidades de Durham University, Aberdeen,  o Museu de História Natural do Reino Unido; Archäologisches Landesmuseum Schloss Gottorf , Alemanha ; Hospital Universitário Schleswig -Holstein, na Alemanha, e a  Graduate School of Human Development in Landscapes, Alemanha. O projeto recebeu financiamento do Natural Environment Research Council ( NERC ) e da Graduate School of Human Development in Landscapes.

Fonte do texto: Durham Univ. News


Refêrencia
 
Krause-Kyora,B; Makarewicz,Ch; Evin, A,et alii: "Use of domesticated pigs by Mesolithic hunter-gatherers in northwestern Europe." Nature Communications  DOI: 10.1038/ncomms3348


sexta-feira, 3 de maio de 2013

As Origens dos Irlandeses - J. P. Mallory

The Origin of The Irish

J.P. Mallory, The Origins of the Irish Thames and Hubson, 2013  320pp  ISBN 9780500051757


Sinopse
Os Estudiosos têm intrigado o enigma das origens dos irlandeses por mais de mil anos, mas -segundo o autor- sem nenhuma resolução clara. Os irlandeses medievais criaram uma elaborada narrativa de suas origens que tem assombrado gerações de arqueólogos, linguistas e ainda aos modernos geneticistas.

Livro de Leinster, Trinity College, fonte: ISOS

O livro de Mallory enfatiza que os irlandeses não têm uma única origem, mas são um produto de múltiplas influências que só pode ser rastreado através do emprego de arqueologia, genética, geologia, linguística e mesmo a mitologia. Começando com a colisão geológica que fundiu as duas metades da Irlanda, o autor traça a longa viagem da Irlanda para se tornar uma ilha. Examina as fontes arqueológicas sobre os primeiros povoadores da Irlanda e por que eles ter procurado este lugar da da Europa para estabelecer-se.

Teamhair na Rí, Tara Co. Medh, Leinster

Trata-se assim mesmo o problema das origens dos primeiros agricultores e o seu impacto sobre a Ilha, temática a que sege um exploração sobre os metalúrgicos da Idade dos metais; desde o cobre até o ferro, e como eles introduzir à Irlanda nas orbitas mais amplas da culturas europeias contemporâneas

Reconstrução de casa neolítica no Irish National Heritage Park

Mallory expõe e avalia as explicações tradicionais da pré-história da Irlanda à luz das pesquisas mais recentes e novas teorias sobre as origens dos irlandeses, abordando de passo polémica questão dos Celtas, da celticidade irlandesa e das evidencias linguísticas sobre o irlandês como língua.


INDEX

Introduction

Chapter One: The Origins of Ireland

Chapter Two: First Colonists

Chapter Three: First Farmers

Chapter Four: Beakers and Metals

Chapter Five: The Rise of the Warriors

Chapter Six: The Iron Age

Chapter Seven: The Native Version

Chapter Eight: Skulls, Blood and Genes

Chapter Nine: The Evidence of Language

Chapter Ten: The Origins of the Irish


+INFO sobre o livro: The Origin of the Irish


Postagem relacionada: Nos Começos da Britania ...

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Nos começos da Britania - Barry Cunliffe

BRITAIN BEGINS

Cunliffe, Barry, Britain Begins Oxford University Press, Oxford 2012 568pp. ISBN: 978-0-19-960933-8


Sinopse
O livro é nada mais nada menos do que a história das origens dos povos britânicos e da Irlanda, desde cerca de 10.000 aC até a véspera da conquista normanda. Usando a mais atuais evidências arqueológicas junto com as novas pesquisas sobre o ADN e outras técnicas científicas que nos ajudam a traçar as origens e movimentos destes primeiros povoadores.



Barry Cunliffe oferece uma rica narrativa dos primeiros habitantes das ilhas - quem eram?, de onde eles viram?, e como eles integravam uns com os outros?. Subjace a este relato a ideia de uma história entorno ao mar, que permitiu o constante contato entre os habitantes das ilhas e seus vizinhos continentais.



O livro também explora o desenvolvimento dos primeiros mitos historiograficos, criados arredor destes antepassados, tentando compreender suas origens. Antes do desenvolvimento da disciplina de arqueologia, votara-se mao dos textos biblicos e classicos dos textos bíblicos e clássicos, para criar uma origem mitológica dos britânicos. 

 "O Grande Festival dos Britões", extraido de Meyrick & Smith, The costume of the original inhabitants of the British Islands, Londres 1815

Cunliffe mostra como os arqueólogos de hoje não são menos movidos pelo mesmo desejo de compreender o seu passado, a diferença esta em que agora temos muitas mais evidências com as trabalhar


INDEX

Preface

Cap. 1 In the Beginning: Myths and Ancestors

Cap. 2 Britain Emerges: the Stage is Set

Cap. 3 Interlude: Enter the Actors

Cap. 4 Settlement Begins 10,000 - 4200 BC

Cap. 5 New People, New Ideas 4200 - 3000 BC

Cap. 6 Mobilizing materials: a New Connectivity 3000 - 1500 BC

Cap. 7 Interlude: Talking to Each Other

Cap. 8 The Productive Land in The Age of Warriors 1500 - 800 BC

Cap. 9 Episodes of Conflict 800 - 60 BC

Cap. 10 Interlude: Approaching the Gods

Cap. 11 Integration: the Roman Episode 60 BC - AD 350

Cap. 12 Its Red and Savage Tongue AD 350 - 650

Cap. 13 The Age of the Northmen AD 600 - 1100

Cap. 14 Of Myths and Realities: an epilogue

A Guide to Further Reading

Index


+INFO sobre o livro em: Oxford University Press

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Áreas Linguisticas, Áreas Culturais - Livro

        
AIRES LINGUISTIQUES, AIRES CULTURELLES

Le Bris, Daniel, Aires Linguistiques Aires Culturelles. Etudes de concordances en Europe occidentale: zones Manche
et Atlantique. CRBC/UBO, Brest, 2012, 196pp.
ISBN 978-2-901737-96-4


Sinopse
Os Celtas são realmente originários da Europa central? Pode-se ainda falar de uma invasão indo-europeia? Novos pesquisadores tentam o labor de alumiar a estas questões. São linguistas, arqueólogos, geneticistas, pré-historiadores e apoiam os seus estudos nas descobertas dos trinta últimos anos. Estas descobertas mostram que em uma aprastante maioria não há nenhuma prova de uma invasão indo-europeia em IV milénio aC. a escala de todo o continente europeu. Os Celtas já não viriam de um território sito entre Áustria e o sul da Alemanha, como isso é convencionalmente admitido desde o século XIX, mas seriam estabelecidos desde o final do Paleolítico superior e/ou o Mesolítico ao longo da costa atlântica, da península Ibéria à Armórica e às Ilhas Britânicas. Os descendentes dessas populações introduziriam e difundido, de oeste a este, e não ao inverso, o método de construção dos megálitos, o copo campaniforme, a metalurgia do bronze, a domesticação do cavalo, a roda de rádios.


INDEX

Introduction

Daniel Le Bris – Continuité-discontinuité de peuplement et de langues en zone atlantique


Les Européens Atlantiques

Marcel Otte – Les Indo-européens sont arrivés en Europe avec Cro-Magnon


Une Origine Atlantique des Cultures et Langues Celtiques

Mario Alinei et Francesco Benozzo – Les Celtes le long des côtes atlantiques : une présence ininterrompue depuis le Paléolithique

John T. Koch – Tartessian as Celtic and Celtic from the West: both, only the first, only the second, neither

Xaverio Ballester – Les langues celtiques : origines centre-européennes ou... atlantiques ?

Stephen Oppenheimer  – The post-glacial peopling of the British Isles: can "Celtic" and "Anglo-Saxon" physical intrusions be defined and measured?


Le Peuplement de La Manche

Cyril Marcigny – Emprise territoriale des complexes socio-économiques de l'âge du Bronze dans l'ouest de la France

Gary German  – Le brittonique et le vieil anglais suite à l'Adventus Saxonum : remplacement ou changement de langue ?

Des Corrélations entre le chamito-sémitique et le celtique

Steve Hewitt – La Question d'un substrat chamito-sémitique en celtique insulaire


+INFO sobre o livro: Aires Linguistiques, Aires Culturelles

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Dinâmica de Populações na Pré-história - Livro

POPULATION DYNAMICS IN PREHISTORY & EARLY HISTORY

Kaiser, E., Burger, J. & Schier, W (eds.), Population Dynamics in Prehistory and Early History. New Approaches Using Stable Isotopes and Genetics. Walter De Gruyter, Berlin, 2012
ISBN: 978-3-11-026630-6


Sinopse
As Migrações e dinâmica de população são considerados temas muito problemáticos nos campos de estudos antigos. Bolsa recentes investigação sobre as populações (pré)históricas geraram novos um novo impulso para utilizar as aproximações científicas baseadas na radiogénica de isótopos estáveis, e a paleo-genética, assim como as simulação por computador. Como resultado, o estado de investigação experimentou uma rápida mudança. 

Os contributos de vários grupos investigadores apresentadas numa conferência celebrada em Berlim em 2010, dirigidas a aspetos históricos específicos de dinâmica de populações e migração, sem restrições cronológicas ou geográficas, tentaram apresentar uma pesquisa bioarqueologica transversal. 

O presente volume, dividisse em três grandes secções temáticas (análise de isótopos, genética de população, e simulação de modelos por computador), que as novas ideias, experiências, e aproximações metodológicas, que amostram através de uma série de contributo as possibilidades futuras da investigação futura nesta área. 
  
  
 INDEX




Descarrega o livro no site de:   De Gruyter

Escitas, entre a Europa e Ásia

As origens da mistura genética entre europeus e asiáticos

Um grupo de pesquisadores liderado pola Universitat Autònoma de Barcelona (UAB), descobriram a primeira evidência científica de mistura genética entre europeus e asiáticos nos restos fósseis de antigos guerreiros escitas que viverão há mais de 2.000 anos na região de Altai em Mongólia. Ao contrário do que se pensava anteriormente, os resultados publicados na revista PLoS ONE indicam que esta mistura não foi devida a uma migração para o leste dos europeus, mas a uma expansão demográfica das populações locais da Ásia Central, graças as melhoras tecnológicas que a cultura escita trouxera com eles.

O Altai é uma cadeia montanhosa da Ásia Central que ocupa polo o oeste territórios dos atuais Rússia e Cazaquistão e da Mongólia e China, pelo este. Historicamente, as estepes da Ásia Central tem sido um corredor natural para as populações asiáticas e europeias, da qual é resulta a grande diversidade das população da região hoje em dia. Em tempos antigos, no entanto, o Montanhas do Altai, localizadas no meio das estepes, representarão uma importante barreira para a convivência e mistura das populações que viviam a ambos lado, assim eles viveram isoladas durante milénios: os europeus, no lado ocidental e os asiáticos do lado oriental.

A cordilheira do Altai e estepa asiática

A pesquisa realizada polos investigadores do Institut Català de Paleontologia Miquel Crusafont da UAB, e do Instituto de Biologia Evolutiva (UPF-CSIC) lança uma nova luz sobre quando e como ocorreu essa mistura genética euro-asiática.


Os pesquisadores do Laboratório palaeogenetica da UAB analisaram o ADN mitocondrial (herdado da mãe, que permite traçar nossos ancestrais pola linha materna) extraído dos ossos e dentes de 19 esqueletos da Idade do Bronze (séculos X-VII aC) e da Idade do Ferro (séculos VII-II AC) procedentes das montanhas Altai mongol. Os restos foram extraídos de uns túmulos descobertos há sete anos, nos que foram descobertos os corpos de corpos de vários guerreiros escitas, no que representou a primeira evidência desta cultura no leste da Ásia.

Kurgan da região do Altai

Os resultados obtidos demonstram que durante a Idade do Ferro, no tempo em que a cultura escita se estendia polas montanhas de Altai, a população da região tinha uma mistura perfeita de linhagens europeias e asiáticas no DNA mitocondrial ou sequências. A descoberta é muito relevante, tendo em conta que as populações anteriores não mostravam sinais de nenhuma mistura de linhagens: o ADN analisado nos túmulos localizados na Rússia e Cazaquistão pertencem a linhagens europeias, enquanto o ADN da parte oriental, na Mongólia, contêm linhagens asiáticas.

frequência espacial das linhagens euro-asiáticas

"Os resultados fornecem uma informação excecionalmente valiosa sobre como e quando apareceu a diversidade populacional que encontramos hoje nas estepes centro asiáticas e aponta a possibilidade de que isto ocorre-se no Altai há 2.000 anos, entre as populações locais de ambos os lados da cordilheira, coincidindo com a expansão da cultura escita, que veio do oeste", explica Assumpció Malgosa, professora de Antropologia Biológica na UAB e coordenador da pesquisa.



Estudos realizados até agora sobre mostras de ADN antigo do Altai já indicaram que os escitas foram a primeira grande população em amostrar mistura entre europeus e asiáticos. No entanto, apenas as populações estudadas foram as da parte ocidental das estepes da Eurásia, o que sugeria que essa mistura foi devida a migrações populacionais da Europa para o leste.

rede de sequências do haplogrupo M   .

Esta pesquisa é a primeira a fornecer provas científicas desta mistura de populações no lado oriental do Altai, e indica que o contacto entre as linhagens europeias e asiáticas ocorreu antes da idade de ferro, quando as populações estavam presentes em ambos lados da montanha. O estudo sugere que a população asiática adotou a cultura escita, mais avançada tecnologicamente e socialmente, e isso fixo-os aumentar demograficamente, favorecendo sua expansão e contacto com os europeus.



Essa ideia pranteia uma nova hipótese sobre a origem da atual diversidade populacional na Ásia Central e permite uma melhor compreensão do processo demográfico que ocorreu detrás dela.


As tumbas congeladas dos guerreiros escitas
    
Entre 2005 e 2007, investigadores da UAB, junto com pesquisadores franceses e mongóis, participaram em um projeto europeu destinado cujo objetivo era escavar tumbas escitas na vertente mongola da cordilheira do Altai da Mongólia.

menino escita no peitoral de Tolstaja Mogina s, IV a.C 
Nas três campanhas de escavações realizadas mais de 20 túmulos foram escavados. Muitos estavam congelados e continham os restos humanos mumificados dos enterrados junto cós seus cavalos e pertenças. Esta é a primeira vez que sepulturas de guerreiros escitas tinham sido descobertas na Mongólia, uma vez que todos os outros túmulos desta cultura foram localizados na face ocidental do Altai.


Os escitas eram um povo Indo-europeu dedicado ao pastoreio nómada e criação de cavalos. Eles cruzaram as estepes euro-asiáticas do Mar Cáspio até atingir as montanhas de Altai durante os séculos VII e II aC. Os escitas são conhecidos graças os escritos do historiador grego Heródoto.

Fonte: UAB News

Referência 
Mercedes González-Ruiz, Cristina Santos, Xavier Jordana, Marc Simón, Carles Lalueza-Fox, Elena Gigli, Maria Pilar Aluja, Assumpció Malgosa,"Tracing the origin of the east-west population admixture in the Altai region (Central Asia)" PLoS ONE  7/11: e48904
DOI: 10.1371/journal.pone.0048904


terça-feira, 8 de maio de 2012

As origens do cavalo


O Mistério da Domesticação do cavalo resolto

Uma Pesquisa reconcilia as teorias sobre a origem do cavalo doméstico.

Uma nova investigação indica que os cavalos domésticos originados nas estepes da moderna Ucrânia, sudoeste de Rússia e oeste de Cazaquistão, misturaram-se com populações selvagens locais quando se espalharem por toda a Europa e Ásia. A pesquisa foi publicada ontem, 7 de maio, na revista PNAS.


Durante várias décadas, os cientistas estiveram intrigados pela origem dos cavalos domésticos. Com base em evidências arqueológicas, por muito tempo se pensou que a domesticação do cavalo se originou na parte ocidental da Estepe Euro-asiática(Ucrânia, Rússia sudoeste e oeste do Cazaquistão), no entanto, uma única origem em uma área geograficamente restrita parecia em desacordo com o grande número de linhagens femininas existente no pool genético dos cavalos domésticos, que comummente se pensou refletia diversos "eventos" de domesticação através de uma ampla área geográfica.

Nomada kazako, o seu cavalo e sua aguia


A fim de resolver a história desconcertante do cavalo doméstico, os cientistas da Universidade de Cambridge usaram uma base de dados genética de mais de 300 cavalos ao longo de toda a Estepe Euro-asiática para executar para contrastar uma serie de modelos e escearios hipotéticos para a domesticação.

Equus ferus ferus

Sua pesquisa mostra que o ancestral selvagem extinto dos animais domésticos, o Equus ferus, expandiu-se fora de Ásia Oriental cerca de 160.000 anos atrás. Eles também foram capazes de demonstrar que Equus ferus foi domesticada na estepe da Eurásia ocidental, e que os rebanhos foram repetidamente reabastecidos com cavalos selvagens quando eles se espalharam por toda a Eurásia.


A Dra. Vera Warmuth, do Departamento de de Zoologia da Universidade de Cambridge, disse: "Nossa pesquisa mostra claramente que a população fundacional originária dos animais domésticos foi criada na estepe da Eurásia ocidental, uma área onde topamos a evidência arqueológica mais antiga de cavalos domesticados. A propagação da domesticação do cavalo difere de muitas outras espécies de animais domésticos, em que os rebanhos ao espalhar-se foram aumentados com cavalos selvagens locais numa escala sem precedentes noutras espécies. Se estes eventos de repovoamento envolverão principalmente a éguas selvagens, podemos explicar o grande número de linhagens femininas presentes na genética do cavalo doméstico sem ter de invocar umas origens múltiplas para o fenómeno da domesticação ".

algumas das linhagens do cavalo doméstico


Os investigadores fornecem a primeira evidência genética para situar a origem a domesticação numa área geograficamente restrita, na estepe da Eurásia, como é sugerido pela arqueologia, e mostram que a enorme diversidade feminina é o resultado de introduções posteriores de éguas selvagens locais em rebanhos domésticos, reconciliando assim as provas que se tinham dado lugar a conflito entre uns dados e outros

Fonte: Univ. of Cambridge Reseach News

Referência:
- Jansen, Th., Forster, P., Renfrew, C. et alii: "Mitochondrial DNA and the origins of the domestic horse" PNAS 99/16, 2012 pp.10905–10910  DOI: 0.1073/pnas.152330099


quarta-feira, 28 de março de 2012

O primeiro rebanho

As traças no ADN do gado levam a um pequeno rebanho em torno a 10.500 anos atrás

Tudo o gado bovino atual é descendente de uns 80 animais que foram domesticados a partir de bois selvagens do Oriente Próximo 10.500 anos atrás, segundo um novo estudo genético.
  
Uma equipa internacional de cientistas do CNRS, o Museu Nacional de História Natural de França, a Universidade de Mainz, na Alemanha, e o UCL no Reino Unido foram capazes de realizar o estudo do ADN extraindo dos primeiros ossos conhecidos de gado doméstico, topados em escavações em sítios arqueológicos iranianos. Esses sítios foram ocupados não muito depois da invenção da agricultura e estão na região onde o gado bovino fora domesticado por primeira vez.

A equipa examinou as pequenas diferenças nas sequências de ADN de antigos animais, assim como de gado moderno, para estabelecer como poderiam ter surgido dadas as histórias das diferentes populações. Usando simulações de computador, eles descobriram que as diferenças de ADN só poderia ter surgido se um pequeno número de animais, cerca de 80, que foram domesticados a partir de boi selvagem (auroque). O estudo foi publicado na edição atual da revista Molecular Biology and Evolution.



A Dra. Ruth Bollongino do CNRS, França, e da Universidade de Mainz, na Alemanha, principal autora do estudo, disse: " A obtenção de sequências de ADN fiáveis de resíduos que são encontrados em ambientes de frio é de rotina”. É por isso que os mamutes foram uma das primeiras espécies extintas a partir do qual pudemos ler seu ADN. Mas obter ADN de confiança a partir de ossos encontrados em regiões quentes é muito mais difícil porque a temperatura é muito crítica para a sobrevivência do ADN. Isto significava que temos que ser extremadamente cuidadosos para não terminar lendo ADN contaminado por gado morto em tempos mais recentes.

O número de animais domésticos tem implicações importantes para o estudo arqueológico de domesticação. O Prof. Mark Thomas, geneticista do Departamento de Genética, Evolução e Meio Ambiente da UCLe um dos autores do estudo, disse: "Este é um número surpreendentemente pequeno de gado. Sabemos a partir dos restos arqueológicos que os ancestrais selvagens do gado de hoje, os conhecido como auroques, eram comuns em toda a Ásia e Europa, assim teria havido muitas oportunidades para captura-los e os domesticar".

representação de auroque num gravado anônimo de princípios do XIX

O Prof. Joachim Burger, da Universidade de Mainz, outro dos autores, disse: "os auroques selvagens são animais muito diferentes do moderno gado doméstico."Eles eram muito maiores do que os bovinos modernas, e não teria tido as características internas que vemos hoje, como a docilidade. Assim, em primeiro lugar, a captura desses animais não teria sido fácil, e embora algumas conseguiram captura-los vivos, a sua mantimento continuado e criação a cria ainda teria apresentado dificuldades consideráveis, até que ela tivesse conseguido um tamanho menor e um comportamento mais dócil".

comparação dos tamanhos do auroque e touro atual

Os estudos arqueológicos sobre o número e tamanho dos ossos de animais pré-históricos têm mostrado que não só o bovino, mas também cabras, ovelhas e porcos foram domesticados por primeira vez no Oriente Médio. Mas dizer quantos animais foram domesticados para qualquer dessas espécies é uma questão muito mais difícil de responder. Técnicas clássicas de arqueologia não nos podem dar toda a imagem, mas a genética pode ajudar - especialmente se alguns dos dados genéticos provinham dos primeiros animais domésticos.

cranio do jazigo romano-britano de Binchester, foto: Michael Shanks    

O Dr. Jean-Denis Vigne bio-arqueólogo, CNRS comenta: "Neste estudo a análise genética permitiu responder a questões que - até agora os arqueólogos nem sequer se pranteavam."Um pequeno número de progenitores de gado é consistente com uma área restrita da que os arqueólogos tenham provas para o início da domesticação ca. 10.500 anos atrás. Esta área restrita poderia ser explicada pelo fato de que a criação de gado, ao contrário, por exemplo, o pastoreio de cabras, teria sido muito mais difícil para as sociedades móveis, das que só algumas das sociedades do Oriente Médio eram realmente sedentárias na época".



O Dr Marjan Mashkour, arqueólogo CNRS que trabalha sobre o Oriente Médio acrescentou "Este estudo destaca o quanto importante pode ser considerar oz vestígios arqueológicos de regiões , até o de agora nao bem estudadas, como o Iram. Sem os dados iranianos teria sido muito difícil tirar essas conclusões sobre o gado a uma escala tão global".

(Fonte:  UCL News)


Referência do artigo:

- Bollongino1,R., Joachim Burger, J., Powell, A., Mashkour, Vigne, J-D. & Thomas, M.G, "Modern Taurine Cattle descended from small number of Near-Eastern founders" Mol Biol Evol (2012)
DOI:  10.1093/molbev/mss092


sexta-feira, 2 de março de 2012

"Extinção" antes da "Extinção"


Neandertais europeus à beira da extinção, ainda antes da chegada dos humanos modernos

Novas descobertas de uma equipe internacional de pesquisadores mostram que os neandertais foram extintos mais europeus cerca de 50.000 anos. A visão anteriormente realizada de uma Europa habitada por população estável Neanderthal para centenas de milhares de anos antes dos humanos modernos chegaram, portanto, devem ser revistos.

Essa nova perspetiva de neandertais vem de um estudo de DNA antigo publicado hoje em Molecular Biology and Evolution. Os resultados indicam que a maioria dos neandertais na Europa morreu assim como 50.000 anos atrás. Depois disso, um pequeno grupo de homens de Neandertal teriam recolonizado Europa Central e Ocidental, onde sobreviveu por mais de 10.000 anos antes dos humanos modernos chegaram à cena. O estudo é o resultado de um projeto internacional liderado por pesquisadores suecos e espanhóis em Uppsala, Estocolmo e Madrid.

"O fato de que os neandertais na Europa estavam quase extintos, mas depois se recuperou, e que tudo isso aconteceu muito antes de ter feito contacto com os humanos modernos foi uma completa surpresa para nós. Isso indica que os neandertais poderia ter sido mais sensível às mudanças climáticas drásticas que ocorreram na última Idade do Gelo que se pensava anteriormente ", diz Love Dalén, professor associado do Museu Sueco de História Natural, em Estocolmo.

mandíbula neanderthal do norte de Espanha, foto: Centro de Evolução e comportamento Humanos (UCM-ISCIII)






















Em relação ao trabalho no DNA de fósseis de Neandertal, no norte da Espanha, os pesquisadores notaram que a variação genética entre neandertais europeus eram muito limitados, durante os últimos dez mil anos antes de os neandertais desapareceram. Os mais antigos fósseis em fósseis Europa e na Ásia Neanderthal, tinham uma variação muito maior genética, juntamente com a quantidade de variação seria de esperar de uma espécie que eram abundantes em uma região ao longo de um período de tempo longo.

"A quantidade de variação genética em neandertais geologicamente mais antigos, e os Neandertais na Ásia era tão grande quanto em seres humanos modernos, como uma espécie, enquanto que a variação entre europeus posteriores neandertais não era ainda tão elevada como a dos seres humanos Islândia moderna ", diz Anders Götherström, professor associado da Universidade de Uppsala.


Os resultados apresentados no estudo é inteiramente baseado em DNA altamente degradado e, portanto, as análises têm exigido tanto de laboratório avançado e métodos de cálculo. A equipa de investigação envolveu especialistas de vários países, incluindo os estatísticos, especialistas em sequenciamento de DNA moderno e paleoantropólogos da Dinamarca, Espanha e EUA. Somente quando todos os membros da equipe internacional de pesquisadores examinou os resultados poderiam se sentir confiante de que os dados disponíveis genética na verdade, revela um Neanderthal importante e até então desconhecido na história da.

"Esse tipo de estudo interdisciplinar é inestimável para o avanço da pesquisa em nossa história evolutiva. DNA de homens pré-históricos levou a uma série de descobertas inesperadas nos últimos anos e vai ser muito emocionante ver o que as descobertas são feitas mais nos próximos anos ", diz Juan Luis Arsuaga, Professor de Paleontologia Humana da Universidade Complutense de Madrid.

( Uppsala Univ News,  Anneli Waara )


Referência:
Dalén, L et alii: "Partial genetic turnover in neandertals: continuity in the east and population replacement in the west" MBE 23, 2012  pp. 1-13   DOI: 10.1093/molbev/mss074


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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ZAP 2012 - Programa

ZaP 2012

Congresso Internacional de Zooarqueologia em Portugal

Quando: 8-9 de Março 2012
Onde: Anfiteatro III – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa


Vem de publicar-se o programa definitivo da I Primeiro Congresso Internacional de Zooarqueologia em Portugal, cuja convocatória recolhêramos vai um mês no aqui Archeoethnologica. O Congresso está pela Unidade de Arqueologia (Uniarq) e o Centro de Biologia Ambiental da Universidade de Lisboa (CBA) junto co Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Univ. do Algarbe (NAP) e o apoio institucional do IGESPAR

O objectivo desta conferência é promover a comunicação entre investigadores interessados no tema da Zooarqueologia e divulgar junto da Comunidade Arqueológica o trabalho realizado ao longo dos últimos anos.


  Programa




+INFO no site do:   ZaP 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Zooarqueologia em Portugal - Congresso

ZaP 2012

Congresso Internacional de Zooarqueologia em Portugal

Quando: 8-9 de Março 2012
Onde: Anfiteatro III – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa


Entre os dias 8-9 de Março celebrara-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa o Congresso Internacional de Zooarqueologia em Portugal, organizado pela Unidade de Arqueologia (Uniarq) e o Centro de Biologia Ambiental da Universidade de Lisboa (CBA) junto co Nucleo de Arqueologia e Paleoecologia da Univ. do Algarbe (NAP) e o apoio institucional do IGESPAR.

O objectivo desta conferência é promover a comunicação entre investigadores interessados no tema da Zooarqueologia e divulgar junto da Comunidade Arqueológica o trabalho realizado ao longo dos últimos anos.



A Zooarqueologia em Portugal tem-se desenvolvido lentamente, recorrendo muitas vezes a esforços individuais e, mais recentemente, com apoios institucionais, como é o caso do Laboratório de Arqueociências do Igespar. Espera-se que com este evento se consiga um renovar de esforços e transmitir mais relevância a uma área de profundo interesse para a Arqueologia.

Os temas debatidos nesta conferência passam por análises zooarqueológicas de conjuntos de sítios arqueológicos ou de análise mais ampla e comparativa, e por questões mais específicas, de âmbito metodológico, tafonómico, osteometria e ainda de ADN antigo de animais. 

-Submissão de resumos para comunicações e posters: 30 de Janeiro 2012 


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