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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Pyrenae Vol. 45/1 - 2014


PYRENAE Vol. 45/ 1, 2014


Article de fons

Arquitectura clásica y lenguaje   pp. 7-27
Miguel Ángel De la Iglesia Santamaría

Articles

Caracterización de las materias primas líticas del yacimiento paleolítico de la Dolina de l’Esquerda de les Alzines (macizo del Garraf, Barcelona)  pp. 31-54
Mar Rey-Solé, Xavier Mangado Llach, Joan Daura Luján,
Montserrat Sanz

Sobre la neolitización de los grupos mesolíticos en el este de la Península Ibérica: la exclusión como posibilidad  pp. 55-88
Francisco Javier Jover Maestre, Gabriel García Atiénzar

La civitas sine urbe y su función de vertebración en el territorio provincial hispano: los casos de Egara y Caldes de Montbui  
pp. 89-110
Joan Oller Guzmán

Consumo de moluscos en la cannaba de Ad Legionem VII Geminam (Puente Castro, León)  pp. 111-123
Víctor Bejega García, Eduardo González Gómez de Agüero, Emilio Campomanes Alvaredo, Felipe San Román Fernández,
Fernando Muñoz Villarejo

El signaculum de Caius Valerius Avitus, duoviro de Tarraco y propietario de la villa de Els Munts (Altafulla)   pp. 125-151
Joaquín Ruiz de Arbulo

Asiriología y política. Joaquín Peñuela y la diplomacia española durante el primer franquismo pp. 153-169
Agnès Garcia-Ventura, Jordi Vidal


Ir ao numero da revista:  Pyrenae

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

II Jornadas de Arqueologia do Vale do Tejo

II Jornadas de Arqueologia do Vale do Tejo

Quando: 4-7 dezembro
Onde:  Lisboa


No Vale do Tejo estão documentadas várias ocupações humanas desde o Paleolítico Inferior. Devido à sua inegável importância científica, inúmeros investigadores, nacionais e estrangeiros, têm estudado e publicado vários artigos, livros e teses sobre a arqueologia desta região. Destes investigadores podem destacar-se, os nomes de Carlos Ribeiro, o “pai” da arqueologia pré-histórica portuguesa, Georges Zbyszewski, Veiga Ferreira e, mais recentemente, João Luís Cardoso, Luís Raposo, Luiz Oosterbeek, António Martinho Baptista, Mário Varela Gomes e José Rolão, entre muitos outros.

Por todas estas razões justificou-se a organização em 2008, pelo Centro Português de Geo-História e Pré-História, no auditório do Museu da Cerâmica de Sacavém (Câmara Municipal de Loures), de umas jornadas dedicadas à arqueologia do Vale do Tejo. Nestas jornadas, de que resultou a publicação de um livro de atas, foram apresentadas várias comunicações de temáticas variadas, permitindo a divulgação dos mais recentes conhecimentos sobre a arqueologia do Vale do Tejo.


Na sequência deste evento, o CPGP, pretende organizar as II Jornadas de Arqueologia do Vale do Tejo, entre os dias 4 e 7 de Dezembro de 2013, no Museu Nacional de Arqueologia. O programa está dividido em sessões gerais e em sessões temáticas. As línguas oficiais destas jornadas são o português e o castelhano, sendo ainda aceites comunicações em inglês, francês e em italiano desde que se apresente um resumo numa das línguas oficiais.

O prazo de recepção das comunicações estara aberto até o 10 de Novembro


 Convocatória



+INFO no site do: CPGP

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A Pré-historia Genetica da Centro-Europa

Traçam o mapa das quatro migrações que mudaram a história genética da Europa

A análise do ADN de ossos pré-históricos permitiu desentranhar as mudanças genéticas que deram origem às populações modernas da Europa. Dois estudos descrevem a complexidade dos padrões de migração e os relacionamentos humanos no velho continente desde o Neolítico à Idade de Bronze, com a mudança da caça e a recoleção à agricultura e a metalurgia.

A análise de ADN dos dentes e restos ósseos pré-históricos permitiu rastrear a história genética da Europa moderna. Dois estudos publicados hoje em Science descrevem os padrões migratórios de Centro-europa durante a mudança para à agricultura entre o Neolítico e a Idade de Bronze. Neste período muitos caçadores-recoletores mantiveram os seus costumes enquanto outros povos já cultivavam.



"Temos caracterizado diferentes culturas arqueológicas para reconstruir quatro importantes situações durante o Neolítico que descrevem o fluxo genético europeu", destaca Guido Brandt, pesquisador do Instituto de Antropologia da Universidade de Maguncia e um dos autores dos estudos. "Uma simples mistura entre os caçadores-recoletores indígenas europeus e a população emigrante do este do continente não pode explicar a diversidade genética europeia", assevera.



"Estes momentos clave são quatro: a introdução da agricultura desde Oriente Próximo ao centro da Europa; depois, desde Europa Central até o sul de Escandinávia; a influência genética de Oriente Próximo, e por último, o influxo da cultura campaniforme do oeste europeu. Cada um destes eventos contribuiu à formação da diversidade mitocondrial dos europeus de hoje em dia", expõe Brandt.

reconstrução de vaso campaniforme

Em um primeiro estudo, as equipas de investigação analisaram o ADN mitocondrial, que se herda da mãe, extraído de ossos e dentes pertencentes a 364 esqueletos humanos das culturas que povoaram a região de Mittelelbe-Saale na Alemanha durante mais de 4.000 anos. Para descrever a pré-história genética dos centro-europeus, foi necessário um processo a mais de oito anos no que utilizaram novas tecnologias de análises genómico.

distancias genéticas e continuidade populacional centro-europeia

Os resultados de Brandt indicam que durante o Mesolítico (entre o Paleolítico e Neolítico) os centro-europeus eram caçadores-recoletores. Depois foram substituídos pelos agricultores neolíticos, que dominaram a zona durante 2.500 anos, graças à agricultura própria das regiões de Oriente Próximo, Anatólia e o Cáucaso.


Convivência entre agricultores e caçadores

 O segundo estudo assegura que os povoadores caçadores-recoletores viveram junto dos agricultores durante uns 2.000 anos desde a entrada dos cultivos no continente. Nesta segunda investigação, os cientistas sequenciaram os genomas mitocondriais de 25 indivíduos do jazigo arqueológico Blätterhöhle em Hagen (Alemanha), mediante a análise dos isótopos de enxofre, nitrogénio e carbono contidos nos ossos e os dentes.


Os resultados refletem que durante anos três culturas diferentes habitaram no centro da Europa: uma de caçadores-recoletores; outra formada por agricultores, provavelmente novos imigrantes; e uma última também de caçadores-recoletores que subsistiam principalmente graças à pesca nos rios.


 As mostras analisadas refletem que estas duas últimas culturas foram vizinhas e viveram uma ao lado da outra durante uns 2.000 anos, mas com muito pouco ou nenhum intercâmbio nem cultural nem genético.

Fonte texto: Sinc
 
  
Refêrencias

Brandt, G. et alii (2013): "Ancient DNA Reveals Key Stages in the Formation of Central European Mitochondrial Genetic Diversity" Science Vol. 342, Nº 6155 pp. 257-261 DOI: 10.1126/science.1241844
  
Bollongino, R. et alii (2013): "2000 Years of Parallel Societies in Stone Age Central Europe". Science Vol. 342 Nº 6155  DOI: 10.1126/science.1245049
  
Balter, M. (2013): "Farming's Tangled European Roots" Science Vol. 342, Nº 6155 pp. 181-182 DOI: 10.1126/science.342.6155.181


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Porcos entre o Mesolítico e o Neolítico

Os caçadores-recoletores europeus possuiram porcos já no 4600a.C

Os caçadores-coletores europeus adquiriram porcos domesticados dos seus vizinhos agricultores tão cedo quanto 4600aC, de acordo com as novas evidências. Uma equipe internacional de cientistas, incluindo pesquisadores da Universidade Durham, mostrou que houve interação entre os caçadores-coletores e as comunidades agrícolas e uma "partilha" de animais e conhecimentos. A interação entre os dois grupos levou aos caçadores-coletores a que incorporam a agricultura e criação de gado na sua cultura, afirmam os pesquisadores. 


A investigaçao, publicada na revista Nature Communications, oferece novas evidencias sobre os movimentos dos seres humanos pré-históricos ea transição de tecnologias e conhecimentos. A propagação de plantas e animais em toda a Europa entre o 6000 e 4000 AC envolveu uma complexa interação entre os indígenas caçadores-coletores do Mesolitico e os recem chegados agricultores neolíticos ,mas a escala da interação e a medida em que os caçadores-coletores adoparam idéias de seus vizinhos continua a ser muito debatido.


Os pesquisadores afirmam que as evidências anteriores sobre a posse de animais domésticos por parte de caçadores-coletores até agora tinham sido meramente circunstanciais. Ainda não se sabe se os caçadores-coletores receberam os seus porcos através do comércio ou a troca, ou por caça e captura de animais que escaparam dos asentamentos agricolas. No entanto, os porcos domésticos tinham pelejos coloridos e manchados diferentes dos usuais que teriam parecido estranhos e exóticos aos caçadores-coletores e poderom ter atraído a sua atençao sobre os porcos.


O Co- autor do artigo o Dr. Greger Larson , do Departamento de Arqueologia da Universidade de Durham , acrescentou: "Os seres humanos amam a novidade, e apesar de que os caçadores-coletores já tinham explorado o javali, teria sido difícil não ficar fascinados pelos porcos manchados de aparência estranha propriedade dos agricultores que viviam nas proximidades . 



Nao deveria ser nenhuma surpresa que os caçadores-coletores adquiriram alguns deles , eventualmente, mas este estudo mostra que eles fizerao cedo mesmo após os porcos domésticos chegaram ao norte da Europa.". A equipe analisou o ADN antigo dos ossos e dentes de 63 porcos do norte da Alemanha , que mostrarom como os caçadores-recoletores tinham adquirido porcos domésticos de diferentes tamanho e cor de pelagem, e que tinha tanto ascendência proximo oriental como europeia.


O autor principal, o Dr. Ben - Krause-Kyora, da Universidade Christian -Albrecht de Kiel ( Alemanha), disse: "Os caçadores-recoletores mesoliticos definitivamente tinham cães, mas eles não praticavam a agricultura e não tinha porcos, ovelhas, cabras, vacas, tudo o que fora introduzidos na Europa pelos agricultores arredor do 6000 a.C. Ter a pessoas que praticam uma estratégia de sobrevivência muito diferente nas proximidades deve ter resultado estranho, e agora sabemos que os caçador, chegaram a possuir alguns dos porcos domesticados dos agricultores ".


A pesquisa foi liderada pela Christian - Albrechts Universität , Alemanha junto com pesquisadores envolvidos nas Universidades de Durham University, Aberdeen,  o Museu de História Natural do Reino Unido; Archäologisches Landesmuseum Schloss Gottorf , Alemanha ; Hospital Universitário Schleswig -Holstein, na Alemanha, e a  Graduate School of Human Development in Landscapes, Alemanha. O projeto recebeu financiamento do Natural Environment Research Council ( NERC ) e da Graduate School of Human Development in Landscapes.

Fonte do texto: Durham Univ. News


Refêrencia
 
Krause-Kyora,B; Makarewicz,Ch; Evin, A,et alii: "Use of domesticated pigs by Mesolithic hunter-gatherers in northwestern Europe." Nature Communications  DOI: 10.1038/ncomms3348


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Territórios de Fronteira - Palestras


Irá decorrer às 18 horas do próximo dia 10 de Outubro de 2010 dentro ciclo Territórios de Fronteira co-organizado pelo Grupo de Estudos em Evolução Humana (GEEVH), pelo Museu Nacional de Arqueologia (MNA) e pelo Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Universidade do Algarve (NAP).


O ciclo inclui palestras de:

Assentamentos romanos no Berrocal Algarvio. Resultados preliminares de um projeto de investigação
Dennis Grean Univ. de Jena

Investigar na década de 1930: Mendes Correa e as escavações nos concheiros de Muge
Ana Abrunhosa, Univ. do Algarve, CEAUCP, NAP


sábado, 11 de agosto de 2012

O Mundo Perdido



As únicas terras no Mundo que não foram exploradas amplamente são aqueles que se perderam baixo os oceanos. Após o final da última Idade do Gelo  extensas paisagens, que tinham sido o lar de milheiros de pessoas, foram inundadas pelo mar. Embora os cientistas previram já a sua existência há muitos anos, a sua exploração só recentemente se tornou uma realidade.


A atual mudança climática e o aumento do nível do mar associada, faz estar estas questões na vanguarda da discussão social e científica, mas a pesquisa mostra que as mudanças dramáticas no ambiente ocorreram inúmeras vezes no passado.



Uma das mais significativas destas paisagens perdidas por o aumento do nível do mar é a que se topou no Ocidente europeu durante o Mesolítico, um extenso território que enlaçava uma franja de térreo que unia de forma contínua a maior parte das atuais costas atlânticas e o atual mar do Norte.


Esta paisagem inundada, é maior em extensão do que são muitos países europeus modernos, e foi lentamente submergindo-se entre o 18.000 e 5.500 aC. Os arqueólogos consideram agora que esta longa área geográfica ter sido o coração da ocupação humana dentro da Europa do Norte nessa época, mas o entendimento dela depende de que sejamos capazes de localizar e visualizar essa paisagem



Atualmente um equipo de cientistas de várias universidades britânicas tenhem afrontado este problema num projeto de investigação (Project Browned Landsapes) de estas Paisagens "Perdidas", pranteando uma nova abordagem através do acoplamento de técnicas de levantamento geofísico, desenvolvidas pela indústria petrolífera do Mar do Norte, coas tecnologias de visualização 3D desenvolvidos pela indústria de modelagem por computador.


Estas metodologias inovadoras permitem a recriação das antigas paisagens que uma vez foram habitadas, conseguindo o mapeamento de rios, lagos, montanhas, costas e estuários, e a reconstrução virtual da flora e fauna a que num tempo a esses elementos geográficos estivera associada. 


Estes modelos trazem, em certa forma, de novo à vida a "patria" dessas populações do Mesolítico, sugerida agora já só polos artefactos recuperados no fundo dos mares ou nos restos de fragas fôsseis de algumas beiras costeiras da Europa Atlântica.



Elo também permite aos cientistas explorar os efeitos da subida do nível do mar sobre a paisagem e as suas populações de jeitos novos e mais holísticos que podem ajudar a fornecer soluções desde o passado para os problemas do presente.

Coa finalidade de achegar ao público geral a pesquisa do Projeto Browned Landscapes, durante este verão na Royal Society de Londres estará aberta a exposição Europe's Lost World.


Um bom pretesto para olhar no mais fundo dos mares ... as pegadas do nosso passado, certamente


+INFO no site de:  Europe´s Lost World

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

MUGE 150 - Convocatória

MUGE 150
Comemoração dos 150 anos da descoberta dos concheiros mesolíticos

Quando: 21-23 março, 2013
Onde: Salvaterra de Magos


Em 1863, Carlos Ribeiro da Comissão Geológica Portuguesa, descobriu os primeiros concheiros mesolíticos de Muge. Estes foram dados a conhecer ao mundo em 1880 no Congresso Mundial de Antropologia e Arqueologia Pré-históricas que se realizou em Lisboa. Com talvez a excepção da arte Paleolítica do Vale do Côa, os concheiros de Muge são o complexo arqueológico mais conhecido internacionalmente e, do ponto de vista científico, um dos conjuntos mais importantes da Arqueologia Portuguesa.



Em 2013 celebrar-se-ão os 150 anos da descoberta dos concheiros e com o objectivo de se organizar um congresso internacional, a ter lugar entre 21 e 23 de Março de 2013 em Salvaterra de Magos, uniram-se, até ao momento, um conjunto de instituições, autárquicas, privadas e científicas, nomeadamente o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu Geológico, as Universidades de Coimbra e do Algarve, a Casa Cadaval (proprietária dos terrenos onde se encontram as jazidas arqueológicas), a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos e a National Geographic Portugal.


A Comissão Científica, composta por Cleia Detry (UNIARQ, Universidade de Lisboa), Eugénia Cunha (Universidade de Coimbra), T. Douglas Price (University of Wisconsin, Madison) e pelo signatário Nuno Bicho, iniciou já os convites a uma lista de cerca de uma vintena de especialistas na matéria, provindos um pouco de toda a Europa, EUA e Canadá.


O call for papers está aberto, podendo-se  proceder ao envio de propostas para comunicações orais e posters até o dia 15 de outubro


+INFO no site de:  MUGE 150

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Mesolítico no Noreste de Italia - Palestra


O próximo dia 16 de Janeiro às 17:00 horas celebrara-se na sala de conferências do Museu de Mação uma Palestra arqueólogo da Universidade de Trento Stefano Grimaldi que versara sobre os inícios do neolítico no Noreste de Itália e as estratégias adaptativas das comunidades de caçadores nessa época Esta conferência forma parte do Ciclo de Conferencias: Perspetivas arqueológicas: Antropologia, história e arqueociências

domingo, 25 de setembro de 2011

Um passeio pelo sexo, a morte e o sacrifício

Vai umas semanas saiu ao lume o achádego recente dum conjunto de ossos procedentes do jazigo mesolítico de Motala no Centro de Suecia, a zona corresponde-se com importante assentamento de pescadores datado no mesolítico, é dizer no período compreendido entre o paleolítico e a irrupção do sistema neolítico.

O conhecido como "dildo da Idade de Pedra" de Motala

Este jazigo já dera nos últimos anos uma boa quantidade descobertas entre elas uma peça óssea que pela sua forma, certamente indisimulada, deu cedo em figurar nas novas com o alcume do Stone age dildo, se bem o seu tamanho real asomava certas duvidas sobre a utilidade do artefato (e é que às vezes "o tamanho sim importa") pelo que à falta de explicação haverá que cataloga-lo convencionalmente como "simbólico" ou "ritual".

Dimensões e escala da figurinha falomórfica de Motala 
Embora este ultimo achádego mostra-nos outro aspeto algo mais "macabro" da realidade destes pescadores da Europa pré-neolítica, pois evidência o uso de uma boa quantidade de ossos humanos em um curioso tratamento pós-mortem dentro do que semelha um complexo ritual, isto é um santuário.

Aqui tendes a nota da prensa de Fredrik Hallgre e  Stiftelsen Kulturmiljövård diretores da escavação, dos que também se pode consultar uma interesante entrevista na prensa, e que pudemos ler a traves do blog  Aardvarchaeology do arqueólogo sueco Martin Rundkvist:

As escavações arqueológicas no período 2009-2011 em Motala descobriram um sítio Mesolítico único com deposições cerimoniais de crânios humanos no primitivo lago. Os crânios foram tratados em uma cerimónia complexa que implicava a colocação dos crânios em estacas  e o seu deposição na água. Os crânios dataram-se por radiocarbono em 8000 anos de antiguidade. Os rituais em Kanaljorden levaram-se a cabo em um pavimento de pedra construído no fundo de um lago pouco profundo (na atualidade um pântano de multidão). Alguns crânios estão bastante intactos, enquanto outros foram encontrados como fragmentos isolados. Os intactos representam onze pessoas, tanto homens como mulheres, de idades compreendidas entre a infância e a média idade. Dois dos crânios tiveram estacas de madeira inseridas desde a base até a parte. Em outro caso, o osso temporal duma mulher de foi introduzido dentro do crânio de outra. Além dos crânios humanos, os achados também incluem um pequeno número de ossos pós-cranial humanos Assi como vários ossos animais, e artefactos de pedra, madeira, osso e hasta. A deposição de Kanaljorden tem claramente um caráter ritual. O seguinte passo é averiguar se os ossos humanos são relíquias de defuntos que se manejaram em um complexo ritual de enterro secundário, ou os troféus dos inimigos derrotados. Os arqueólogos esperam que a análise de laboratório em curso [isótopos estáveis, ADN] dará pistas sobre se os ossos se encontram os restos dos locais ou as pessoas com uma origem geográfica distante, e se representam um grupo familiar ou pessoas não relacionadas entre si.

Pelo momento e mentres a genética e os restos de isótopos estáveis de estrôncio nas peças dentárias, método analise do que já falarmos ao tratar do arqueiro do Amesbury, não deem mais lume sobre o tema pouco mais se pode dizer. O feito de estarem as estacas cravadas tão profundamente fala a favor de que não tiveram o sustento da carne já e que pelo tanto os crânios sofreram um descarnamento prévio, já for pelo passo do tempo ou forçado, por efeito da exposição ao animais, ou bem da ação manual dos humanos



Este tratamento dos ossos contrasta fortemente coas nossas atitudes atuais e ocidentais com respeito aos mortos e a morte em geral, e certa mortefobia assética cada vez mais pressente na nossa sociedade (onde vão os velórios na casa?), no obstante encaixa com atitudes que observamos em muitas culturas  (Ucko, 1969), desde os curiosos ritos de segundo enterramento da Famadíhana Madagascar (Graedner, 1995; Larson, 2001), a conservação cerimonial dos crânios dalguma tribos da áfrica e asia,  ou a conhecida Caça de cabeças dos Dayak e outros povos do SE asiático (Needham, 1976), Oceania (Zegwaard, 1959) ou dos celtas (Lambrechts, 1954) e germanos antigos como recorda Rubkvist em certa alusão verba skoll do brinde sueco. 

crânios troféu decorados com incisões dos Dayak de Borneo
Ao respeito a pergunta está em se istos restos  devem ser entendidos ou bem como "troféu" ou coma "relíquia" , estamos ante um exemplo dum sacrifício no que se misturam humanos e animais, e no que se produce a exposição do vencido?, ou bem ante um templo no que se da culto aos antepassados, e se lhes oferendem animais coma vitimas? certamente a questão não é pequena, pois por um lado enfrenta-nos ante a realidade duns caçadores que cada vez estamos mais seguros não eram os "bons selvagens pacifistas" (Guilaine e Zammit, 2002) e pelo outro uma atitude de "memorialização" do grupo que já nos recorda a coisas que logo veremos no neolítico doutras lugares como o Lebante asiático  (Rose et alii, 1998)

crânios co rosto reconstruido e enterrados baijo o solo duma casa no asentamento neolítico de Tell Aswad (Siria)
Outra questão que este achádego sugere, e não o olvidemos também é a que nos põe em relação com outro feito cultural como é o nascimento do "sacrifício animal" como ritual religioso que agora já não pode ser já considerado como resultado duma mera religiosidade neolítica, senão no que pares assomar um fundo prévio, cecais como quiser em tempos Walter Burkert, provinde do imaginário dos antigos caçadores.

Seja como for não há dúvida de que os restos de Motala nos mostram um complexo mundo ritual no que os vestígios da morte, e especialmente o crânio, tiverem um especial protagonismo, sobre como há já que entender o papel deste vítima ou objeto de reverência ancestral, troféu ou relíquia, o seu, em resume, "ser ou não ser" destes nórdicos ossos, e uma pergunta  que pelo momento, e na espera dos isótopos, meu caro Jorik queda "aberta": "that is the question"


Referências
 
- Burkert, W.: Homo Necans: The Anthropology of ancient Greek sacrificial ritual and myth University of California, Berkeley, 1983 pp. 1-81
- Graedner, D.: "Dancing with Corpses Reconsidered: An interpretation of famadihana (in Arivonimamo Madagascar)" American Ethnologist 22, 2  1995 pp. 258-278
- Guilaine, J. e Zammit, J.: El camino de la guerra. La violencia en la prehistoria. Ariel, Barcelona, 2002 pp. 61-100
- Lambrechts, P.: L´exaltation de la tête dans la penée et dans l´art des celtes. De Tempel, Brujas, 1954, 3 vols 
- Larson, P:"Austronesian Mortuary Ritual in History: Transformations of Secondary Burial (Famadihana) in Highland Madagascar" Ethnohistory 48, 1/2,  Emerging Histories in Madagascar, 2001, pp. 123-155, DOI: 10.1215/00141801-48-1-2-123 
- Needham, R.: "Skulls and Causality" Man 11,1, 1976  pp. 71-88
- Rose, J.C, Schmandt-Besserat, D.; Rollefson, G: "A Decorated Skull from MPPNB´ain Ghazal" Paléorient 24, 2  1998 pp. 99-104
- Zegwaard, G. A. "Headhunting Practices of the Asmat of Netherlands New Guinea" American Anthropologist 61, 6 1959 pp. 1020-1041 
- Ucko, P. J.: "Ethnography and Archaeological Interpretation of Funerary Remains" World Archaeology, 1, 2, 1969 pp. 262-280

Algo + de Informação em: 

- Kanaljorden – a Mesolithic Wetland  - Fredrik Hallgren, Univ. de Uppsala, Suecia
- Stone Age in Motala - Swedish National Heritage Board.
-  Arkeologi vid Motala ström - Blog das escavações (só em sueco)