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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Trabajos de Prehistoria 71/1

Trabajos de Prehistoria 71/1 2014


Artículos

Acción técnica, interacción social y práctica cotidiana: propuesta interpretativa de la tecnología  pp.  7-22
Manuel Calvo Trias, Jaime García Rosselló

Mapa de usos potenciales de la tierra de Galicia. Una perspectiva arqueológica   pp.  23-41
Brais X. Currás Refojos

La neolitización del nordeste de la Península Ibérica: datos radiocarbónicos y culturales de los asentamientos al aire libre del Penedès  pp. 42-55
F. Xavier Oms, Xavier Esteve, Josep Mestres, Patricia Martín, Haidé Martins

Cronología absoluta del fenómeno campaniforme al Norte del estuario del Tajo: implicaciones demográficas y sociales  pp. 56-75
João Luís Cardoso

Aportaciones hidrogeológicas al estudio arqueológico de los orígenes de la Edad del Bronce de La Mancha: la cueva monumentalizada de Castillejo del Bonete (Terrinches, Ciudad Real, España)  pp. 76-94
Luis Benítez de Lugo Enrich, Miguel Mejías Moreno, Julio López Gutiérrez, Honorio Javier Álvarez García, et alii

Tecnología, tipología y cronología de las fíbulas de codo antiguas del “tipo Monachil” y sus relaciones mediterráneas   pp.  95-112
Javier Carrasco Rus, Francisco Martínez-Sevilla, Juan A. Pachón Romero, Ignacio Montero Ruiz

La presencia fenicia en la Península Ibérica: el Cabezo Pequeño del Estaño (Guardamar del Segura, Alicante)   pp. 113-133
Antonio García Menárguez, Fernando Prados Martínez


Noticiario

Nuevos datos para el Neolítico antiguo en el nordeste de la Península Ibérica procedentes de la Cova del Toll (Moià, Barcelona) y de la Cova de la Font Major (L’Espluga de Francolí, Tarragona)  pp. 134-145
Artur Cebrià, Marta Fontanals, Patricia Martín, Juan I. Morales, F. Xavier Oms, Antonio Rodríguez-Hidalgo, María Soto, Josep M.ª Vergès

Los enterramientos neolíticos de Ca l’Arnella (Terrassa, Barcelona)   pp. 146-155
Roser Pou, Miquel Martí, Millán Mozota, Núria Armentano, Patricia Martín, Juan F. Gibaja

Estudio tafonómico e interpretación del gesto funerario de los restos óseos de la Cova de Montanissell (Alt Urgell, Lleida)   pp. 156-172
Núria Armentano, Xavier Jordana, Assumpcio Malgosa

Recensiones y Crónica científica
pp. 173-184

Libros recibidos
pp. 185-187

Fe de erratas.
Trabajos de Prehistoria 70, 2013  pp. 188-190


Ir ao numero de:  TP 71/1

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A Pré-historia Genetica da Centro-Europa

Traçam o mapa das quatro migrações que mudaram a história genética da Europa

A análise do ADN de ossos pré-históricos permitiu desentranhar as mudanças genéticas que deram origem às populações modernas da Europa. Dois estudos descrevem a complexidade dos padrões de migração e os relacionamentos humanos no velho continente desde o Neolítico à Idade de Bronze, com a mudança da caça e a recoleção à agricultura e a metalurgia.

A análise de ADN dos dentes e restos ósseos pré-históricos permitiu rastrear a história genética da Europa moderna. Dois estudos publicados hoje em Science descrevem os padrões migratórios de Centro-europa durante a mudança para à agricultura entre o Neolítico e a Idade de Bronze. Neste período muitos caçadores-recoletores mantiveram os seus costumes enquanto outros povos já cultivavam.



"Temos caracterizado diferentes culturas arqueológicas para reconstruir quatro importantes situações durante o Neolítico que descrevem o fluxo genético europeu", destaca Guido Brandt, pesquisador do Instituto de Antropologia da Universidade de Maguncia e um dos autores dos estudos. "Uma simples mistura entre os caçadores-recoletores indígenas europeus e a população emigrante do este do continente não pode explicar a diversidade genética europeia", assevera.



"Estes momentos clave são quatro: a introdução da agricultura desde Oriente Próximo ao centro da Europa; depois, desde Europa Central até o sul de Escandinávia; a influência genética de Oriente Próximo, e por último, o influxo da cultura campaniforme do oeste europeu. Cada um destes eventos contribuiu à formação da diversidade mitocondrial dos europeus de hoje em dia", expõe Brandt.

reconstrução de vaso campaniforme

Em um primeiro estudo, as equipas de investigação analisaram o ADN mitocondrial, que se herda da mãe, extraído de ossos e dentes pertencentes a 364 esqueletos humanos das culturas que povoaram a região de Mittelelbe-Saale na Alemanha durante mais de 4.000 anos. Para descrever a pré-história genética dos centro-europeus, foi necessário um processo a mais de oito anos no que utilizaram novas tecnologias de análises genómico.

distancias genéticas e continuidade populacional centro-europeia

Os resultados de Brandt indicam que durante o Mesolítico (entre o Paleolítico e Neolítico) os centro-europeus eram caçadores-recoletores. Depois foram substituídos pelos agricultores neolíticos, que dominaram a zona durante 2.500 anos, graças à agricultura própria das regiões de Oriente Próximo, Anatólia e o Cáucaso.


Convivência entre agricultores e caçadores

 O segundo estudo assegura que os povoadores caçadores-recoletores viveram junto dos agricultores durante uns 2.000 anos desde a entrada dos cultivos no continente. Nesta segunda investigação, os cientistas sequenciaram os genomas mitocondriais de 25 indivíduos do jazigo arqueológico Blätterhöhle em Hagen (Alemanha), mediante a análise dos isótopos de enxofre, nitrogénio e carbono contidos nos ossos e os dentes.


Os resultados refletem que durante anos três culturas diferentes habitaram no centro da Europa: uma de caçadores-recoletores; outra formada por agricultores, provavelmente novos imigrantes; e uma última também de caçadores-recoletores que subsistiam principalmente graças à pesca nos rios.


 As mostras analisadas refletem que estas duas últimas culturas foram vizinhas e viveram uma ao lado da outra durante uns 2.000 anos, mas com muito pouco ou nenhum intercâmbio nem cultural nem genético.

Fonte texto: Sinc
 
  
Refêrencias

Brandt, G. et alii (2013): "Ancient DNA Reveals Key Stages in the Formation of Central European Mitochondrial Genetic Diversity" Science Vol. 342, Nº 6155 pp. 257-261 DOI: 10.1126/science.1241844
  
Bollongino, R. et alii (2013): "2000 Years of Parallel Societies in Stone Age Central Europe". Science Vol. 342 Nº 6155  DOI: 10.1126/science.1245049
  
Balter, M. (2013): "Farming's Tangled European Roots" Science Vol. 342, Nº 6155 pp. 181-182 DOI: 10.1126/science.342.6155.181


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Porcos entre o Mesolítico e o Neolítico

Os caçadores-recoletores europeus possuiram porcos já no 4600a.C

Os caçadores-coletores europeus adquiriram porcos domesticados dos seus vizinhos agricultores tão cedo quanto 4600aC, de acordo com as novas evidências. Uma equipe internacional de cientistas, incluindo pesquisadores da Universidade Durham, mostrou que houve interação entre os caçadores-coletores e as comunidades agrícolas e uma "partilha" de animais e conhecimentos. A interação entre os dois grupos levou aos caçadores-coletores a que incorporam a agricultura e criação de gado na sua cultura, afirmam os pesquisadores. 


A investigaçao, publicada na revista Nature Communications, oferece novas evidencias sobre os movimentos dos seres humanos pré-históricos ea transição de tecnologias e conhecimentos. A propagação de plantas e animais em toda a Europa entre o 6000 e 4000 AC envolveu uma complexa interação entre os indígenas caçadores-coletores do Mesolitico e os recem chegados agricultores neolíticos ,mas a escala da interação e a medida em que os caçadores-coletores adoparam idéias de seus vizinhos continua a ser muito debatido.


Os pesquisadores afirmam que as evidências anteriores sobre a posse de animais domésticos por parte de caçadores-coletores até agora tinham sido meramente circunstanciais. Ainda não se sabe se os caçadores-coletores receberam os seus porcos através do comércio ou a troca, ou por caça e captura de animais que escaparam dos asentamentos agricolas. No entanto, os porcos domésticos tinham pelejos coloridos e manchados diferentes dos usuais que teriam parecido estranhos e exóticos aos caçadores-coletores e poderom ter atraído a sua atençao sobre os porcos.


O Co- autor do artigo o Dr. Greger Larson , do Departamento de Arqueologia da Universidade de Durham , acrescentou: "Os seres humanos amam a novidade, e apesar de que os caçadores-coletores já tinham explorado o javali, teria sido difícil não ficar fascinados pelos porcos manchados de aparência estranha propriedade dos agricultores que viviam nas proximidades . 



Nao deveria ser nenhuma surpresa que os caçadores-coletores adquiriram alguns deles , eventualmente, mas este estudo mostra que eles fizerao cedo mesmo após os porcos domésticos chegaram ao norte da Europa.". A equipe analisou o ADN antigo dos ossos e dentes de 63 porcos do norte da Alemanha , que mostrarom como os caçadores-recoletores tinham adquirido porcos domésticos de diferentes tamanho e cor de pelagem, e que tinha tanto ascendência proximo oriental como europeia.


O autor principal, o Dr. Ben - Krause-Kyora, da Universidade Christian -Albrecht de Kiel ( Alemanha), disse: "Os caçadores-recoletores mesoliticos definitivamente tinham cães, mas eles não praticavam a agricultura e não tinha porcos, ovelhas, cabras, vacas, tudo o que fora introduzidos na Europa pelos agricultores arredor do 6000 a.C. Ter a pessoas que praticam uma estratégia de sobrevivência muito diferente nas proximidades deve ter resultado estranho, e agora sabemos que os caçador, chegaram a possuir alguns dos porcos domesticados dos agricultores ".


A pesquisa foi liderada pela Christian - Albrechts Universität , Alemanha junto com pesquisadores envolvidos nas Universidades de Durham University, Aberdeen,  o Museu de História Natural do Reino Unido; Archäologisches Landesmuseum Schloss Gottorf , Alemanha ; Hospital Universitário Schleswig -Holstein, na Alemanha, e a  Graduate School of Human Development in Landscapes, Alemanha. O projeto recebeu financiamento do Natural Environment Research Council ( NERC ) e da Graduate School of Human Development in Landscapes.

Fonte do texto: Durham Univ. News


Refêrencia
 
Krause-Kyora,B; Makarewicz,Ch; Evin, A,et alii: "Use of domesticated pigs by Mesolithic hunter-gatherers in northwestern Europe." Nature Communications  DOI: 10.1038/ncomms3348


sábado, 21 de setembro de 2013

Oxford Journal of Archaeology 32/3

Oxford Journal of Archaeology
Vol. 32/3 2013


Original Articles

‘The Chicken or the Egg?’ Interregional Contacts Viewed Through a Technological Lens at Late Bronze Age Tiryns, Greece  pp. 233–256
Ann Brysbaert

Investigating Dietary Variation With Burial Ritual in Iron Age Hampshire: An Isotopic Comparison of Suddern Farm Cemetery and Danebury Hillfort Pit Burials  pp. 257–273
Rhiannon E. Stevens, Emma Lightfoot, Julie Hamilton, Barry Cunliffe and Robert E.M. Hedges

The Foundation of Roman London: Examining the Claudian Fort Hypothesis  pp. 275–291
Lacey Wallace

White and Coloured Marbles of the Roman Town of Urbs Salvia (Urbisaglia, Macerata, Marche, Italy)  pp. 293–317
Fabrizio Antonelli and Lorenzo Lazzarini

Horses for Courses? Religious Change and Dietary Shifts In Anglo-Saxon England  pp. 319–333
Kristopher Poole

From Bells to Cannon – The Beginnings of Archaeological Chemistry in the Eighteenth Century  pp- 335–341
A.M. Pollard


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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

TECHNE 1/1 2013

TECHNE 1/1 2013

Perspectivas Arqueológicas: antropologia, história e arqueociências


Prefácio
Ana Cruz

Editorial
Nelson Almeida & Ivo Oosterbeek


Artigos

A exploração das matérias-primas durante o Paleolítico no Sudoeste Peninsular
Telmo Pereira

Exorcizando demônios: algumas palavras do que não foi dito pelos historiadores da arqueologia Guarani
André Soares

Do mundo digital às humanidades digitais
Danny Rangel

Construcciones en tierra y estructura social en el Sur del Brasil y Este de Uruguay (Ca. 4.000 a 300 a. A.P.)
Leonel Cabrera Pérez

Variação não-métrica craniana na região do lambda: os casos identificados nos indivíduos inumados na Gruta dos Ossos (Alto Ribatejo, Portugal)
Tiago Tomé

Abordagem Teórica Sobre o Estudo de Sítios Líticos no Interior do Estado de São Paulo, Brasil
Fábio Grossi dos Santos

Depósitos Sedimentares e variações Paleoambientais no Pleistocénico Final e Holocénico do Alto Ribatejo (Portugal).
Hugo Gomes, Cristiana Ferreira, Pierluigi Rosina

O sítio da Idade do Bronze de Via Neruda em Sesto Fiorentino (Florença, Itália): exploração dos recursos arbóreos.
Ginevra Coradeschi

Das faunas às populações – Reflexos islâmicos do Castelo de Paderne
Vera Pereira

Recensões

Uma História da Arqueologia Portuguesa. Das origens à descoberta da Arte do Côa.
Nelson Almeida

Identidades e diversidade cultural – Artigos/Práxis. Coletânea
Síria Borges

Cerâmica Guarani: Manual de Experimentação Arqueológica
André Soares


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quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Raro, o Inusual e o Estranho - Convocatória

The Odd, the Unusual, & the Strange
Animal & Human Deviant Burial and their Cultural Contexts

Quando: 17-20 Outubro 2013 & 8-3 Setembro 2014
Onde: Scarborough & Istambul


Recebemos vai pouco de parte de uma das suas coordenadores (Anastasia Tsaliki) a informação sobre 2 interessantes simpósios que durante os anos 2013 e 2014 se celebrarão tendo por temática um tema tão interessante e de atualidade como o dos chamados "enterramentos anómalos" (Deviant Burial)


Os enterros anómalos proporcionarem uma oportunidade de obter invaluáveis informações sobre a construção cultural dos marginados, os não conformes, e os diferentes tipos de "outros". Às vezes, baseados em crenças religiosas, outros em fatores sociais, os indivíduos que foram vistos em vida como extraordinários, e por elo separados ou segregados do grupo social deram lugar normalmente a enterros únicos, que refletiam essa alteridade ou estatuto especial do falecido.



Esses enterros são identificados no registo arqueológico pela evidência de ritos funerários diferentes ou incomuns, por contraste coas inumações normais dos outros membros do grupo, pela segregação destes enterramentos assim como pela presença de elementos inesperados acompanhado ao cadáver ou de alterações intencionais do próprio corpo. O Evidência de enterro desviante tem sido documentado em uma variedade de locais geográficos e períodos temporais, que serão refletidos nas sessões destes Congressos.



Para incluir o maior número de pesquisadores possível desde um ponto de vista geográfico os promotores do Congresso decidiram organizar dois simpósios para dois congressos diferentes - um na América do Norte e um na Europa- organizados pela Canadian Association for Physical Anthropology (CAPA) e a European Archaeological Association (EAA). Que se celebraram respetivamente em Scarborough (Canada), entre o 17-2 de outubro do 2013, e em Istambul (Turquia) entre o 8-3 Setembro 2014..



As datas limite para a entrega de cada um dos Congressos são; o dia 31 de Maio para a edição norte-americana, e o Novembro de 2013 para edição europeia 17-20 Outubro deste ano,


+INFO no site: Funerary & Biological Archaeology

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Bioarqueologia da Violência

Landscapes of Violence
Vol. 2/2, 2012

Special Poster Presentation Issue
Bioarchaeological Perspectives on Violence


Articles

From the Editor: Special Poster Presentation Issue
Ventura R. Perez

Taphonomic and Skeletal Indicators of Captivity and Violence in the Southwest (AD 1000-1300)
Debra L. Martin

The Taphonomy of a Sacrifice: Burial 6 of the Patio Hundido at el Teul
Ventura R. Perez and Peter Jiménez Betts

Contextualizing Death and Trauma at Canyon del Muerto
Pamela K. Stone

Taphonomy After the Fact: Violence and Ritual in Room 33 at Chaco and Room 178 at Aztec
Ryan P. Harrod, Debra L. Martin, and Shawn W. Carlyle

The Blessing and the Curse of Taphonomic Processes: 
A Bioarchaeological Analysis of a Shaft Tomb from La Florida, Mexico
Heidi Bauer-Clapp, Laura Solar Valverde, and Lisa Rios

Postmortem violence? Identifying and interpreting postmortem disturbance in Mongolia.
Judith H. Littleton and Bruno Frohlich

Violence against People, Bodies, or Bones: Lessons from La Plata, New Mexico
H. Wolcott Toll Ph.D. and Nancy J. Akins

Personal Taphonomy at Sacred Ridge: Burial 196
Anna Osterholtz and Ann L.W. Stodder

Evidence of Violent Conflict in Males from Pot Creek Pueblo
Catrina B. Whitley

Violence and Postmortem Signaling in Early Farming Communities of the Sonoran Desert: An Expanded Taphonomic Approach
James T. Watson, Misty Fields, and Marijke Stoll

Evidence of Child Sacrifice at La Cueva de los Muertos Chiquitos (660-1430 AD)
John J. Crandall, Debra L. Martin, and Jennifer L. Thompson

Taphonomy and Warfare in the Mesa Verde Region
Kristin A. Kuckelman and Debra L. Martin

Violence, taphonomy and cannibalism in Chaco Canyon: Discerning taphonomic changes from human action in the archaeological record
Kerriann Marden

Taphonomy and Cremation of Human Remains from San Francisco de Borja
Cheryl P. Anderson, Debra L. Martin, and Jennifer L. Thompson
   
   
Book Review

Warfare, Violence and Slavery in Prehistory
John J. Crandall


Ir ao número da revista:  Landscapes of Violence

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Exército no Pântano



Um exército inteiro sacrificado em um pântano

Um pântano dinamarquês abrigou um terrível segredo por milhares de anos.

Arqueólogos passaram todo o verão escavando uma pequena amostra do que acabou por ser uma fossa comum com restos mortais de mais de 1.000 guerreiros, que foram mortos numa batalha cerca de 2.000 anos atrás.



"Nós encontramos muitos mais ossos humanos dos que esperávamos", diz Ejvind Hertz, conservador do Museu Skanderborg. A descoberta de tal quantidade de ossos da Idade do Ferro tem atraído muito a atenção internacional porque os ossos estão surpreendentemente bem preservados. Além disso, a descoberta confirma a descrição das fontes romana sobre as práticas guerreiras dos Teutões. O sítio está localizado no humidal de Alken Enge perto do lago Mossø na península da Jutlândia.



Os ossos revelam feridas de arma
Cerca de 2.000 anos atrás, os guerreiros de Alken foram sacrificados a algum deus, que hoje desconhecemos. Os ossos foram depositados lá em um momento em que não era um pântano, mas sim, que era uma pequena bacia do Lago Mossø, criada por uma língua de terra que se projeta dentro do lago. Os arqueólogos tenhem escavado só uma área de 80-90 metros quadrados, embora o local se estende por um espaço de 3600 metros quadrados.



As escavações em zonas húmidas são muito costosas, já que a água precisa ser constantemente bombeada para fora. Além disso, as descobertas são tão densamente concentradas que leva muito tempo para ocupar-se de seu registo. A área que até agora tem sido escavada contém os fragmentos dos ossos de cerca de 240 homens com uma idade entre os 13 e 45 anos. Os ossos dos homens apresentam marcas de armas brancas como espadas e machados.



Um Prado cheio de guerreiros mortos
A bacia não escavada do pântano estende-se por uma enorme área que cobre quase 40 hectares e é acreditado poder conter os restos mortais de mais de 1.000 guerreiros. Quando se lhe pergunta sobre afirma que mais guerreiros estão enterrados lá, Hertz diz: "Nós sabemos de pessoas que recolhiam turfa aqui nos séculos XIX e XX e encontraram fragmentos de ossos, e nós também fizemos escavações de teste na bacia". Os arqueólogos não encontraram esqueletos completos, apenas partes de eles. Mas creem que o pântano pode conter muitos indivíduos diferentes, já que os seres humanos têm, por exemplo, apenas um fémur direito.



Os guerreiros foram deixados no campo de batalha
O exército pode ter sido derrotado e morto em um campo de batalha localizado longe do pântano de Alken. Hertz diz que, se fosse esse o caso, deve ter sido uma tarefa logística enorme para as pessoas da Idade do Ferro transportar os ossos para o lago. Os pesquisadores não podem dizer quando a batalha pode ter acontecido ou onde ocorreu. Muitos dos achados arqueológicos indicam que o exército procedia de longe. Mas, em princípio, o campo de batalha pode ter sido localizado num local próximo ao do sacrifício.



O sacrifício, porém, ocorreu muito tempo depois da batalha "Os ossos puderam ser sacrificadas meses ou até mesmo anos após os guerreiros forem mortos. Não o saberemos até que sejam cuidadosamente analisados", diz o conservador. "Numa fase inicial, podemos ver que os ossos têm marcas de mordedura sobre eles, e que parte das articulações foram arrincadas. Por tanto, não há dúvida de que os predadores estiverem em contacto com as partes dos corpos".



O achádego confirmar histórias de guerra
As marcas de mordida dos predadores indicam que os guerreiros mortos eram deixados para morrer ou apodrecer no campo de batalha, sem que ninguém se preocupar em enterrar ou até mesmo remover os corpos. Isto confirma partes do que nas fontes romanas se escreveu sobre as práticas guerreiras entre os europeus do norte no período em torno da época do nascimento de Cristo. Um dos maiores historiadores do Império Romano, Tácito (56 DC - 120 DC) descreveu o rescultado da famosa derrota de Varo na Batalha da fraga de Teutoburgo no 9 DC.



Tácito escreveu em seus Anais. "No meio da planície, os ossos descansavam espalhados e amontoados, dependendo se eles tinham fugido ou aguantado. Entre os ossos havia pedaços de lanças e membros do cavalo, as cabeças humanas estavam cravadas nas árvores. Nos bosques próximos havia altares bárbaros em que os tribunos e centuriões de primeira ordem eram sacrificados"
Sabemos, também, a partir das fontes que, quando os germanos venciam numa batalha, eles matavam todos os inimigos sobreviventes, exceto os poucos que mandavam de volta para anunciarem a derrota.

Muito poucas armas encontradas
Os arqueólogos não podem determinar a origem dos guerreiros mortos, porque eles têm-se encontrado muitas poucas armas no jazigo. Entre os numerosos fragmentos de ossos, eles só encontraram umas poucas pontas de seta, alguns restos de um escudo e um machado muito bem conservado.



Uma inestimável fonte de informação sobre Idade do Ferro
Os ossos são, contudo, de valor inestimável: "Esta é a primeira vez que algo assim foi encontrado no norte da Europa", diz Hertz. As condições das zonas húmidas com uma atmosfera livrem de oxigeno como Alken tem sido ótima, para preservação dos restos. "Os ossos estão completamente novos", diz ele. "Algum ADN debe quedar preservado, para que possamos ter um bom perfil destes homens da Idade de Ferro.



Assim mesmo uma análise antropológica dos ossos irá nos fornecer um retrato de sua dieta e sua aparência física".  Os pesquisadores estão-se aproximando a conclusão do projeto de escavação atual. Nos próximos meses, eles estarão juntamente com peritos internacionais analisando os muitos ossos topados



O projeto, intitulado The army and post-war rituals in the Iron Age – warriors sacrificed in the bog at Alken Enge in Illerup Ådal é obra da colaboração entre arqueólogos e geólogos do Museu Skanderborg, o   Museu Moesgård e o Instituto de Cultura e Sociedade da Universidade de Aarhus.

(Fonte: ScienceNordic 22-08-2012)


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Journal Archaeological Method & Theory 19/ 3


Journal of Archaeological Method and Theory
Nº 19/ 4 2012


Dogs as Analogs in Stable Isotope-Based Human Paleodietary Reconstructions: A Review and Considerations for Future Use   
pp. 351-376
Eric J. Guiry

Reconstructing Iron Age Community Dynamics in Eskişehir Province, Central Turkey  pp 377-406
Peter Grave, Lisa Kealhofer, Ben Mars,
 Taciser Sivas & Hakan Sivas

An Optimized Approach for Protein Residue Extraction and Identification from Ceramics After Cooking  pp. 407-439
Andrew Barker, Barney Venables, Stanley M. Stevens Jr. & Kent W Seeley & Peggy Wang & Steve Wolverton

Modelling Temporal Uncertainty in Archaeological Analysis  
pp. 440-461
Enrico R. Crema

On Behavioral Depression in White-tailed Deer  pp. 462-489
Steve Wolverton, Lisa Nagaoka, Pinliang & James H. Kennedy
  
    

Ir ao número de: J. Arch Method & Theory

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Arqueologia da Transição - Convocatória


IIº Congresso Internacional sobre Arqueologia de Transição
O Mundo Funerário
  
Quando: 29 abril-1 maio de 2013
Onde:    Évora


Inserida numa região onde se têm vindo a identificar, nos últimos anos, novos e importantes contextos funerários, da Pré-história Recente até ao período Romano, a Universidade de Évora, através de um dos seus centros de Investigação; o Centro de História de Arte e Investigação Artística (CHAIA) convida todos os arqueólogos, antropólogos e todos os interessados em dar a conhecer os seus trabalhos, a participarem neste evento que se procura que seja um espaço para apresentação dos novos dados e, simultaneamente, de reflexão e discussão teórica que nos permita compreender as diferenças cronológicas e regionais existentes.

Temáticas:
Neste IIº Congresso Internacional sobre Arqueologia de Transição pretende-se explorar, os novos dados da Arqueologia de contextos funerários, englobando as diferentes disciplinas: Arqueologia, Antropologia Física e outras ciências.

1. Contextos funerários nas sociedades Pré e Proto-Históricas
2. Contextos funerários nas sociedades Romana e Medieval
3. Arqueologia e Antropologia biológica
4. Espaços e Espólios

Este IIº Congresso terá 3 dias de comunicações prevendo-se que cada comunicante venha a dispor de 20m para a sua apresentação, seguindo-se no final de cada bloco um breve período de discussão. Estão previstas Conferências de investigadores convidados sobre as principais temáticas do Congresso. As línguas oficiais do evento são: português, castelhano, francês e inglês.

Para formalizar a inscrição os interessados em participar deverão inscrever-se até 31 de Dezembro de 2012 ponhendo-se em contato coa organização do Congresso


+INFO sobre isto no site do:  IGESPAR

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Territórios de Fronteira - Palestras



Irá decorrer no Museu Nacional de Arqueologia de Portugal às 18 horas do próximo dia 12 de abril de 2012 novo ciclo Territórios de Fronteira co-organizado pelo Grupo de Estudos em Evolução Humana (GEEVH), pelo Museu Nacional de Arqueologia (MNA) e pelo Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Universidade do Algarve (NAP).

O ciclo inclui palestras de:

Companheiros na vida e na morte: a integraçao de restos animais nos rituais funerários
Cláudia Costa UNIARQ univ. do Algarve

A análise de ossos queimados em contextos arqueológicos: algumas inovaçoes.
David Gonçalves
CENCIFOR – Centro de Ciências do Patrimonio Arquitectónico e Arqueológico / CIAS – Centro de Investigaçao em Antropologia e Sáude

Viver a morte em Portugal: o potencial informativo dos relatórios antropológicos de campo
Cristina Cruz
Departamento de Ciências da Vida da Univ. de Coimbra / CIAS – Centro de Investigaçao em Antropologia e Saúde


quarta-feira, 14 de março de 2012

Arqueologia da Morte

  
Seminaris Internacionals d´Arqueologia Clàssica 

L´arqueologia de la mort: una perspectiva multidisciplinar

Quando: 20 - 21 Março
Onde:  Salão de Atos do ICAC


O seminário L´arqueologia de la mort: una perspetiva multidisciplinar; terá lugar nos dias 20 e 21 de março do 2012 no marco da oitava edição de Seminários Internacionais de Arqueologia Clássica organizados pelo Instituto Catalão de Arqueologia Clássica (ICAC).O seminário apresentará varias palestras que explorarão a informação que os rituais e práticas funerárias aportam sobre as sociedades do passado

Michael Parker Pearson, foto: Bill Bevan

O convidado principal é o professor Mike Parker Pearson, da Universidade de Sheffield, reconhecido expecialista na arqueologia do ritual na pré-história europeia, que foi ademais editor de um conhecido volumem sobre arqueologia da morte titulado The Archaeology of Death and Burial, e tem afrontado este tipo de estudos em contextos tão diversos como o da Idade do Ferro britânica o neolítico, ou o Calcolítico, como diretor do Projeto Riverside que investigou a área de Stonehenge, e do que já temos falado alguma vez no Archaeoethnologica



O seminário conta com a participação de mais sete especialistas, que se aproximarão ao estudo arqueológico da morte desde diversas perspetivas tratando aspetos metodológicos ao mesmo tempo que apresentam estudos de caso.



Programa


Terça-feira 20 de março

9:00 - 10:00 Principles of analysis in funerary archaeology
Mike Parker Pearson

10:00 - 11:00 Death and evolution of human consciousness
Mike Parker Pearson

11-11:30  Pausa

11:30 -13:30  El que ens expliquen els esquelets: la importancia 
de l´estudi antropològic
Assumpció Malgosa

12:30 -13:30  Esquelets malalts: aportacions a l´arqueologia
Emili Provinciale

16-17:30 Social status and the dead-revisiting the New Archaeology
Mike Parker Pearson

17:30-17:45  Pausa

17:45-18:44  Els rituals funeraris I l´organització de l´espai
 a la polis grega.
Jesús Carruesco


Quarta-feira 21 de março

9:30 -11:00  Placing the dead mortuary pratices and 
landscape archaeology
Mike Parker Pearson

11:00-11:30 Pausa

11:30 -12:30 The dead of Stonehenge – a case study of Neolithic mortuary pratices
Mike Parker Pearson

12:30 – 14:00 Les necropolis protohistòriques d´incineració de la 
Catalunya meridional: problemática d´estudi
Carme Belarte, Jaume Noguera & Pau Olmos

16:00-17:00  Burial in Iron Age and Roman Britain – a case study
Mike Parker Pearson

17:00-17:15 Pausa

17:15-18:15 O crudele funus! Tradició i canvi en els rituals funeraris a les necrópolis de Tarraco
Judit Ciurana


+INFO no site do:  ICAC

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Oxford Journal of Archaeology 31/1

Oxford Journal of Archaeology
Vol. 31/1 2012


Original articles

Neandertal Social Structure?   pp. 1–26
Brian Hayden

Timber Monuments, Landscape and the enviroment in the Nith Valley, Dumfries and Galloway   pp. 27–46
Kirsty Millican

The River has never divided us: Bronze Age Metalwork Depositon in Western Britain   pp. 47–57
David Mullin

The ‘Temple House’ at Lato reconsidered   pp. 59–82
Florence Gaignerot-Driessen

‘Sprouting Like Cockle amongst the Wheat’: The St Brice´s Day Massacre and isotopic analysis of human bones from St John´s College, Oxford    pp. 83–102
A.M. Pollard, P. Ditchfield, E. Piva, S. Wallis, C. Falys & S. Ford

  

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ZAP 2012 - Programa

ZaP 2012

Congresso Internacional de Zooarqueologia em Portugal

Quando: 8-9 de Março 2012
Onde: Anfiteatro III – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa


Vem de publicar-se o programa definitivo da I Primeiro Congresso Internacional de Zooarqueologia em Portugal, cuja convocatória recolhêramos vai um mês no aqui Archeoethnologica. O Congresso está pela Unidade de Arqueologia (Uniarq) e o Centro de Biologia Ambiental da Universidade de Lisboa (CBA) junto co Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Univ. do Algarbe (NAP) e o apoio institucional do IGESPAR

O objectivo desta conferência é promover a comunicação entre investigadores interessados no tema da Zooarqueologia e divulgar junto da Comunidade Arqueológica o trabalho realizado ao longo dos últimos anos.


  Programa




+INFO no site do:   ZaP 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Zooarqueologia em Portugal - Congresso

ZaP 2012

Congresso Internacional de Zooarqueologia em Portugal

Quando: 8-9 de Março 2012
Onde: Anfiteatro III – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa


Entre os dias 8-9 de Março celebrara-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa o Congresso Internacional de Zooarqueologia em Portugal, organizado pela Unidade de Arqueologia (Uniarq) e o Centro de Biologia Ambiental da Universidade de Lisboa (CBA) junto co Nucleo de Arqueologia e Paleoecologia da Univ. do Algarbe (NAP) e o apoio institucional do IGESPAR.

O objectivo desta conferência é promover a comunicação entre investigadores interessados no tema da Zooarqueologia e divulgar junto da Comunidade Arqueológica o trabalho realizado ao longo dos últimos anos.



A Zooarqueologia em Portugal tem-se desenvolvido lentamente, recorrendo muitas vezes a esforços individuais e, mais recentemente, com apoios institucionais, como é o caso do Laboratório de Arqueociências do Igespar. Espera-se que com este evento se consiga um renovar de esforços e transmitir mais relevância a uma área de profundo interesse para a Arqueologia.

Os temas debatidos nesta conferência passam por análises zooarqueológicas de conjuntos de sítios arqueológicos ou de análise mais ampla e comparativa, e por questões mais específicas, de âmbito metodológico, tafonómico, osteometria e ainda de ADN antigo de animais. 

-Submissão de resumos para comunicações e posters: 30 de Janeiro 2012 


+INFO no site do:   ZaP 2012

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Entre a Arqueologia e o Folklore - os "Não-mortos"


Estando nas datas na que estamos quase que é conjuntural escrever algo deste tipo para acompanhar a contextual temática da morte. A morte por em é um tema que leva longe a mente humana em geral como feito omnipresente desde a alba dos tempos, e do mesmo jeito não podia deixar de estar presente dentro do campo de estudo da etnografia, a antropologia, a história ou a arqueologia, uma longa bibliografia sobre "arqueologia da morte" assim o acredita. A morte e as distintas formas de entende-la ao longo do tempo e das culturas certamente dão para muito, e permitem de cote achegamentos cruzados entre disciplinas diversas

um dos esqueletes de Kilteasheen
Vai uns meses no bloge Powered by Osteons da arqueologa Kristina Killgrove precisamente empeçara a avançar em uma dessas fascinantes temáticas nas que a arqueologia se da a mão co folklore, a arqueologia dos "não-mortos". A postagem recolhia a nova da aparição nas escavações de uma necrópole de entre os séculos 7-14 d.C em Kilteasheen, Condado de Roscomon (Irlanda) de dois cadáveres masculinos datados no século oitavo, que foram submetidos a um curioso procedimento ritual consistente em colocar-lhes uma pedra fechando-lhes a boca, e no casso de um de eles outra de maior tamanho sobre o peito.

A chamada Vampira de Venecia
Este curioso costume está testemunhado arqueologicamente noutros cadáveres de época medieval e moderna, como no campo-santo de Celekovice (Moravia) perto de Praga (século 10-11 d.C) onde 12 indivíduos foram submetidos a esta prática postmortem (King, 2011a), e na Itália onde vai uns anos se dera a conhecer o caso de uma mulher de idade abançada falecida durante a praga no século 16 e enterrada em uma fossa comum no lugar Lazzareto Vechio, que aparecera igualmente cum grosso pelouro ainda incrustado entre seus dentes (Nuzzolese & Borrini, 2010), ou mais recente o caso dos restos de uma moça exumados em Piondino (Toscana).

Escavações em Pionbino (Toscana)
A explicação destas crenças parece estar na natureza atribuída a estes defuntos de "maus mortos". Durante Idade Media estivo muito estendida a crença em que aqueles mortos que que tiveram uma "mala morte", entendendo por elo geralmente uma morte violenta, como a dos criminais justiçados ou as pessoas que foram assassinadas ou vitimas de um episódio bélico (como os dois irlandeses), ou bem aqueles que não foram enterrados "bem", como Deus manda, isto é fora de sagrado, por estarem excomungados ou simplesmente ter-se perdido o seu cadáver e quedar exposto (como soia suceder com os afogados no mar).

Também entravam nesta categoria aquelas pessoas que durante a sua vida tiveram uma existência considerada marginal -ou marginalizada- pela comunidade, como sucedia frequentemente com as meigas. O qual que se tem sugerido para a Vampira de Venecia e a moça de Piondino ainda que neste casso tenha-se também plantegado que for parte doutra categoria anómala, a de "adultera" ou "prostituta" (King, 2011b). Todos estes "maus mortos" eram suscetíveis de converter-se trás do seu passamento em "aparecidos", e voltar ao mundo provocando a morte aos vivos

O caráter contagioso que tinha na mentalidade popular a condição dos visitantes do alem fazia que mesmo o simples contacto com eles leva-se a morte aos vivos. E frequente recordar o casso do nosso lendário popular em que a anima dum pecador aparece-se a um homem pedindo-lhe que lhe corte o santo-abito com que o amortalharem pois lhe impede a entrada no inferno, do mesmo jeito que os seus pecados lhe a negam no céu, atando-a a este mundo, coisa que o vivo assim faz, embora a caridade não tenha prémio pois dias depois o que se apiedará da anima empeça a murchar para falecer ao pouco. De igual jeito era o destino do vivo que acompanha a Estadeia o de ir e perdendo a saúde e enfraquecendo até formar ele mesmo parte da eterna processão dos mortos (Risco, 1962).

Este tétrico mas omnipresente imaginário da morte deveu de favorecer a extensão das crenças, e sobre tudo rituais, relacionados com este tipo de entidades na medida que elo fornecia uma boa explicação -causal- a arbitrariedade da morte, e mesmo uma forma, por ineficaz que for, de escapar a ela, em intres expecialmente sensíveis como foram as bagas de pragas que assolaram a Europa durante boa parte a Idade Media e Moderna, começando pola peste da que pares seica forem vitimas tanto a dama de Venecia como o avultado número de defuntos "malfaisants" de Celekovice (Ziegler, 2011b) ou no caso do cemiterio irlandes ( Ziegler, 2011a). Uma boa época para o imaginário da morte, mas não tanto para os vivos, aos a iconografia moralizante de cote mostra em alegórico -mas de feito também real- combate contra a parca/ ou parcas.

Mas como vencer em tal combate, como matar o que já esta morto,  isso desde logo era um contrasentido em sim mesmo, pelo que a forma de enfrentar a ameaçante presença tinha que passar ou por meios profiláticos, que alongassem o mal da pessoa, como diversos amuletos, por ineficazes que foram ou bem por evitar o desprazimento da anima desde o seu cadaleito, neutralizando finalmente assim o perigo das incomodas visitas

As formas de evitar que a anima mortos abandonassem a sepultura, estava intimamente relacionada com o tratamento do corpo do defunto, entre eles hachava-se o tamponamento da boca, que topamos estendido em todos estes casos citados acima (mostrando quase uma expansão pan-europeia do rito), para evitar que o alma deixara o corpo pela sua saída natural, por onde damos o nosso "ultimo alento".

Outros meios, algum deles também suscetíveis de reconhecimento arqueológico e que tenhem sido estudados a traves das evidencias textuais polo medievalista Claude Lecouteux em vários livros (1986, 1990), como o interessante Fantômes et Revenant au Moyen Age (traducido recentemente ao castelhano),  incluíam a decapitação postmortem do corpo e colocação da cabeça uma vez seccionada diante dos pés do cadáver, junto a ela estavam também às mais diversas variedades de proto-sádicos exercícios de bordagem e piercing, com longos cravos, sobre o pobre defunto, rematado nalgum mais expeditivo caso, ainda coa destruição dos restos pelo "lume purificador", já fora parcial (normalmente coa extração e queima do coração) ou total

Não posso esquecer, de passo que quando lera no Fantômes de Lecouteux o caso da decapitação e posta aos pés da testa não pudem evitar que me viram, a cabeça as consabidas explicações e prolongações pre- e proto-históricas do papel da cabeça como assento do espírito, da vida, ou ainda da pessoalidade (Lambrecht, 1954)  em tudo isto, mas que também me fixe-se recordar de novo uma anedota que anos antes me contara D. Luis Montegudo, naquelas tardes que me passava daquela na sua casa de Belvis como ele dizia fazendo-lhe "de secretario", e na que de novo o arqueologia volve a enlaçar-se coa ténue sombra do folklore.

Tetes coupes do Oppidum de Entremont
Contara-me daquela Dom Luís o que lhe ocorrera uma vez a certo arqueólogo num desses países de fala alemã ao que lhe contaram uns paisanos da zona, junto antes de escomeçar a escavação de um túmulo, que ali nele fora enterrada uma mulher -com nome que não recordo- e "coa sua cabeça aos pés", o caso e que o nosso arqueólogo sem acreditar muito em tudo aquilo, principiou a remover terra sem mais, e finalmente ao chegar a câmara topou-se logo um corpo de femininas formas sem testa mas com um crânio perfeita e expressivamente situado, justo "aos seus pés".



Referências

- Killgrove, K., "Archaeolgoy of the Undead"  2011a  Powered by Osteons
- Killgrove, K., "Witches and Prostitutes in Medieval Tuscany" 2011b Powerd by Osteons
- King, D., "Burials: Zombies vs Vampires"  2011a  Phdiva
- King, D., "A medieval Withch?" 2011b  Phdiva
Lambrechts, P.: L´exaltation de la tête dans la penée et dans l´art des celtes. De Tempel, Brujas, 1954, 3 vols 
- Lecouteux, Cl., Fantômes et revenants au Moyen Age, Imago, Paris 1986 (trad. cast. Olañeta Editor, Palma de Malhorca 1999)
- Lecouteux, Cl. & Marqc, Ph., Les esprits et les morts, croyances medievales. H. Champion, Paris 1990
- Lecouteux, Cl., História dos Vampiros. UNESP
- Nuzzolese, E & Borrini, M., "Forensis approach to an archaeological casework of "vampir" skeletal remains in Venice: odontological and anthropological prospectus" Journal of Forensic Sciences 55/6, 2010, pp. 1634-7  DOI:10.1111/j.1556-4029.2010.01525.x.
- Risco, V., "etnografia galega. Cultura espiritual" in: Otero Pedraio, R (ed.): Historia de Galicia. Nós, Bos Aires, 1962-1973  3 vols.
- Tsaliki, A., "Unusual Burials and Necrophobia: an insight into the Burial Archaeology of Fear" in: Murphy, E., Deviant Burial in the Archaeological Record. Oxbow Books, Oxford, 2008 pp. 1-16
- Ziegler, M.,"The Vampire in the Plague Pit" 2011a Contagions
- Ziegler, M., "Vampire Prevention in Eighth Century Ireland" 2011b Contagions