Mostrar mensagens com a etiqueta paleo-clima. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta paleo-clima. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Colapso e paleoclima no Bronze Final



Um estudo dirigido pelo arqueólogo Ian Armit (Univ. de Bradford) que contou com a colaboração de arqueólogos e cientistas ambientais das Univ. de Bradford, Leeds, o University College Cork, Irlanda (UCC), e a Queen´s University Belfast publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, propõe uma crítica a algumas teorias sobre o fim da Idade do Bronze na Europa Ocidental.


Estudos paleoambientales recentes identificaram uma mudança climática brusco em torno do 750 a.C no Noroeste da Europa, que foi vinculada frequentemente com o colapso das sociedades do bronze em boa parte da Europa Ocidental, neste sentido se propôs esta hipótese para os casos da Escócia, Centroeuropa e Europa Ocidental de modo geral, ou ainda para explicar a expansão da cultura escita ao longo da estepa euroasiática, como consequências diretas desta mudança climática.


Enquanto durante o Bronze Final produz-se um auge e crescimento dos assentamentos e da produção artesanal, o registo da primeira Idade do Ferro mostra-se escasso, o que levou a propor que durante este período se produzir uma queda demográfica.


Neste sentido o novo estudo contradiz em parte os presupostos deterministas e apresenta um palco mais matizado das interrelações entre médio e cultura, propondo que o colapso das sociedades do Bronze Final deveria se procurar mais em fatores sócio-económicos.


Os autores do estudo partem da análise conjunta das datações do Carbono 14 junto com os dados paleoambientales procedentes dos pantanos irlandes, o que permite constatar que a crise das comunidades do Bronze precede em um século (800 a.C) à mudança climática do 750 a.C.


As causas do colapso teria que procurar-se na crise do Sistema económico do Bronze Final, baseado em uma complexa rede de relações comerciais a longa distância baseadas na produção de bronze e o abastecimento das matérias primas necesarias.


A introdução da tecnologia do ferro menos escaso e fazil de conseguer e a "democratização" subsequente do uso de ferramentas metálicas, unido à menor necesidade de cobre e estanho levariam a uma queda da demanda que faria a rede originada pelo comercio do bronze innecesaria e causariam a colapso das complexas estruturas sociais hierarquizavas emergentes que se sustentavam nela: "a desestabilização social resultante pôde bem ser a causa do colapso populacional de finais da Idade do Bronze"


Referência

Armit, I., Swindlesb, G.T., Beckerc, K., Plunkettd, G. & Blaauwd, M., "Rapid climate change did not cause population collapse at the end of the European Bronze Age" PNAS November 17, 2014  DOI: 10.1073/pnas.1408028111


Descarrega o artigo em:  ResearchGate

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Venvindos ao Antropoceno?

39 centímetros de terra sugerem que vivemos em outra época

Uma pequena coluna de sedimentos extraída de umas marismas bascas regista a contaminação gerada nos últimos 700 anos e apoia a teoria de que o ser humano entrou em uma nova época geológica, o Antropoceno

Os seus 39 centímetros de longitude escondem-se os segredos de 700 anos de contaminação no norte de Espanha: os incêndios florestais do Medievo, as emissões tóxicas dos Altos Fornos de Vizcaya, os poluentes procedentes das fábricas de armas e de cuberterías em Guernica, o parón da crise do petróleo. E, ainda mais, os seus grãos encerram evidências que apoiam a teoria de que entrámos em uma nova página do calendário da Terra, esse que dura uns 4.500 milhões de anos e que em local de dias, semanas e meses fala de épocas, eras, períodos e eoes. A nova página do nosso planeta chamar-se-ia Antropoceno.


A equipa do geólogo Alejandro Cearreta extraiu esse cilindro de terra em 2004 em um local idílico: Urdaibai, um território basco dominado por marismas, praias, azinhais e falésias que foi declarado Reserva da Biosfera da Unesco. Para explicar o que faz, a Cearreta gosta de citar ao geólogo estadounidense Walter Álvarez, pai da teoria de que um meteorito provocou a extinção em massa dos dinossauros. "Os sólidos têm memória, mas os líquidos e os gases esquecem", parafrasea o professor da Universidade do País Basco.



Os seus sólidos, as diferentes capas de sedimentos amontonadas durante sete séculos nas marismas de Urdaibai, falam pelos cotovelos. A sua análise mostra que nas primeiras etapas da Revolução Industrial, entre 1800 e 1860, as concentrações de hidrocarburos aromáticos policíclicos se multiplicaram por duas. Em 1930, com os próximos Altos Fornos de Vizcaya exportando aço a Europa a todo o vapor, a contaminação já multiplicava por dez os níveis preindustriales.


E em 1975 chegou o seu maximo. "Os hidrocarburos aromáticos policíclicos provêm da combustão: de incêndios florestais ou de queima-a de lenha. Mas, sobretudo, do carvão utilizado na indústria metalúrgica desde o século XIX", assinala o pesquisador. Outros poluentes têm outra origem. "Em Guernica empregou-se cobre e zinco na indústria de cuberterías", detalha


O trending topic da geologia
Cearreta é o único espanhol no Gupo de trabalho sobre o Antropoceno designado pela Comissão Internacional de Estratigrafía, o organismo responsável de elaborar a escala de tempo geológico, o calendário oficial da Terra. Ali estuda-se se, como propôs em 2000 o prêmio Nobel de Química holandês Paul Crutzen, o planeta se encontra em uma nova época geológica, marcada pela contaminação, a mudança climática, a deforestación, a urbanización sem travão e a extinção de espécies vegetais e animais. 


Uma nova época marcada, em soma, pela voracidad do ser humano. "Em geologia, o Antropoceno é o trending topic", opina Cearreta, aludindo ao termo específico utilizado na rede social Twitter para assinalar os principais temas dos que falam os utentes em um momento dado.


A Comissão Internacional de Estratigrafía, adscrita à União Internacional de Ciências Geológicas, estuda atualmente o Antropoceno como ?uma potencial época geológica?, ao mesmo nível que o Pleistoceno, surgido faz 2,6 milhões de anos, e o Holoceno, a época começada faz uns 11.500 anos, quando o final da última idade de gelo possibilitou a explosão demográfica do ser humano. A Comissão analisará a proposta do seu grupo de trabalho em 2016, durante um congresso internacional em África do Sul.



"Há um grande debate sobre se o Antropoceno começa com a invenção da máquina de vapor ou com a grande aceleração vivida após a Segunda Guerra Mundial. Ou no Neolítico, quando começamos a ter controlo sobre os animais e as plantas que domesticamos", aponta Cearreta. Outros pesquisadores propuseram como arranque do Antropoceno no ano 1945, o começo da era nuclear, quando EEUU detonou a primeira bomba atómica em Alamogordo. Desde então, a humanidade explodiu umas 2.000 bombas nucleares, deixando um rastro radiativo facilmente identificable pelos geólogos nos chãos de todo o planeta.

Escepticismo
"Para que o termo Antropoceno seja aceite formalmente precisa estar cientificamente justificado. Isto significa que a marca geológica que se esteja a produzir nos estratos que se estejam formando atualmente deve ser o suficientemente grande, clara e distintiva", adverte no seu site o próprio grupo de trabalho do Antropoceno, dirigido pelo paleobiólogo Jan Zalasiewicz, da Universidade de Leicester (Reino Unido). 


Para os expertos mais escépticos, como Philip Gibbard, da Universidade de Cambridge, o Antropoceno diretamente não existe. "Embora tenha mudanças importantes, como a concentração de gases de efeito invernadero na atmosfera, eu acho que ainda vivemos com as mesmas condições que serviram para definir o Holoceno. Estamos em uma época entre duas glaciaciones: o nível do mar está alto e a extensão dos glaciares é limitada. E as atividades humanas não modificaram de maneira essencial essas características", expunha Gibbard recentemente na revista francesa Science et Vie.


"O Antropoceno existe. E esta afirmação não se baseia na fé, senão em evidências. A nossa espécie é o primeiro agente transformador do planeta", opina pelo contrario Cearreta. O estudo dos 39 centímetros das marismas de Urdaibai, publicado na revista Science of the Total Environment, "sugere o ano 1800 como limite entre o Holoceno e o Antropoceno no norte de Espanha", segundo os autores. É a mesma data que indicam outras mostras tomadas em outros pontos do mundo e a mesma que propôs o prêmio Nobel Paul Crutzen. Ao seu julgamento, nesse ano o planeta entraria em um novo capítulo da sua história: a época do ser humano.

fonte da nova: materia.com


Referência
Leorria, E., Mitraa, S., Irabiend, M.J., Zimmermanc, A.. Blaked, W.H., Cearretae, A.: "A 700 year record of combustion-derived pollution in northern Spain: Tools to identify the Holocene/Anthropocene transition in coastal environments" Science of Total Enviroment 470–471/1, 2014  pp. 240–247   
DOI: 10.1016/j.scitotenv.2013.09.064


domingo, 29 de abril de 2012

Atlas Digital do mundo Romano e Medieval


O Digital Atlas of Roman and Medieval Civilization (DARMC) oferece online gratuitamente um conjunto de materiais através de um Sistema de Informação Geográfica (SIG) centrado na análise dos mundos romano e medieval.


O DARMC permite a análise espacial e visualização de diversos aspetos temporais das civilizações da Eurásia ocidental nos primeiros 1500 anos de nossa era, e a geração de mapas originais que ilustram vários aspetos da civilização antiga e medieval. Um trabalho em andamento iniciado em 2007 por uma equipe de estudantes de Harvard em conjunto com o prof. Michael McCormick, do que falaramos na anterior postagem, e com alguma contribuições de acadêmicos em outras instituições


Também há disponível para o uso on-line uma serie de bancos de dados bibliograficos e geográficos  algumas inteiramente novos criados por membros da equipe do DARMC. Eles vao desde um banco de dados cos movimentos geográficos e a legislação promulgada pelos imperadores romanos ou bases sobre de naufrágios romanos e medievais, os fenómenos climáticos, dados arqueológicos, etc.


Ir à base de dados:   DARMC

sábado, 28 de abril de 2012

O câmbio climático e a fim de Roma



Achegamos agora aos leitores do Archaeoethnologica esta palestra do medievalista Michael McCormick titulada Climate Change and the Fall of the Roman Empire.

Nela que este experto no Alta Idade Media e a Tardo-antiguidade planteia um fenômenos longamente conhecido e tratado a queda do Império Romano em relação coas novas achegas proporcionadas polos novos descobrimentos da arqueologia e outras disciplinas como a genetica, edafologia, centrando-se sobre tudo os centrados nas variações climáticas nos últimos séculos do Império e princípios dos reinos bárbaros, que permitiriam replanear os fenômenos que as fontes literárias nos amossa e que relacionamos como este período: migrações, epidemias, crise econômica e política, câmbios sociais, etc.


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Archaeological Dialogues - Novo número


Archaeological Dialogues 19/01 2012


Editorial
Inviting reactions pp 1-1

Interview
Intransigent archaeology. An interview with Evžen Neustupný on his life in archaeology  pp 3-28
Martin Kuna

Discussion
From climate and society to weather and landscape  pp 29-42
Toby Pillatt

Climate change, extreme weather events and issues of human perception  pp 42-46
Martin Bell

Weathering climate change. The value of social memory and ecological knowledge pp 46-51
Jago Cooper

Palaeo-environments and human experience pp 51-54
Althea Davies

Yes and No. How applicable is a focus on palaeo-weather? pp 54-56
Detlef Gronenborn

Weather and climate proxy records  pp 57-62
T.J. Wilkinson

Resilience theory and social memory. Avoiding abstraction  pp 62-74
Toby Pillatt

Reaction
Women archaeologists in 20th-century Britain. Response to Rachel Pope  pp 75-80
Catherine M. Hills


Ir ao site da revista:  Archaeological Dialogues