sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Quando as Estátuas também Morrem



No ano 1953 os diretores de cine Alain Resnai e Chris Marker realizavam esta pequena joia do cinema documental intitulada as Estatuas também morrem (les Statues meurent aussi), o filme promovido pela revista Presence Africaine foi resultado da colaboração de importante museus europeus como o British Museum, a Maison de L´Homme de Paris, ou o Museu do Congo Belga.


No filme faz-se uma interessante reflexão sobre o conceito de arte, e criticam-se as antinomias do colonialismo europeu sobre a África, centrado na arte o documentário põe em questionamento o etnocentrismo da distinção estabelecida entre a arte e a estética Ocidental e a dos povos africanos, através dela a própria classificação das formas icónicas africanas como Arte mostra-se em boa medida arbitraria, sem um sentido real no contexto que gerou essas mostras culturais, respondendo em resumem mais aos valores culturais europeus que a outra coisa


A través disto percebe-se como a própria categoria de artístico serve para alienar não só as coisas do seu contexto senão as pessoas, formando parte mais dum processo de "violência" cultural. Num mundo entre dois séculos condicionados pela expansão colonial das potencias europeias, a apropriação dos objetos indígenas e a sua inclusão em museus e coleções particulares, o impacto da estética africana na arte das Vanguardas, europeias não exento de uma atração pelo "primitivismo" em relação cós movimentos irracionalistas da época, da lugar a uma demanda da arte africana.


Mas paradoxalmente esta demanda da arte africana converte-se num espada de dobre fio, que "valoriza" em ocidente o alheio a costa de contribuir a sua decadência no lugar de origem donde as formas estéticas indígenas se tornam uma forma de artesoaria dirigida e orientada aos gostos do novo mercado do colecionismo ocidental



O colecionismo, e poderíamos dizer igualmente o mesmo de tantas coleções arqueológicas a través das que nos temos apropriado de passados alheios, ccumpre assim uma função ao mesmo tempo "depredadora" e "necrológica" que vem enunciada já nas primeiras frases "Quando os homens estão mortos, entram na historia. Quando as estatuas estão mortas, entram na arte. Esta botânica da morte, é o que nós chamamos A Cultura."



 Isto serve Igualmente de reflexão sobre a própria Conceição de Historia "Universal" como discurso unilinear e que deixa fora de sim aquelas outras histórias que não falam -ou ao menos fizemos que falassem de nos mesmos: esses chamados "Povos sem Historia", noção claramente etnocêntrica a que Eric Wolf dedicara o seu livro homónimo Europa e as Gentes sem Historia.


Neste sentido a própria genealogia da noção de "Africanismo" inacessível a ser integrada no discurso genealógico da Civilaçao europeia ao contrario da de "Orientalismo" que estudara Said, pressente-se como uma lógica que tem muito que ver ao menos a um nível subconsciente com aquela que guiara a aparição dos Gabinetes de Curiosidades que armazenam de jeito caótico -descontextualizado o extravagante, exótico, monstruoso ...


 Em resumem tudo aquilo que não e integrável na normalidade da nossa identidade pero sim submetivel segundo os casos a uma tipologia ou uma estética do alheio


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