domingo, 8 de abril de 2012

Género, Política, Propaganda


POLÍTICA Y GÉNERO 
EN LA PROPAGANDA DE LA ANTIGÜEDAD

Quando: 26-27 de abril
Onde:  Universidade de Saragoça


Embora com fins diferentes, a imagem da mulher é moeda frequente na publicidade atual. O masculino costuma-se associar a fortaleza, dinheiro, ciência, empresa, o feminino à maternidade, as tarefas domésticas, ou o sexo direto ou velado.

hetaira tocando o aulos entre os homes num symposion
    
Se em alguma ocasião aparece uma mulher trabalhando apresenta-lha adotando atitudes que se associam com o masculino. Os publicistas sabem que a mulher é a principal consumidora e desde diferentes pontos de vista o potenciam.

           matrona romana tocando a citar junta a filha, fresco de Boscorreale

A partir desta reflexão na que estamos imersos no mundo ocidental atual, nos retrotrairemos à concepção clássica no Mediterrâneo, para passar a seguir a valorizar a figura da mulher em contextos antigos e como se vai construindo uma imagem com o fim de difundir uns valores que nesse momento interessavam à sociedade.



As conferências são públicas, quem quer certificado deve matricular-se antes do 18 de Abril


 Programa: 
   

sábado, 7 de abril de 2012

Outeiro do Circo


Localizado numa zona de grande fertilidade agrícola, conhecida como Barros de Beja, em pleno centro da peneplanície do Baixo Alentejo, o Outeiro do Circo surge-nos como paradigma da ocupação humana nesta região durante a Idade do Bronze.

Possuidor de características únicas proporcionadas pela sua invulgar dimensão (17 ha), pelo seu complexo sistema defensivo ou pela sua localização privilegiada, o povoado fortificado do Outeiro do Circo constitui-se como um sítio chave para a compreensão da evolução do povoamento regional ao longo de toda a Idade do Bronze.


Nesta região conhecem-se atualmente dezenas de outros sítios com ocupações desde o Bronze Médio à Iª Idade do Ferro, que incluem necrópoles ou povoados abertos de planície. O conjunto de novos dados existentes neste território permite que se comece a ensaiar um modelo da evolução do povoamento entre o II e o I milénio antes da nossa era.


O Projeto Outeiro do Circo iniciado em 2008 centrou-se na análise e escavação dos taludes murados que rodeiam o povoado na íntegra revelando estratégias construtivas complexas e criativas face aos problemas colocados pelos condicionalismos locais.


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Territórios de Fronteira - Palestras



Irá decorrer no Museu Nacional de Arqueologia de Portugal às 18 horas do próximo dia 12 de abril de 2012 novo ciclo Territórios de Fronteira co-organizado pelo Grupo de Estudos em Evolução Humana (GEEVH), pelo Museu Nacional de Arqueologia (MNA) e pelo Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Universidade do Algarve (NAP).

O ciclo inclui palestras de:

Companheiros na vida e na morte: a integraçao de restos animais nos rituais funerários
Cláudia Costa UNIARQ univ. do Algarve

A análise de ossos queimados em contextos arqueológicos: algumas inovaçoes.
David Gonçalves
CENCIFOR – Centro de Ciências do Patrimonio Arquitectónico e Arqueológico / CIAS – Centro de Investigaçao em Antropologia e Sáude

Viver a morte em Portugal: o potencial informativo dos relatórios antropológicos de campo
Cristina Cruz
Departamento de Ciências da Vida da Univ. de Coimbra / CIAS – Centro de Investigaçao em Antropologia e Saúde


quarta-feira, 4 de abril de 2012

O Tempo da Aliseda


EL TIEMPO DEL TESORO DE ALISEDA

Apresentamos agora no Archaeoethnologica a web do projeto El Tiempo del Tesoro de Aliseda que desde o ano passado leva achegando-se de novos jeitos a esse clássico da arqueologia hispânica que é o tesouro da Aliseda para introduzi-lo no seu contexto e obter assim uma melhor complexão de esse período.


O objetivo deste projeto é adentrar-se durante os anos 2011-2013 nestas sendas a partir do estudo territorial e geomineiro do povoado da Serra do Aljibe (Aliseda, Cáceres), vinculado ao tesouro a partir das nossas escavações de 1995, e do complexo rural da Ayuela (Cáceres), descoberto pelas obras da AVE e escavado em 2009


Por outra parte, persegue-se o rastreio e análise da documentação existente sobre o achado alisenho em diferentes arquivos regionais e nacionais a fim de valorizar a gestão e o impacto da descoberta na sociedade e instituições da época relacionadas com o Património e na própria disciplina arqueológica. Propõe-se, em soma, uma aproximação ao "tempo historiográfico" e ao "tempo histórico" do tesouro de Aliseda, sem não esquecer que elo correu paralelo ao de Argantonio e a legendária Tartessos.


No site do projeto ademais de informações sobre o próprio desenvolvimento do projeto existe uma secção de Publicações, estruturada em três apartados: 1) Projeto, 2) Tesouro de Aliseda e 3) Documentos. 


No primeiro ir-se-ão incorporando as contribuições -científicas e divulgativas vinculadas ao projeto. No segundo, recolhe-se uma seleção de títulos sobre o achado alisenho que poderiam ser de interesse para quem, desde diferentes perspetivas, desejem aproximar ao tema. No terceiro, encontram-se alguns documentos sobre a descoberta. Na sua maior parte, estão disponíveis em formato pdf


Ir ao site do projeto:  El Tiempo del tesoro de Aliseda

domingo, 1 de abril de 2012

Journal of Fiel Archaeology em Open-Acess


O Journal of Field Archaeology é o jornal do mês dentro da plataforma de revistas digitais Ingenta, com motivo de isto os editores abrem o contido e põem em open-acess de tudo-los números dos 3 últimos anos de esta revista entre os dias 1 de abril e 15 de maio de este ano. Os interessados em descarregar os artigos de esses números só têm que registar-se de balde no mail-list da revista na página do Journal of the Month


Bernard Wailes faleceu


O Dr. Bernard Wailes, professor emérito de Antropologia na Universidade de Pennsilvania e curator emérito de Arqueologia Européia no Penn Museu, faleceu o dia 30 de março, em Londres, Inglaterra.

o castro de Dún Ailinne

Nascido o 3 de abril de 1934 em St. Mawgan, Cornwall, ele estudou arqueologia na Universidade de Cambridge onde recebeu seu BA (1957), MA (1961) e doutorado (1964), sendo estudante e discipulo de destacados cientistas como a medievalista Nora Chadwick e o arqueologo Grahame Clark. Apesar de suas áreas de especialização ocupaba desde a pré-história tardia, ao início do periodo histórico na Europa, em particular na Irlanda, ele manteve ao longo de sua vida um profundo interesse em todo-los eidos da arqueologia.

Dún Ailinne, foto: UCC Collection

Wailes foi entre 1968 e 1975 diretor de escavações no de Dún Ailinne no condado de Kildare, na Irlanda, um grande sitio regio de Idade do Ferro, cuja memoria seria finalmente publica no livro (Dún Ailinne: Excavations at an Irish Royal Site, 1968-1975, Pennsilvania, 2007) coeditado junto coa Dra. Susan Johnson, quem a partir de 2006 retomaria as excaçoes no jazigo. No ano 2008 Bernard Wailes seria o convidado de honor na inauguração do Centro de Interpretação do ricem criado Parque Arqueológico de Dún Ailinne

Conor Newman e Bernard Wailes, foto: Brian Byrne

Em 1970 Wailes tornou conservador da seção de Arqueologia Européia do Museu Penn, após esta coleção fora separada da seção de Mediterrâneo. É influênciu na consolidação dos estudos sobre arqueologia Europeia na Universidade da Pensilvânia na que lecionou.


Os aficionados a teoría arqueológica lembramos assimesmo contribuções como o seu livro homenagem a Gordon Childe (Craft Specialization and Social Evolution. In Memory of V. Gordon Childe, 1996) o seu artigo no volumen de Crumley, Ehrenreich e Levy (Heterarchy and the Analysis of Complex Sciences, 1995) no que revaluaba conjuntamente os dados arqueológicos e textuais sobre a Irlanda altomedieval, plantejando o seu enquadramento dentro dum modelo "heterarquico".


sexta-feira, 30 de março de 2012

Encontrarte 2012

Encontharte
Encontros de História da Arte da Antiguidade
Horizontes Artísticos da Lusitânia

Quando: 11-12 abril
Onde: Univ. Nova de Lisboa e Hotel Aqualuz (Troia)


Os primeiros Encontros de História da Arte da Antiguidade, Encontrharte, pretendem reunir um conjunto de estudiosos especializados em diferentes áreas de investigação (pintura, escultura, arquitectura, mosaico, cerâmica grega, entre outros) da História da Are da Antiguidade Clássica e Tardia em Portugal e em Espanha. É sua ambição, igualmente, dar a conhecer o potencial metodológico da História da Arte através da sua articulação com áreas disciplinares distintas como a Arqueologia, a História, a Filososofia, a Literatura, a Geologia.

 mosaico do vaso da villa de Santiago da Guarda, Ansião
  
Os Encontros de História da Arte da Antiguidade, Encontrharte, são uma iniciativa do Instituto História da Arte organizado pela sua linha de Investigação Arte Clássica e Antiguidade Tardia. O Encontrharte conta com o vigor da investigação científica na área da História da Arte da Antiguidade Clássica e Tardia em Portugal, herdeira dos trabalhos dos Professores Bairrão Oleiro e Justino Maciel, renovando-se numa geração de novos investigadores

O tema deste 1º Encontrharte é Horizontes Artísticos da Lusitânia e está organizado em três sessões que tratarão as Abordagens e Metodologias, Espaços, Materiais e Formas e, finalmente, Iconografias.


  Programa provisorio




+INFO no blog do:  Encontrharte

quarta-feira, 28 de março de 2012

O primeiro rebanho

As traças no ADN do gado levam a um pequeno rebanho em torno a 10.500 anos atrás

Tudo o gado bovino atual é descendente de uns 80 animais que foram domesticados a partir de bois selvagens do Oriente Próximo 10.500 anos atrás, segundo um novo estudo genético.
  
Uma equipa internacional de cientistas do CNRS, o Museu Nacional de História Natural de França, a Universidade de Mainz, na Alemanha, e o UCL no Reino Unido foram capazes de realizar o estudo do ADN extraindo dos primeiros ossos conhecidos de gado doméstico, topados em escavações em sítios arqueológicos iranianos. Esses sítios foram ocupados não muito depois da invenção da agricultura e estão na região onde o gado bovino fora domesticado por primeira vez.

A equipa examinou as pequenas diferenças nas sequências de ADN de antigos animais, assim como de gado moderno, para estabelecer como poderiam ter surgido dadas as histórias das diferentes populações. Usando simulações de computador, eles descobriram que as diferenças de ADN só poderia ter surgido se um pequeno número de animais, cerca de 80, que foram domesticados a partir de boi selvagem (auroque). O estudo foi publicado na edição atual da revista Molecular Biology and Evolution.



A Dra. Ruth Bollongino do CNRS, França, e da Universidade de Mainz, na Alemanha, principal autora do estudo, disse: " A obtenção de sequências de ADN fiáveis de resíduos que são encontrados em ambientes de frio é de rotina”. É por isso que os mamutes foram uma das primeiras espécies extintas a partir do qual pudemos ler seu ADN. Mas obter ADN de confiança a partir de ossos encontrados em regiões quentes é muito mais difícil porque a temperatura é muito crítica para a sobrevivência do ADN. Isto significava que temos que ser extremadamente cuidadosos para não terminar lendo ADN contaminado por gado morto em tempos mais recentes.

O número de animais domésticos tem implicações importantes para o estudo arqueológico de domesticação. O Prof. Mark Thomas, geneticista do Departamento de Genética, Evolução e Meio Ambiente da UCLe um dos autores do estudo, disse: "Este é um número surpreendentemente pequeno de gado. Sabemos a partir dos restos arqueológicos que os ancestrais selvagens do gado de hoje, os conhecido como auroques, eram comuns em toda a Ásia e Europa, assim teria havido muitas oportunidades para captura-los e os domesticar".

representação de auroque num gravado anônimo de princípios do XIX

O Prof. Joachim Burger, da Universidade de Mainz, outro dos autores, disse: "os auroques selvagens são animais muito diferentes do moderno gado doméstico."Eles eram muito maiores do que os bovinos modernas, e não teria tido as características internas que vemos hoje, como a docilidade. Assim, em primeiro lugar, a captura desses animais não teria sido fácil, e embora algumas conseguiram captura-los vivos, a sua mantimento continuado e criação a cria ainda teria apresentado dificuldades consideráveis, até que ela tivesse conseguido um tamanho menor e um comportamento mais dócil".

comparação dos tamanhos do auroque e touro atual

Os estudos arqueológicos sobre o número e tamanho dos ossos de animais pré-históricos têm mostrado que não só o bovino, mas também cabras, ovelhas e porcos foram domesticados por primeira vez no Oriente Médio. Mas dizer quantos animais foram domesticados para qualquer dessas espécies é uma questão muito mais difícil de responder. Técnicas clássicas de arqueologia não nos podem dar toda a imagem, mas a genética pode ajudar - especialmente se alguns dos dados genéticos provinham dos primeiros animais domésticos.

cranio do jazigo romano-britano de Binchester, foto: Michael Shanks    

O Dr. Jean-Denis Vigne bio-arqueólogo, CNRS comenta: "Neste estudo a análise genética permitiu responder a questões que - até agora os arqueólogos nem sequer se pranteavam."Um pequeno número de progenitores de gado é consistente com uma área restrita da que os arqueólogos tenham provas para o início da domesticação ca. 10.500 anos atrás. Esta área restrita poderia ser explicada pelo fato de que a criação de gado, ao contrário, por exemplo, o pastoreio de cabras, teria sido muito mais difícil para as sociedades móveis, das que só algumas das sociedades do Oriente Médio eram realmente sedentárias na época".



O Dr Marjan Mashkour, arqueólogo CNRS que trabalha sobre o Oriente Médio acrescentou "Este estudo destaca o quanto importante pode ser considerar oz vestígios arqueológicos de regiões , até o de agora nao bem estudadas, como o Iram. Sem os dados iranianos teria sido muito difícil tirar essas conclusões sobre o gado a uma escala tão global".

(Fonte:  UCL News)


Referência do artigo:

- Bollongino1,R., Joachim Burger, J., Powell, A., Mashkour, Vigne, J-D. & Thomas, M.G, "Modern Taurine Cattle descended from small number of Near-Eastern founders" Mol Biol Evol (2012)
DOI:  10.1093/molbev/mss092


A origem da ganadairia - Palestra



Palestra de um dos coautores do artigo citado acima, Jean-Denis Vigne (CNRS) titulada Les débuts de l'élevage des ongulés dans l'ancien monde: interactions entre sociétés et biodiversité que foi dada durante o Colóquio La révolution néolithique dans le monde organiçado pelo Institut National de Recherches Archéologiques Préventives (Inrap) na que se faz um repasso a atualidade por aquele então (2008) da pesquisa sobre a origem, difusão da domesticação dos bovidos e a sua relação coa neolitização


+INFO no postcast original do:   Inrap

domingo, 25 de março de 2012

Tesouros dos Bárbaros


El Tesoro de los Bárbaros
  
Quando: 31 março - 14 outubro
Onde: MARQ


O Museu Arqueologico de Alicante (MARQ) O Museu Arqueológico de Alicante acolherá entre os meses de abril e outubro deste ano a exposição internacional O Tesouro dos Bárbaros na que mostrar-se-á, através de uma alarga seleção de peças procedentes do Museu Histórico do Palatinado, situado na cidade alemã de Espira (Speyer), os inícios da decadência do Império Romano nas fronteiras germanas, bem como diversas feições da vida quotidiana de quem habitava esses territórios durante o século III d.C..


A mostra está composta por mais de 600 peças resgatadas baixo as águas do rio Rim, entre as que destaca o famoso espelho com o relevo da deusa Minerva, permitirá ao público conhecer um dos achados mais expetaculares da tardo-antiguidade, o do chamado Tesouro de Neupotz, um dos maiores conjuntos de metal de época romana de toda a Europa, que destaca tanto pela beleza e qualidade dos seus objetos como por ser depoimento de uma das etapas menos conhecidas da história do Império Romano.





sábado, 24 de março de 2012

Arqueologia da morte - Entrevista


"Do 99% da humanidade não ficara rastro"

  Entrevista a Mike Parker Pearson (Universitade de Sheffield)
Especialista de renome internacional em arqueologia da morte e na pré-história recente de Grã-Bretanha e do norte de Europa. Também tem escavado em Grécia, Síria, os Estados Unidos, Madagascar e no oeste do oceano Índico. Dirige os trabalhos arqueológicos no jazigo de Stonehenge, o qual lhe fez merescente da distinção de "Arqueólogo do ano" o 2010. Foi o principal palestrante do seminário do ICAC "A arqueologia da morte".

Que é a arqueologia da morte?
É o estudo dos costumes e rituais funerários no passado, o estudo de como a gente comemorou a morte.

Que é mais que comemorar o passado.
É claro, porque os monumentos funerários pervivem no futuro, ou seja que é uma maneira que têm os humanos de mudar o sentido do tempo. É uma marca no presente que se refere ao passado e que perdurará no futuro, durante séculos ou milénios.

A consciência da morte faz-nos humanos?
Sim, é um dos aspetos fundamentais que nos diferencia dos animais. E o que fazemos é ver de dar sentido a este problema: temos uma vida muito curta e não sabemos que passa quando morremos. O que é fascinante, como historiadores, é estudar como as sociedades do passado e do presente o tentam resolver, racionalizar, explicar.

A sociedade atual como o faz?
A Ocidente vemo-nos como uma cultura da vida. A morte é negada, apesar que esté em todos os lados e lhe passe a tudo o mundo! Teria que estar mais integrada na vida, independentemente de se temos crenças religiosas.



Para entender a morte ao longo do tempo os restos arqueológicos são suficientes?
A arqueologia não dá um retrato de corpo inteiro do passado. Temos restos materiais, como monumentos, recintos funerários, edifícios, os mesmos esqueletos, mas perto do 99% da história da humanidade não ficaram rastros.

Que difícil de estudar, pois?.
É um reto. Tão só sabemos de grupos que não são representativos da maioria da população. Também é o nosso reto pensar em outros lugares onde temos de procurar restos. E tenhamos presente uma coisa: em Europa a maioria dos nossos mortos de hoje não serão arqueologicamente visíveis, porque a incineração é uma prática a cada passo mais estendida.

Sorte, porque ao final não caberíamos! Que passa quando o planeta é cheio de monumentos para os mortos?
Não o sei. À Grã-Bretanha os cemitérios estão cheios. Que temos de fazer? Jogá-los a terra, reutilizá-los? É difícil porque também há em jogo um sentimento muito forte da gente. Como temos de gestionar os mortos no mundo dos vivos? Construímo-los espaços separados, mas agora temos de pensar outras soluções.

lekitos com escena de culto diante de uma estela funerária

Outra maneira de representá-los?
Sim. Aqui ainda temos terreno, mas fixem-nos em lugares como Hong Kong, onde há pouco espaço e é caro. Será interessante ver como fazem-no para construir os monumentos para as cinzas dos mortos. À Grã-Bretanha há um interesse crescente por reciclar os mortos em enterramentos verdes ("green burials").

Em que consiste?
Em enterrar em zonas verdes e marcar a tumba plantando uma árvore. A ideia é que a morte é uma parte do ciclo da vida, do processo natural de decadência e regeneração. É uma boa solução. Conecta com a perceção das árvores como monumentos naturais. E é como dizer: "O meu tempo se acabou, mas a vida contínua".

Que importância tenhem os rituais?
 Muita, também em sociedades seculares, porque juntam a gente, os dão um marco para viver em comum este momento de luito e rutura. Os rituais, religiosos ou não, são necessários, porque acompanham na morte e são uma boa estratégia para a encarar.

Você diz que a morte com frequência se utiliza politicamente.
Sim. Temos muitos exemplos, como o de Eva Perón. Defunta, o seu corpo quase converteu-se em objeto de manipulação política do seu marido, o ditador. E outro caso da América Latina: os maias eram conhecidos por mumificar os governantes, e continuavam tendo poder no mundo dos vivos. Um jovem conquistador que se quis casar com uma moça local teve de pedir permissão a um de estas momias, que tinham um intérprete!

Incrível.
Mas de fato todos os funerais políticos são uma ocasião para manipular, negociar, para reclamar sucessões. É um momento político chave!

Stonehenge, foto: Bill Bevan

Fale-nos de Stonehenge, onde dirige as escavações desde o 2003.
É apaixonante! Fizemos descobertas revolucionárias: encontramos o núcleo onde vivia a gente enquanto se construía Stonehenge, datamos o jazigo entre o 3000 e 2400 aC e encontramos o Bluestonehenge.

Que é?, outro círculo de pedras?.
Sim, mas mais pequeno, a uns 3 km de Stonehenge e ao lado do riu Avon. De fato o riu conecta o núcleo habitado com Bluestonehenge. Chamarmos-lhe assim pela cor azulada pedra.

De onde provem?
Do oeste de Gales, a uns 200 km. Está feita de doleritas, riolitas, cinza vulcânica e grés. O outro tipo de pedra que há no jazimento é um grés de Avebury, a uns 30 km. Agora o que queremos são encontrar as pedreiras de onde sacaram estes blocos!

Por que os levaram de tão longe?
Boa pergunta. O que é óbvio é a associação entre as pedras e os ossos dos mortos. É um lugar dos ancestrais seguro. O fato que se usem pedras de dois lugares (do centre de Inglaterra e de Gales) para um sozinho monumento faz pensar que quiçá é o primeiro símbolo da união de Grã-Bretanha, a sinal de um momento de trégua.

Mas que é, Stonehenge? Cemitério, lugar de culto, enclave astronómico?
Tudo ao mesmo tempo! Tem a ver com o céu, com os mortos e com a união de Grã-Bretanha. Mas é um mistério. Em junho publico um livro precisamente em que o explico, Exploring the greatest Stonehenge mistery.

Por que é importante tê-lo datado
Porque desfizemos o mito que Stonehenge vem dos druidas. Disse-o William Stukeley o 1740 baseando-se em escritos de Júlio César. Não se podia nem imaginar que era bem mais antigo!

(extraido de Icac.net )


sexta-feira, 23 de março de 2012

RAC & TRAC 2012

RAC & TRAC 2012

Quando: 29 de março - 01 de abril
Onde: Frankfurt am Main, Alemanha


A Roman Archaoelogical Conference (RAC) é a primeira conferência sobre arqueológica romana no Reino Unido que se celebra em conjunto coa Theorical Roman Archaeological Conference (TRAC). A RAC É um acontecimento bienal, -o RAC 2010 celebrou-se em Oxford- que reúne a todos os interessados neste ambito de pesquisa para discutir os últimos achados arqueológicos sobre o mundo romano e os seus arredores.

No ano 2012 este acontecimento dentro do mundo da arqueologia romana será celebrado pela primeira vez fora das Ilhas Britânicas.


 Programa




+INFO no site da:   RAC/TRAC 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

Arqueologia dos espaços domésticos



Deixamos-vos aqui esta interessante palestra de um dos organizadores do curso assinalado na anterior postagem Jesus Bermejo Tirado. A palestra titulada Arqueologia dos Espaços Domésticos, foi dada no contexto das Jornadas de Metodologia Arqueológica organizadas no ano 2010 pelo Laboratório de Arqueologia da Universidade de Vigo (LAUV), e nela se tratam os problemas teórico-práticos associados ao registo arqueológico da cultura material que atopamos nas unidades domesticas.


quarta-feira, 21 de março de 2012

Arqueologia dos espácios domésticos

Arqueología de los espacios domésticos en el mundo romano
Tecnología, Cultura y Performance económica

Quando: 9-13 abril
Onde: Centro de Ciencias Humanas y Sociales - CSIC, Madrid


O curso de Post-grão Arqueologia dos espaços domésticos no mundo romano: Tecnologia, cultura e performance econômica, sócio ao projeto de investigação Cultura material doméstica em Lusitânia, condições de vida e crescimento  pretende ressaltar a centralidade dos espaços domésticos no mundo antigo mediante o estudo da cultura material doméstica, as formas de sociabilidade dentro da casa e as atividades econômicas que se desenvolvem no seu interior. No curso pretende-se incidir nas últimas tendências no estudo das unidades domésticas como enquadramento de estudo das condições de vida no mundo pré industrial, a partir do registro arqueológico. Os professores convidados provêm de instituições espanholas e europeias e fazem parte de uma network europeia de vanguarda nesta área de estudos.


Programa:

BLOQUE I. MARCO TEÓRICO E HISTORIOGRÁFICO

Segunda Feira 9 de abril

Irene Mañas Romero. CCHS-CSIC.
La Arqueología de los espacios domésticos en el mundo romano

Jesús Bermejo. CCHS-CSIC.
Cómo abordar el estudio de un espacio doméstico romano


BLOQUE II. CURSOS MONOGRÁFICOS

Terceira Feira 10 de abril

Paula Uribe. Universidade de Bordeaux-Universidade de Saragoza.
Arquitecturas domésticas romanas. Unidad y diversidad.

Guadalupe López Monteagudo. CCHS-CSIC.
Decoración doméstica y cultura visual ¿Qué querían mostrar las élites a través de las imágenes?

Quarta Feira 11 de abril

Virginia García Entero. UNED.
La autorrepresentación de la aristocracia tardorromana a través de la arquitectura: el Palatium de Carranque

Manuel Romero. Diretor do Museu da Cidade de Antequera.
El caso de estudio de las villas de la provincia de Málaga

Quinta Feira 12 de abril

Margherita Carucci. University of Helsinki.
Engendering the Roman house

Yolanda Peña. Universidad Autónoma de Madrid.
El sistema productivo en la casa romana: tecnologías de la producción y almacenamiento de rendimientos alimentarios

Sexta Feira 13 de abril
Penelope Allison. Leicester University
Roman household practices through the material culture: the case of Pompeii


+INFO no site:  CCHS - CSIC