segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Vijanera. (trailer) - O Outro Natal



Trailer do documentario "Vijanera, la Caza del Oso" dirigido pola realiçadora Isabel Giménez sobre esta ancestral festa de comezos do ano.


Artigo relacionado:    Um Outro Aninovo

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Um Outro Aninovo, A "Vijanera" de Silió (Cantabria) - O Outro Nadal



Relacionado com os rituais invernais da fim do ano outra das mascaradas destas datas é La Vijanera das terras cântabras, que segundo consideram González Echegarray ou Caro Baroja recordaria etimolóxicamente as Kalendae Ianuariae (de Janeiro) festa romana que na sua versão tardo-imperial como bem vera Michel Meslín acolheu no seu seio sincrético  manifestações como as mascaradas teriomorfas procedentes do substrato celto-germânico, e que logo, nas suas formas condicionará profundamente as posteriores tradições de Inverno que como esta, que nos tenhem chegado até a atualidade Amostrando-nos o mais fundo da nossa raigame cultural


+ INFO em o site:   lavijanera.com

O Outro Aninovo - O Outro Nadal

Obisparra de Sarracín de Aliste (Zamora), dia de Aninovo

Apresento-vos aqui outra muito distinta forma de celebra-lo Aninovo, não não e a "Carreira Pedestre do São Silvestre" senão uma dessas tradições de fim de ano, que enlaçam já coas mascaradas de antroido e que aparece aqui nesta foto do magnífico bloge Fotografía Etnográfica, na bisbarra de Aliste (Zamora) o 1 de Janeiro o demo (o Cencerrón) volta a se passear pelo mundo acompanhando à Filandorra (moço vestido de mulher) e enfrentandosse a "los guapos", outra dessas mascaradas e luitas do ciclo invernal que tam bem estudou há tantos anos Caro Baroja no seu clássico El Carnaval e que tamto lhe interessam ao meu colega Pedro Moya, a quem lhe adico nesta noite este post.

Bom Aninovo a tudos do Archeoten.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Journal Archaeological Method & Theory 16/ 4

      
 Journal of Archaeological Method
and Theory
16/ 4 2009


Cultural Identity and the Archaeological Construction of Historical Narratives: An Example from Chaco Canyon  pp.283-319
W. H. Wills

Residential Mobility and Ceramic Exchange: Ethnography and Archaeological Implications  pp.320-356
Margaret E. Beck

Comment: Computational Intelligence, Lmlk Storage Jars 
and the Bath Unit in Iron Age Judah  pp.357-365
Raz Kletter

Response to Kletter   pp.366-367
Itzhak Benenson



Ir ao número de:   J. Arch Method & Theory

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Uma Enciclopedia dos Contos Populares

ENZYKLOPÄDIE DES MÄRCHENS 
Handwörterbuch zur historischen und vergleichenden Erzählforschung


A Enzyklopädie des Märchens é uma obra de referência resultado do trabalho de quase 200 anos de pesquisa no campo da tradição popular e da etnografia, criada coma um trabalho a longo prazo que terá 14 volumes na sua versão final dos que já foram publicados completos uns 12. O seu precursor foi o Handwörterbuch des deutschen Märchens, editado entre 1930-40 por Lutz Mackensen.

Partindo desta obra refizesse o planejamento geral dando-lhe um ponto de vista não tão regional, e este novo projeto recaiu en instituições diversas, entre elas a Akademie der Wissenschaften de Gotinga, na que cai neste momento a sua direção. Concebido assim ista obra é centrada nas tradições narrativas orais e literárias de Europa e de países influenciados pela cultura europeia, assim como aqueles da bacia Mediterrânea e da Ásia em geral Por essa razão a Enzyklopädie des Märchens fornece informação etnográfica abundante e de interesse não somente para etnógrafos e folcloristas, mas também para outras disciplinas como afins como a filologia, a história nas suas polas diversas e a antropologia.

Cada artigo apresenta um estado atualizado da investigação em cada matéria. Outro interesse desta obra é o feito de que à diferença doutros clássicos como o Aarne-Thompson não é um mero motiv-índex, mas inclui entre suas referências informação sob pesquisadores salientáveis na investigação etnográfica, ou assi mesmo sob teoria e método, indicando-se as bases sociais, históricas, psicológicas e religiosas das diferentes tradições populares. A web da obra apresenta recursos muito úteis já que inclui, amais dum índice alfabético de entradas, uma base de dados que permite a possibilidade de fazer buscas bibliográficas por diferentes critérios (palavra chave, autor, etc.)


Ir ao site da:   Enzyklopädie des Märchens

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

KELTISCH COLLOQUIUM 2009


Keltisch Colloquium 2009. ‘Woeste mannen, wetten und wonderverhalen: Kelten in de marge’
30 maio 2009

Organiça: Stichting A. G. van Hamel v. Keltische Studies

Programma:

11:30 Felicja Hartman: “Doodslag in Oud-Iers recht en Archaïsch Grieks recht”
12:30 Mícheál Ó Flaithearta: “Aspects of the outsider/foreigner in Irish tradition”
15:00 Renée Calon: “Díberga en de Indo-Europese Männerbunde”
16:00 Iris van ‘t Veer: “Wonderlijke verhalen en stichtelijke gedichten: het commentaar bij Félire Óengusso”


Descarrega aqui o programa em  PDF

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Lebor Gabála - Tradução

Lebor Gabála

Alberro, J.L (ed.), Lebor gabála. Libro de las invasiones de Irlanda. Ediciones Trea, 2007   256pp.   ISBN: 978-84-9704-329-8


Sinopse:
O Lebor Gabála Gabhála Eren ou Leabhar (O Livro das Invasões da Irlanda) é uma compilação manuscrita do século XII, feitos por vários autores, em diferentes períodos, parcialmente com base em tradições arcaicas coletados na literatura oral. Ele descreve os cinco grupos de invasores da Irlanda: o Cessair, o Partholon, o Nemed, os Fir Bolg e os Tuatha De Danann, e os Milesianos fomorianos e subsequentes ou Filhos de Mil, que a partir de sua casa, em Brigantia (Corunha) partiu para a Irlanda e conquistaram e colonizaram a ilha de forma permanente. A obra contém elementos arcaicos da era pagã e certos resíduos ou ecos históricos.


+INFO sobre o livro: Lebor Gabála

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Jornadas Mouras 2009 - A minha palestra

 
Aqui a minha intervenção o passado dia 24 de Outubro no que foram as I Jornadas Mouras, organizadas pela Plataforma na Defensa do Património de As Pontes, co titulo de "A Mouramia na Galiza" e na que me adentrei no folclore dos seres feéricos, dos mouros e sobre tudo das "mouras", da nossa cultural popular embora com algumas achegas ocasionais e furtivas a algum que outro dato arqueológico menos atual. Ei de reconhecer que não é que esse dia esteve-se precisamente no meu melhor momento de forma, mas neste  "muito insone" excurso alguma coisa de interesse creio ainda há. 


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A MONTANHA MÁGICA - Documentario - o Trailer


Deixamos-vos aqui o trailer do Documentario "Monte do Seixo, A Montanha Mágica" que como falamos na anterior postagem do Archaeoethnologica, vaisse apressentar em breve. Para que vaiades abrindo boca

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A MONTANHA MÁGICA - O Documentario

Nova sobre a apresentação o próximo dia sete deste mês do documentário A Montanha Mágica sobre o Monte do Seixo, uma paragem com um interessante folklore e como não com um grupo de mamoas e que, como soe ser demasiado corrente, sofreu faz já alguns anos o impacto de um parque eólico.


sábado, 31 de outubro de 2009

Keltische Forschungen 4, 2009


Keltische Forschungen 4, 2009


Alderik H. Blom, "lingua gallica, lingua celtica: Gaulish, Gallo-Latin, or Gallo-Romance?", 7-54

Benjamin Bruch, "Medieval Cornish Versification: An Overview", 55-126

Lukas J. Dorfbauer, "Trunksucht in Blütenlesen: Die beiden Sprüche 'Ebrietas abluit memoriam... Sobrietas salvat memoriam...'", 127-162

Alexander Falileyev, "'New' Gaulish Personal Names", 163-168

Aaron Griffith, "The Old Irish Deponent Suffixless Preterite", 169-187

Anders Richardt Jørgensen, "Irish báeth, báes, bés, ammait and Breton boaz, amoed", 189-193

Ranko Matasovic, "Adjective Phrases in Old Irish", 195-210 Dagmar Schlüter, "Zwischen Göttinnen und Verliererinnen. Gender als Kategorie in der Keltologie: eine erste Bestandsaufnahme", 211-227

David Stifter, "Notes on Châteaubleau (L-93)", 229-244

Rezensionen

Wolfgang Meid und Peter Anreiter, Heilpflanzen und Heilsprüche. Zeugnisse gallischer Sprache bei Marcellus von Bordeaux. Linguistische und pharmakologische Aspekte. Studia Interdisciplinaria Ænipontana 4, Wien: Edition Praesens 2005 (Alderik H. Blom), 245-248

Andrew Carnie, Irish Nouns: a reference guide. Oxford: Oxford University Press 2008 (Theresa-Susanna Illés), 248-254 Desmond Durkin-Meisterernst, Neuirisches Lesebuch. Texte aus Cois Fhairrge und von den Blasket Inseln. Wiesbaden: Reichert 2008 (Theresa-Susanna Illés), 254-258

Gérard Cornillet, Wörterbuch Bretonisch-Deutsch. Deutsch-Bretonisch. Hamburg: Helmut Buske Verlag 2006 (Patrick J. Zecher), 258-260 Patrice Lajoye, Des dieux gaulois. Petits essais de mythologie, Budapest: Archaeolingua 2008 (Andreas Hofeneder), 261-268

Iwan Wmffre, Breton Orthographies and Dialects. The Twentieth-Century Orthography War in Brittany, Oxford – Bern – Berlin – Bruxelles – Frankfurt am Main – New York – Wien: Peter Lang 2007 (Albert Bock), 269-275

John Carey, Ireland and the Grail. Aberystwyth: Celtic Studies Publications 2007 (David Stifter), 276-281

Nora White, Compert Mongáin and Three Other Early Mongán Tales. A Critical Edition with Introduction, Translation, Textual Notes, Bibliography and Vocabulary, Maynooth: Department of Old and Middle Irish, National University of Ireland, Maynooth 2006 (David Stifter), 281-286

Law, Literature and Society. CSANA Yearbook 7. Joseph F. Eska Editor. Dublin – Portland Or.: Four Courts Press 2008 (David Stifter), 287-289 Studies on the Book of Deer. Katherine Forsyth Editor, Dublin: Four Courts Press 2008 (David Stifter), 290-295 Abstracts, 297-301


+INFO no site de: Kestische Forschungen

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Parentesco, Antropologia e Arqueologia


EARLY HUMAN KINSHIP

Early Human Kinship. From Sex to Social Reproduction
Allen, N. J.M,Callan, H., Dunbar, R. & James, W (eds.)
Royal Anthropological Institute & Blackwell, 2008   336pp.
ISBN: 978-1-4051-7901-0


Sinopse:

Este volume patrocinado pelo Royal Anthropological Institute da Grã-Bretanha junto com a Academia Britânica reúne uma serie de estudos de figuras de destaque nas ciências biológicas, a antropologia social, a arqueologia, e a linguística coa finalidade de proporcionar um avanço no debate sobre o problema da evolução e a natureza da sociedade humana.

 Uma nova parceria entre especialistas de toda a gama de ciências que se ocupam do feito humano desde a biologia evolutiva, a psicologia, a antropologia social/cultural, ou a arqueologia e a linguística, permite re-prantear questões e debates fundamentais sobre a sociedade humana primitiva desde novos pontos de vista.

Debates sobre questões como se há uma conexão entre o início da linguagem e os começos de "parentesco e casamento" organizado? ou até que ponto o sexo favoreceu seleção evolutiva ou contribuiu princípio gerador a regular as relações sociais?, apresentam-se à olhada interdisciplinar de distintos estudiosos, oferecendo interessantes achegas ao velho problema dos distintos sistemas e terminologias de parentesco e registados pola etnografia e a etnolinguística e e a sua relação coas populações humanas antigas

Uma visão limitada de parte do livro esta ao dispor online


INDEX

Preface xiv-xvi

INTRODUCTION AND BACKGROUND 1

Why ‘Kinship’? New Questions on an Old Topic  p.1-20
Wendy James

A Brief Overview of Human Evolution   p. 21-24
John A. J. Gowlett and Robin Dunbar

PART I Where and When: The Archaeological Evidence for Early Social Life in Africa

Introduction  p. 25-26

1 Kinship and Material Culture: Archaeological Implications of the Human Global Diaspora  p. 27-40
Clive Gamble

2 Deep Roots of Kin: Developing the Evolutionary Perspective from Prehistory   p. 41-57
John A. J. Gowlett

PART II Women, Children, Men – and the Puzzles of Comparative Social Structure

Introduction   p. 59-60

3 Early Human Kinship Was Matrilineal   p. 61-82
Chris Knight

4 Alternating Birth Classes: A Note from Eastern Africa   p. 83-95
Wendy James

5 Tetradic Theory and the Origin of Human KinshipSystems   p. 96-112
Nicholas J. Allen

6 What Can Ethnography Tell Us about Human Social Evolution?   p. 113-127
Robert Layton

PART III Other Primates and the Biological Approach

Introduction   p. 129-130

7 Kinship in Biological Perspective   p. 131-150
Robin Dunbar

8 The Importance of Kinship in Monkey Society   p.151-159
Amanda H. Korstjens

9 Meaning and Relevance of Kinship in Great Apes   p. 160-167
Julia Lehmann

10 Grandmothering and Female Coalitions: A Basis for Matrilineal Priority?   p.168-186
Kit Opie and Camilla Power


PART IV Reconstructions: Evidence from Cultural Practice and Language

Introduction  pp. 187-188

11 A Phylogenetic Approach to the History of Cultural Practices pp. 189-199 Laura Fortunato

12 Reconstructing Ancient Kinship in Africa   pp. 200-231
Christopher Ehret

13 The Co-evolution of Language and Kinship  pp. 232-243
Alan Barnard

EPILOGUE   p. 245-246

Reaching across the Gaps  p. 247-258
Hilary Callan

Appendices to Chapter 12  p. 259-269

1-Nilo-Saharan Kinship  p. 259-263
2-Khoesan Kinship         p. 264-265
3-Kiship Terms reconstructed to Early Afroasiatic Stata  p. 266-269

Bibliography p. 270-301

Index   p. 302-316


sábado, 3 de outubro de 2009

Modelos e Etno-géneses


Áreas Linguísticas e Culturais Atlânticas, modelo de evolução

Fase 1)  Bronze Final Atlântico 900-600 a.C, área Atlântica e área dos Campos de Furnas centro-europeus, contraste entre ambas

Fase 2) Europa Atlântica 600-300 a.C, sobrevivência de celta arcaico (celta Q) em áreas marginais, novo circo atlântico (Gales-Cornualhes-Armorica)e zonas de influenza hallstattica e Lateniense em celta P

Fase 3) Europa Atlântica 300-100 a.C, área de influência de La Tene Meio (Cultura de Arras) e sobrevivência tradições atlânticas indígenas em áreas periféricas (W Irlanda, N Escócia, NW Hispania)

Modelo proposto por Jon Henderson (2007) para explicar a celticidade linguística das áreas marginais ao complexo lateniense (modelo tradicional de celtização). pranteia um modelo de evolução diacrónica correlativa das área linguística e arqueológica atlânticas que permite ver as inter-relações cambiantes a nível global sobre a base de uma continuidade local básica.

Um modelo mais coerente de celtização acredito eu que pensar em macro-ondas demograficas invasivas e historicamente improváveis


A IDADE DE FERRO ATLÂNTICA


HENDERSON, JON C.: THE ATLANTIC IRON AGE. SETTLEMENT AND IDENTITY IN THE FIRST MILLENIUM B. C. ROUTLEDGE, LONDRES, 2007, 369 PP., 125 FIGS.


Por Marcial Tenreiro Bermúdez


Não se pode negar que o conceito de Cultura -ou área cultural- Atlântica foi de grande produtividade para a arqueologia pré- e proto-histórica européia, sobretudo no que se refere a períodos como o megalitismo ou o Bronze Final. Neste sentido o livro em questão que aqui reseñamos se apresenta como um prolongamento do topos atlantico a um período, como o Ferro, onde não desfrutou ainda de tanto predicamento. 
Um objetivo ambicioso que contínua o labor de Barry Cunliffe e outros arqueólogos na definição de uma facies atlântica para dito período, e que Henderson propõe nesta obra a modo de uma complexa e rica síntese interpretativa. Durante o primeiro capitulo parte de uma revisão do próprio conceito de relacionamentos atlânticas e das suas teorias, desde os primeiros desenvolvimentos difusionistas ao decisivo giro procesualista, propondo de passagem uma série de problemas que se foram reproduzindo ao longo da bibliografía: como o tópico do conservadurismo e estatismo da Área Atlântica ou a dificuldade de apreciar o relacionamento entre a diversidade local e a unidade fundamental de uma tradição/é atlântica. 
Para salvar ditas limitações Henderson propõe um conceito de interação mas dinâmico, que permita apreciar o papel e evolução próprias das diversas comunidades locais, não podendo se falar assim, segundo o autor, tanto de uma tradição atlântica uniforme como de uma "diversidade emparentada" na que desenvolvimentos locais junto a relacionamentos a longa distância confluem na criação de uma relativa koiné. Duas feições que conjuga ao longo de toda a obra através de uma síntese entre os modelos de mudança social derivados da teoria de World Economic Systems e da arqueologia do assentamento.

Isso lhe permite observar o papel na continuidade atlântica de fenómenos como a forma de produção predominante: uma economia mista com tendência ao pastoreo, que favoreceu a adaptação das comunidades atlânticas ao deterioro climático que se dá durante a Idade do Ferro, favorecendo por tanto uma maior estabilidade social e cultural, por contraste com o que acontece em outras regiões. Desde o ponto de vista dos padrões de assentamento o Ferro atlântico longe de constituir um retrocesso mantém a tendência do Bronze Final a uma maior sedentarización, apreciavel no aparecimento de sistemas de campos de cultivo fechados (Fields Systems) e assentamentos permanentes, frequentemente em pedra, que se lhes associam.
Um elemento de grande interesse é o uso que o autor faz do conceito de "identidade"; mostrando como as Similitudes e diferenças da cultura material ou o tipo de assentamento podem atuar à hora de criar e negociar afinidades ou alteridades entre comunidades regionais e áreas culturais, incide assim no contraste que se estabelece entre a série de elementos comuns ao complexo atlântico (casas circulares, depósitos acuáticos, ausência de enterros, etc.) e os próprios da tradição dos Campos de Urnas. Atenção especial merece a cultura material, observando que conquanto os objetos que circulam pelo atlântico têm uma origem inicial centroeuropeu, parecem ter sido adaptados para criar uma nova tipologia, própria e comum dentro da área, e intencionalmente diferente do seu modelo original. 
Mostra-se assim o consciente alteridade de duas áreas culturais (Atlântica vs. Campos de Furnas) unidas por um relacionamento de mutualidade comercial (o cobre alpino e o estano atlântico) mas que se reconhecem ao mesmo tempo entre se como diferentes o expressando através da sua cultura material. Envelope a feição simbólica e ideológico dos bens móveis que circulam nas redes atlânticas argumenta que a continuidade de tipologias como os caldeiros de rebites pôde se ver favorecida pelo papel ritual que desempenhavam ditos objetos dentro do seu circulo cultural. O qual poderia explicar o tardio do uso do ferro ou fenómenos peculiares como o de que as poucas espadas hallsttáticas do âmbito nórdico e atlântico sejam normalmente versões em bronze de tipos férreos alpinos. 
Henderson incide no importante papel jogado pelo intenso comércio do Bronze Final para a definição das comunidades atlânticas, já que será finalmente a decadência daquele a que determinasse o seu carácter periférico e marginal durante o Ferro, dando assim local a zonas regionais com uma marcada personalidade, que em parte inovassem desenvolvendo elementos do substrato atlântico comum. Detém-se em concreto em duas zonas sub-regionales: a formada por Irlanda e Escócia, e pelo eixo Armórica-SE da Inglaterra. A primeira desenvolve uma arquitetura própria a partir das casas circulares do Bronze, dando local a edifícios domésticos sem igual como as monumentais roundhouses escocesas, enquanto a outra inmersa na nova rede comercial que se desenvolvesse a partir de 600 a.C., absorve e sintetiza elementos do mundo centroeuropeu e lateniense. Henderson observa dentro de ambas umas convergências na cultura material e o de habitem, bem como a sincronia de determinados fenómenos, que parecem sugerir contactos mas intensos do que mostra a priori o registo.

Por ultimo um ponto a assinalar, desde uma perspetiva peninsular, é a reformulação que realiza o autor na conclusão do problema das línguas célticas. Para isso toma como base a hipótese da língua franca atlântica de Marisa Ruíz-Galvez (Ruíz-Galvez, 1990), bem como os modelos de celtização linguística durante o Bronze Final que, durante os últimos ânus, foram utilizados por arqueólogos e lingüistas para explicar a problemática irlandesa (Koch, 1986; 1991;Waddell, 1991; Wabbell e Conrroy, 1999; Raftery, 1991, Cunliffe, 2001), o que lhe permite correlacionar as áreas linguísticas com a visão arqueológica, replanteándoas como manifestação de uma dicotomía que se observa assim mesmo no registo entre as zonas de influência lateniense e aquelas outras, como Irlanda ou a Península Ibéria, ficaram, em maior ou menor medida, à margem da nova rede de contactos atlânticos, e que se caracterizassem significativamente por manter dialetos celtas mas arcaicos em Q- por oposição ao inovador celta P- derivado do mundo continental. Inferindo-se disso como lógica conclusão a identidade entre o Celta Q- (ou proto-celta) e a postulada língua vehicular do Bronze Final Atlântico. 
Uma alternativa mais procesual e cumulativa que tem ao seu favor, com respeito às suas competidoras, uma maior coerência entre dados linguísticos e arqueológicos, mas que contrasta com as geralmente aceitadas visões da celtizacão hispana, que tendem a atribuir a um processo celtiberiçador, primando a via continental-pirenaica- sobre a atlântica, hipótese que foi criticada recentemente para a própria Celtiberia (De Bernardo, 2006; Manyanos, 1999). Isso levou aos nossos proto-historiadores, com exceções (Pena, 1994), a considerar ao NO peninsular como uma área à margem de uma celticidade definida baixo o paradigma do celtibérico, se propondo como alternativa uma série de rasgos e particularidades diferenciais do castrejo, como o seu carácter periférico ou a continuidade autótona com respeito ao Bronze Final Atlântico. Precisamente os mesmos elementos (continuidade com o Bronze Final e evolução autónoma) que servem -henos aí um interessante paradoxo para a reflexão- ao nosso autor e a outros arqueólogos europeus para definir, precisamente, e explicar com isso de maneira abundo convincente e coerente as "celticidades" de outras comunidades atlânticas durante o Ferro.


DE BERNARDO STEMPEL, P. (2006): “Las lenguas célticas en la investigación: cuatro observaciones metodológicas”, Cuadernos de Filología Clásica. Estudios griegos e Indoeuropeos, 16, pp. 5-21

CUNLIFFE, B. (2001): Facing the Ocean. The Atlantic and its peoples 8000BC-AD 1500. Oxford.

KOCH, J. T. (1986): “New Thoughts on Albion, Ierne and the Pretanic Isles”, In: Proceedings of the Harvard Celtic Colloquium, 6, pp. 1-28

___(1991): “Eriu, Alba and Letha: When was a language ancestral to Gaelic first spoken in Ireland?”, Emania, 9, 5-16

MANYANOS PONS, A (1999): “Un estado de la cuestión de la celtización peninsular desde la complementariedad de un doble proceso” Kalathos nº 18,, pp. 125-151

PENA GRANA, A. (1994): “O Territorio e as categorias sociais na Gallaecia Antiga” Anur. Brig, 17, pp. 33-78

RAFTERY, B. (1991): “The Celtic Iron Age in Ireland: Problems and Origins”, Emania, 9, 28-32
RUIZ-GALVEZ, M (1990): “Canciones del muchacho viajero” Veleia, 7, pp. 79-104

WADDELL, J. (1991): “Celtization of the West: An Irish Perspective”, en Chevinot, C. y Coffyn, A (eds.): L´age du Bronze Atlantique. Beynac, pp. 349-366

WADDELL, J. y CONROY, J. (1999): “Celts and Others: maritime contact and linguistic change” en Blech, R. y Springgs, M. (eds.): Archaeology and Language IV: Language Change and Cultural Transformation. Londres, pp. 125-13

(publicado en Gallaecia nº 28, 2009, pp. 221-222)


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