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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Gatos, Sapatos, Depósitos - Arqueologia e folklore



Deixamos aqui este pequeno reportagem da televisão Australiana no que se amostra a previdência e supervidência, mesmo de continente a continente, levadas pelos movimentos de gentes e migrações de antigas praticas relacionadas com a fundação e a proteção de diversos edifícios (desde a casa à igraja).

Gato e rato colocados intencionalmente simulando a caça do roedor num depósito domestico ritual, Blackmore Museum, Salinsbury (Howard, 1951)

De algum de eles já temos tratado em vários artigos, alguns que andam agora na imprensa e dos que vos iremos informando, e falaremos também dentro de pouco em Xixón no Festival Arcu Atlánticu



domingo, 25 de maio de 2014

O Corpo do Delito - de Censuras e Antropologias


Tomamo-nos ontem graças ao blogue Antropologia e Imagem esta curiosa fotografia que aqui ao cimo podeis observar, mas o mais curioso sem dúvida além da típica cena de encontro entre sujeitos de culturas distintas, e a história que detrás dela se topava.


A fotografia, é uma obra do fótografo Alexander (Sasha) Gusov em ela se regista o momento de encontro de sua esposa com umas mulheres da tribo himba (Namíbia) 2003, uma cena sem dúvida inocente mas que o facebook interpretou como sexualmente explicita e censurou


São longamente conhecidas as polemicas que sobre a consideração de qualquer tipo de desnudez -mais sobre tudo a feminina- nesta rede social baixo o epigrafe do pornografico, por mais que a sua intenção seja em muitos dos casos evidentemente artística e não sexual,


assim o caso da também fotógrafa Anastasia Chernyavsky e as fotos familiares, nas que mostrava a sua vida como nudista em cenas cotias que podemos topar em qualquer fogar, igualmente censurada pelo facebook e foi longamente comentado na internete.


Dá-se o paradoxo sem embargo de que na mesma rede social podem circular sem problemas imagens femininas espidas, contradição? não tal, não são fotografias decerto: são pintura ou estatuária sobre tudo greco-romana ou de inspiração clássica, e por tanto muito velha, e o


que é mais fundamentalmente parte de uma convenção ocidental da estética que não é considerada desde o nosso ponto de vista mais que como algo "artístico", e donde o corpo -nem sequer o feminimo- pode escandalizar ou chamar a tensão: O Desnudo Artístico.


Encasulados na nossa lógica resulta-nos curioso a nós entender certamente que culturas que têm elaborado esquemas de representação cultural do corpo que incluem variações física radicais do corpo em sim próprio careçam de uma conceção similar pela contra a ideia do "desnudo artístico" ocidental. Sentimo-nos chocados pela sua estética a suas formas a beleza, que consideramos


grotestas, mais ao melhor não tanto como para eles a nossa alienígena aparência. A nossas ideais sobre o tema obviamente são resultado de decorrer da história como igualmente os são as suas, e respondem, por tanto, a formas diversas de gerir e entender a realidade, o mundo, a sociedade, nas que o corpo é uma parte mais do jogo.


Neste sentido, no Ocidente temos elaborado uma peculiar dicotomia do corpo nu legitimo ou ilegítimo que não sempre concorda ou concordara, como no caso de acima, coas conceções que sobre o corpo têm outras culturas, pois finalmente e a fim de contas, a perceção que se tem do corpo alem da biologia e também, e sobre tudo, uma construção cultural


Ao respeito resulta tremendamente esclarecedora a cita que em Antropologia e Imagem se utiliza para mostrar esse paradoxal contraste entre o próprio e o outro:

"Entrevistei uma jovem antropóloga trabalhando com mulheres em Mali, um país da África onde as mulheres andam com os seios nus. Estão sempre amamentando seus bebês. E quando ela lhes contou que em nossa cultura os homens são fascinados com seios, houve um instante de choque. As mulheres caíram na gargalhada. Gargalharam tanto que caíram no chão. ‘Quer dizer que os homens agem como bebês?’, disseram".  (Carolyn Latteier, no livro All About Breasts)
O que numa cultura resulta escandaloso noutra pode carecer de qualquer matiz nesse semelhante, mesmo resultando -como aqui se comenta- a mesma sugestão de tal simplesmente "ridícula" e motivo brincadeira. Mas mesma diversidade de construções do corpo não escapa ao Ocidente, nos EE.UU tivera repercussão a polemica que se


gerara quando um recém-nomeado direitor do Departamento de Justiça, obrigara a vestir cum telão azul uma estatua alegórica do "Espírito da Justiça" de clara inspiração clássica pelo feito de que deixava ver um peito ao descoberto, consideração que não se tive, pelo contrario, coa alegoria masculina situada enfrente da Justiça que escapou a mais velos neo-tridentinos


Como as diversas perceções da moral afetam a entendimento de uns e outros consideram como artístico, assético sexualmente, e/ou bem obsceno e provocador no Ocidente?, seria um tema que daria muito jogo para os antropólogos e historiadores da mentalidade europeia,


pois é não apenas uma questão da delimitação ou elaboração do próprio conceito de arte, senão da criação da própria imagem do "clássico" ou da beleça como ideal ou tópico que serviu de base a estas ideias. Explicarei isto um pouco


Algo que lhes resultava tremendamente chocante aos meus alunos quando lhe explicava a estatuária clássica era o feito de que durante o próprio classicismo pleno, durante tudo o século V a.C, a dicotomia ascroftiana não resultaria, realmente, tão estranha. Pois mentres o


mundo grego admitia o nudez masculina, no deporte ou na arte, a desnudez total do corpo da mulher era frequentemente -havendo exceções- evitada e de feito considerada inadequada, em suma porque, a fim de contas, o contexto da estatuária era fundamente público e religioso. 


Limitado por esta convenção o escultor de finais do arcaísmo e o século V a.C. criara todo um subtil jogo de pregues marmóreos, telas que enchoupadas se pegam a carne ausente, e transluziam assim o corpo embora sem mostra-lo, trasparentavam anatomias cada vez mais evidentes mas sem descobri-las, e as vezes, como se soe dizer agora nos filmes, por exigências do guião, mostram parcialmente esse corpo deixando cair o chiton por imperativos do movimento


Mas topámos nesta imagens nuas algo que imediatamente nos resulta estranho como observadores afeitos a vários séculos de tradição artística "clássica", o corpo em parte quase nu na totalidade da mulher fugindo, caído já o vestido, resulta-nos inevitavelmente demasiado rotundo, pouco mole, e de certo, estranho e ate desagradavelmente musculoso.


Acostumado as subtilezas da transparência pétrea e do corpo intuído baixo a tela, o escultor clássico carece entanto dum cânon estético para a nudez feminina, e tem que reproduzir na talha ainda o hábito mais usual de trabalho de uma anatomia fundalmenta masculina. 


Ao mesmo tempo que isto passava a cerâmica de figuras vermelhas não duvidaria em mostra cedo o corpo feminino livremente espido. Longe do espaço publico, reduzida a um eido privado, fechado e masculino, consentido pela moral, quase como nessa dicotomia especular de Majas Vestidas vs Espidas, reduzído ao circulo privado do Andron, que como o nome indica "é coisa de homens" (e de hetairas), amostra-se nela sem problemas a nudez e o sexo, em sim próprio parte também do mesmo Simpósio.


Em fim, diverso, mais como vês caro leitor, não tanto no fundo das dicotomias muito atuais dum EE.UU a vez puritano e líder da industria eufemisticamente denominada "para adultos". Circu-la mesmo a tradição, lenda ou realidade pouco importa, de que um século mais tarde quando já os artesãos do classicismo tardio rompiam os moldes rígidos do século anterior desde a própria tradição clássica, e faziam mover-se como as estatuas como antes nem puderam ter imaginado,


desequilibravam forças e multiplicavam planos e pontos de vistam, aquela Afrodita Cnidia (mater de muitas posteriores) acabou naquela Iha de Cnido, que lhe havia de dar nome, trás ser com grande escândalo rejeitada pela polis que primeiro a tinha encarregado ao bom do Plaxiteles, pouco decoro toparam nela por representar nua a uma deusa, embora essa divindade fosse uma a qual o mito não caracterizava precisamente pelo sua moralidade


Mas aquela imagem rejeitada por imoral por uns e considerada artística por outros havia-se converter na primeira de muitas, num modelo que criava e assentava algo novo em sim próprio, mas que havia de ter um sucesso considerável, uma imagem da anatomia da mulher, das formas femininas, autónoma e diferenciada da masculina


Tempo de crise, tempo de câmbios de pensamento, politica e sociedade longo e complexo de enumerar aqui, a estética refletiu também -de novo- essa mudança na ética e na mentalidade, logo virá asinha o Helenismo, depois Roma ... e o resto -ate agora- é já bem conhecido, e parte da própria história das nossas proprias ideias.


Mas não deveramos esquecer, o mundo não e apenas o nosso mundo, há outras histórias: e nalgumas o Corpo raramente é a priori o do Delito.


domingo, 23 de março de 2014

+100 MIL Visitas - Obrigado a todos


Hoje dia 23 de Março nosso blogue acaba de ultrapassar a barreira das 100 Mil consultas, une-se há isto que igual há pouco menos de um mês a pagina em Facebook do Archaeoethnologica chegou os 1000 "gostos" e a nosso Twitter anda-os roçando nos seus 999 seguidores


E aqui seguimos depois de 7 anos e mais de 800 postagens, com leitores repartidos por quase todos os continentes (façamos exceção da Antártida, claro), uma vocação internacional que nao surpreende já num blogue lusofono como é este pois já comentáramos há dois anos quando superarvamos as Mil visualizações que os 3 países nos que soe ser lido o Archaeoethnologica  são:


EE.UU, Brasil e Espanha (normalmente neste ordem), seguidos de Portugal e em menor medida outros países, europeus e não europeus (China e Hong-Kong não têm faltado na lista). Sendo este um blogue de informação científica, e com uma temática amplia.


Baseada inicialmente na arqueologia, antropologia e a historia e em distintas áreas temática que formavam parte da minha pesquisa pessoal ou bem de jeito mais geral dos interesses intelectuais e teóricos próprios (como a Ciência Cognitiva ou o Direito) não deixa de resultar uma satisfação comprovar que os temas e novas que expomos neste modesto blogue são de interesse para o nosso público


Desde o Archaeoethnologica queremos agradecer (de novo) e partilhar com todos os nossos leitores este momento: Muito obrigado a todos vos!.


terça-feira, 5 de março de 2013

Como a Linguagem transformou a Humanidade



Deixamos aqui esta palestra que dentro dos TED Talks, proferiu o biólogo Mark Pagel, pesquisador do Laboratório de Evolução da Universidade de Reading. Este investigador da sua linha de investigação baseada um paralelismo entre a evolução das linguagens e a evolução biológica.



Nesta conferência partilha uma teoria sobre a razão por que nós, humanos, desenvolvemos um sistema linguístico complexo, que não for desenvolvido por outros animais. Ele sugere que a linguagem atuou -e atua como uma peça de "tecnologia social" que permitiu às tribos humanas primitivas terem acesso a uma poderosa nova ferramenta: a cooperação. 


Postagem relacionada: A complexidade do Dizer e do não-Dizer

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Bom Ano e ...que passem as Janeiras!

Neste tempos de "crises", incertidumes e ante um novo ano, se calhar pior, melhor quem sabe, e por ser positivos, e ao menos por os bons propósitos, e empeçar, com certo estoicismo tradicional, o ano cantando às duas beiras do rio, ... aqui vem janeiro, pois que passem as janeiras!.

Bom Ano a todos desde o Archeoethnologica  

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A Princesa do Gelo - A tumba de Pazyrik



Documentário sobre o celebre enterramento da chamada Donçela do Gelo ou Senhora de Altai encontrada pola arqueóloga Natalia Polosmak 1993 em Ukok (Pazyrik, Sibéria) perto da fronteira chinesa. Esta descoberta excecional permitiu conhecer materialmente o ritual funerário e o enxoval de um membro da elite escita arredor do século V a.C.



Após o enterro a sepultura tinha sido inundada pela chuva que congelada durante o inverno, conservou em permafrost permanentemente tudo o contido da câmara mortuária. A jovem defunta de Ukok fora enterrada segundo um ritual tipicamente escita num sepulcro feito com troncos junto com 6 cavalos que foram sacrificados e um importante enxoval formado por objetos de ouro, bronze, madeira e seda. 



O seu corpo mostrava tatuagens com diversos motivos estilizados que recordavam aos presentes na arte das estepes, figuras de cervos e outros animais imaginarios ou reais pressentes na paisagem e na mitologia dos povos das estepes



A tumba da "Princesa" de Ukok, proporciona uma fascinante olhada a cultura material e as crenças sobre a morte das povoações escíticas que conhecemos em paralelo pelo etnográfico oferecido por Heródoto



O documentário passa revista ao achádego arqueológico e as suas circunstancias, ao processo da pesquisa assim como as polémicas xurdidas em torno a origem e reconstrução étnica (oriental vs europeia) e destino final da Dama dos Gelos no contexto político e social da queda da URSS


terça-feira, 23 de outubro de 2012

As Oleiras de Pattaran



Um pequeno mas interessante documentário realizado recentemente dentro de um projeto de estudo etnoarqueologico pelo British Museum e Council for Historical Research de Kerala, centrado na olearia tradicional da região de Pattaran (Kerala, Índia). Documentário mostra a cadeia operativa da produção da cerâmica, fundamentalmente uma cerâmica a mão sem torno, e as distintas técnicas que participam na sua elaboração


domingo, 8 de julho de 2012

Reciclando o Metal


Depois de oir a Xurxo Ayan falar do exíguo do que pode ser um talher metalúrgico no registo material e etnográfico, ou a Bea Comendador comentador comentar o escasso rendimento final em metal logo de tudo o complicado processo de transformação do mineral, e mesmo da necessidade de reciclar as escórias apegadas nos crisóis


Motivo da ausência de estes no registo da Proto-história do Noroeste, ... e falando de Etnoarqueologia não podíamos mais que trair aqui o caso de este especialista hereditário (de caste) da Índia o "limpador de lama" encarregado de distintas tarefas relacionadas coa transformação do metal, entre elas precisamente o reciclagem de escórias de bronze


Igualmente se nos mostram nestas fotos dentro do seu contexto vivo o singelo do talher (?) e dos úteis dum metalúrgico tradicional, neste caso itinerante, pois os desta caste de especialistas tenham o seu circuito anual de Fundições onde prestam seus serviços nos povoados


Assistido por trabalhadores locais em todas estas atividades e servindo-se de uns singelos buracos escavados no chão como moldeis que serão utilizados para obter lingotes de metal que logo usaram os fundidores locais nos seus trabalhos


Sobre as imagens tomadas pola câmara do arqueólogo T.E. Levy e sobre o projeto Ethnoarchaeology in India levado a cabo pelo Levantine Archaeology Laboratory da Univ. de San Diego poderdes consular a sua web

Referencias
Levy, T. E., A. Levy, R. Sthapathy, S. Sthapathy, & S. Sthapathy, Masters of Fire. Hereditary Bronze Casters of South India. German Mining Museum, Bochum 2008


sexta-feira, 6 de julho de 2012

A alma do Guerreiro

foto: Must Farm project

Vendo esta imagem de esta magnifica espada do Bronze Final tipo Wilburton datada em torno ao 1300-1000 a.C dada a conhecer vai pouco pola equipa do Projeto MustFarm (poderes topar mais informação neste enlace), um dos mais espetaculares jazigos proto-históricos polos materiais descobertos nos últimos anos, não podo menos que recordar a o velho provérbio samurai que durante o Workshop Do Obradoiro ao Corpo fora traído por um dos pressentes (J. González Garcia) à discussão: "A Espada é a alma do Guerreiro"

foto: Must Farm project

Cecais esta e uma definição bastante ajeitada de importância simbólica que deveu ter esta omnipresente arma durante o nosso Bronze Final Atlântico


sábado, 23 de junho de 2012

Boa noite e bom lume



A época do ano em que estas festas do lume se celebraram mais geralmente na Europa é o solstício de verão, na véspera (23 de junho) ou no dia do solstício (24 de junho). Tem-se-lhe dado um ligeiro tinge de cristianismo chamando-lhe dia de São João Baptista, mas não se pode duvidar de que esta celebração data de uma época muito anterior ao começo de nossa era.



O solstício estival, ou o dia solstício, é o grande momento do curso do solar no que depois de ir subindo dia a dia pelo céu, a alumiaria se para e desde então retrocede sobre os seus passos no caminho celeste.



[…] pude [o homem] sonhar em ajudar ao sol no seu aparente decaimento, poderia lhe sustentar nos seus desfalescentes passos e reacender o lume moribundo da vermelha candeia nas suas mãos debis.



Algo assim deveram ser os pensamentos que quiçá deram origem a estes festivais solsticiais dos nossos camponeses europeus. Qualquer que seja a sua origem, prevaleceram nesta quarta parte do mundo, desde a Irlanda ao ocidente, até Rússia ao oriente e desde Noruega e Suécia ao setentrião até Espanha e Grecia ao meio-dia.


[...] Segundo um escritor medieval, os três grandes rasgos da celebração do solstício foram as fogueiras, a procissão de fachos pelos campos e o costume de jogar a rodar uma roda

(James George Frazer, The Golden Bought, 1890)



Bom São João a todos, ... e que salteis bem a fogueira!