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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Bioarqueologia da Violência

Landscapes of Violence
Vol. 2/2, 2012

Special Poster Presentation Issue
Bioarchaeological Perspectives on Violence


Articles

From the Editor: Special Poster Presentation Issue
Ventura R. Perez

Taphonomic and Skeletal Indicators of Captivity and Violence in the Southwest (AD 1000-1300)
Debra L. Martin

The Taphonomy of a Sacrifice: Burial 6 of the Patio Hundido at el Teul
Ventura R. Perez and Peter Jiménez Betts

Contextualizing Death and Trauma at Canyon del Muerto
Pamela K. Stone

Taphonomy After the Fact: Violence and Ritual in Room 33 at Chaco and Room 178 at Aztec
Ryan P. Harrod, Debra L. Martin, and Shawn W. Carlyle

The Blessing and the Curse of Taphonomic Processes: 
A Bioarchaeological Analysis of a Shaft Tomb from La Florida, Mexico
Heidi Bauer-Clapp, Laura Solar Valverde, and Lisa Rios

Postmortem violence? Identifying and interpreting postmortem disturbance in Mongolia.
Judith H. Littleton and Bruno Frohlich

Violence against People, Bodies, or Bones: Lessons from La Plata, New Mexico
H. Wolcott Toll Ph.D. and Nancy J. Akins

Personal Taphonomy at Sacred Ridge: Burial 196
Anna Osterholtz and Ann L.W. Stodder

Evidence of Violent Conflict in Males from Pot Creek Pueblo
Catrina B. Whitley

Violence and Postmortem Signaling in Early Farming Communities of the Sonoran Desert: An Expanded Taphonomic Approach
James T. Watson, Misty Fields, and Marijke Stoll

Evidence of Child Sacrifice at La Cueva de los Muertos Chiquitos (660-1430 AD)
John J. Crandall, Debra L. Martin, and Jennifer L. Thompson

Taphonomy and Warfare in the Mesa Verde Region
Kristin A. Kuckelman and Debra L. Martin

Violence, taphonomy and cannibalism in Chaco Canyon: Discerning taphonomic changes from human action in the archaeological record
Kerriann Marden

Taphonomy and Cremation of Human Remains from San Francisco de Borja
Cheryl P. Anderson, Debra L. Martin, and Jennifer L. Thompson
   
   
Book Review

Warfare, Violence and Slavery in Prehistory
John J. Crandall


Ir ao número da revista:  Landscapes of Violence

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Um capacete entre ossos

Um capacete Idade do Ferro topado perto de Canterbury


Um raro capacete pré-histórico foi descoberto numas leiras fora de Canterbury. O capacete de bronze, datado no século I a.C, foi descoberto por um detetorista. Andrew Richardson, encarregado de achádegos do Canterbury Arch Trust conta a história: "uma noite de outubro ao chegar à casa depois do trabalho, recebi uma chamada de um detectorista local que eu sei do meu tempo como Oficial de enlace de achádegos para em Kent. Ele tinha também no passado trabalhado como voluntário do Trust, e tendo feito o que ele descreveu como uma "importante descoberta", decidiu entrar em contacto comigo.



Ele disse que tinha encontrado o que ele acreditava ser um "capacete de bronze celta '. Eu não conhecia nenhum destes cascos em Kent, o famoso "Guerreiro de Deal” escavado por Keith Parfitt em Mill Hill tinha um cobre-cabeças de bronze , mas que não era como tal um capacete . Mesmo no conjunto da Grã-Bretanha, eu entendia que tal achado seria incrivelmente raro. Mas o descobridor parecia muito confiado e eu sabia que ele era um detetorista experiente, então combinei com ele uma visita na manhã seguinte para votar-lhe uma olhada.


Já na sua casa, ele sacou uma caixa e a abriu revelando um broche de Finais da Idade Ferro em muito bom estado, juntamente com ele estava o que era de fato um capacete de bronze do mesmo período. Houve também um fragmento de osso queimado que ele disse que tinha encontrado com o capacete e o broche, comentou que encontrara mais ossos assim mesmo queimados no mesmo lugar. Assi pois, parecia provável que os achados foram derivados de um enterro com cremação. Concordamos que, se for possível, seria melhor realizar uma pequena escavação do lugar, para aprender o máximo possível sobre o contexto do que era de fato um "significativo achádego"



A descoberta de dois objetos metálicos pré-históricos juntos no mesmo lugar fez do achádego um potencial "tesouro" pelo que ao meu retorno ao Trust, comuniquei a descoberta ao legista, Oficial de enlace de achádegos para Kent e ao Registo de Tesouros. Trás discussões com os colegas profissionais, proprietários do térreo, arrendatários, o FLO, British Museum e outros, foi convido que uma escavação rápida do lugar era a melhor procedimento neste caso



Esta não revelou uma elaborada tumba principesca, mas sim um simples e pequeno buraco oval, cavado na turba natural, que tinha sido afetado por profundos sulcos de arado sulcos a ambos lados. Tendo em conta a recuperação original do detetorista poderia identificar-se facilmente um buraco circular aproximadamente de perto de 0,35 m de diâmetro. A cuidadosa remoção do contido produziu uma quantidade moderada de osso cremado e alguns pequenos fragmentos residuais de aliagem de cobre, provavelmente derivados do capacete.



Na base, a metade inferior do contorno oval do capacete fora preservado, como um molde quase perfeito, no solo circundante não afetado pela escavação. Em alguns lugares este foi corado de verde a partir da composição da aliagem de cobre do capacete, e alguns pequenos restos de folha de metal quedaram incrustados no fundo.



A partir da conta fornecida pelo localizador e as provas recuperado da investigação subsequente arqueológico, a forma geral do sepultamento pode ser reconstruído com alguma confiança. Um buraco raso circular tinha sido inicialmente cortar o giz natural. Para isso, o capacete tinha sido colocado invertido. Ele foi posicionado na metade oriental do poço, orientado nor-leste pelo su-sudoeste, com a sua projeção traseira do pescoço guarda no extremo nor-nordeste. Ou logo antes ou logo após o capacete foi colocado no chão uma quantidade de ossos humanos cremados tinha sido colocado dentro dele.



O broche pares proceder da parte superior do depósito de ossos e é provável que os ossos cremados tiveram sido originalmente guardados dentro de algum tipo de tecido ou bolsa de couro, recipiente que teria sido fechada, na sua parte superior pelo broche. O conjunto foi então colocado dentro do capacete invertido que, neste caso, serviu como um 'furna'. O poço foi então preenchido com terra e giz, sem que as evidências para sugiram que o deposito fora marcado permanentemente de alguma forma. Não há indícios de qualquer outro resto, a partir da escavação semelha parece o enterramento do capacete fora um caso isolado ou fazia parte de algum tipo de cemitério disperso cós enterros amplamente espaçado.



O poço foi cortado em seu lado oeste, por um dos sulcos de arado. A borda capacete mostra danos causados provavelmente pelo contacto com um arado. E se não tivera sido encontrado não há dúvida de que ele teria sofrido mais danos arado ainda no futuro, levando a sua fragmentação e dispersão."



Não existe um enterramento de cremação da Idade Ferro comparável na Britânia, no que se tenha usado deste jeito um capacete ,que em si próprio é pouco provável que seja de origem britânica. Um estudo mais aprofundado, do capacete, do broche, dos restos cremados e talvez da área imediata em torno jazigo, é necessário para tentar refinar os dados e estabelecer o caráter dessa incomum descoberta. É tentador colocar o capacete no contexto da Guerra gaulesa do César, ou mesmo das suas expedições a Kent no 55 e 54 a.C.



O capacete é de um tipo que poderia ter sido usado polas tropas de César, ou seus aliados indígenas ou inimigos. Há muitas maneiras de um capacete assim poderia ter vindo para a posse de um membro da tribo local dos Cantiaci, em vez de representar um enterro militar romano no campo. Mercenários da Britania tinham viajado para participar na luta na Gália, e é possível que este capacete poderia ter pertencido a um guerreiro britânico ou gaulês que lutou na Gália, contra os romanos, ou talvez mesmo ao lado deles, e eventualmente, prazeria com ele o capacete de volta à Britania.



Julia Farley, conservadora da secção de Idade do Ferro do British Museum diz: "Este é um achádego muito emocionante, um do apenas punhado de capacetes da Idade do Ferro que foram encontrados na Britania. No final da Idade do Ferro em Kent, não era incomum enterrar os restos cremados dos mortos em um saco preso com um ou mais broches, mas não jamais outro fora encontrado acompanhado por um capacete. 



O primeiro século aC, foi uma época de guerra, mas foi também um tempo de viagens, mudanças e comunicação. Este capacete ressalta as conexões novas que estão sendo forjadas através do canal, em um momento em que a vida no sudeste da Inglaterra, estava prestes a mudar drasticamente. O dono deste capacete, ou as pessoas que o colocaram no túmulo, pode ter vivido o início da história da Britania romana.”


É de louvar a forma em que o localizador (que deseja permanecer anónimo) lidou com esta descoberta. Ele tentou fotografar o capacete in situ mas não pôde fazê-lo devido a problemas com sua câmara. Ele tirou o capacete com muito pouca perturbação de seu contexto original e marcou o local com um saco de pesos de chumbo, o que permitiu localizá-lo facilmente.

Fonte: Canterbury Arch. Trust


vídeo da nova em BBC News - Iron Age bronze helmet found
   

Pode que também te interesse:  Olhando ao traves

domingo, 18 de novembro de 2012

A Morte nas Cogotas I


Prácticas mortuorias en el grupo arqueológico de Cogotas I

Quando: 23 de novembro
Onde:  Coimbra


A próxima sexta-feira, dia 23 de novembro, o Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto (CEAUCP) organiza uma conferência sobre o mundo funerário na conhecida Cultura das Cogotas I da Meseta ocidental. 




A palestra tem por título Praticas mortuárias no grupo arqueológico de Cogotas I e será impartida pelo professor Ángel Esparza Arroyo um dos principais especialistas no Bronze Final e Idade do Ferro do oeste da Meseta na Peninsula Ibérica



A conferência decorrera no local no edifício do Palácio de Sub-Ripas a partir das 14:30 horas



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Poder e Morte em Valencina - palestras



A Secção de Pré-História da Associação dos Arqueólogos Portugueses organiça o dia 8 de Novembro as 18:00 no Museu do Carmo (Lisboa) duas palestras que serão dadas polos arqueologos Pedro M. López Aldana e Ana Pajuelo Pando ambas centraram-se no conhecido jazigo de Valencina de La Concepción (Sevilha). A entrada é livre para qualquer interessado no tema.

Crânio de menino, Museu de Valencina

As palestras serão as seguintes: 

  
Un centro de poder en el Bajo Guadalquivir. Valencina III milenio a.n.e
Pedro Manuel López Aldana

Expresiones de la muerte en Valencina (Sevilla)
Ana Pajuelo Pando


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Rituais da Morte durante a Romanidade


DIIS MANIBVS
Rituais da Morte durante a Romanidade


O próximo dia 2 de novembro inaugurara-se no Museu de Arte Moderna de Sintra a exposição DII MANIBVS – Rituais da Morte durante a Romanidade. A exposição esta organizada pelo Museu Arqueológico Municipal de São Miguel de Odrinhas em colaboração coa Câmara Municipal de Sintra.

Monumento funerário de Marco Statio Maximo, s. I, Mus. Arq Odrinhas

A exposição estará patente ao publico até o dia 30 de dezembro de 2012 no Museu de Arte Moderna de Sintra, e do 5 de fevereiro ao 15 de dezembro do 2013 no Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Recintos da Pré-história e Práticas Funerárias


Recintos da Pré-História Recente e Práticas Funerárias
Colóquio Internacional

Quando: 6-8 novembro
Onde:  Lisboa


As problemáticas dos recintos definidos por muros ou muralhas e por fossos têm estado frequentemente no centro de vários debates relativos às comunidades da Pré-História Recente Peninsular.

Entre as inúmeras questões que levantam, um dos aspectos que tem vindo a emergir nos últimos anos com particular relevo é o da relação directa que estes recintos terão tido com as práticas funerárias, a ponto de, em alguns casos, se diluir a noção de necrópole como espaço dos mortos bem demarcado em relação ao dos vivos e onde situações semelhantes têm gerado questionários e respostas distintas.

Porque os últimos anos têm proporcionado, a nível Peninsular, importantes novidades no que respeita a estes contextos e à expressão que a realidade funerária neles assume, e porque o recinto dos Perdigões se tem vindo a transformar num projecto âncora nesta matéria, a ERA Arqueologia entendeu promover um encontro internacional para debater esta problemática.

Tratando-se de um fenómeno de dimensão europeia, entendeu-se que a abordagem dos casos peninsulares necessitaria de um enquadramento e uma confrontação com realidades aparentadas de outras regiões europeias, procurando promover o debate a diferentes escalas e a partir de diferentes contextos, experiências e posicionamentos teóricos. Assim, este encontro reunirá um conjunto de investigadores com proveniência em vários países europeus onde esta temática assume particular relevo


 Programa


+INFO no site de:  ERA-Arqueologia

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Exército no Pântano



Um exército inteiro sacrificado em um pântano

Um pântano dinamarquês abrigou um terrível segredo por milhares de anos.

Arqueólogos passaram todo o verão escavando uma pequena amostra do que acabou por ser uma fossa comum com restos mortais de mais de 1.000 guerreiros, que foram mortos numa batalha cerca de 2.000 anos atrás.



"Nós encontramos muitos mais ossos humanos dos que esperávamos", diz Ejvind Hertz, conservador do Museu Skanderborg. A descoberta de tal quantidade de ossos da Idade do Ferro tem atraído muito a atenção internacional porque os ossos estão surpreendentemente bem preservados. Além disso, a descoberta confirma a descrição das fontes romana sobre as práticas guerreiras dos Teutões. O sítio está localizado no humidal de Alken Enge perto do lago Mossø na península da Jutlândia.



Os ossos revelam feridas de arma
Cerca de 2.000 anos atrás, os guerreiros de Alken foram sacrificados a algum deus, que hoje desconhecemos. Os ossos foram depositados lá em um momento em que não era um pântano, mas sim, que era uma pequena bacia do Lago Mossø, criada por uma língua de terra que se projeta dentro do lago. Os arqueólogos tenhem escavado só uma área de 80-90 metros quadrados, embora o local se estende por um espaço de 3600 metros quadrados.



As escavações em zonas húmidas são muito costosas, já que a água precisa ser constantemente bombeada para fora. Além disso, as descobertas são tão densamente concentradas que leva muito tempo para ocupar-se de seu registo. A área que até agora tem sido escavada contém os fragmentos dos ossos de cerca de 240 homens com uma idade entre os 13 e 45 anos. Os ossos dos homens apresentam marcas de armas brancas como espadas e machados.



Um Prado cheio de guerreiros mortos
A bacia não escavada do pântano estende-se por uma enorme área que cobre quase 40 hectares e é acreditado poder conter os restos mortais de mais de 1.000 guerreiros. Quando se lhe pergunta sobre afirma que mais guerreiros estão enterrados lá, Hertz diz: "Nós sabemos de pessoas que recolhiam turfa aqui nos séculos XIX e XX e encontraram fragmentos de ossos, e nós também fizemos escavações de teste na bacia". Os arqueólogos não encontraram esqueletos completos, apenas partes de eles. Mas creem que o pântano pode conter muitos indivíduos diferentes, já que os seres humanos têm, por exemplo, apenas um fémur direito.



Os guerreiros foram deixados no campo de batalha
O exército pode ter sido derrotado e morto em um campo de batalha localizado longe do pântano de Alken. Hertz diz que, se fosse esse o caso, deve ter sido uma tarefa logística enorme para as pessoas da Idade do Ferro transportar os ossos para o lago. Os pesquisadores não podem dizer quando a batalha pode ter acontecido ou onde ocorreu. Muitos dos achados arqueológicos indicam que o exército procedia de longe. Mas, em princípio, o campo de batalha pode ter sido localizado num local próximo ao do sacrifício.



O sacrifício, porém, ocorreu muito tempo depois da batalha "Os ossos puderam ser sacrificadas meses ou até mesmo anos após os guerreiros forem mortos. Não o saberemos até que sejam cuidadosamente analisados", diz o conservador. "Numa fase inicial, podemos ver que os ossos têm marcas de mordedura sobre eles, e que parte das articulações foram arrincadas. Por tanto, não há dúvida de que os predadores estiverem em contacto com as partes dos corpos".



O achádego confirmar histórias de guerra
As marcas de mordida dos predadores indicam que os guerreiros mortos eram deixados para morrer ou apodrecer no campo de batalha, sem que ninguém se preocupar em enterrar ou até mesmo remover os corpos. Isto confirma partes do que nas fontes romanas se escreveu sobre as práticas guerreiras entre os europeus do norte no período em torno da época do nascimento de Cristo. Um dos maiores historiadores do Império Romano, Tácito (56 DC - 120 DC) descreveu o rescultado da famosa derrota de Varo na Batalha da fraga de Teutoburgo no 9 DC.



Tácito escreveu em seus Anais. "No meio da planície, os ossos descansavam espalhados e amontoados, dependendo se eles tinham fugido ou aguantado. Entre os ossos havia pedaços de lanças e membros do cavalo, as cabeças humanas estavam cravadas nas árvores. Nos bosques próximos havia altares bárbaros em que os tribunos e centuriões de primeira ordem eram sacrificados"
Sabemos, também, a partir das fontes que, quando os germanos venciam numa batalha, eles matavam todos os inimigos sobreviventes, exceto os poucos que mandavam de volta para anunciarem a derrota.

Muito poucas armas encontradas
Os arqueólogos não podem determinar a origem dos guerreiros mortos, porque eles têm-se encontrado muitas poucas armas no jazigo. Entre os numerosos fragmentos de ossos, eles só encontraram umas poucas pontas de seta, alguns restos de um escudo e um machado muito bem conservado.



Uma inestimável fonte de informação sobre Idade do Ferro
Os ossos são, contudo, de valor inestimável: "Esta é a primeira vez que algo assim foi encontrado no norte da Europa", diz Hertz. As condições das zonas húmidas com uma atmosfera livrem de oxigeno como Alken tem sido ótima, para preservação dos restos. "Os ossos estão completamente novos", diz ele. "Algum ADN debe quedar preservado, para que possamos ter um bom perfil destes homens da Idade de Ferro.



Assim mesmo uma análise antropológica dos ossos irá nos fornecer um retrato de sua dieta e sua aparência física".  Os pesquisadores estão-se aproximando a conclusão do projeto de escavação atual. Nos próximos meses, eles estarão juntamente com peritos internacionais analisando os muitos ossos topados



O projeto, intitulado The army and post-war rituals in the Iron Age – warriors sacrificed in the bog at Alken Enge in Illerup Ådal é obra da colaboração entre arqueólogos e geólogos do Museu Skanderborg, o   Museu Moesgård e o Instituto de Cultura e Sociedade da Universidade de Aarhus.

(Fonte: ScienceNordic 22-08-2012)


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Arqueologia da Transição - Convocatória


IIº Congresso Internacional sobre Arqueologia de Transição
O Mundo Funerário
  
Quando: 29 abril-1 maio de 2013
Onde:    Évora


Inserida numa região onde se têm vindo a identificar, nos últimos anos, novos e importantes contextos funerários, da Pré-história Recente até ao período Romano, a Universidade de Évora, através de um dos seus centros de Investigação; o Centro de História de Arte e Investigação Artística (CHAIA) convida todos os arqueólogos, antropólogos e todos os interessados em dar a conhecer os seus trabalhos, a participarem neste evento que se procura que seja um espaço para apresentação dos novos dados e, simultaneamente, de reflexão e discussão teórica que nos permita compreender as diferenças cronológicas e regionais existentes.

Temáticas:
Neste IIº Congresso Internacional sobre Arqueologia de Transição pretende-se explorar, os novos dados da Arqueologia de contextos funerários, englobando as diferentes disciplinas: Arqueologia, Antropologia Física e outras ciências.

1. Contextos funerários nas sociedades Pré e Proto-Históricas
2. Contextos funerários nas sociedades Romana e Medieval
3. Arqueologia e Antropologia biológica
4. Espaços e Espólios

Este IIº Congresso terá 3 dias de comunicações prevendo-se que cada comunicante venha a dispor de 20m para a sua apresentação, seguindo-se no final de cada bloco um breve período de discussão. Estão previstas Conferências de investigadores convidados sobre as principais temáticas do Congresso. As línguas oficiais do evento são: português, castelhano, francês e inglês.

Para formalizar a inscrição os interessados em participar deverão inscrever-se até 31 de Dezembro de 2012 ponhendo-se em contato coa organização do Congresso


+INFO sobre isto no site do:  IGESPAR

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Territórios de Fronteira - Palestras

Irá decorrer no Museu Nacional de Arqueologia de Portugal às 18 horas do próximo dia 7 de maio de 2012 novo ciclo Territórios de Fronteira co-organizado pelo Grupo de Estudos em Evolução Humana (GEEVH), pelo Museu Nacional de Arqueologia (MNA) e pelo Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Universidade do Algarve (NAP).

O ciclo inclui as palestras:

O abrigo do Lagar Velho e o Paleolítico Superior em Leiria: Análise dos dados arqueológicos no atual contexto da evolução humana
Vânia Carvalho –Centro de Investigação em Antropologia e Saúde, Univ. Coimbra

The vertebrate faunal remains from Grotta del Romito and Grotta del Cavallo. Society, economoy, environment and climate in the Upper Pleistocene of Southern Italy
Beatrice Vacca
Dep. of Archaeology, Faculty of Arts & Humanities, Univ. of Sheffield

Rituais funerários dos Pepel da Guiné-Bissau
Clara Saraiva
NCT – Instituto de Investigarão Científica Tropical, Lisboas
CRIA – FCSH – Centro em rede de Investigação em Antropologia, Univ. Nova de Lisboa


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Territórios de Fronteira - Palestras



Irá decorrer no Museu Nacional de Arqueologia de Portugal às 18 horas do próximo dia 12 de abril de 2012 novo ciclo Territórios de Fronteira co-organizado pelo Grupo de Estudos em Evolução Humana (GEEVH), pelo Museu Nacional de Arqueologia (MNA) e pelo Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Universidade do Algarve (NAP).

O ciclo inclui palestras de:

Companheiros na vida e na morte: a integraçao de restos animais nos rituais funerários
Cláudia Costa UNIARQ univ. do Algarve

A análise de ossos queimados em contextos arqueológicos: algumas inovaçoes.
David Gonçalves
CENCIFOR – Centro de Ciências do Patrimonio Arquitectónico e Arqueológico / CIAS – Centro de Investigaçao em Antropologia e Sáude

Viver a morte em Portugal: o potencial informativo dos relatórios antropológicos de campo
Cristina Cruz
Departamento de Ciências da Vida da Univ. de Coimbra / CIAS – Centro de Investigaçao em Antropologia e Saúde


sábado, 24 de março de 2012

Arqueologia da morte - Entrevista


"Do 99% da humanidade não ficara rastro"

  Entrevista a Mike Parker Pearson (Universitade de Sheffield)
Especialista de renome internacional em arqueologia da morte e na pré-história recente de Grã-Bretanha e do norte de Europa. Também tem escavado em Grécia, Síria, os Estados Unidos, Madagascar e no oeste do oceano Índico. Dirige os trabalhos arqueológicos no jazigo de Stonehenge, o qual lhe fez merescente da distinção de "Arqueólogo do ano" o 2010. Foi o principal palestrante do seminário do ICAC "A arqueologia da morte".

Que é a arqueologia da morte?
É o estudo dos costumes e rituais funerários no passado, o estudo de como a gente comemorou a morte.

Que é mais que comemorar o passado.
É claro, porque os monumentos funerários pervivem no futuro, ou seja que é uma maneira que têm os humanos de mudar o sentido do tempo. É uma marca no presente que se refere ao passado e que perdurará no futuro, durante séculos ou milénios.

A consciência da morte faz-nos humanos?
Sim, é um dos aspetos fundamentais que nos diferencia dos animais. E o que fazemos é ver de dar sentido a este problema: temos uma vida muito curta e não sabemos que passa quando morremos. O que é fascinante, como historiadores, é estudar como as sociedades do passado e do presente o tentam resolver, racionalizar, explicar.

A sociedade atual como o faz?
A Ocidente vemo-nos como uma cultura da vida. A morte é negada, apesar que esté em todos os lados e lhe passe a tudo o mundo! Teria que estar mais integrada na vida, independentemente de se temos crenças religiosas.



Para entender a morte ao longo do tempo os restos arqueológicos são suficientes?
A arqueologia não dá um retrato de corpo inteiro do passado. Temos restos materiais, como monumentos, recintos funerários, edifícios, os mesmos esqueletos, mas perto do 99% da história da humanidade não ficaram rastros.

Que difícil de estudar, pois?.
É um reto. Tão só sabemos de grupos que não são representativos da maioria da população. Também é o nosso reto pensar em outros lugares onde temos de procurar restos. E tenhamos presente uma coisa: em Europa a maioria dos nossos mortos de hoje não serão arqueologicamente visíveis, porque a incineração é uma prática a cada passo mais estendida.

Sorte, porque ao final não caberíamos! Que passa quando o planeta é cheio de monumentos para os mortos?
Não o sei. À Grã-Bretanha os cemitérios estão cheios. Que temos de fazer? Jogá-los a terra, reutilizá-los? É difícil porque também há em jogo um sentimento muito forte da gente. Como temos de gestionar os mortos no mundo dos vivos? Construímo-los espaços separados, mas agora temos de pensar outras soluções.

lekitos com escena de culto diante de uma estela funerária

Outra maneira de representá-los?
Sim. Aqui ainda temos terreno, mas fixem-nos em lugares como Hong Kong, onde há pouco espaço e é caro. Será interessante ver como fazem-no para construir os monumentos para as cinzas dos mortos. À Grã-Bretanha há um interesse crescente por reciclar os mortos em enterramentos verdes ("green burials").

Em que consiste?
Em enterrar em zonas verdes e marcar a tumba plantando uma árvore. A ideia é que a morte é uma parte do ciclo da vida, do processo natural de decadência e regeneração. É uma boa solução. Conecta com a perceção das árvores como monumentos naturais. E é como dizer: "O meu tempo se acabou, mas a vida contínua".

Que importância tenhem os rituais?
 Muita, também em sociedades seculares, porque juntam a gente, os dão um marco para viver em comum este momento de luito e rutura. Os rituais, religiosos ou não, são necessários, porque acompanham na morte e são uma boa estratégia para a encarar.

Você diz que a morte com frequência se utiliza politicamente.
Sim. Temos muitos exemplos, como o de Eva Perón. Defunta, o seu corpo quase converteu-se em objeto de manipulação política do seu marido, o ditador. E outro caso da América Latina: os maias eram conhecidos por mumificar os governantes, e continuavam tendo poder no mundo dos vivos. Um jovem conquistador que se quis casar com uma moça local teve de pedir permissão a um de estas momias, que tinham um intérprete!

Incrível.
Mas de fato todos os funerais políticos são uma ocasião para manipular, negociar, para reclamar sucessões. É um momento político chave!

Stonehenge, foto: Bill Bevan

Fale-nos de Stonehenge, onde dirige as escavações desde o 2003.
É apaixonante! Fizemos descobertas revolucionárias: encontramos o núcleo onde vivia a gente enquanto se construía Stonehenge, datamos o jazigo entre o 3000 e 2400 aC e encontramos o Bluestonehenge.

Que é?, outro círculo de pedras?.
Sim, mas mais pequeno, a uns 3 km de Stonehenge e ao lado do riu Avon. De fato o riu conecta o núcleo habitado com Bluestonehenge. Chamarmos-lhe assim pela cor azulada pedra.

De onde provem?
Do oeste de Gales, a uns 200 km. Está feita de doleritas, riolitas, cinza vulcânica e grés. O outro tipo de pedra que há no jazimento é um grés de Avebury, a uns 30 km. Agora o que queremos são encontrar as pedreiras de onde sacaram estes blocos!

Por que os levaram de tão longe?
Boa pergunta. O que é óbvio é a associação entre as pedras e os ossos dos mortos. É um lugar dos ancestrais seguro. O fato que se usem pedras de dois lugares (do centre de Inglaterra e de Gales) para um sozinho monumento faz pensar que quiçá é o primeiro símbolo da união de Grã-Bretanha, a sinal de um momento de trégua.

Mas que é, Stonehenge? Cemitério, lugar de culto, enclave astronómico?
Tudo ao mesmo tempo! Tem a ver com o céu, com os mortos e com a união de Grã-Bretanha. Mas é um mistério. Em junho publico um livro precisamente em que o explico, Exploring the greatest Stonehenge mistery.

Por que é importante tê-lo datado
Porque desfizemos o mito que Stonehenge vem dos druidas. Disse-o William Stukeley o 1740 baseando-se em escritos de Júlio César. Não se podia nem imaginar que era bem mais antigo!

(extraido de Icac.net )


quarta-feira, 14 de março de 2012

Arqueologia da Morte

  
Seminaris Internacionals d´Arqueologia Clàssica 

L´arqueologia de la mort: una perspectiva multidisciplinar

Quando: 20 - 21 Março
Onde:  Salão de Atos do ICAC


O seminário L´arqueologia de la mort: una perspetiva multidisciplinar; terá lugar nos dias 20 e 21 de março do 2012 no marco da oitava edição de Seminários Internacionais de Arqueologia Clássica organizados pelo Instituto Catalão de Arqueologia Clássica (ICAC).O seminário apresentará varias palestras que explorarão a informação que os rituais e práticas funerárias aportam sobre as sociedades do passado

Michael Parker Pearson, foto: Bill Bevan

O convidado principal é o professor Mike Parker Pearson, da Universidade de Sheffield, reconhecido expecialista na arqueologia do ritual na pré-história europeia, que foi ademais editor de um conhecido volumem sobre arqueologia da morte titulado The Archaeology of Death and Burial, e tem afrontado este tipo de estudos em contextos tão diversos como o da Idade do Ferro britânica o neolítico, ou o Calcolítico, como diretor do Projeto Riverside que investigou a área de Stonehenge, e do que já temos falado alguma vez no Archaeoethnologica



O seminário conta com a participação de mais sete especialistas, que se aproximarão ao estudo arqueológico da morte desde diversas perspetivas tratando aspetos metodológicos ao mesmo tempo que apresentam estudos de caso.



Programa


Terça-feira 20 de março

9:00 - 10:00 Principles of analysis in funerary archaeology
Mike Parker Pearson

10:00 - 11:00 Death and evolution of human consciousness
Mike Parker Pearson

11-11:30  Pausa

11:30 -13:30  El que ens expliquen els esquelets: la importancia 
de l´estudi antropològic
Assumpció Malgosa

12:30 -13:30  Esquelets malalts: aportacions a l´arqueologia
Emili Provinciale

16-17:30 Social status and the dead-revisiting the New Archaeology
Mike Parker Pearson

17:30-17:45  Pausa

17:45-18:44  Els rituals funeraris I l´organització de l´espai
 a la polis grega.
Jesús Carruesco


Quarta-feira 21 de março

9:30 -11:00  Placing the dead mortuary pratices and 
landscape archaeology
Mike Parker Pearson

11:00-11:30 Pausa

11:30 -12:30 The dead of Stonehenge – a case study of Neolithic mortuary pratices
Mike Parker Pearson

12:30 – 14:00 Les necropolis protohistòriques d´incineració de la 
Catalunya meridional: problemática d´estudi
Carme Belarte, Jaume Noguera & Pau Olmos

16:00-17:00  Burial in Iron Age and Roman Britain – a case study
Mike Parker Pearson

17:00-17:15 Pausa

17:15-18:15 O crudele funus! Tradició i canvi en els rituals funeraris a les necrópolis de Tarraco
Judit Ciurana


+INFO no site do:  ICAC

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Arqueologia da morte em Os Perdigões


O próximo dia 17 de fevereiro terão lugar no Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade de Coimbra, uma serie de conferências com o título “Perdigões e as Práticas funerárias no Neolítico e Calcolítico” a cargo dos arqueólogos António Valera, Ana Maria Silva, Daniela Pereira, Inês Leandro, Cláudia Cunha e Cláudia Costa, nas que se trataram diversos aspetos do registo arqueológico e a dimensão simbólica relacionados com este jazigo

Foto: Portugues Prehistoric Enclosures

Como adianto podeis consultar assim mesmo as novas sobre o projeto Perdigões no muito recomendável bloge de A. Valera: Portuguese Prehistoric Enclosures, do que já temos falado alguma vez aqui no archaeoethnologica.


Programa:

14:00 – António Valera – Os perdigões, a sua dimensão cosmológica e as práticas funerárias

15:00 – Ana Maria Silva, Daniela Pereira e Inês Leandro – Restos humanos e o seu contexto funerário Perdigões Abordagem preliminar

16:00 – Intervalo

16:15 – Cláudia Cunha – O Estudo da Morfologia Dentaria – Buscando Informações sobre o Parentes no contexto das inumações Coletivas dos Perdigões

16:45- Cláudia Costa – Faunas e contextos funerários nos Perdigões

17:15 - Debate



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Recintos e praticas funerarias da Pré-história


Recintos da Pré-História Recente e Prácticas Funerárias
Colóquio Internacional

Quando: 6 - 8 novembro
Onde: Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Recolhe-mos aqui a nova do futuro Colóquio Internacional sobre as enclossures pré-históricas que se celebrara durante o mês de novembro em Lisboa, organizado por ERA Arqueologia coa colabora da Fundação Calouste Gulbenkian e baixo a direção do arqueólogo António Carlos Valera direitor das escavações no recinto de Perdigões e autor do magnífico bloge Portuguese Prehistoric Enclosures do que já temos falado alguma vez no Archaeoethnologica.


As problemáticas dos recintos definidos por muros ou muralhas e por fossos têm estado frequentemente no centro de vários debates relativos às comunidades da Pré-História Recente Peninsular. Entre as inúmeras questões que levantam, um dos aspectos que tem vindo a emergir nos últimos anos com particular relevo é o da relação directa que estes recintos terão tido com as práticas funerárias, a ponto de, em alguns casos, se diluir a noção de necrópole como espaço dos mortos bem demarcado em relação ao dos vivos e onde situações semelhantes têm gerado questionários e respostas distintas.

restos de ossos cremados nos Perdigões


Porque os últimos anos têm proporcionado, a nível Peninsular, importantes novidades no que respeita a estes contextos e à expressão que a realidade funerária neles assume, e porque o recinto dos Perdigões se tem vindo a transformar num projecto âncora nesta matéria, a ERA Arqueologia entendeu promover um encontro internacional para debater esta problemática. 


Tratando-se de um fenómeno de dimensão europeia, entendeu-se que a abordagem dos casos peninsulares necessitaria de um enquadramento e uma confrontação com realidades aparentadas de outras regiões europeias, procurando promover o debate a diferentes escalas e a partir de diferentes contextos, experiências e posicionamentos teóricos. 

Assim, este encontro reunirá um conjunto de investigadores com proveniência em vários países europeus onde esta temática assume particular relevo.


  Programa provisório