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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Um bestseller etnoarqueológico

Acabámos de saber vai pouco do sucesso no percorrido editorial do livro El Cantábrico en la Edad del Hierro, Medioambiente, economía, território y sociedad do nosso colega Jesus F. Torres-Martinez (Kechu), o livro que cuja apresentação já déramos noticia aqui.

Não é desde logo frequente que uma monografia sobre arqueologia -e menos ainda sobre etnoarqueologia!- chegue a converter-se em um relativo sucesso de vendas, e tenha agotado toda a sua tirada a só dois meses da sua saída ao lume. Os livros científicos e sobre questões tão específicas não soem figurar entre os mais vendidos, máximo quando o seu preço é ajeitado ao grosso das 640 páginas que formam o volume. São livros "raros" e com um publico igual de "raro", normalmente unido ao autor por certa solidariedade profissional de ocupar-se de igual ou paralela área, compartir certo interesse ou orientação da pesquisa, especialidade ou "recanto" de estudo.

São por elo livros dos que não se fazem -não- tiradas muito amplas, que por engadido tardam longos anos em verse esgotadas, e finalmente quando isto ocorre muito raramente soem voltam a se publicar, ... qualquer pesquisador conhece casos (por pores um) e tem a experiência desses grandes clássicos de uma disciplina ou um área de estudo, a dia de hoje vigentes ou ainda de interesse em grande parte, más que nunca tiverem mais de 1 soa e única edição.

Nada de isto desde logo é frequenta, mas é, já for pelo próprio interesse da temática da obra ou pela trajetória do autor, uma realidade que se bem de confirmar porem coa notícia de uma reedição -"pela alta demanda"- do livro do Kechu a só dois meses de sair a sua primeira tirada, Tudo elo não deixa de ser uma boa nova, à que esperamos ter contribuído com o nosso pequeno grau de areia informativo desde o Archaeoethnologica

Noraboa Kechu


Postagem relacionada:  O Cantabrico na Idade do Ferro

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Os Caldeirões e Situlas Atlânticos


Atlantic Cauldrons and Buckets

Gerloff, S., Atlantic Cauldrons and Buckets of Late Bronze Age and Early Iron Ages in Western Europe. Prähistorische Bronzefunde,
Ab. II, 18 Franz Steiner Verlag, Stuttgart 2010,   615 pp.
ISBN: 978-3-515-09195-4


Sumario:

As sítulas e caldeirões de idade de bronze e posteriores estão entre as relíquias maiores e mais impressionantes que sobreviveram do passado proto-histórico da Europa ocidental. O termo Atlântico como aplicado a estes objetos é relativamente recente, for introduzido por Christopher Hawkes e Smith Margret em 1957, para distinguir esses grandes vasos folha de bronze remachada de contendores similares encontrados na Europa Central e no Mediterrâneo. Eles forem objeto de estudos clássicos como Leeds, ou o dos próprios Hawkes e Smith, que fornecem a base para o presente reexame e atualização da tipologia, cronologia, origem e função destes.

A função de caldeirões semelha que é o de um principalmente cerimonial. Na mitologia celta, os caldeirões estão intimamente ligados com festas e banquetes que foram realizadas em salas para banquetes. Na Irlanda, grandes salões e estruturas semelhantes estão associados a muitos sites de reais, onde uma grande estrutura retangular conhecido como Banqueting Hall (Ensine Miodhchuarta).

A associação dos caldeirões atlânticos com ganchos de carne sugere que eles foram usados para cozinhar a carne, do mesmo jeito que as sítulas pela sua forma parece indicar um uso restringido a conter líquidos, possivelmente alcoólicos. Estes vasos funcionarem durante festas e banquetes” ou outras ocasiões cerimoniais, o qual explica que foram incluídos entre o repertorio das oferendas rituais da Bronze Final e do Ferro, já for em pântanos, lagos, rios ou em depósitos rituais topados em castros ou nos seus acessos.


  INDEX




+INFO no site do:   Prähistorische Bronzefunde

sábado, 14 de janeiro de 2012

Re-Construindo o bote de Ferriby


Descobrindo o Pasado da Idade de Bronze da Cornualha

Um construtor de barcos modernos está sendo desafiado a recriar o mais antigo barco encontrado na Europa ocidental, datado de cerca de 2000 aC. O barco pré-histórico será construído para escalar usando ferramentas antigas, como machados de bronze no National Maritime Museum Cornwall em Falmouth, como parte de um projeto colaborativo desenvolvido pela Universidade de Exeter.

O professor Robert Van de Noort, da Universidade de Exeter é um dos especialistas mundiais nas embarcações de pranchas de madeira da Idade do Bronze. Ele está liderando o projeto de pesquisa financiado pelo Arts and Humanities Research Council que irá produzir a exposição 2012BC: Cornualha e o Mar na Idade do Bronze que se desenrolara no National Maritime Museum Cornwall. Arqueólogos e engenheiros das Universidades de Southampton e Oxford Brookes estão envolvidos no desenvolvimento no projeto junto cós espertos da Universidade de Exeter.

Os restos barcos de pranchas de madeira unidos com costuras da Idade do Bronze foram topados unicamente na Inglaterra e País de Gales. O mais longo foi de 16 metros de comprimento e feito de carvalho. O casco do barco foi feito encastrando pranchas de madeira juntadas com cordas, esta técnica de costuragem foi usado quando ainda não se tinham experimentado outras técnicas. Esta forma de construção de barcos ainda existe em áreas remotas da Noruega, Finlândia e algumas partes da Índia, embora em diferentes tipos de barcos e com o uso de ferramentas modernas. Os barcos são agora comummente referido como barcos de pranchas costuradas.

Brian Cumby é um carpinteiro naval (construtor de barcos profissional) e vai supervisionar a construção do barco pré-histórico em uma oficina aberta no Museu. Isto irá permitir ao público ver o desenvolvimento do barco durante um período de cinco meses, a partir de abril. Antes disso, Brian será imerso no mundo da Idade do Bronze de Grã-Bretanha com da mão do Professor Van de Noort e seus colegas das universidades de Exeter e Southampton.

Ele vai aprender sobre as ferramentas das que disponham os construtores de barcos da Idade do Bronze, e vai começar a experimentar e aprender como fazer tábuas usando machados de bronze e enxós, em vez de ferramentas modernas Ele também há experimentar com a utilização das fibras de árvores como o teixo, os quais foram utilizados para coser as tábuas com a utilização de musgo como calafetagem, para parar o barco de vazamento. A reconstrução em vivo dum barco proto-histórico tem como objetivo aumentar o conhecimento do processo construtivo de um barco de costuras, para examinar a navegabilidade desses navios e entender como foram feitos e navegaram naqueles tempos.

Professor Robert Van de Noort, da Universidade de Exeter, explicou: "Nenhum destes barcos foram encontrados completos pelo que este projeto vai procurar entender como elas foram construídos, como se dirigia o barco, medir o quão rápido ele pode ir , entender como a tripulação usava as pás, já que o uso de velas não é evidente, e como a embarcação se comporta na prova água”

O National Maritime Museum de Cornualha une forças com a Universidade de Exeter para para envolver a pessoas interessadas na construção de barcos no projeto de reconstrução do barco da Idade de Bronze.

Andy Wyke, Gerente das Coleções de Embarcações no National Maritime Museum Cornwall disse: "Este é realmente um desafio excitante e ambicioso,. Estamos honrados por participar nalgo que nunca foi feito antes deste projeto, e trabalhar com a Universidade de Exeter juntos, para promocionar o património marítimo pré-histórico da Cornualha e mostrar as suas conexões com a Europa.

Este é o primeira vez para nós, que uma exposição amosa a natureza viva da construção de um barco. Convidando o público a por as suas mãos no que é construído e oferecendo-lhe uma maravilhosa e nova forma de partilhar essas habilidades e conhecimentos com ele. Isto danos uma nova oportunidade de expandir o conhecimento baseado na nossa pesquisa como centro de investigação marítima ".

A exposição 2012BC Cornualha e o Mar na Idade de Bronze abre-nos as portas da Idade do Bronze, oferecendo objetos raros nunca antes visto no Reino Unido, do dia 13 de Abril e vai até 30 de setembro no National Maritime Museum Cornwall.

Fonte: Universidade de Exeter


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O Quaternário na Fachada Atlântica Ocidental


IV JORNADAS DO QUATERNÁRIO 

1st International Conference - 2011 

Alterações Ambientais e Interacção Humana na Fachada Atlântica Occidental / Environmental Change and Human Interaction in the Western  Atlantic Façade


Data: 9 – 10 de Dezembro de 2011
Onde: Anfiteatro II, Faculdade de Letras, Univ. de Coimbra

As mudanças climáticas, ambientais e geomorfológicas que têm ocorrido ao longo do Quaternário, são temas das reuniões científicas organizadas pela APEQ. O conhecimento dos eventos e dos processos intervenientes abarca ainda um vasto conjunto de questões em aberto. 

A investigação recente utilizando métodos e abordagens diferentes tem detectado indicadores de vários tipos das referidas mudanças e proposto alguns modelos. Este evento será um espaço de discussão interdisciplinar, onde os investigadores da evolução paleoambiental e das sociedades humanas pré-históricas e históricas da fachada ocidental da Península Ibérica podem apresentar o resultado das suas investigações. Nele têm cabimento trabalhos do âmbito da Arqueologia, da História, da Antropologia, da Botânica, da Zoologia, da Geografia, da Geologia, ou de ciências afins, de preferência em equipa, que possam trazer um contributo válido para o entendimento das inter-relações entre o Homem e o ambiente durante o Quaternário.

Além do carácter científico do evento, a APEQ tem por objectivo a divulgação da ciência, e convida todos os interessados a assistirem, as inscrições são abertas ao público.


Programa

DIA 9

Abertura do Congresso

CONFERÊNCIA

9:30h Philippa Ascough (Scottish Universities Environmental Research Centre – SUERC, University of Glasgow)
Marine Reservoir Effects: problems and prospects for radiocarbon dating

COMUNICAÇÕES

António Monge Soares; Ana Ramos Pereira; J.M. Matos Martins & P. J. Portela
Radiocarbon dating of aeolianite formation

João Pedro Cunha Ribeiro
Ocupações humanas na bacia do rio Lis no Plistocénico médio. Dos distintos contextos e registos à identificação de diferentes estratégias de ocupação do território e de exploração dos recursos naturais

Sérgio Monteiro-Rodrigues
Novos elementos para o estudo da ocupação humana plistocénica no litoral de Vila Nova de Gaia, Norte de Portugal

Pedro P. Cunha, Anabela M. Ramos, Lúcio S. Cunha, Alberto Gomes, Fernando C. Lopes, Jan-Pieter Buylaert & Andrew S. Murray
Geomorphological and sedimentological characterisation of the Mondego river terraces at Maiorca-Vila Verde area (Portugal)

Leandro Infantini
Utilização de ferramentas SIG para o estudo da morfologia submersa da Baía de Armação de Pêra (Algarve)

Luca Antonio Dimuccio; Jorge Dinis; Thierry Aubry; Miguel Almeida & Lúcio Cunha Late Pleistocene millennial-scale palaeoclimatic fluctuations from the continental record of Central-Western Portugal

CONFERÊNCIA

15:00 Aaron Potito (National University of Ireland, Galway)
Reconstructing the past to inform the present: palaeoenvironmental perspectives on environmental changes

COMUNICAÇÕES

Luis Gómez-Orellana ; Pablo Ramil Rego & Castor Muñoz Sobrino
The landscapes of the MIS-3 in the lowlands close to the sea of NW Iberia

Luis Gómez-Orellana; P. Ramil Rego & Castor Muñoz Sobrino
Refuges for temperate deciduous trees in the litoral area from NW Iberia during the last glacial period

S. Gomes; S., Connor; M. C. Freitas; C. Andrade; F. Naughton & A. Cruces
A análise polínica do Poço do Pinheirinho: um registo interglacial ou interestadial na costa alentejana?

APRESENTAÇÂO DO LIVRO

Variações Paleoambientais e Evolução Antrópica no Quaternário do Ocidente Peninsular Braga: Associação Portuguesa para o Estudo do Quaternário – APEQ e Centro de Investigação Transdisciplinar. Cultura, Espaço e Memória – CITCEM/UM Orador convidado: João Luís Cardoso (Universidade Aberta)

COMUNICAÇÔES

C. Muñoz Sobrino; Luis Gómez-Orellana& Pablo Ramil-Rego Environmental changes in the westernmost extreme of the Cantabrian range during the postglacial period

Randi Danielsen; Ana Castilho; Pedro Dinis; Pedro Callapez & António Campar de Almeida
The central Portuguese littoral – 5000 years of change. A case study from the Quiaios – Tocha dunes

DIA 10

CONFERÊNCIA

9:15h – António Martínez Cortizas (University of Santiago de Compostela)
The role of palaeoenvironmental research in deciphering Holocene human impacts.

COMUNICAÇÕES

João Araújo & Simon Connor
Holocene fire and vegetation interactions in the Serra da Estrela (Portugal)

Manuela Costa-Casais, Antonio Martínez-Cortizas, Maria Isabel Caetano Alves & Felipe Criado-Boado
Reconstructing Holocene evolution in the archaelogical site of Campo Lameiro (NW Spain): an interdisciplinary approach to geoarchaeology

Nuno Inácio, Francisco Nocete, José Miguel Nieto, Joaquín Delgado, Thomasz Boski, Moisés R. Bayona & Daniel Abril
Impacto ambiental da primeira mineração e da metalurgia especializada no Sudoeste da Península Ibérica

T. Boski, J. Delgado, J. M. Nieto, Laura Pereira, D. Moura, Paulo Santana
Sw Iberia Sea – Level rise curve and antropogenic activities Inferred from the Postglacial sedimentary infill of Guadiana estuary

Patrícia Amador Poeira dos Santos Jordão
Modelo de gestão e circulação de sílex há 5000 BP na faixa litoral entre Nazaré e Peniche (Estremadura Portuguesa)

Manuel Rey García & Xosé Ignacio Vilaseco Vázquez
Guidoiro Areoso. Necrópole megalítica e asentamento pré-histórico na ria de Arousa (Pontevedra, NW Espanha)

João Tereso & Pablo Ramil Rego
As estratégias agrícolas no Bronze Final e na Idade do Ferro do Noroeste Peninsular e a sua relação com as dinâmicas de povoamento e as condicionantes ambientais

Cleia Detry
Questões sobre a influência ambiental e humana nos moluscos do Monte Molião (Lagos, Portugal)

APRESENTAÇÃO DA REVISTA

Estudos do Quaternário nº 6
Oradora convidada: Raquel Vilaça (Universidade de Coimbra)

CONFERÊNCIA
Joanna Marie Nield (School of Physical Geography at the University of Southampton)
The influence of climatic conditions on vegetated aeolian dune landscape evolution

COMUNICAÇÕES

Assunção Araújo & Manuel João Abrunhosa
Aspetos geológicos e geomorfológicos da orla costeira de Labruge (Vila do Conde, NW de Portugal)

A. Cruces, J. C. Quaresma, M. C. Freitas, C. Andrade, T. Ferreira & M. F. Araújo
Evidências geológicas e arqueológicas para a transição climática entre o Período Quente Romano e o “Período das Trevas” no SW alentejano (Portugal)

J.A. Santos; L. J. Cunha & C. E. Cordova
Distinguishing lodgment till from melt-out till using till fabric and grain size analysis: a case study in Portage Glacier Little Ice Age moraines, South-Central Alaska

José Nunes André & Maria de Fátima Neves Cordeiro
Alteração da linha de costa Cabo Mondego – S Pedro de Moel após o prolongamento do molhe Norte do Rio Mondego

Delminda S. Moura, S. Gabriel & A. Gomes
Nível médio relativo do mar vs. linha de costa

POSTERS

Giuseppe Stella; Pedro P. Cunha; Miguel Almeida & António A. Martins
Potential applications in Quaternary Research of the Luminescence Dating provided by the iDryas project

Olívia Figueiredo
As práticas funerárias nos concheiros de Muge (Portugal): estado da questão

Rita Dias; João Cascalheira; Célia Gonçalves; Cleia Detry & Bicho, Nuno
Preliminary analysis of the spatial relationships between faunal and lithic remains on the Mesolithic shelmidden of Cabeço da Amoreira (Muge, Portugal)

Rita Dias & Célia Gonçalves
Influência das transições ambientais e climáticas na exploração dos recursos aquáticos: a transição Epipaleolítico-Mesolítico no Vale do Tejo, Portugal

Ana Gomes; T. Boski & D. Moura
Diatomáceas como uma potencial ferramenta para reconstituições paleoecológicas

Patrícia Diogo Monteiro
Estudos antracológicos sobre contextos arqueológicos do Paleolítico e Mesolítico em Portugal: estado da questão

María Martin Seijo, Ana M. S. Bettencourt & Emílio Abad-Vidal
A exploração dos recursos florestais no III e II milénios AC na fachada ocidental do Noroeste da Península Ibérica: territórios e cadeia técnica-operativa

A. Trindade; G. Vieira & C. Schaefer
Micromorphology of relict slope deposits from Serra da Estrela (Portugal): first results

Khalid El Khalidi; Bendahhou Zourarah & Ahmed Aajjane
Contribution of historical aerial photographs in the study of the land use: spatio-temporal changes in the southern Doukkala coast for the period between 1954 and 2006 (Moroccan Atlantic coast)

P.A. Dinis; L. S. Silva; J. Huvi; J. M. Dinis & P. P. Cunha
Modelo de evolução recente dos deltas do Catumbela e Cavaco baseado em aspectos morfológicos (região de Benguela, Angola)

M. Kalesso; A. Gomes & P. P. Cunha
Interpretação geomorfológica da área do Lubango, Angola: exploração dos dados altimétricos da missão SRTM


+INFO no site da:  APEQ

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A Europa Atlântica no Iº Milénio a.C - Livro


ATLANTIC EUROPE IN THE FIRST MILLENIUM B.C


Moore, T. & Armada, X-L., Atlantic Europe in the First Millenium B.C. Crossing the Divide.
Oxford University Press, Madrid 720 pags.
ISBN: 979-0-19-956795-9

Manha mesmo quinta-feira dia 24 de novembro sai ao lume o livro Atlantic Europe in the First Millenium B.C. Crossing the divide que reúne as atas da Congresso organizado polo Departamento de Arqueologia da Universidade de Durham em novembro do ano 2007 baixo o titulo de Western Europe in the First Millenium e que reuniu em a maioria dos mais destacados especialistas no Bronze Final e a Idade do Ferro na Faciana Atlântica de Europa, das quais o livro apresenta uma perspetiva atualizada do estado da investigação sobre esta época e das suas principais linhas e prospetivas. e esta editado por duas jovens promessas da arqueologia britânica e galega, T. Moorre e X-L Armada,  antigo companheiro de estudos (e bo amigo) de quem isto escreve, e que por aqueles anos fora bolseiro post-doutoral na citada Universidade de Durham

Desde o Archaeoethnologica a nossa noraboa aos editores por este livro, froito dum longo trabalho bem feito, e que pensamos será ponto de referência no estudo sobre este período da proto-história nos próximos anos, tanto a um lado como a outro deste nosso Atlântico.


Sinopse
Os estudos sobre o Primeiro milénio a.C na Europa testemunham uma crescente divisão teórica entre as abordagens adotadas nos diferentes países. Embora temas como etnia, identidade e agência têm dominado muitos estudos nas Ilhas Britânicas, estes temas têm tido menos ressonância nas abordagens continentais do mesmo período Ao mesmo tempo os estudos britânicos e ibéricos sobre o primeiro milénio a.C estudos, tenham-se tornado cada vez mais divorciados da pesquisa realizada no resto da Europa. Enquanto essa divergência reflete profundas divisões históricas na teoria e metodologia entre as perspetivas europeias, é uma questão que tem sido amplamente ignorada polos estudiosos do período.

Este volume aborda estas questões, reunindo 33 trabalhos realizados pelos principais estudiosos da Idade do Bronze e do Ferro na França, Espanha, Portugal, Bélgica, Irlanda, América do Norte e Reino Unido. Os capítulos iniciais introduzem os temas principais (a paisagem, organização social, a historiografia, as dinâmicas de mudança, e a identidade), fornecendo uma visão geral sobre a história de abordagens da investigação para estas áreas, perspetivas sobre os problemas atuais e possíveis direções futuras da pesquisa. Nos capítulos seguintes esses temas desenrolassem através estudos de caso e questões específicas relativas ao primeiro milénio antes de Cristo no área atlântica da Europa Ocidental.


INDEX

Part 1. Crossing the divide

1: Tom MOORE and Xosé-Lois ARMADA: Crossing the Divide: opening a dialogue on approaches to Western European first millennium BC studies


Part 2. Landscape studies

2: Gonzalo RUIZ ZAPATERO: Settlement and landscape in Iron Age Europe: archaeological mainstreams and minorities

3: William MEYER and Carole L. CRUMLEY: Historical ecology: using what works to cross the divide

4: Sebastián CELESTINO PÉREZ, Victorino MAYORAL HERRERA, José Ángel SALGADO CARMONA and Rebeca CAZORLA MARTÍN: Stelae iconography and landscape in south-west Iberia

5: Ignacio GRAU MIRA: Landscape dynamics, political processes and social strategies in the eastern Iberian Iron Age

6: Oliver DAVIS: A re-examination of three Wessex type sites: Little Woodbury, Gussage All Saints and Winnall Down

7: Francisco SANDE LEMOS, Gonçalo CRUZ, João FONTE and Joana VALDEZ: Landscape in the Late Iron Age of north-western Portugal

8: Pierre NOUVEL: La Tène and early Gallo-Roman settlement in central Gaul. An examination of the boundary between the Aedui, Lingoni and Senoni (Northern Burgundy, France)


Part 3. The social modelling of Late Bronze Age and Iron Age Societies

9: John COLLIS: Reconstructing Iron Age Society revisited

10: How did British Middle and Late Pre-Roman Iron Age societies work (if they did)a

11: Inés SASTRE PRATS: Social inequality during the Iron Age: interpretation models

12: Francisco Javier GONZÁLEZ GARCÍA, César PARCERO-OUBIÑA and Xurxo AYÁN VILA: Iron Age societies against the state. An account on the emergence of the Iron Age in north-western Iberia

13: Guy DE MULDER and Jean BOURGEOIS: Shifting centres of power and changing elite symbolism in the Scheldt fluvial basin during the Late Bronze Age and the Iron Age

14: Rebecca PEAKE, Valérie DELATTRE and Régis ISSENMANN: Examples of social modelling in the Seine valley during the Late Bronze Age and Early Iron Age

15: Raimund KARL: Becoming Welsh. Modelling first millennium BC societies in Wales and the Celtic context

16: Dimitri MATHIOT: Person, family and community: the social structure of Iron Age societies seen through the organization of their housing in north-western Europe

17: Rachel POPE and Ian RALSTON: Approaching sex and status in Iron Age Britain with reference to the nearer continent


Part 4. Continuity and change

18: Barbara R. ARMBRUSTER: Approaches to metalwork - the role of technology in tradition, innovation and cultural change

19: John C. BARRETT, Mark BOWDEN and David McOMISH: The problem of continuity: re-assessing the shape of the British Iron Age sequence

20: Katharina BECKER: Iron Age Ireland: continuity, change and identity

21: Jody JOY: Exploring status and identity in Later Iron Age Britain: reinterpreting mirror burials

22: Jesús F. JORDÁ PARDO, Carlos MARÍN SUÁREZ and Javier GARCÍA-GUINEA: Discovering San Chuis hillfort (northern Spain): archaeometry, craft technologies and social interpretation

23: Alicia JIMÉNEZ DÍEZ: Changing to remain the same. The southern Iberian Peninsula between the third and the first centuries BC


Part 5. Rhythms of life and death

24: Robert VAN DE NOORT: Crossing the divide in the first millennium BC: a study into the cultural biographies of boats

25: Leonardo GARCÍA SANJUÁN: The warrior stelae of the Iberian south-west. Symbols of power in ancestral landscapes

26: Miguel Ángel ARNÁIZ ALONSO and Juan MONTERO GUTIÉRREZ: Funerary expression and ideology in the Cogotas culture settlements in the northern Meseta of the Iberian Peninsula

27: Raimon GRAELLS FABREGAT: Warriors and heroes from the northeast of Iberia: a view from the funerary contexts

28: Ian ARMIT: Headhunting and social power in Iron Age Europe

29: Valérie DELATTRE: The ritual representation of the body during the Late Iron Age in northern France


Part 6. Exploring European research traditions

30: Richard HINGLEY: Iron Age knowledge: Pre-Roman peoples and myths of origin

31: Adam ROGERS: Exploring Late Iron Age settlement in Britain and the near Continent: Reading Edward Gibbon s The Decline and Fall of the Roman Empire and examining the significance of landscape, place, and water in settlement studies

32: Guillermo-Sven REHER DÍEZ: The introduction to ethnicity-syndrome in protohistorical archaeology

33: Niall SHARPLES: Boundaries, status and conflict: An exploration of Iron Age research in the 20th century



+INFO no site de:  Oxford University Press

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O Cantabrico na Idade do Ferro - Livro


EL CANTABRICO EN LA EDAD DEL HIERRO


Torres-Martínez, J. F., El Cantábrico en la Edad del Hierro, Medioambiente, economía, territorio y sociedad. Real Academia de la Historia, Madrid, 2011 640 pags.
ISBN: 9788415069287


Desde o Archeoethnologica agrada-nos muito poder anunciar a pressentação do livro El Cantábrico en la Edad del Hierro do nosso colega Jesús F. Torres-Martinez (Kechu), diretor do projeto arqueológico Montebernorio, e que é já conhecido nestas terras pola publicação recente da sua La Economía de los Celtas de la Hispania Atlántica (Vol I e II), O Cantábrico na Idade do Ferro constitue a edição aumentada da sua tese doutoral que fora dirigida pelo catedrático Martin Almagro-Gorbea, na que seguindo na linha doutras publicações previas do autor, presta-se uma especial interesse à etnografia e a sua possibilidade de integração com o registro arqueológico

O ato de apressentação do livro terá lugar o dia 22 de Outubro às 18:00 no Salão de Graus da Faculdade de Geografia e História da Universidade Complutense de Madrid e contará com a intervenção do editor o Prof. Dr. Martín Almagro-Gorbea.


Sinopse:
 O Cantábrico na Idade do Ferro é uma obra muito extensa sobre a Idade do Ferro no norte da Espanha a partir do ponto de vista da arqueologia: arqueologia, etno-arqueologia e etno-história. Dentro da obra presta-se uma atenção especial às referências geográficas e ambientais incluindo-se as informações referidas polos autores gregos e romanos sobre esta região e seus habitantes durante a Idade do Ferro. Um dos capítulos mais longos é o dedicado à Economia, o qual inclui um apêndice sobre a reciprocidade nas relações económicas e sociais. Também neste livro pode-se encontrar um capítulo sobre a construção do território e da paisagem cultural e o desenvolvimento da organização social, e as suas mudanças, ao longo do tempo. À ideologia guerreira e a religião celta adicanse-lhe assim mesmo dois capítulos do livro


  INDEX




+INFO no site da:  RAH publicacións

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

As Múmias de Escócia


Mumificaçao na Bretanha da Idade do Bronze

De acordo coas sensacionais descobertas arqueológicas que estão sendo feitas atualmente na Escócia, os Bretões da idade de bronze foram quem de prática a arte da mumificação, ao mesmo tempo que a cultura da múmia estava em pleno andamento no Egito faraónico. Pares que os bretões teriam inventado indentado autonomamente esta técnica

Uma equipa de arqueólogos, liderados pelo Dr. Mike Parker Pearson, da Universidade de Sheffield, descobriu recentemente os restos do que se acha são dois corpos mumificados a Idade do Bronze, que foram enterrados baixo o andar de uma casa pré-histórica em Cladh Acham na ilha South Uist no arquipélago das Hébridas. A casa na que os esqueletos das múmias foram enterrados era parte de um complexo único em Idade do Bronze, que é tão enigmático como os cadáveres preservados que foram enterrados ali.

O achado é a primeira evidência da mumificação deliberada levada a cabo na antiguidade em Grã-Bretanha - e é sem dúvida um das descobertas arqueológicas mais importantes realizadas nos últimos anos. Os tecidos do corpo mumificado não sobreviveram pelo que não foi imediatamente óbvio para os escavadores o que encontrava, quando se encontraram os dois esqueletos de Cladh Acham. No entanto, os esqueletos apresentavam uma feição pouco comum, com as articulações muito flexionadas, acontecia nas múmias peruanas.



Depois da descoberta seguiram em vários meses de detalhadas provas científicas, incluindo provas de Carbono14 para datar os ossos e outros materiais do jazigo. A primeira sugestão de que os esqueletos se corresponderam com corpos mumificados se produziu depois da chegada do laboratório das datas radiocarbónicas. Para o assombro dos arqueólogos, encontraram-se que um dos indivíduos (um homem) morria em torno de 1.600 a.C -, mas era enterrado de seis séculos mais tarde, em torno de 1.000 a.C. É mais, o segundo sujeito (uma mulher) morria em torno de 1300 aC - e tinha que esperar assim mesmo 300 anos antes de ser enterrado.

Os arqueólogos consideraram isto sumamente estranho. Nunca via algo assim antes. Se os esqueletos tinham estado sem inumar durante um período de 600 ou 300 anos ficaria reduzidos a um montão de ossos. Mas parecia que talvez de alguma maneira os tendões e a pele foram deliberadamente conservados, para manter de forma permanente os esqueletos juntos. Os pesquisadores começaram a perguntar-se se encontraria as primeiras munias de Grã-Bretanha. Depois veio uma segunda evidência igual de surpreendente. Efetivamente, os ossos descobertos pertenciam a corpos mumificados, então, como se tinha levado a cabo a mumificação? Tendo em conta as tecnologias e os recursos disponíveis em Grã-Bretanha durante a Idade do Bronze, tinham-se três opções principais.


A interpretação da descoberta
Em primeiro lugar, existia a possibilidade de que os corpos era afumados para a sua conservação. Certamente a gente da Idade do Bronze tinha a tecnologia para esse procedimento, e de facto os arqueólogos descobriram um afumadeiro no revestimento do sítio que datava de 1100 e 800 anos, respetivamente, após que essas pessoas morrer.

Em segundo local, os corpos poderiam ter sido secados ao vento e certamente há evidências arqueológicas pré-históricas que demonstra que a gente em algumas partes das ilhas ocidentais da Escócia fez uso de técnicas de secado pelo vento para conservar a carne (especialmente as grandes aves marinhas), na antiguidade e inclusive a posteriori.


Uma terceira possibilidade, é que o corpo de South Uist pudessem ter sido preservado pela colocação temporária em uma turbeira. Sabe-se que os homens pré-históricos conheciam as propriedades de conservação de certos tipos de turbeira e que os utilizaram, mais tarde na Escócia e Irlanda para preservar alimentos como a manteiga e o sebo. É mais, os corpos das vítimas de assassinato de sacrifício ou ritual (principalmente da Idade do Ferro) que se encontraram conservados nas turbeiras em Grã-Bretanha e a Europa continental.

O home de Tolund (Dinamarca)

Foi esta terceira opção que era mais fácil de provar, utilizando as técnicas forenses modernas. Quando um corpo se coloca em uma turbeira, a pele e os tendões se curtem na sua maioria de maneira similar à que a pele do animal se transforma em couro. O osso também se altera e se converte em água desmineralizada. Quanto mais tempo mantém-se na turbeira, e a mais profundidade mais progride o processo de desmineralização do tecido ósseo.

O home de Clonycavan (Irlanda)

Se uma turbeira utilizou-se para preservar o corpo pessoa simplesmente o suficiente como preservar ao mesmo tempo a pele de e tendões a pessoa mantendo de passagem o esqueleto de forma permanente dentro do corpo, então o cadáver teria que estar depositado no pântano durante um período dentre 6 e 18 meses, o que têm daria local à desmineralização superficial de só uns milímetros do exterior do osso. Que é precisamente o que as provas forenses mostraram que ocorria. A análise científica revelou que só 2 mm do exteriorosso foram desmineralizados.


A última peça do puzzle
Por último, posteriores exames forenses revelaram uma terça e última peça que evidenciava a mumificação.A técnica utilizada para revelar esta baseia-se no facto de que, após a morte, as bactérias intestinais começam a devorar o corpo e a atacar o esqueleto. O ataque de bactérias modifica estrutura-a osso dando local a minúsculos buracos. O grau de dano bacteriano pode ser calculado com um alto grau de precisão por um procedimento forense conhecido como porosimetría de mercúrio.



Um pedaço de osso, cujo volume foi medida com precisão, se coloca dentro de um recipiente de volume conhecido. O mercúrio é introduzido no recipiente a pressão com o que este penetra nos buracos escavados pelas bactérias. Pode-se medir a quantidade de mercúrio penetrou no osso e portanto, a percentagem de dano bacteriano que sofreu o osso. No caso dos esqueletos de dois South Uist, a prova mostrou um nível muito baixo de dano bacteriano - um nível compatível com um palco no corpo colocasse-se na turbeira um dia ou dois após a morte.

A prova sugere muito rotundamente que não se tinha tentado evitar que os cadáveres se decompusessem durante um período prolongado. Indicando que o processo de decomposição se tinha detido em uma etapa temporã - provavelmente quando o corpo foi colocado na turbeira, ou talvez se fossem eviscerados, antes da sua imersão no pântano.


Razões para a mumificação
Os arqueólogos demonstraram que quase os dois esqueletos do South Uist procedem de corpos mumificados - e que permaneciam insepultos durante 600 e 300 anos respetivamente. Mas por que os seus contemporâneos quiseram mumificá-los é um completo mistério.

Os motivos para a preservação do corpo variam de um local a outro e de um período a outro ao longo de todo mundo. No antigo Egito, a gente era mumificada com o fim de ajudar-lhes a atingir uma vida eterna. No antigo Peru, os imperadores incas eram mumificados para que possam seguir desempenhando o seu papel na sociedade desde o para além. Inclusive, os seus corpos mumificados, assistiam a banquetes organizados pelo Estado.

Cabeças reducidas jibaras

Na selva amazónica, algumas tribos 'mumificam' as cabeças dos seus inimigos e mantêm-nos nos seus próprios lares - onde a sua identidade e a força espiritual pode ser ?expropriada? pelo grupo familiar daqueles que os tinham matado. No Tíbet e Japão, os homens santos eram mumificados, enquanto em várias outras áreas os antepassados foram preservados para ser venerados a posteridade - e consultados sobre importantes assuntos tribais.

Em Grã-Bretanha pré-histórica existia uma tradição de reverência para os antepassados, pelo que é concebível que as munias do South Uist fossem importantes figuras ancestrais. Como poderes protetores da tribo ou o clã pode ter sido vistos inclusive como intermediários em nome do seu povo ante os deuses ou espíritos cósmicos. É provável que os corpos preservados se mantivessem durante os séculos sendo uma espécie de múmias da casa em uma morada especial para dar cabida aos antepassados, provavelmente, tanto masculinos como femininos. Mas com todo o sentido e o papel destas múmias é só uma parte do enigma de Cladh Acham.

Os rituais em Cladh Acham
Este complexo compõe-se de sete casas distribuídas em várias aterraçamentos. Os arqueólogos até agora escavaram três delas e a escavação revelou que as estruturas foram utilizadas não só como morada senão também como locais de atividade ritual.



Quando o assentamento foi fundado em torno de 1000 aC, as duas pelas múmias, junto do corpo de uma ovelha inteira (possivelmente um sacrifício), foram enterrados baixo o andar da casa situada mais ao norte. Na mesma época um indivíduo não mumificado de 13 anos de idade que morria recentemente foi enterrado baixo o andar da casa do centro. Por embaixo da mais meridional das três estruturas escavadas, um menino de três meses de idade também foi enterrado cerca de 1.000 a.C. Também ao longo de todo o 1000, na estrutura situada mais ao norte, algum tipo ritual se levado a cabo se destruindo como resultado grandes quantidades de cerâmica de forma deliberada.


Durante os seguintes séculos os ritos continuaram nas estruturas do norte e centro. Em uns poucos anos ou décadas mais tarde os ossos cremados de alguns meninos foram enterrados na casa do norte (a das múmias). A seguir, um par de décadas mais tarde todavia, os ossos vários meninos incinerados foram depositados na casa, junto de vários recipientes de cerâmica rompidos deliberadamente e três pedras. Um grupo olas rotas se apilaram a continuação no interior da parede de a casa e posteriormente toda a casa foi deslocada um metro ao este e reconstruída, um bracelete de bronze depositado em este momento possivelmente comemora este feito.



Na mesma época a casa do sul foi desmantelada. Durante os próximos e de anos os ritos continuarem en nas estruturas do norte e do centro. Em Arredor do ano 900 aC, por exemplo, um bebé foi enterrado na casa do norte e o edifício foi novamente trasladado e reconstruído, esta vez dois metros mais ao oeste.


Vida e morte na pré-história da Bretanha
Todos estes restos revelam ou rastro de dois antigos rituais celebrados em Cladh Acham. Com vos ânus, nas duas casas, novamente se depositou cerâmica rompida intencionalmente junto de ferramentas de osso. Também continuou ou sacrifício de animais - uma ovelha e dois cães. Após o desmantelamento construção e de vários episódios mais de reconstrução, a casa do norte foi finalmente abandonado em torno do 700 aC - mas a estrutura central continuou usando-se com funções rituais até ao redor de 400 aC, pelo que é a mais estrutura arquitetónica mais longeva da pré-história britânica.



A gama da atividades rituais presente ao povoado encontra-se entre as mais amplas conhecidas, e propõe a questão de se o sítio teve principalmente uma funcionalidade residencial ou ritual e religiosa? Quem foram as pessoas que viviam ali? Eram gente corrente das tribos da Idade do ou pelo contrário membros de uma elite ritual, possivelmente sacerdotes ou xamanes? Eram os antepassados destas elites étnicas / tribais, esses corpos que era conservados e venerados através dos séculos? Ou foram recém chegados ou novos colonos, que deslocaram à população original e depossuindo-os não só das suas terras, senão também, ao "venerar às múmias", dos seus antepassados

Só as investigações arqueológicas no futuro poderão responder a estas perguntas. Pelo momento, a descoberta das primeiras múmias de Grã-Bretanha deveria começar a ajudar-nos/ajuda-nos a definir alguns das feições finque da vida e a morte na pré-história britânica.

Fonte:  BBC History - David Keys

sábado, 17 de setembro de 2011

Arqueologia das costas atlânticas - Homer 2011


O primeiro simpósio internacional "2011 HOMER" entende-se uma grande reunião científica sobre a questão da arqueologia das populações costeiras e da interação homem / meio ambiente no âmbito geográfico do Faciana Atlântica da Europa, partindo dos recentes avanços da Arqueologia costeira e insular do Complexo Atlântico/Canal/Mar do Norte.

Elo gerara por uma parte a síntese e troca de experiências dos diferentes países europeus envolvidos (França, Escócia, Inglaterra, Irlanda, País de Gales, Bélgica, Holanda, Espanha, Portugal, Dinamarca ...) e, da outra, uma prospetiva de futuro sobre a investigação europeia em arqueologia e ciências arqueológicas no domínio litoral.

As várias sessões irá fornecer uma atualização sobre a questão das identidades culturais insulares e costeiras e das inter-relações entre comunidades, sobre a estrutura, a evolução das paisagens marítimas, sobre a produção e utilização de matérias-primas, mas também sobre questões de metodologia e os novos desafios da arqueologia litoral (lato sensu) na Europa. A conferência Homer 2011 se desenrolara na vila de Vannes, cidade portuária e universitaria da costa sul da Bretanha com um rico passado histórico e arqueológico e proporá atrativo um programa  de excursões e eventos convidando a descobrir o excepçonal património insular e costeiro da e região.

A conferência é organizada pola Unidade Mista de Pesquisa 6566 CReAAH (Centre de Recherche en Archéologie, Archéosciences, Histoire), apoiado pelo CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique), do Ministério da Cultura, as Universidades de Rennes 1, Rennes 2, Le Mans e Nantes, bem como INRAP (Institut National de Recherche en Archéologie Préventive).

As línguas oficiais da conferência são o francês e o Inglês, e as comunicações e debates terão tradução simultânea.

As sessões acolheram comunicações orais e posters


Programa:


+INFO no site de:  Homer 2011

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Os Petroglifos Atlânticos de Astorga

Petroglifos de Peña Fadiel cos Montes de Leão ao fundo

De vez em quando a arqueologia nos oferece achádegos espetaculares e, em certa forma provocadores, que guardam entre sim um mínimo comum denominador, o de que “isso não devera estar ali”, são restos, objetos ou elementos que pela sua excecionalidade ou simplesmente por escapar da localização que os mapas de distribuição ao uso lhes atribuem, propõem interessantes perguntas e – sobretudo- dúvidas sobre o nosso conhecimento firme do passado: Assim uns barcos demasiado mediterrâneos em uma laje muito ao Norde, uma  Estela com uma estranha iconografia bem longe das suas correntes terras do sul, ou, as vezes, um grupo de gravuras, “atlânticas”, demasiado “atlânticas”, às porta mesmas da Meseta.  Todas estas são escepções que em certa forma obrigam a repensar de cote a regra, quando ela não se ajustarem. As escepções -permitase-nos a parafrase levistrossiana- são boas para pensar

Pormenor dos petroglifos da Astorga

Este último é o caso dos gravados de círculos concêntricos de Pena Fabiel, tipologia tipica do grupo rupestre galaico e doutras zonas da Faciana Atlântica, estes petroglifos foram atopados em 2008 na zona da Maragatería,  por um afeiçoado local, Juán Carlos Campos, que forá quem os dera a conhecer a traves do seu blogue La Tierra de los Amacos. A resultas disto empezou-se a estudar este singular conjunto, froito do qual saiu do prelo recentemente um artigo nas Atas do ultimo Congresso Internacional de Arqueologia de Vilalba, do que já temos falado, relatorio escrito entre outros autores por A. de La Peña, um dos mais reconhecidos especialistas em petroglifos da zona galaica.

Estes petroglifos como outros dos casos que citámos refletem além do anedótico ou do acaso, mais que prováveis contactos de fundo, nos que se trocavam, provavelmente, algo mais que coisas (matérias primas, produtos, presentes, etc.) e nos que mesmo deveram de colar-se-lhes elementos que chamaríamos culturais: crenças, costumes, usos, ou ainda, palavras: terminologias, ditos, mesmo quem sabe se antropónimos, ou em tal caso -e porque não?- de forma ainda mais geral, as proprias Línguas (?).

Isto são  dito de outro jeito o que se soe chamar"Formas de vida”, das quais nos aparecem como restos epidérmicos ainda tangíveis, as vezes, estas “exceções”, dificilmente explicáveis pelo reducionismo ao taxonómico do que tão gosta a arqueologia tradicional, mas que é provável cobrassem muito sentido no contexto e na perspetiva da época em que a alguém, quiçá um forâneo, quiçá autóctone viageiro, ou mesmo -melhor- ambos (destes "matrimónios" entre mundo diversos temos um formoso exemplo num vídeo de uma anterior postagem) se lhe ocorreu gravar estes signos em umas pedras, sem dúvida, não por mera casualidade ou afeição à arte petrográfica ou ao grafitti.

Em resumem: Vejo na imprensa a nova, ainda à espera de poder lhe votar um olho ao artigo, e leio em boca dos autores as seguintes verbas: «Os desenhos plasmados sobre as rochas de Peña Fadiel obrigam a dirigir a mirada para o mundo iconográfico dos gravados rupestres galaicos» , lido tal, não posso evitar que imediatamente me venha à cabeça umas linhas da minha muito estimada Marisa Ruiz-Gálvez, nas que fala precisamente de esses contactos entre Ocidente e Meseta, e, indo a minha biblioteca, colho o gastado volume de  A Europa Atlântica , e albisco entre os muitos marcadores onde atopo cedo a cita que assim diz:  

“  Todo isso desenha uma rede de movimentos e relacionamentos de vários milénios de duração, ao longo de gerações trás de gerações [...] que permitirom o livre deambular de homens, gados e mercadorias. Custar-me-ia pensar que isso não tivesse repercussões de tipo linguístico, E ainda começo a propor-me se não será aqui e neste contexto, e não no hipotético avanço à Meseta oriental de gentes ultra-pirenaicas portadoras de linguas IE, onde haveria que buscar a origem de lenguas célticas como o proprio celtibérico" (p. 258).  E algo disso haverá também em isto

Os hápax legómenon, certamente, ”são bons para pensar” e ainda melhores para re-pensar


+ INFO sobre isto em:  Os petroglifos da Maragateria 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Os Depósitos da Idade do Bronze e o SIG



E volvemos agora desde o paleolitico ao Bronze, com esta palestra de Alejandro Manteiga Brea (Univ. College Cork):"Aplicacións dos SIXs na análise de depósitos do Bronce Final do Noroeste" dentro das I Jornadas de novos investigadores do Noroeste organizadas pelo LAUV (Laboratorio de Investigación Arqueolóxica da Univ. de Vigo)


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Áreas Linguisticas / Áreas Culturais - Colóquio

Aires Linguistiques / Aires Culturelles 

Études de correspondances en Europe Occidentale (zones Manche et Atlantique)

Brest, Université de Bretagne Occidentale
Faculté Victor-Segalen
9-10 Junho


Entre os próximos dias 9 e 10 de Junho de 2011, terá lugar no Centre de Recherche Bretonne et Celtique da Universidade de Bretanha Ocidental (Brest), co significativo título de: “Áreas linguísticas/áreas culturais: estudos de conexões na Europa Ocidental”, um Colóquio internacional com a participação de estudiosos de várias áreas (arqueólogos, linguistas, geneticistas), que de trocaram os seus pontos de vista sobre a relação entre as populações que vivem na Europa atlântica e as línguas que ali são faladas desde depois do Paleolítico. A conferência é o primeiro passo de um programa de colaboração interdisciplinar sobre o assunto entre arqueólogos, linguistas, paleo-antropólogos,geneticistas e historiadores.

Os desenvolvimentos levantados a cabo pela arqueologia nos últimos 30 anos mostram a ausência de qualquer invasão em larga escala na Europa, e pela contra a continuidade ininterrupta da maioria das culturas nas idades do cobre e do bronze na Europa desde o Neolítico, e assim mesmo a continuidade destas culturas neolíticas desde Mesolítico e os finais do paleolítico. Neste sentido parte dos participantes adscrevem-se a chamada teoria da PCT (Paleolithic Continuity Theory) mentres que outros prantearam outras alternativas possíveis a estas questões como a proposta do grupo de pesquisa ABraZo ao problema do Tartessico .


Programa




+ INFO no site do:   CRBC Colloques

sábado, 28 de maio de 2011

Britões, Gales e Europa - Colóquio


Ancient Britons, Wales, and Europe  New Reseach in Genetics, Archaeology and Linguistic


Cardiff, 4 Junho
National Museum de Gales


A começos do próximo mês de Junho terá lugar este colóquio em Gales, no que se porá especial interessa a relação entre a área britona e os seus contactos via marítima com o resto da área atlântica, vendo em que medida as aportações cruzadas da genética coa arqueologia e a linguística podem fornecer um novo marco interpretativo o problema da celtização do Ocidente, e neste caso concreto da sub-área cultural britónica 

De especial interesse desde um ponto de vista peninsular é que boa parte das palestras estão dedicadas as relações entre Britania e Ibéria, um índice mais do crescente protagonismo que o mundo céltico hispânico está a tomar ao redor da questão das origens célticas. Cecais a futura chave do problema?


Programa:




+ INFO no site do projeto:   ABrAZo

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O Guerreiro na sua Chaira


Ontem saiu no Telejornal de TVE-Galiza, a pesa da que levamos falando estes dias o Guerreiro de Pedra Alta, na reportagem junto coa entrevista aos dous arqueólogos que se ocupam do seu estudo e ao seu descobridor também se achega um interessante dado, como é o de que o lugar onde se atopou a pedra, e consuentemente a própria Pedra Alta (nos seus dias ergueita) fixo de marca de duas parróquias, "reciclando-se" assim se cabe este resto proto-histórico nos novos contextos rurais.

Algo que conhecemos mui bem para tantas mamoas re-convertidas em marcos das mais diversas territorialidades e propriedades, e que nos informam -a nós arqueólogos- de que os objetos arqueológicos tenhem mais vida e valor alem das nossas adscrições cronológicas e tipologicas, e de que tenhem sido autenticos "objetos culturais" e de memoria que tenhem formado parte da paisagem e da historia das comunidades coas que tenhem convivido, convivencia de cote, como neste caso milenaria, o que cecais é já outro bom argumento -o melhor se cabe- para a sua propria conservação in situ, isto é onde sempre estivo: alo na sua chaira

Ou quando menos para que ali fique ao menos uma reprodução aquelada do monolito, pois parece que há inteires por conservar o original num museu etnografico local. Algo co que nom podemos estar mais dacordo, pois, a fim de contas, uma das funções do património, possivelmente a principal, é criar "identidade", e assim -hoje coma onte- poder servir ainda de definição, "fito", ou "marco",se se nos permite, a uma Comunidade, a que por outro lado leva acompanhando tanto tempo. esperemos que o Guerreiro de PedraAlta siga saudando aos seus vecinhos muitos séculos ainda. Isso si, desde a sua chaira.


+ INFO sobre isto em:  O Guerreiro, a Estela, o escudo e seu Carro

terça-feira, 10 de maio de 2011

O Celtismo na Gallaecia



O passado dia 3 de Maio e Branca Garcia Fernandes-Albalát, deu uma interessantíssima palestra dentro do ciclo do ciclo organizado pela Agrupação Cultural O Facho, titulada: O celtismo na Gallaecia; palestra a que o Archeoten. não puido ir mas que os membros do Facho achegarmo-nos na sua web a traves dum interessante áudio (magoa não ter imagens, pero ...). Escoitadeo não tem perdida.


Ir ao site de O Facho

sábado, 30 de abril de 2011

Congresso sobre o Campaniforme em Poio

XV Congresso Internacional sobre o Campaniforme: Desde o Atlântico aos Urales  

Onde e quando: Poio, Galiza, 5-9 Maio 2011


A próxima semana entre os dias 5 e o 9 do Maio de 2011 celebrar-se-á em Poio, Pontevedra (Galiza), o XV Congresso Internacional sobre o Vaso Campaniforme organizado pela Universidade de Santiago de Compostela, o CNRS e a Associação Archéologie et Gobelets.

O Congresso centra-se no periodo compreendido entre o III e II milénio a.C. na Europa, com uma énfase especial na cultura Campaniforme, que se estendeu por boa parte dela. Este ano a temática do Congresso centrar-se-á sobretudo naqueles aspectos relacionados com a mobilidade de populações durante a transição entre o Neolítico e a Idade do Bronze, um período marcado por profundas mudanças nas esferas económicas, sociais e religiosas.

Ainda que a cerâmica Campaniforme dá o seu nome ao fenômeno e ao período, analisaranse também os outros elementos em jogo neste complexo e entre os que o campaniforme constitui um mais entre os indicadores da cultura material que nos mostram estes fenômenos de mobilidade e circulação durante este periodo da pre-historia, alongando-se assim pois a temática a outros elementos não "cerámicos" como a produção de sílex, a arqueometalurgia, o trabalho e comércio de metais preciosos, ámbar, etc, assinalando-se ao mesmo tempo os avanços aportados nos últimos anos pelas diferentes sub-disciplinas arqueológicas ao conhemento desta época: desde o estudo da tecnologia ao do paleoambiente ou a paleodieta.


+ INFO no site do:  XV Bell Beaker Inter. Congress

terça-feira, 29 de junho de 2010

Repensando a Idade do Bronze e os Indo-europeus



Dentro do Projeto ABrAZO (Ancient Britain and Atlantic Zone-Ireland, Armorica & Iberian Peninsula) celebrara-se a proxima semana, na Universidade de Oxford o Coloquio Rethinking the Bronze Age & the Arrival of Indo-europeans in Atlantic Europe.

Este projeto interdiciplinar dirigido pelo linguista J. T. Koch e o arqueólogo Barry Cunliffe, pretende respostar a mudança de paradigma que nos últimos anos se tem dado no eido dos estudos Célticos Os argumentos fundados na arqueologia e na genética apontam, cada vez mais, a favor de situar as origens celtas na Idade do Bronze Atlântico em lugar de nas culturas de Hallstatt e La Tène do Ferro centro-europeu, ou nos seus precedentes imediatos nos Campos de Furnas, como vinha sendo tradicional.

O colóquio focara-se na relação entre a Arqueologia da Idade do Bronze e os processos de celtização e indo-europeização, centrando-se fundamentalmente das Ilhas británicas pero também com achegas a outros âmbitos atlânticos como o tartêssico, e reunindo para elo neste foro a alguns dos mais importantes especialistas do momento como Renfrew, Mallory, Bodkto, Brathner, etc.


+INFO no site de:  Rethinking Bronze Age

sábado, 3 de outubro de 2009

Modelos e Etno-géneses


Áreas Linguísticas e Culturais Atlânticas, modelo de evolução

Fase 1)  Bronze Final Atlântico 900-600 a.C, área Atlântica e área dos Campos de Furnas centro-europeus, contraste entre ambas

Fase 2) Europa Atlântica 600-300 a.C, sobrevivência de celta arcaico (celta Q) em áreas marginais, novo circo atlântico (Gales-Cornualhes-Armorica)e zonas de influenza hallstattica e Lateniense em celta P

Fase 3) Europa Atlântica 300-100 a.C, área de influência de La Tene Meio (Cultura de Arras) e sobrevivência tradições atlânticas indígenas em áreas periféricas (W Irlanda, N Escócia, NW Hispania)

Modelo proposto por Jon Henderson (2007) para explicar a celticidade linguística das áreas marginais ao complexo lateniense (modelo tradicional de celtização). pranteia um modelo de evolução diacrónica correlativa das área linguística e arqueológica atlânticas que permite ver as inter-relações cambiantes a nível global sobre a base de uma continuidade local básica.

Um modelo mais coerente de celtização acredito eu que pensar em macro-ondas demograficas invasivas e historicamente improváveis


A IDADE DE FERRO ATLÂNTICA


HENDERSON, JON C.: THE ATLANTIC IRON AGE. SETTLEMENT AND IDENTITY IN THE FIRST MILLENIUM B. C. ROUTLEDGE, LONDRES, 2007, 369 PP., 125 FIGS.


Por Marcial Tenreiro Bermúdez


Não se pode negar que o conceito de Cultura -ou área cultural- Atlântica foi de grande produtividade para a arqueologia pré- e proto-histórica européia, sobretudo no que se refere a períodos como o megalitismo ou o Bronze Final. Neste sentido o livro em questão que aqui reseñamos se apresenta como um prolongamento do topos atlantico a um período, como o Ferro, onde não desfrutou ainda de tanto predicamento. 
Um objetivo ambicioso que contínua o labor de Barry Cunliffe e outros arqueólogos na definição de uma facies atlântica para dito período, e que Henderson propõe nesta obra a modo de uma complexa e rica síntese interpretativa. Durante o primeiro capitulo parte de uma revisão do próprio conceito de relacionamentos atlânticas e das suas teorias, desde os primeiros desenvolvimentos difusionistas ao decisivo giro procesualista, propondo de passagem uma série de problemas que se foram reproduzindo ao longo da bibliografía: como o tópico do conservadurismo e estatismo da Área Atlântica ou a dificuldade de apreciar o relacionamento entre a diversidade local e a unidade fundamental de uma tradição/é atlântica. 
Para salvar ditas limitações Henderson propõe um conceito de interação mas dinâmico, que permita apreciar o papel e evolução próprias das diversas comunidades locais, não podendo se falar assim, segundo o autor, tanto de uma tradição atlântica uniforme como de uma "diversidade emparentada" na que desenvolvimentos locais junto a relacionamentos a longa distância confluem na criação de uma relativa koiné. Duas feições que conjuga ao longo de toda a obra através de uma síntese entre os modelos de mudança social derivados da teoria de World Economic Systems e da arqueologia do assentamento.

Isso lhe permite observar o papel na continuidade atlântica de fenómenos como a forma de produção predominante: uma economia mista com tendência ao pastoreo, que favoreceu a adaptação das comunidades atlânticas ao deterioro climático que se dá durante a Idade do Ferro, favorecendo por tanto uma maior estabilidade social e cultural, por contraste com o que acontece em outras regiões. Desde o ponto de vista dos padrões de assentamento o Ferro atlântico longe de constituir um retrocesso mantém a tendência do Bronze Final a uma maior sedentarización, apreciavel no aparecimento de sistemas de campos de cultivo fechados (Fields Systems) e assentamentos permanentes, frequentemente em pedra, que se lhes associam.
Um elemento de grande interesse é o uso que o autor faz do conceito de "identidade"; mostrando como as Similitudes e diferenças da cultura material ou o tipo de assentamento podem atuar à hora de criar e negociar afinidades ou alteridades entre comunidades regionais e áreas culturais, incide assim no contraste que se estabelece entre a série de elementos comuns ao complexo atlântico (casas circulares, depósitos acuáticos, ausência de enterros, etc.) e os próprios da tradição dos Campos de Urnas. Atenção especial merece a cultura material, observando que conquanto os objetos que circulam pelo atlântico têm uma origem inicial centroeuropeu, parecem ter sido adaptados para criar uma nova tipologia, própria e comum dentro da área, e intencionalmente diferente do seu modelo original. 
Mostra-se assim o consciente alteridade de duas áreas culturais (Atlântica vs. Campos de Furnas) unidas por um relacionamento de mutualidade comercial (o cobre alpino e o estano atlântico) mas que se reconhecem ao mesmo tempo entre se como diferentes o expressando através da sua cultura material. Envelope a feição simbólica e ideológico dos bens móveis que circulam nas redes atlânticas argumenta que a continuidade de tipologias como os caldeiros de rebites pôde se ver favorecida pelo papel ritual que desempenhavam ditos objetos dentro do seu circulo cultural. O qual poderia explicar o tardio do uso do ferro ou fenómenos peculiares como o de que as poucas espadas hallsttáticas do âmbito nórdico e atlântico sejam normalmente versões em bronze de tipos férreos alpinos. 
Henderson incide no importante papel jogado pelo intenso comércio do Bronze Final para a definição das comunidades atlânticas, já que será finalmente a decadência daquele a que determinasse o seu carácter periférico e marginal durante o Ferro, dando assim local a zonas regionais com uma marcada personalidade, que em parte inovassem desenvolvendo elementos do substrato atlântico comum. Detém-se em concreto em duas zonas sub-regionales: a formada por Irlanda e Escócia, e pelo eixo Armórica-SE da Inglaterra. A primeira desenvolve uma arquitetura própria a partir das casas circulares do Bronze, dando local a edifícios domésticos sem igual como as monumentais roundhouses escocesas, enquanto a outra inmersa na nova rede comercial que se desenvolvesse a partir de 600 a.C., absorve e sintetiza elementos do mundo centroeuropeu e lateniense. Henderson observa dentro de ambas umas convergências na cultura material e o de habitem, bem como a sincronia de determinados fenómenos, que parecem sugerir contactos mas intensos do que mostra a priori o registo.

Por ultimo um ponto a assinalar, desde uma perspetiva peninsular, é a reformulação que realiza o autor na conclusão do problema das línguas célticas. Para isso toma como base a hipótese da língua franca atlântica de Marisa Ruíz-Galvez (Ruíz-Galvez, 1990), bem como os modelos de celtização linguística durante o Bronze Final que, durante os últimos ânus, foram utilizados por arqueólogos e lingüistas para explicar a problemática irlandesa (Koch, 1986; 1991;Waddell, 1991; Wabbell e Conrroy, 1999; Raftery, 1991, Cunliffe, 2001), o que lhe permite correlacionar as áreas linguísticas com a visão arqueológica, replanteándoas como manifestação de uma dicotomía que se observa assim mesmo no registo entre as zonas de influência lateniense e aquelas outras, como Irlanda ou a Península Ibéria, ficaram, em maior ou menor medida, à margem da nova rede de contactos atlânticos, e que se caracterizassem significativamente por manter dialetos celtas mas arcaicos em Q- por oposição ao inovador celta P- derivado do mundo continental. Inferindo-se disso como lógica conclusão a identidade entre o Celta Q- (ou proto-celta) e a postulada língua vehicular do Bronze Final Atlântico. 
Uma alternativa mais procesual e cumulativa que tem ao seu favor, com respeito às suas competidoras, uma maior coerência entre dados linguísticos e arqueológicos, mas que contrasta com as geralmente aceitadas visões da celtizacão hispana, que tendem a atribuir a um processo celtiberiçador, primando a via continental-pirenaica- sobre a atlântica, hipótese que foi criticada recentemente para a própria Celtiberia (De Bernardo, 2006; Manyanos, 1999). Isso levou aos nossos proto-historiadores, com exceções (Pena, 1994), a considerar ao NO peninsular como uma área à margem de uma celticidade definida baixo o paradigma do celtibérico, se propondo como alternativa uma série de rasgos e particularidades diferenciais do castrejo, como o seu carácter periférico ou a continuidade autótona com respeito ao Bronze Final Atlântico. Precisamente os mesmos elementos (continuidade com o Bronze Final e evolução autónoma) que servem -henos aí um interessante paradoxo para a reflexão- ao nosso autor e a outros arqueólogos europeus para definir, precisamente, e explicar com isso de maneira abundo convincente e coerente as "celticidades" de outras comunidades atlânticas durante o Ferro.


DE BERNARDO STEMPEL, P. (2006): “Las lenguas célticas en la investigación: cuatro observaciones metodológicas”, Cuadernos de Filología Clásica. Estudios griegos e Indoeuropeos, 16, pp. 5-21

CUNLIFFE, B. (2001): Facing the Ocean. The Atlantic and its peoples 8000BC-AD 1500. Oxford.

KOCH, J. T. (1986): “New Thoughts on Albion, Ierne and the Pretanic Isles”, In: Proceedings of the Harvard Celtic Colloquium, 6, pp. 1-28

___(1991): “Eriu, Alba and Letha: When was a language ancestral to Gaelic first spoken in Ireland?”, Emania, 9, 5-16

MANYANOS PONS, A (1999): “Un estado de la cuestión de la celtización peninsular desde la complementariedad de un doble proceso” Kalathos nº 18,, pp. 125-151

PENA GRANA, A. (1994): “O Territorio e as categorias sociais na Gallaecia Antiga” Anur. Brig, 17, pp. 33-78

RAFTERY, B. (1991): “The Celtic Iron Age in Ireland: Problems and Origins”, Emania, 9, 28-32
RUIZ-GALVEZ, M (1990): “Canciones del muchacho viajero” Veleia, 7, pp. 79-104

WADDELL, J. (1991): “Celtization of the West: An Irish Perspective”, en Chevinot, C. y Coffyn, A (eds.): L´age du Bronze Atlantique. Beynac, pp. 349-366

WADDELL, J. y CONROY, J. (1999): “Celts and Others: maritime contact and linguistic change” en Blech, R. y Springgs, M. (eds.): Archaeology and Language IV: Language Change and Cultural Transformation. Londres, pp. 125-13

(publicado en Gallaecia nº 28, 2009, pp. 221-222)


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